Notas iniciais
Pensei em fazer uma historia sobre o antes e depois desses acontecimentos, mas acabei desistindo. Enfim aproveitem

Daniela acordou com o som conhecido de seu despertador, levantou-se preguiçosamente e o desligou. Foi até o banheiro escovou os dentes e os cabelos, voltou ao quarto e observou o lado vazia da cama, ainda arrumado, pois ninguém dormira nele há meses agora, ela esperou seu amado voltar durante esse tempo, mas agora ele estava nos braços de outra. Uma lagrima escorreu por seu rosto de expressão triste e seus olhos eram vazios e profundos.

Devagar como sempre fazia, arrumou a cama, tomou o café e limpou a casa por inteiro, cada canto, cada objeto em seu lugar. Observou de relance o quarto vazio ao lado do seu, um dia sonhara com filhos, mas agora já era um sonho distante e impossível. Lutando contra as lagrimas andou a passos largos até seu quarto, em sua escrivaninha, havia vários envelopes lacrados e endereçados a todos seus amigos e família, cada escrito à mão cuidadosamente. Separou-os e levou até o hall de entrada do apartamento, colocando numa cesta ao lado da porta, deixando visível para qualquer um.

Voltou ao banheiro e meticulosamente dobrou seu pijama, separou-o e colocou num canto do cômodo, abriu a torneira da banheira e fez o mesmo ritual que sempre fazia ao se banhar, no entanto algo dessa vez mudara, em cima da pia havia um armarinho de remédios, ela abriu e pegou um frasco, tomando todos os comprimidos de uma única vez. As lagrimas agora tomavam conta de seu rosto, fechou a torneira e deitou-se na banheira, chorava todos os dias, todos os banhos, dessa vez seria o último, enxaguo suas lagrimas e esperou o efeito dos antidepressivos que seu médico receitara a muito tempo. A banheira era uma certeza da morte caso os remédios não completassem o serviço, a água terminaria o trabalho a afogando, pensara cuidadosamente nos detalhes durante muito tempo, não iria deixar bagunça alguma, nem pontas soltas, sempre se orgulhou de levar tudo até o fim e perfeitamente.

Uma dona de casa perfeita, e uma esposa exemplar, porém isso não manteve seu marido. E seu coração, corpo e alma ainda o pertenciam...

Sua visão estava turva, na ponta da banheira podia ver uma mulher de preto sorrindo. “Ainda não é sua hora querida” — A voz sombria a fez tremer de medo e ao mesmo tempo calmo e acalentado.

Não sou forte – disse entre dentes quase num sussurro

É mais forte do que pensa criança, ele ainda te ama, só não percebeu ainda — A mulher de negro respondeu.

Tentou juntar forças para responder, mas seus sentidos foram se perdendo. Tudo escureceu e foi assim durante horas, talvez dias, ela não sabia dizer, tudo era frio e escuro. Esperava uma luz, purgatório, qualquer que fosse a próxima fase dessa transição. Então ela viu uma luz, várias pessoas falando, tudo era embaçado e as vozes eram estranhas.

Voltou a escuridão, e ficou um tempo assim. Quando seus olhos meio cansados ainda se abriram havia uma luz forte sobre sua cabeça e o som de maquinas. Sentia uma agulha em seu braço, e tubos por todo seu corpo, mordeu um deles sem querer ao tentar falar.

Graças a Deus – ela reconhecia a voz, sua antiga sogra, o rosto da senhora entrou em seu campo de visão. – Você esta em coma há alguns dias querida, não tente se mexer, vou chamar a enfermeira.

Outro rosto apareceu, mesmo com a visão nebulosa reconhecia seu ex-marido pelos traços do rosto, seu coração acelerou quando se lembrou de tudo, a luz, a mulher de negro, ela tentou suicídio, porém estava claro que falhou, onde errou? Pensava freneticamente.

Dany... Querida – a voz grave e conhecida de seu amado a acalmou sentiu suas aquelas mãos tão conhecidas tocarem seus rosto novamente. Sinto muito amor, não imaginei que sua doença a afetara tanto... Devia ter ficado com você quando precisava de mim, agora você esta nessa cama. Achei que ia te perder.

Aquelas mãos ásperas seguravam seu rosto como em muitas vezes antes. Ela absorvia aquelas palavras sem feliz. Sua visão agora se acostumara com a sala, tubos e mais tubos por saindo de dentro das cobertas, em seu nariz, bocas e Deus sabe onde. Virou a cabeça e observou o quarto. Era de cores pastel e a luz entrava na janela quase a cegando. Nunca estivera tão grata por estar viva. Virou a cabeça de lado e deixou as lagrimas de emoção rolaram por seu rosto.

Eu disse que ele ainda te amava... – A voz da mulher ecoa pelo quarto, mas somente Dany podia ouvi-la. Abriu os olhos e encarou o anjo da morte novamente lhe dando um sorriso de gratidão, mas a resposta não foi a que esperava. O anjo lhe retribuiu com uma risada de escárnio.

Falei que não era sua hora antes... Mas agora... – Ela sorria maliciosamente. Os olhos de Dany se abriram com terror ao ouvir aquilo. Ela esperneou e gritou por misericórdia. Seu ex-marido tentou a segurar, mas já era tarde. Na sala só havia o som das maquinas em um bipe continuo.

Muito tarde para se arrepender, humana – A morte sorria enquanto a alma da mulher era arrastada ao inferno por seus pecados.

Notas finais
Por favor deixem comentários, mesmo criticas são bem-vindas.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!