A morte vem aí

1 A morte, que nunca lhe pareceu tão boa...


Notas iniciais
Apesar de falar em morte, não é nada muito pesado... Até fofinho eu diria k Espero que gostem ~

No instante em que pôs o pé naquele mundo, Chrome Dokuro sentia uma vontade absurda de voltar. Se fosse humana, provavelmente estaria se sentindo enjoada, embora uma careta se desenhasse naquele belo rosto. Segurava seu querido tridente com as mãos firmemente, talvez com uma intenção fracassada de se sentir um pouco mais a vontade. Ken, seu colega de gênio difícil, apesar de prestativo, a esperava nas fronteiras da cidade junto ao portão que os levou para a superfície. Tinha lhe desejado boa sorte — dito do jeito dele fez o que não ajudava muito. O jeito era realizar sua missão o mais rápido possível.

Com tal pensamento em mente seguiu a passos rápidos para o interior da casa, acabando com a distância que a separava de seu trabalho. Não bateu na porta, ou arrombou, apenas seguiu direto como se ali nada houvesse. Não tinha um corpo físico, então não precisaria se incomodar com bater o rosto na parede ou coisa semelhante. Chegando ao quarto, viu a figura que deveria deter sua atenção repousando sobre a cama. Conferiu os dados no caderninho que trazia consigo apenas para ter certeza. Ali continha tanto a história de vida como a foto de seu alvo.

Aquele era Yamamoto Takeshi. Solteiro, 25 anos, um jogador de baseball relativamente famoso que depois de um grave acidente — não especificava qual — não pôde mais sair da cama. E aquele era o dia em que ela lhe tomaria a vida, levando-o ao tribunal das almas para ser julgado — um acontecimento comum em seu mundo.

Ou essa era sua intenção. Tão breve conferiu os dados, posicionou seu tridente em direção ao jovem... Porém parou o ataque antes de acertá-lo. A visão de seu único olho naquela figura lhe fez optar por se aproximar ainda mais do jovem... E colou seus lábios aos dele.

Não era uma atitude padrão sua isso era certo.

Não houve nenhuma alteração significante naquele corpo, porém Chrome sentiu como se fato o beijasse. Se não fosse fisicamente, espiritualmente...

Assustou-se quando sentiu que era correspondida. Mesmo sem atingi-lo com o tridente, aquela vida se extinguiu tal como se o tivesse feito.

A alma daquele homem se tornou visível a ela pela primeira vez. Além da aparência costumeira, possuía um contorno azulado como a água do mar.

A alma, depois de se separar de Chrome, parecia encará-la como que curiosa, ainda estava meio que ligada ao corpo. Chrome aproveitou o espaço que se fez entre eles e desmontou e guardou sua arma. Então abraçou o rapaz pelo peito e o puxou, perdendo por fim o último fio que o conectava aquele mundo.

Era tão leve quanto uma folha então ela não teve problemas em levantá-lo, mas isso pareceu assustar o rapaz.

- Ei...!

- Não precisa se preocupar, estou acostumada com isso. Suponho que você queira saber algo além? — Chrome disse com aparente confiança de si, embora de fato não estivesse naquele momento.

Aquela alma tinha uma determinação acima das demais... Não sabia se era em um nível similar a sua devoção por Rokudo Mukuro, porém ainda era algo para que se sentisse intimidada.

- Foi você que fez aquele clone meu? É muito realista! — Yamamoto falou nitidamente impressionado. — A tecnologia realmente avança com o tempo...

Chrome primeiro pensou que o rapaz estivesse fazendo uma brincadeira, porém ao perceber o brilho que aqueles olhos mantinham — apesar de que não estivesse vivo para que algo assim acontecesse de fato — soube que o outro parecia falar sério...

... O que poderia responder para uma pessoa assim?

- Er... Não... Veja, aquele é o seu corpo mesmo... — Chrome falou incerta.

- Ah, entendo! Então eu que sou um clone? — Yamamoto questionou um tanto espantado.

-... Er...

“Sempre mantenha a calma, minha querida Chrome. Quando você não tiver ideia de como lidar com uma pessoa apenas jogue seu jogo. Se a pessoa for direta, seja direta. Se essa pessoa vive em um mundo de mentiras...”

“Apenas use elas a seu favor.” Chrome completou em pensamento as palavras que uma vez tinha ouvido de seu salvador. Com isso ela conseguiu ficar mais calma...

- Claro... Que não.

Mas por algum motivo, o mesmo que a fez agir de forma incomum mais cedo, a impediu que mentisse. Talvez aquela figura lhe lembrasse de alguma coisa... Aquela aura lhe era intimidante de alguma forma, mas era mais porque parecia manter um pequeno segredo que ela poderia querer ou não descobrir...

- Não? Então, você sabe o que está acontecendo? Não vou te forçar a dizer é claro...

Ela contou apesar de tudo. E se surpreendeu ao perceber as mudanças de expressão do rapaz... De confusa para amarga, de amarga para melancólica, terminando com um sorriso triste.

Mas também... Aliviado?

- Então você veio me buscar... Há quanto tempo você vem fazendo isso?

A lua iluminava fracamente naquela noite fria. Estava tudo silencioso, seus passos não faziam barulho assim como suas vozes. Chrome segurava a mão de Yamamoto por nenhuma razão particular já que diferente de alguns de seus alvos ele estava aceitando tudo num nível muito bom...

- O tempo no submundo passa diferente do tempo daqui... Não saberia dizer. Queria que também me respondesse uma coisa...

- Pode falar. — Yamamoto falou com o seu sorriso habitual de volta à face.

- Você queria tanto assim que lhe tirassem a vida?

- Não exatamente... Vamos dizer que eu queria encontrar uma pessoa. Ela era uma pessoa que eu amava muito... E você é parecida com ela, tanto que até me assustei quando a vi. — Yamamoto confessou — Acho que isso me faz aceitar melhor as coisas... Eu queria muito vê-la de novo, mais do que tudo nesse mundo...

Chrome se manteve quieta, apesar de querer saber mais sobre. Porém não foi necessário dizer nada já que aparentemente Takeshi tinha vontade de dividir essa informação com ela.

- Nós éramos namorados, mas um dia ela não voltou mais... É provável que um de seus colegas a tenha visto, seu trabalho era bem perigoso.

Chrome ficou pensativa por um momento, acabando por dizer:

- Dependendo de como for seu julgamento, talvez vocês se encontrem um dia.

-... Não acho que ela gostaria. — Yamamoto falou em um tom meio amargo — Mas desde que eu saiba que esteja bem...

A noite já dava lugar à luz do sol nascente quando eles chegaram à floresta próxima as fronteiras de Namimori.

Chrome se manteve pensativa, apesar dos ditos de Takeshi de que não era necessário. Desde que começaram a caminhada a ceifeira não havia visto o rosto de seu alvo, tão somente deduzindo sua expressão pelo tom de voz.

Ken os esperava com uma expressão impaciente, e tão logo estivesse ao alcance de sua voz, o que era uma distância de metro, gritou:

- Está atrasada!

Próximo de seu colega havia uma espécie de buraco negro que não parecia ter fim. Yamamoto fixou seu olhar por um momento ali e disse:

­- Uau... Parece divertido. — Yamamoto comentou impressionado.

- Desculpe Ken, já te alcançamos! — Chrome tentou gritar na altura de seu colega, mas sua voz naturalmente baixa lhe traiu.

- Seu amigo parece divertido. — Yamamoto comentou do nada.

Chrome achou melhor se manter quieta enquanto terminavam o percurso.

- Você se acha tão importante para me fazer esperar??

- Desculpe. — Chrome repetiu já que provavelmente não havia sido escutada antes — Aqui está Yamamoto Takeshi.

-... Não chega nem perto das pegadas do Mukuro-sama! — Ken falou enquanto parecia examinar Takeshi de cima a baixo.

- Não precisa ser cruel... E quem é esse “Mukuro-sama”? — Takeshi questionou meio sem graça.

- Isso não interessa... — Ken falou com seu melhor tom indiferente àquela existência — Aliás, por causa de você e sua pressa irritante, não vimos às mudanças que aquele chefe idiota fez na sua missão.

- Preciso fazer mais alguma coisa?

Chrome falou montando seu tridente que havia guardado e, ainda o segurando com uma das mãos, posicionou-o na grama ao lado de si. Tentava limitar seu desgosto ao máximo, mas era nítido que aquilo a desagradou, já que apertava os lábios ligeiramente.

Geralmente nunca era uma mudança para melhor.

- A única culpada aqui é você, que isso fique bem claro! — Ken afirmou como se fosse uma verdade absoluta — Mas parece que você só ficará um tempo cuidando desse cara ou algo assim.

-... Yamamoto Takeshi vai morar conosco? — Chrome questionou estranhamente esperançosa.

- Não. Você que vai morar com ele pelo que parece. — Ken falou em tom de comemoração — A diferença é que eu não vou precisar ter que olhar para sua cara feia por algum tempo.

Chrome apenas deu um leve suspiro, pois apesar de dizer isso sabia que Ken iria arrumar uma desculpa para visitá-la posteriormente. Então focou o olhar mais uma vez em seu “alvo” depois de algum tempo. Yamamoto ainda se concentrava naquele portal, alheio a tudo e a todos.

- Parece que eu vou te fazer companhia por algum tempo, Yamamoto Takeshi.

Chrome falou se aproximando do rapaz enquanto deixava Ken falando sozinho sobre seus planos para o tempo em que não teria a sua “desagradável presença” por perto.

Yamamoto pareceu se assustar com a súbita aparição — como se apenas ele estivesse ali -, porém logo relaxou. Ao entender o dito da moça, ele subitamente pareceu ter renascido, tal era a vivacidade que aqueles olhos castanhos transmitiam. Chrome não conseguiu evitar sorrir também quando Takeshi o fez, ouvindo-o dizer:

- Oh, sim. Por favor, tome conta de mim.

Notas finais
A princípio, seria o Mukuro o papel de ceifeiro... Mas no fim gostei mais dessa forma. Espero que tenha valido seu tempo! Comente se quiser k
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!