A missão
11 A missão
Um eco de guerra de repente tomou a escola, como se coletivamente pudéssemos entrever algo. A missão criou alguns códigos, como “o raio acertou”, para que soubéssemos que Harry Potter estava de volta. Segundo o pressentimento geral, era o que poderia ocorrer a qualquer momento.
Os comensais da morte intensificaram as buscas, não só por Harry Potter, mas também por Granger e Weasley. Para todos, isso significou que o trio tinha avançado em sua façanha de derrubar o regime. De toda forma, mesmo que tivessem silêncio, seus corpos mortos não teriam surgido em qualquer lugar, motivo de esperança para muitos. Esse era o raciocínio correto para Gina Weasley e também para Cho. Zabini, por outro lado, comparava Potter a um Messias que nunca voltaria.
“Acho que isso é mal de Sonserino, falar mal do Harry o tempo todo. Por acaso você se esqueceu de todos os feitos dele? Quando derrotou o dragão na primeira tarefa do torneio tribruxo?”
“Não esqueci, Chang. Mas também me lembro bem de Cedrico Diggory nesse torneio. Além disso, Dumbledore morreu, e o velho protegia aqueles três com a própria vida. Não acha que o cenário mudou um pouco?”.
“Isso é verdade. Mas se não pensarmos que eles podem, vamos nos apegar a quê?”
Zabini ficou calado para essa pergunta, e ninguém mais quis tomar parte para continuar o assunto. Eu não conseguia pensar daquela forma global. Sentia-me enrolada nas questões da escola e das cobaias. Era como se qualquer discussão política não fizesse qualquer sentido, se não fosse para mudar as injustiças que ocorriam ali, diariamente, na escola de nossos sonhos.
Esse foi o assunto da conversa que tive com Minerva e Pomfrey no final do dia: injustiças. Na sala, além das anciãs, estávamos eu e Gina Weasley. A noite, mesmo que a sala estivesse iluminada por velas, as estátuas e objetos transfigurados da professora causavam arrepios. Não me pareceu um refúgio como antes.
“Desde o início do ano sabíamos o que teríamos pela frente. Ainda sim, tristeza é saber o quanto os Comensais da Morte vão longe, quando se trata de perpetuar maldades”. A professora ajeitou os óculos no rosto. “Chamamos as senhoritas aqui porque sentimos que algo está mudando lá fora. Nesse sentido, é preciso que estejamos preparadas para a guerra total”.
“Sente que Harry está voltando?” Gina Weasley deu um passo à frente, os olhos brilhando em esperança.
A bruxa levantou uma sobrancelha. “Evidente que a empreitada de Potter tem relação com o que estou falando, mas vamos além. Não há como sustentarmos a situação que estamos por mais tempo. Sem Potter ou com Potter, não há como garantir a segurança de todos caso eles decidam investigar cada pedaço das nossas árvores genealógicas”.
“Está dizendo que Harry não vai chegar?”
“Não disse isso. Você e eu sabemos os milagres que aqueles três podem operar” ela sorriu, saudosa, e por um momento ficou parecida Dumbledore. “Mesmo assim, sabemos os perigos que nos espreitam daqui. O que fazer com eles?”
“ É esse o problema, Mcgonnagal”.
As três bruxas ficaram surpresas com minha fala, mas estavam inclinadas a me ouvir com atenção. Naquele instante, desejava que alguma delas pudesse tirar minhas dúvidas ou oferecer uma palavra de esperança que realmente convencesse meu coração. A realidade, entretanto, gritava dentro de mim.
“Eu não sei quando foi que apostamos todas nossas fichas em Potter” Gina Weasley franziu as sobrancelhas “Dolohov me atacou e está mais protetor em relação às cobaias. Todos nessa escola têm deixado a missão se iludir, quase como se Dolohov e os outros estivessem se divertindo às nossas custas”.
“Agora você está falando como Blásio, Angelou” a ruiva sorriu “sei da ligação entre vocês dois, mas não pode deixar que ele te tire as esperanças”.
“Não é Zabini quem tira minhas esperanças, Gina. São aquelas cobaias…” minha garganta apertou de angústia. “Escute, sei que Potter é seu amigo, Gina. Sei que está entusiasmada e ansiosa pra chegada dele, que seja. Eu te avisei sobre Dolohov ter me isolado de todos. Não posso mais ir até lá, simplesmente não sei como estão! É como se somente eu me importasse!”
Antes que Weasley replicasse, Minerva levantou um dedo, dispersando o fôlego da discussão.
“Também é sobre isso que quero falar”. Em seguida, Minerva suspirou. “Desde o começo desse ano, eu sabia que deveria entregar a missão de cuidar das cobaias a você, Angelou. Sei que era o que seu pai desejaria se estivesse conosco. Você não é diferente, Gina. Nunca que ficaria parada diante do que está acontecendo, sei que mobilizaria a todos e assim tem sido. A missão foi mantida em segredo ao máximo para que os alunos da sonserina não voltassem contra nós, mas nunca foi totalmente oculta para Dolohov e, quem sabe, para o diretor”.
“Está dizendo que Snape sabe de tudo?” Gina arregalou os olhos.
“Estou dizendo que vocês fizeram um ótimo trabalho com o que nos foi permitido. As cobaias estão conosco, não sofremos perda de alunos, convertemos alunos que concordavam com Você-Sabe-Quem. A situação é outra agora. Creio que estamos chegando ao fim, por isso o isolamento das cobaias, Angelou, por isso a procura incansável por Potter, Weasley”.
Preciso que estejam atentos e unidos.
Preciso do máximo de alunos para resistir.
Faremos isso por Potter, às cobaias e, principalmente, Linda, Angelou. Cuidarei dela e de todos, não se preocupe.
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