A missão

1 Capítulo 1


Eu estava sentada no balanço que Naruto costumava ficar ainda criança, quando Sakura veio até mim, informando que o Hokage estava a minha procura. O que prontamente estranhei, fazia tempos que não era convocada para missões, pois, com o fim da guerra e a paz entre às nações. Meio que não sobravam muitas missões para os jonins, a maioria era de nível C e D, daquelas que genins ou chunins davam conta sem maiores problemas.

Por isso, quando fui chamada, gelei. Pensei que tivesse acontecido algo de ruim, ou que tivéssemos algum tipo de problema maior.

Contudo, não adiantaria especulador o real motivo do chamado. Assim sendo, levantei-me e segui em direção ao prédio do Hokage e Sakura me acompanhou, pelo que soube, ele também queria falar com ela. Será que era apenas uma missão? Seria bom, dada a conjectura dos fatos, sair de Konoha desanuviaria minha cabeça conturbada e cheia de Naruto.

Era como se eu tivesse diversos Narutinhos em minha mente, ocupando todos os meus pensamentos. Eu o via pequenino até os dias atuais, já um homem feito e totalmente dono do meu coração.

Às vezes me perguntava, quando o esqueceria. Visto que, estava na cara, Naruto jamais corresponderia aos meus sentimentos. Portanto, não sabia para que ainda os nutria em meu coração bobo e apaixonado.

Ora eu queria esquecê-lo, ora eu o amava com todas as minhas forças. E assim eu seguia minha vida, completamente invisível diante dos olhos do meu amado.

Suspirei.

— O que houve, Hinata? — Sakura trouxe-me de volta de minhas divagações.

— Ah, nada não. — menti corando de leve.

— Já sei, estava pensando no baka do Naruto, não era? — riu de canto e eu fiz uma careta.

— Não consigo disfarçar, né? — devolvi envergonhada.

— Não tem do que se envergonhar, eu também vivo pensando no idiota do Sasuke. — confessou pesarosa. — Somos tolas mesmo.

Dito isso, logo chegamos ao destino. Cumprimentamos a guarda do Hokage, anunciamos que fomos chamadas e subimos até seu escritório. Sakura bateu na porta duas vezes e ouvimos um entra.

— Bom dia, hokage-sama. — Sakura iniciou com um certo grau de respeito, apesar de serem sensei e aluna.

— Por favor, apenas Kakashi. — ouvimos em resposta. — Bom dia.

— Bom dia, hokage-sama. — repeti e ele pareceu consternado para retrucar.

— Cadê Naruto e Shikamaru? — perguntou olhando para nós duas.

— Naruto prometeu que daria uma aula aos alunos da academia, disse que vem para cá assim que terminar. Já Shikamaru eu não encontrei. — Sakura explicou e Kakashi anuiu.

Epa, Naruto deveria estar aqui também?

— Então explicarei a vocês por hora. — anunciou austero, cruzando os dedos na altura do queixo. — Hinata, peço que replique ao Naruto e Sakura ao Shikamaru suas respectivas missões o quanto antes. — assentimos juntas. — Tenho missão para os quatro, mais precisamente duas: A primeira, quem fará será Hinata e Naruto. — engoli em seco e arregalei os olhos, como assim nós dois?

Sakura deu um risinho de lado, acho que ficou feliz em saber que eu e Naruto sairíamos sozinhos em missão.

Todavia, Kakashi continuou:

— Estamos com um pequeno problema nos limites de Konoha, chegou até mim a informação de que uma kunoichi da vila da grama — que estava em missão vindo justamente me entregar alguns pergaminhos, — foi atacada na floresta. Preciso que vocês dois investiguem, como ocorreu próximo a nossa vila, nada mais justo que apuremos o caso. Apesar de outra equipe estar investigando também, mais precisamente dois shinobis de elite da grama. — relatou muito sério. — Essa missão é simples e não têm grandes riscos aparentemente, mas tem um certo grau de importância. A kunoichi que foi atacada era uma genin e por isso, acredito que talvez não tenha conseguido se defender sozinha. Tudo me leva a crer que o responsável por tal ato não seja uma ameaça a nossa tranquilidade, se detido agora mesmo, antes que cause mais estragos. Como sei que estão há vários dias sem sair em missões, decidi delegar essa investigação. Preciso que partam o quanto antes e descubram quem foi o agressor. — Kakashi suspirou, massageando as têmporas. — Desde a guerra, não tínhamos nenhum incidente acontecendo, estávamos apenas desfrutando da paz que nos custou tanto conseguir. Agora, entretanto, se isso não for resolvido, podemos ter um conflito entre os países, pois a ninja em questão perdeu totalmente a memória e não se lembra de nada do acontecido.

— Nossa. — exclamamos praticamente em uníssono.

— No momento você e Naruto são nossas melhores opções para rastrear e deter o agressor, até porque, acredito que estejam entediados por ficarem na vila sem nenhuma missão. — fiz que sim com a cabeça, eu queria uma missão, mas não com Naruto! — Quero ter dois dos meus melhores ninjas nesse caso, para demonstrar que nos importamos, até porque, nossas genins também correm perigo, se não o detivermos logo. Além do que, alguns desconfiam de que o causador desse ataque seja Sasuke, dado o seu poder ocular. É nessa parte que você e Shikamaru entram, Sakura.

— Sasuke jamais faria algo do tipo!

— É o que precisamos provar, eu também acredito que não seja ele o responsável; mas dado o seu histórico. Ninguém acredita nisso além de nós. — Kakashi rebateu. — Até porque, mandei alguns anbus investigarem antes e eles voltaram igualmente desmemoriados. O que aponta ainda mais para Sasuke aos olhos de todos e aumenta as suspeitas, dadas às suas atuais habilidades com o Rinnegan. — observou e Sakura manteve sua expressão impassível. De certo estava preocupada com o seu amor e eu não a julgava, se fosse Naruto no lugar, sendo suspeito de algo tão brutal, eu ficaria igualmente preocupada. — Sua missão e a de Shikamaru, Sakura, será localizá-lo ou atrai-lo por vontade própria, para que preste alguns esclarecimentos, em prol da paz entre as nações. Precisamos de neutralidade nesse caso, eu prometi que o culpado seria detido independentemente se fosse um de nossos ninjas ou não. Mas, claro que espero realmente que não seja Sasuke. Ele foi absolvido de seus crimes cometidos e desejo que não se perca novamente no meio da jornada.

— Por que todos pensam que é o Sasuke? Só por ele ter o poder do Rinnegan? — Sakura rebateu aflita.

— Os anbus e a genin atacada, só lembravam de terem visto olhos vermelhos.

— Sharingan. — refleti em voz alta.

— Olhos? — Sakura questionou. — Sasuke só tem um olho de sharingan agora!

— Sakura, mantenha o foco. — Kakashi ordenou incisivo. — Seja fria e trabalhe com a cabeça, se Sasuke não fez nada, não tem porque fugir. Logo se apresentará para os esclarecimentos diante dos cinco kages e o liberaremos, se ele provar-se inocente.

— Isso é injusto! — Sakura exclamou com lágrimas nos olhos. — Os kages ainda guardam mágoas por tudo o que aconteceu e se o condenarem injustamente?

— Eu farei o possível para que isso não aconteça. — Kakashi ponderou, sem deixar cair a máscara de frieza e seriedade. — Talvez fosse melhor Naruto não estar aqui por hora, assim pude relatar todos os detalhes que ocultaria dele inicialmente. Temendo comprometer seu julgamento e a missão que deleguei.

— Entendo. — observei percebendo a real importância daquela missão, que achei ser mamão com açúcar de imediato.

Sasuke e eu não éramos amigos e eu bem sabia de tudo o que foi capaz de fazer. Ainda assim, ninguém merecia pagar por erros que não cometeu ou ser condenado injustamente. Portanto, faria o possível para descobrir de quem se tratava o verdadeiro culpado. Pois, se Sasuke estava tentando se redimir e encontrar a paz que tanto procurava, pelo amor que eu sentia por Naruto e por tudo o que sofreu para alcançar o coração do amigo, eu faria minha parte. Até porque, tinha Sakura, que tornara-se minha amiga também e que já demonstrava o desespero visível consumindo-a, pois não mais conseguia conter às lágrimas finas que escorriam por seu rosto bonito.

Peguei em sua mão, tentando confortá-la e ela sorriu minimamente para mim.

— Seja forte. — eu disse, solidária.

— Sakura, você é uma kunoichi forte, como Hinata acabou de alegar. Já passou por coisas piores. — a voz grave de Kakashi ressoou na sala. — Eu te escolhi, por acreditar que seja a única capaz de trazer Sasuke até aqui, além do Naruto. Porém, eu preciso dele junto de Hinata. Porquanto, necessito que seja forte, acaso não possa cumprir sua missão, me diga agora, não podemos nos dar ao luxo de falharmos.

Sakura assentiu.

— Certo. — enxugou o rosto com o dorso da mão e sua expressão outrora entristecida, tornou-se dura como aço. — Provaremos a inocência do Sasuke, se ele for verdadeiramente inocente.

Já não era mais aquela garotinha chorona de antes e sim uma mulher forte, uma Kunoichi da folha.

— É assim que se fala. — não fosse a máscara, jurava ter visto Kakashi sorrir de canto. — Conto com vocês!

— Tudo bem, hokage-sama. — respondi, tentando soar neutra. — Daremos o nosso melhor e descobriremos de quem se trata o transgressor.

— Sei disso, você e Naruto são dois ninjas maravilhosos e suas habilidades em conjunto, por certo resolveram esse empasse. — afirmou resoluto. — Aqui nesse pergaminho constam todas as informações que dispomos, assim que estiverem com tudo preparado, peço que partam rumo à missão.

— Certo. — concordei e fiz uma mesura rápida.

— Acho que é tudo, Hinata. — disse educadamente. — Se puder comunicar o Naruto para ganharmos tempo.

Peguei o pergaminho, toquei levemente o ombro de Sakura e deixei o escritório. Sentindo minhas pernas tremerem e minhas mãos suarem, tanto que temia danificar o papel que continha as informações da missão. Eu e Naruto juntos! O que o destino pretendia com isso? Por que logo agora, que decidi esquecê-lo, somos mandados em missão juntos?

Segui pela vila ensaiando relatar sobre a missão a Naruto, não obstante, fui em direção à academia ninja, crente de que ele estaria lá ainda; dito e feito. Naruto continuava ensinando os pequenos animadamente, não consegui evitar o sorriso, ao vê-lo tão empenhado. Lembro-me bem de quando éramos crianças e o quanto ele foi hostilizado por todos, graças a Kami tudo isso ficou para trás, agora Naruto era visto como um herói. Por este motivo, tantas meninas grudavam nele como abelhas no mel e eu nada podia fazer, apenas assistir em silêncio, o que maltratava meu coração ao extremo.

Suspirei e parei há uma certa distância, fiquei espiando-o na surdida, com o chakra ocultado, acreditava que ele não me veria tão breve. Ledo engano, como se sentisse minha presença, mesmo sem estar no modo sennin, ainda assim, Naruto virou-se novamente em minha direção e de longe vislumbrei um sorriso lindo brincar em seus lábios.

Fiz menção de ir embora, não queria interrompê-lo, eu poderia voltar depois e explicar sobra a missão. Contudo, tinha um pouco de urgência e esperei, observando quando ele parou o que estava fazendo, disse algumas palavras para as crianças e veio em minha direção, alcançando-me segundos depois.

— Hinata-chan. — recitou meu nome com animação. — Que bom te ver!

— Ahn, vim porque o hokage nos delegou uma missão. — fui direto ao ponto, temia me enrolar nas palavras ou dizer algo que me entregasse. — Estou com o pergaminho, ele explicou a mim e pediu para eu repassar a você.

Naruto olhou-me com os olhos brilhando em expectativa.

— Eu e você, sozinhos, em uma missão? — indagou dando enfase no sozinhos.

— Isso mesmo, Naruto-kun. — afirmei tentando manter-me de pé, minhas pernas ameaçavam ceder a qualquer momento.

Naruto tinha um efeito enlouquecedor sobre mim!

— Ótimo! — exclamou arreganhando os dentes. — E quando partimos?

— Assim que arrumarmos nossas coisas. — respondi, sem entender todo aquele entusiasmo.

Aliás, sem querer me iludir com àquele furor.

Às vezes Naruto era tão obtuso, eu não conseguia compreendê-lo. Ora estava correndo atrás da Sakura-chan ou rodeado de meninas, ora ficava todo feliz ao saber de uma missão em dupla comigo?

Ele não cansava de brincar com o meu coração?

— Certo, vou encerrar minha aula mais cedo e corro para arrumar minha mochila. — anunciou eufórico. — Te encontro daqui uma hora nos portões de Konoha, pode ser?

Fiz que sim com a cabeça, ainda tentando assimilar a tal missão e fui afastando-me lentamente. Minhas pernas continuavam sem obedecer-me de todo.

— Hinata? — Naruto chamou-me e virei minimamente, exergando o mesmo sorriso gigante que tanto aquecia meu coração. — Que bom que estou saindo em missão com você!

Corei e acertei rapidamente a postura, tornando a caminhar, nem o respondi. Tamanha era a confusão que habitava o meu ser naquele instante.

Voltei para o meu clã, meio tremula, meio entorpecida, começando a ajeitar minha mochila e meus equipamentos ninja imediatamente. Coloquei tudo por sobre a cama, para certificar-me de que não estava esquecendo nada; afinal, fazia mais de uma semana que não saia em missão, esperava não ter perdido a prática. Aliás, eu mal treinei nos últimos dias, só andei sem rumo por Konoha espiando aquele cabeça oca, que, por sinal, eu amava de paixão.

— Naruto-kun... — sussurrei baixinho e corri para pegar o cachecol que havia feito para ele, não deveria, mas o levaria comigo.

Quem sabe eu não entregaria o meu presente naquela missão e encerraria aquela história? Será que teria coragem suficiente para matar aquele amor dentro de mim? A impressão que tinha, era que amaria para sempre Naruto, que jamais o tiraria do meu coração e da minha alma.

Suspirei resignada e fui tomar meu banho, conhecendo Naruto, sabia que não chegaria dentro de uma hora aos portões de Konoha. Todavia, pretendia manter minha pontualidade e, quando faltava cinco minutos para o horário marcado, cheguei ao local do encontro. Cumprimentei os guardas e aguardei, aguardei, aguardei.

"Droga, Naruto!", ralhei comigo mesma.

Custava ser pontual? Não que eu me importasse antes de ele se atrasar, é que, dada a circunstância, eu já sentia-me um tanto quanto exasperada. Portanto, aquela demora não ajudava em nada na minha ansiedade. Até que, quando estava quase retornado ao meu clã, vi o dito correndo até mim, demonstrando cansaço.

— Hinata-chan. — Naruto ofegava um pouco, realmente devia ter vindo correndo. — Desculpe, não consegui fugir das crianças...

— Tudo bem. — anuí, não adiantaria discutir mesmo e eu não queria brigar com ele.

— Vamos então?

— Sim. — minha voz soou muito baixa.

A bem da verdade, era que não conseguia ficar nervosa com ele. Nem quando deveria, Naruto parecia aqueles cachorrinhos que caiu da mudança, como ficar brava assim? Sorri comigo mesma e o segui para fora dos portões de Konoha, eu definitivamente estava em uma missão, a sós com o homem da minha vida. Que, por sua vez, não sentia o mesmo por mim. É, fazer o que, a vida não era um mar de rosas.

Quando adentramos a floresta, concordamos que seria melhor lermos o pergaminho com as informações da missão. Eu preferi lê-lo juntamente com meu parceiro, apesar de ter recebido um insight detalhado sobre o que aconteceu, assim sendo, nos sentamos abaixo de uma grande árvore e começamos a leitura. E, realmente eu faria de um tudo para deter aquele maníaco que machucou aquela pobre genin, no pergaminho continha todas as informações sobre o que acontecera e algumas especulações referente ao responsável por um ato tão mesquinho e horrendo. O infeliz tentou estuprá-la e, como houve resistência, ele bateu na coitadinha e depois a deixou desmemoriada, fugindo logo em seguida, talvez tenha se apavorado pelo ato que cometeu. Ninguém sabia ao certo. Muito menos o motivo de ela ter perdido a memória, seria devido ao trauma? Acho que não seria suficiente, enfim. Ainda era um mistério, no qual precisaríamos nos aprofundar.

— Eu mato esse cara com minhas próprias mãos! — Naruto exclamou com as bochechas muito vermelhas e os olhos em cólera. — Como alguém tem a coragem de fazer algo do tipo com uma garotinha praticamente?

— Não sei, mas precisamos encontrá-lo e levá-lo para Konoha, ou para a vila dele julgá-lo. — ponderei tentando manter minha calma.

Eu mesma queria esganá-lo com meus próprios punhos, acertaria cada ponto de chakra do infeliz e o deixaria totalmente incapacitado. Para que sentisse na pele, o que aquela pobre garotinha deve ter sentido!

— Então vamos indo, assim o encontramos o quanto antes e ele terá o que merece. — falou mais consigo mesmo do que comigo.

— Vamos. — concordei, mas ficamos imersos um no outro por longos segundos.

Seus olhos nos meus, ou vice- versa.

— Acho melhor irmos andando, estamos próximos da vila ainda e na certa esse nojento não ficaria dando sopa por aqui. — Naruto argumentou, olhando para algum ponto fixo que não fosse eu de repente, apenas assenti.

Ele estava estranho, disperso e ao mesmo tempo afoito. Era confuso explicar.

Continuamos seguindo em silêncio, até que notei um pedaço de roupa feminina jogado próximo a uma árvore suntuosa.

Ativei o byakugan e Naruto olhou-me de lado, antes de perguntar:

— O que houve, Hinata-chan?

— Pistas. — respondi simplesmente, pegando o pedaço de roupa e analisando-o. — É dela. — projetei minha visão e olhei ao redor, nada significativo.

— Estamos perto. — Naruto constatou e eu abri minha bolsa para guardar a pista que encontrei, deparando-me com o cachecol vermelho.

Chamando imediatamente a atenção dele para a peça.

— O que é isso? — questionou curiosamente.

— Ah, não é nada não. — desconversei fechando a bolsa imediatamente.

Naruto deu de ombros, parecendo insatisfeito com minha resposta, mas nada disse além.

Andamos e andamos, sem conseguir encontrar outra coisa que pudesse servir para localizar o indivíduo.

— Está cansada? — perguntou, finalmente quebrando o silêncio desconfortável que jazia entre nós.

— Não muito. — foquei meus olhos na floresta à minha frente, tentando controlar os batimentos do meu coração.

Eu estava completamente a sós com Naruto e não sabia o que fazer, tinha decidido esquecê-lo. Por não ser correspondida durante tanto tempo, porém, no momento, com Naruto olhando-me de soslaio desde que saímos de Konoha, já não tinha força suficiente para isso.

Enquanto corríamos por entre às árvores, a brisa suave da primavera acalentava meu coração. Eu adorava aquela estação, era amena e não gelada. Era reconfortante, assim como ter a mão de Naruto entrelaçada à minha. Pois é, eu já estive de mãos dadas com ele, mais precisamente durante a guerra; e, naquele momento, pensei que fosse ser assim para sempre. Ledo engano. Mesmo vencendo, derrotando Marada, Kaguya e colocando um fim ao Tsukuyomi infinito, Naruto continuava alheio aos meus sentimentos. Agora ainda mais, rodeado de garotas por onde ia, não precisava do meu amor. Mais uma vez fui iludida. Sim, porque, vejam bem, quando me declarei para Naruto na batalha contra Pain, apesar das circunstâncias nada animadoras, eu acreditei que meu amor o alcançaria, que depois de todo aquele diluvio. Finalmente surgiria um galhinho de oliveira, no qual eu poderia me agarrar. Iludida uma vez mais, só para variar. Estranho seria se fosse diferente. Eu já não tinha esperanças mesmo.

Exceto hoje, quando vi os olhos de Naruto brilharem, ao constatar que sairíamos em missão juntos. Novamente eu voaria alto, para ser arremessada com força total ao chão, sem proteção alguma. Aliás, isso estava claro como o Sol e doeria bem mais do que quase morrer nas mãos de Pain, naquele fatídico dia.

— Hinata-chan? — a voz de Naruto trouxe-me de volta dos meus devaneios. — Está dispersa, o que aconteceu?

— Na-nada. — menti colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha. — Está escurecendo, não seria melhor montarmos nosso acampamento? — mudei de assunto, para evitar especulações.

Naruto fez que sim com a cabeça e paramos em um lugar estratégico, ao final de trinta minutos nossas barracas estavam montadas. Fizemos uma fogueira e eu tirei algumas coisas que tinha trazido comigo.

— Está com fome? — perguntei oferecendo um bolinho de arroz, quando ouvi sua barriga roncar audivelmente.

— Um pouco. — coçou a nunca e suas bochechas avermelharam.

Eu sorri achando-o lindo daquele jeito encabulado. Começamos a comer em silêncio, até que passei a ficar sonolenta.

— Acho que vou dormir um pouquinho. — informei e Naruto assentiu.

— Ficarei de guarda. — afirmou taxativo.

— Você também precisa descansar, continuamos quando amanhecer.

— Pode descansar, Hinata-chan. Estarei aqui, cuidando de você. — garantiu sorrindo e senti meu coração se iluminar.

Quase me derreti todinha, no entanto, não era a proteção de Naruto que eu queria.

Para ser sincera, eu o queria inteirinho para mim, porquanto, seu cuidado comigo era pouco demais aos meus olhos. Visto que ele era extremamente protetor com todos que estimava, isso não era nada animador para uma garota apaixonada como eu.