A noite

1 Depois de um ano


Notas iniciais
Bemmmmm, oi! Entre uma long e outra, tento sempre arrumar um tempinho para alguma one. E dessa vez, apresento-lhes minha primeira fanfic NejiLee do gênero angst. Gente, eu não sou louca por angst não, viu, mas tem hora que dá uma vontadezinha de escrever algo assim, já tenho três, contando com esse. ^^
Queria deixar explicado aqui nas notas que esta fanfic não é nada mais que uma visão minha sobre o episódio da morte do Neji. Fiquei muito sentida, porque era meu personagem favorito e, apesar de querer muito ele vivo, eu não podia deixar de explorar o que realmente aconteceu no anime. A impressão que eu tive foi que o Lee sofreu muito mais que a Tenten, e olha que eu jurava que ela super amava ele, então por isso que eu explorei uma história do ponto de vista dele, porque na minha cabeça e no que aconteceu, fazia muito mais sentido LeeNeji do que TenNeji. Massss, isso não quer dizer que eu não explore NejiTen sob o mesmo ângulo em alguma outra ocasião, certo? Só deixando explicadinho, para que não hajam confusões ou dúvidas.
Enfim, agora que tudo está esclarecido, vamos à história. Baseada na música A noite - Tiê, com algumas adaptações para o universo Naruto. A escolha de ouvir a música enquanto lê a fanfic é completamente sua. É uma música triste e o vídeo dela é mais triste ainda. Chorei vendo, sério. Espero de coração que gostem desta fanfic. Boa leitura, nos vemos nas notas finais!

Olhava a fotografia em suas mãos como se não houvesse nada no mundo mais precioso do que aquilo. No momento, não havia mesmo. Pareciam felizes, leves, livres das preocupações e consequências da guerra. Ali, ainda eram gennins; haviam crescido muito desde àquela época. Desviou os olhos, sentindo dor, apenas para encontrar sua imagem refletida no espelho à sua frente.

Analisou suas vestes, os olhos se comprimindo para o que via. Jamais havia esperado que precisaria estar usando vestes de luto para alguém tão querido. Fazia um ano desde que Neji havia morrido e a família Hyuuga resolvera fazer um momento simples, apenas para não deixar sua lembrança passar em branco. Como se fosse ser capaz de esquecê-lo. Lembrava-se dele a cada segundo de sua maldita triste vida.

Palavras não eram suficientes para descrever o sentimento que crescia em seu peito a cada dia. Se sentia vazio, oco. Como se faltasse algo para completar e é claro que faltava. Ele. Por que Neji havia morrido e complicado as coisas para ele? Por que quebrara a promessa que fizeram perante os companheiros de que sairiam da guerra vivos, os quatro?

O vazio abraçara-se à uma culpa imensa que corroía todo o seu ser lentamente. Não havia sido capaz de protegê-lo.

Evitava pensar em como seria a vida sem o amigo, apesar de ter se passado um ano. Não pensava, nem ao menos tocava no assunto com os colegas, porque sabia que um medo colossal cresceria em seu peito com a possibilidade de seguir os seus dias sem Neji. Como poderia? Eram como irmãos! Até mesmo imaginar algo assim o deixava vulnerável, com falta de ar, então havia seguido sua vida sem pensar muito sobre o assunto.

Mas, agora, a realidade do acontecimento batera em sua porta com aquela data. Já fazia um ano, que passara-se tão lentamente que ele nem ao menos sabia explicar como havia aguentado tanto tempo sem desmoronar. Não queria enfrentar mais dias, não queria continuar seguindo sabendo que seguiria sozinho.

As lágrimas o pegaram de uma vez, tanto que suas pernas não foram capazes de sustentá-lo e ele foi ao chão. Sentia-se triste, cansado. Havia guardado toda aquele sentimento por tanto tempo no fundo do seu coração, para que não pudesse acessá-lo, mas agora ele estava ali, fazendo-o sofrer. Por que Neji havia ousado morrer daquela forma? Por que ele havia ido para o outro lado sozinho e se afastado daquela forma abrupta? Nem ao menos pudera despedir-se.

Em meio ao pranto, a foto em mãos, lembrava-se do passado. De como ele e o companheiro sempre foram rivais, apenas pelo próprio lado, é claro. O Hyuuga nunca havia dado muita importância para aquela rivalidade, até mesmo porque sempre considerava o oponente fraco demais para ser denominado daquela forma. Sempre sentira raiva disso, porque queria ser visto como Sasuke ou como Naruto posteriormente, pessoas que pareciam ter o respeito do outro.

Lembrava-se também da mudança do amigo, como depois da luta com o Uzumaki ele havia se tornado uma pessoa melhor. Estava menos arrogante, acreditando menos naquele papo de destino que fora imposto sobre ele pela família principal, mais gentil. Desde então, havia esquecido todo o ressentimento que tinha pelo moreno de olhos perolados e então finalmente haviam se transformado em companheiros, que dariam a vida um pelo outro caso precisassem. Se tivesse prestado mais atenção nele durante a guerra…

A dor o fez se curvar ainda mais, a testa quase colada ao chão agora. As lágrimas continuavam a cair, deixando tudo um borrão. Tinham feito uma promessa. Por que o maldito não havia conseguido cumprí-la? Por que ele havia se sacrificado e morrido daquela forma tão patética sendo uma pessoa tão brilhante?

Voltou ao momento em que reuniram-se os quatro, contando com Gai. O sensei havia feito um discurso impecável de como a guerra era difícil, complicada e, principalmente, dolorosa, que deixaria sequelas em todos eles para sempre. Ouviram com atenção o que ele falava, porque sabiam que era real. Nunca havia participado de uma, é claro, mas sabiam as consequências decorrentes. Perante isso, no final, juntaram as mãos (Neji com uma careta cética) e prometeram uns aos outros que todos sairiam vivos. Que se encontrariam quando a paz reinasse novamente e fariam todos os tipos de coisa que quisessem.

O coração se apertou com a lembrança. Ajeitou sua postura e levantou os olhos para a imagem em suas mãos, uma nova crise de choro se iniciou. Não podia controlar a si mesmo, era como se as lágrimas tivesse vida própria. Neji se encontrava de um lado, ele de outro. Tenten era a única animada dos gennins, porque os dois meninos não pareciam nada felizes com o momento. Ele próprio, Lee, estava com a boca torcida, como se chateado com algo (que não se recordava) e o membro da família secundária com uma expressão neutra (como sempre).

Nunca haviam sido tão próximos como no período antes do conflito. Estavam tão chegados um ao outro, e, mesmo assim, não tanto quanto ele gostaria, infelizmente. Ninguém sabia do fato de que ele não via o companheiro como um simples amigo ou colega de equipe. Seu coração disparava a cada vez que se encontrava, a cada vez que o outro lhe dirigia o olhar. Tentava se aproximar, mas o outro sempre fora muito distante, como se não gostasse muito de contato ou conversas. Era sempre repelido por ser animado demais, escandaloso e afobado. As piadas ou brincadeiras nunca eram levadas a sério.

Criou forças do além para se levantar. Não queria mais encarar aquela fotografia, era doloroso demais. Deixou-a em cima da bancada e, sem intenção, passou o olhar por sua imagem refletida. Os olhos estavam vermelhos e manchas negras abaixo deles eram a prova de que ele havia chorado. Mas estava tudo bem, naquele dia ninguém o julgaria por estar sofrendo daquela maneira.

Seus cabelos estavam maiores do que normalmente, já batiam em seus ombros. Não fazia ideia de quanto tempo havia se passado desde a última vez que os cortara. E até mesmo isso lembrou-se da pessoa que morrera naquele mesmo dia, no ano anterior. A dor voltou de forma mais intensa, mas ele não queria mais sentí-la. Não queria mais olhar a si próprio e ver o quanto o fato estava acabando com ele. Não queria lembrar-se e sofrer ainda mais, como se fosse possível. Sentiu raiva e então deu um soco no espelho, quebrando-o em vários pedaços. Já não mais via sua imagem refletida e, sim, distorcida.

Foi ao chão novamente, as forças lhe abandonaram. Estava desolado. Ignorara o sentimentos por todos aqueles meses e nunca havia se permitido sentir. Nem ao menos na cerimônia da vila em homenagem à todos aqueles que partiram, logo depois do término da grande luta contra o Madara e a Kaguya.

Um sentimento novo apossara-se de sua mente naquele instante: arrependimento. Do que havia tido tanto medo? Por que não espora seus sentimentos? Por que não havia se declarado? Por que não havia dito ao amigo que o via muito mais do que como apenas amigo? Entre tantas palavras não ditas, tantas palavras de amor. Era uma paixão antiga e parecia que o fim nunca iria chegar. Ele gostaria que não tivesse chegado. Mas agora seu amado estava do outro lado e só os céus sabiam quando iriam se encontrar novamente. Ou se iriam. Por que havia sido tão idiota?

Um calor encostou-se subitamente em suas costas. Mãos começaram a acariciar seus cabelos e braços e uma voz carinhosa tentava acalmá-lo.

— Está tudo bem, Lee. Eu estou aqui. Você não está sozinho. — Era Tenten, oferecendo-lhe conforto.

Não sabia estar gritando. Mas estava. E só havia percebido quando a amiga chegara para lhe consolar. Com toda certeza, fora isso que chamara a atenção dela. Provavelmente estava passando por ali, a caminho da cerimônia e o ouvira de longe. Com ela, não eram necessárias palavras, nem mesmo um pedido de ajuda. Ela poderia compreendê-lo mesmo no silêncio, tão íntimos que eram.

— Tenten… — Sussurra ele, a voz rouca pelo choro. A morena o instiga silenciosamente a continuar, no seu próprio tempo. — Agora ele nunca saberá, ele nunca saberá.

— Quem? O quê houve?

Mas não tinha a coragem o suficiente para dizer à ela. Como poderia? Era um covarde. Um covarde que sofreria sozinho com suas próprias dúvidas.

Continuou murmurando as palavras que queria berrar ao mundo. Neji nunca saberia sobre os seus sentimentos, nunca. Porque ele estava morto. E Lee estava vivo.

— Shhh, Lee, vai ficar tudo bem, ok? Confie em mim, as coisas vão melhorar. Vamos lá, pare de chorar. Tudo vai se resolver. — Ela continuou sussurrando palavras de apelo positivo, apenas para ele. Queria acreditar, queria confiar nela, mas se sentia tão afundado na dor, tão sozinho. Como poderia dormir e acordar todo dia sabendo que não veria o Hyuuga andando por aí com sua típica expressão?

Chorou até não haver mais o que chorar e a Mitsashi não saiu de seu lado em nenhum momento. Por fim, ela acabara o convencendo de ir à cerimônia, alegando que ela e Gai estariam ao lado dele o tempo todo. E eles ficaram.

O sensei parecia extremamente abalado e isso se intensificou ao ver o estado em que o aluno se encontrava. Não queria preocupar o Maito, mas não conseguia mais fingir que tudo estava bem. Se abraçaram e choraram mais, tristes, mas juntos. Estava unidos. Apenas os três. Não eram mais quatro.

A cerimônia se passou rápido. Alguns membros da família Hyuuga falaram e fizeram homenagens ao falecido. Ele assistiu tudo longe, a cabeça em qualquer lugar menos ali. Estava presente de corpo, mas não poderia dizer o mesmo de sua alma. Porque ela se fora, acompanhando o moreno de olhos perolados.

Ao final, fechou os olhos para fazer uma prece, acompanhando os outros, um momento específico para que todos desejassem coisas boas a Neji, que estava no outro mundo. Sua mente vagou pelas palavras, mas só havia uma coisa a ser dita. E esperava, com o todo o seu coração, que o companheiro ouvisse a mensagem que ele queria mandar.

“Eu te amo, Neji, nos veremos em breve.”

Notas finais
Gente, é isso. É uma coisa muito triste que me deixou no chão e essa é a minha percepção sobre o fato da morte do Neji, um pouco sobre o que eu senti também, sabe. Um beijo grande no coração de vocês, espero que tenham gostado.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!