A mão esquerda de Lúcifer
5 Ele passou pela mansão dos mortos. Amém.
Notas iniciais
Melanie tossia com a bala cravada no peito, ela estava jogada no chão e a chuva gelada caia sobre nós, eu soltei a arma e corri, ela respirava com dificuldade, passei minha mão por de trás de sua cabeça.
– Mel?
– Eu ia salvar a gente Katy... – Ela tossiu, sua voz estava fraca e falha – Ia salvar a gente... Mas você preferiu que ele vivesse...
– Mel... Eu não sabia que era você...
Ela sorriu para mim mostrando os dentes ensanguentados.
–Afinal... – Ela tossiu sangue – Estou morrendo do mesmo jeito do papai... No lugar de um Winchester.
– como...
Antes de eu terminar a frase, ela sorri outra vez e a luz vai se apagando dos seus olhos.
– Adeus Katy...
Melanie estava fria agora, fechei seus olhos em um movimento rápido e automático, não havia sentido as lagrimas escorrendo dos meus olhos até então.
Aquele foi o pior momento de minha vida...
Sioux Falls, Dakota do Sul.
Passaram-se uma semana desde o ocorrido em Cold Oak, Bobby me ofereceu abrigo e eu aceitei por uns tempos, eu não conseguia parar de pensar no que Mel havia dito no dia do incidente, as palavras dela ecoavam em minha mente, sofria uma culpa sem igual, eu não dei atenção a ela e ainda a matei, a culpa subia meu sangue e minha mente, eu pensei por varias vezes atirar em minha própria cabeça, mas não tinha coragem o suficiente, Bobby passou por uma situação parecida há uns anos, ele me consolava como um pai.
Mas mesmo todo o meu remoço e culpa não se igualava a dor do Dean, ele se recusou a cremar o corpo de se irmão, se trancou dentro de uma casa abandonada e lá ficava o dia todo.
Bobby e eu revessávamos para ir ver como ele estava, e nos certificarmos que ele não faria nenhuma besteira, mas Dean era impulsivo de mais para se controlar com abraços e beijos.
No dia anterior ele havia surtado com Bobby, que me disse para não ir lá, pelo menos não hoje, mas eu me importava demais com ele para deixa-lo em uma casa, sozinho com um morto.
– Dean? – Chamei quando entrei – Trouxe comida!
A casa fedia carne podre, e havia garrafas de bebidas baratas por todos os cantos.
–Dean! – Chamei outra vez – Te trouxe um X-bacon.
Fui caminhando e entrei no quarto em que estava Sam, Dean estava sentado em uma cadeira encostada na parede com lagrimas nos olhos, ele estava branco e com cara de quem não dormia fazia uma década.
– Dean? – Falei baixo, mas ele nem se quer se mexeu. — Ora, Dean. Vamos.
– Vai embora! – Disse ele então.
– Não, não vou embora e deixar você aqui com um morto! Já chega Dean! – Eu estava irritada — Também perdi minha irmã no mesmo dia que você e o pior, dei o tiro final, claro que estou sofrendo! Mas não me mantenho presa dentro de uma casa vendo Melanie apodrecer na minha frente!
Ele se levantou em um salto e me grudou na parede pelo braço.
– Vá embora!
– Ou então o que Dean? Vai me matar e me olhar apodrecer?
Ele deu um soco na parede a dois milímetros de distancia do meu rosto, deu duas voltas no quarto, pegou a chave do Impala do bolso da jaqueta.
– Você tem razão, não vai adiantar eu ficar aqui. – ele me olhou com mais lagrimas nos olhos – Fique aqui Katy... Por favor, não saia, eu vou voltar, e vou trazer Sam de volta comigo.
– Aonde você vai Dean?
– Eu vou voltar. – Ele chegou perto de mim e me abraçou – Prometa que vai ficar aqui com ele?
– Promete que não vai se matar?
Ele ignorando minha pergunta saiu, entrou no carro e sumiu virando a próxima esquina.
Bati a porta com mais força que deveria me sentei na cadeira ao lado da janela e fiquei lá rezando para que ele voltasse logo com um feitiço maluco de ressureição.
Eu cochilei com a cabeça apoiada na janela.
Acordei aproximadamente vinte minutos depois pelo que pude imaginar, passei a mão no rosto e olhei pela janela, o Impala preto estava estacionando em frente à porta, ouvi uma cadeira de arrastar atrás de mim, olhei por impulso.
– SAM!? – Arregalei os olhos
A porta se abriu e Dean entrou olhou para o irmão, eles sorriam, os dois se abraçaram em uma calorosa troca de amor fraterno.
Eu fiquei lá pasma por segundos que pareceram anos.
–Katy! – Disse Sam vindo para perto de mim todo sorridente e com os braços abertos. – Finalmente acordou.
– Oi... Oi Sammy.
Ele me abraçou e eu fiz o máximo de esforço para abraça-lo de volta. Meu rosto batia no peito do Sam, e eu pude ouvir seu coração batendo, isso era mais bizarro que muitas coisas que eu vi por ai, e olha que eu já vi muitas coisas por ai.
Nós conversamos por alguns minutos, e contamos tudo a Sammy, menos a verdade.
Dean me disse que faria tudo para trazer Sam de volta, mas eu não pensei que ele fosse idiota a ponto de fazer um pacto, fazer um pacto depois de seu pai morrer do mesmo jeito para salvar sua vida.
– Eu vou para casa. – Disse me levantando do chão e pegando minha jaqueta.
– Vamos para o Bobby também. – Disse Sam
E assim se fez.
Como era de se esperar Bobby surtou, ele surtou na hora em que abriu a porta. Mas não disse absolutamente nada enquanto Sam estava lá.
– Dean venha – disse – Vamos comprar alguma coisa para comemorar.
Bobby me deu um sorriso amarelo, e acenou com a cabeça.
Dean apenas se levantou de onde estava e pegou as chaves do Impala.
Estava garoando lá fora, a mesma garoa fria e densa que banhava a terra no dia em que Melanie estava jogada no chão.
– Quanto tempo ela te deu Dean? – Gritei quando estávamos perto do carro.
– Não precisa se preocupar eu...
– QUANTO TEMPO DEAN?!
– Um ano...
– Um ano! Dean Winchester! Um ano?!?!
– Ora katy, ele é meu irmão... É meu dever protegê-lo
– Não desse jeito Dean.
Eu estava irritada, eu não acreditava que ele era tão idiota.
– Então vamos Katharine! Dê-me outra opção! E se fosse a Melanie, você teria feito à mesma coisa!
– Não Dean... Eu não fiz a mesma coisa...
Olhei nos olhos dele, abaixei a cabeça e caminhei para a porta do carro, os pingos de chuva começaram a chicotear em meu rosto, o céu estava escuro, me lembrava Melanie...
– Porque você se importa tanto? – Ele entrou do lado do motorista.
– Porque eu matei a minha irmã Dean! Matei ela para que ela não mateasse você! Porque seu pai morreu para que você vivesse! E de repente você joga tudo fora?
– Se se importa tanto com a sua irmã, por que não fez alguma coisa então?
– Porque eu respeito à lei da natureza. Por isso!
As lagrimas escorreram no meu rosto, quentes e salgadas totalmente ao inverso da chuva lá fora, a chuva que me lembrava Melanie. Dean parou o carro, acho que ele percebeu o meu momento de fraqueza, afinal nós éramos amigos desde a infância, Dean era a pessoa que eu mais confiava no mundo.
– Katy, me desculpe. – Começou ele – Mas eu não consigo ser forte como você.
– Vamos logo comprar essa droga de comida.
Ele ficou me encarando por um tempo, mas eu não o olhei de volta até que ele acelerou o carro outra vez.
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