Entro no ônibus, com a cara fechada. Seriam algumas horas sem fazer nada, naquele balançar agoniante.

Tive dor de cabeça e com isso os pensamentos, problemas e a carência vieram a tona, só agravando meu já péssimo humor.

Uma vozinha doce e irritante chegou aos meu ouvidos, não parava de dizer:

— Oi, tchau! Oi, tchau!

Dizia sem parar​. Respirei fundo e imaginei se fosse minha filha, já teria levado bronca pra deixar de loucura.

E a vozinha continuou:

— Oi, tchau!

— Oi, tchau senhora árvore!

Dizia quase que duas vezes por segundo, olhando incessante para a janela.

Olhei para aquele pequeno ser irritante e depois para aquilo que chamava a sua atenção, as árvores, o verde, a paisagem.

A dor de cabeça passou, um sorriso inundou quase que instantaneamente meu rosto.

Pensei em mim quando criança, no coração puro, sem malícias que tinha. Aquela menininha me fez lembrar a essência dá vida!

Ela contemplava cada uma das árvores e disse:

— Depois eu paro para conversar, com algumas de vocês é claro.

Por fim disse a mãe:

— Elas são minhas amigas.

A mãe que estava grávida, apenas sorriu e nada disse.

Nesse instante pensei:

— Eu estava errada!

Daqui a alguns anos, ela será obrigada a se adequar, a se enquadrar, a trabalhar é ter responsabilidades. Sua mãe estava apenas permitindo que ela fosse oque realmente é!

Uma criança! Com seu jeito próprio! Amando tudo, até às árvores, conectada com as coisas boas do mundo.

Quase no fim dá minha viagem, pude contemplar o rosto angelical daquela pequenina, não devia ter mais de cinco anos, seu pequeno gesto puro de amor me fez repensar toda uma vida, e ser grata por existir.

Obrigada pequenina, me fez crê que os anjos não se encontram apenas no céu!

Notas finais
Ter misericórdia e diferente de ter pena. A misericórdia ocorre quando se coloca no lugar do outro, oque ele sente você sente, a dor dele é a sua dor. A misericórdia está adormecida, tira ela do seu torpor!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!