A mentira tem perna curta

1 Capítulo 1: A proposta.


Lana Lang está na pista!

Ou pelo menos, quase. Whitney, seu namorado de longa data, decidiu de repente se alistar na marinha. Agora, sozinha na cidade, Lana não está tão segura sobre o relacionamento dos dois. E ninguém poderia culpá-la; afinal, uma relação a distância não é algo fácil de se manter.

No entanto, isso foi o suficiente para Clark Kent ficar mexido. O jovem, que sempre manteve seus sentimentos por Lana escondidos — ou pelo menos se esforçando para tal —, achou que talvez agora, depois de meses de espera, poderia ter, finalmente, sua chance.

Chloe suspirou enquanto mantinha os olhos fixados na tela do computador, com a matéria da semana do Tocha, o jornal da escola, aberta. Ela gostava de Clark intensamente, e isso já fazia muito tempo. E um dos lados ruins de ser jornalista era ficar sabendo daquele tipo de notícia sobre Lana, pois sabia que iria sofrer.

Queria superar seus sentimentos, mas eles simplesmente a dominavam toda vez que o via. Sentia que não estava à altura dele como namorada e, às vezes, nem como amiga.

Balançou a cabeça, tentando afastar aqueles pensamentos. Precisava focar na matéria atrasada. Mas, de repente, o motivo de suas angústias apareceu junto com Pete, seu outro melhor amigo.

— Acho que posso ser o porto seguro dela agora — comentou Clark ao entrar na sala.

— É claro, Clark! Consola ela agora e depois parte para a luta! — retrucou Pete, motivando-o.

O assunto era óbvio. Clark só sabia falar sobre uma garota: Lana Lang.

— Que coisa péssima! — disparou Chloe, incapaz de ficar quieta enquanto os dois se sentavam: Clark à sua frente e Pete ao seu lado.

— Pegue leve com o Clark, Chloe. Você sabe há quanto tempo ele é apaixonado pela Lana — Pete o defendeu.

Ela sabia. Como sabia. E todos também já sabiam o quanto ela era apaixonada por Clark Kent; apenas o próprio não se dava conta, pois nenhuma outra garota existia no mundinho dele além de Lana.

— Ei — Clark abriu um sorriso sem graça. — Eu só não sei como fazer ela me notar, sabe? Me olhar com outros olhos. Com a ausência de Whitney, isso deveria ter se tornado mais fácil, mas não faço a mínima ideia de como agir.

— Isso é fácil! Geralmente só percebemos que alguém é importante para nós quando nos sentimos ameaçados — disse Chloe. As palavras saíram rápidas, quase automáticas, enquanto ajustava o layout do jornal. O arrependimento veio logo em seguida. Era irônico o fato de ela mesma não conseguir seguir esse conselho. No fundo, porém, sabia que, mesmo se desse atenção a outro garoto, isso não o faria sentir ciúmes.

— Isso! — Pete aprovou a ideia com prontidão, o que a fez olhá-lo incrédula, mas ele apenas a ignorou e continuou — Clark, ciúmes é a ferramenta mais poderosa! Se Lana gosta de você, mesmo que um pouco, ela vai ficar incomodada.

Clark os encarou. E quando seus olhos pousaram sobre Chloe, ela fez o possível para controlar suas expressões para não deixar transparecer sua mágoa.

— É sério? — perguntou. Eles balançaram a cabeça em concordância. — Tudo bem, mas como vou deixá-la com ciúmes?

— Não olha para mim. Comigo você não provocará ciúmes em ninguém — brincou Pete.

Após o comentário, Clark voltou o olhar para Chloe, que engoliu em seco. Ela não gostava de mentiras. Mas, acima de tudo, não queria sair machucada daquela situação — e sabia que isso aconteceria se aceitasse o que imaginava que ele estava prestes a pedir.

— O quê? — questionou, rindo sem jeito.

— Você é a única que pode ajudá-lo, Chloe — Pete intercedeu, o que só aumentou a incredulidade dela. Como ele, sabendo do que sabia, poderia sugerir aquilo?

— Ajudá-lo exatamente como? — fez-se de boba, tentando desviar o rumo da conversa antes que chegasse nos finalmente. Mas sua tentativa foi em vão. Pete garantiu isso.

— Ora, fingindo ser a garota dele — respondeu o melhor amigo, que ela já cogitava seriamente rebaixar a ex-melhor amigo. Ele sorriu e lançou uma piscadela para Clark. — A Lana vai ver vocês dois e ficar com ciúmes.

Ela soltou uma risada curta e nervosa.

— Não sei se é uma boa ideia — retrucou, na defensiva.

— Por favor, Chloe. Se existe alguma chance de Lana Lang olhar para mim, eu preciso tentar. E, para isso, preciso da sua ajuda — pediu Clark, encarando-a com seus olhos verdes irresistíveis.

O sorriso permaneceu em seus lábios, mas suas mãos afastaram-se do mouse. Sentia que estava tremendo e não podia permitir que ele percebesse aquilo. O coração batia acelerado, em um misto de felicidade por ter conseguido o que finalmente desejava ser, “a garota de Clark Kent”, ao mesmo tempo que doía por saber o que aconteceria no fim.

— Eu vou pensar no seu caso — cedeu.

— Pensa com carinho. — pediu — Agora, eu preciso ir. Depois eu volto para ajudá-la com o jornal.

— Tudo bem.

Ele se levantou e saiu. E assim que a porta se fechou, Pete a encarou.

— “Pensar”? É sério isso, Chloe?

— O que você queria que eu dissesse? “Ah sim, Clark, tudo bem, eu vou participar desse seu teatrinho e sair com o meu coração despedaçado”! — disparou irritada, já sentindo seus olhos lacrimejarem.

Pete respirou fundo. Sabia que a amiga gostava de Clark mais do que ninguém.

— Ele quer chamar a atenção de Lana, mas talvez também seja a sua oportunidade de chamar a atenção dele.

— Como assim? — perguntou, confusa.

— Chloe, você vai passar mais tempo com o Clark nessa brincadeirinha, e ele pode perceber seus sentimentos por ele e te dar uma chance — argumentou. Mas ela ainda não estava convencida e ele não a culpava por ser cautelosa. Eram anos que gostava de Clark e ele nunca notou — Você deveria se arriscar. Às vezes, uma mentira acaba se tornando verdade.