A menina que roubou meu coração
2 Um convite inesperado...
Notas iniciais
Já fazia quatro meses que Sara Sidle tinha se tornado minha vizinha. Desde então eu me tornara mais distante das pessoas que o comum. Não passava muito tempo em casa, mas aproveitava cada minuto que tinha para vê-la fazendo alguma tarefa domestica ou qualquer outra coisa. Como essa mulher mexia comigo, era algo inexplicável. Meu coração disparava, minha respiração ficava irregular, minhas mãos suavam e meu corpo tremia com qualquer gesto dela em minha direção. Um sorriso, um aceno, um “bom dia”, qualquer coisa.
O que é amar alguém? O que é esse sentimento do qual todos falam, mas poucos sentem de verdade? Era isso que eu sentia? Essa coisa irregular e descontrolada que eu sentia dentro de mim? Seria isso o amor?
Nada disso nunca fez sentido para mim. Sou um cientista, não tenho crendices. Algo que não é palpável, para mim, é algo inútil. Na verdade, acho que tenho medo de amar alguém. Tantas pessoas sofrem anos a fio por isso, por amar alguém, por se apegar a ela e não conseguir ficar longe dessa pessoa. Sempre tive medo de me magoar, de me machucar. Acho que por ser tão estranho como sou, jamais serei amado por uma mulher, portanto não devo amar ninguém.
Será? Será que é assim mesmo que deve ser? Será que vale a pena me privar de algo que pode trazer felicidade por medo, receio?
Não sei. Não sei. Sinceramente, não sei. Essa mulher mexeu demais com meus pensamentos e com a forma como vejo a vida. Já não sei direito o que sinto, me sinto praticamente um adolescente.
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Era muito cedo, mas já estava um tanto quanto quente. Cheguei em casa e já a avistei, no jardim de sua casa, brincando com uma mangueira, como uma criança inocente. Pelos céus, como era linda. Ela me olhou, sorriu e correu em minha direção.
_Hey Gil – eu amava quando ela me chamava assim – Bom dia!
_Bom dia Sara. Como vai? Eu disse sorrindo.
_Estou muito bem. Gostaria de lhe fazer um convite.
_Um... Convite? Eu disse confuso.
_Sim, um convite. Quer jantar comigo?
Arregalei os olhos e quase me engasguei. Ela riu.
_E então? Aceita?
_Cla... Claro que sim. Mas trabalho a noite, então um jantar seria um tanto quanto complicado.
_Ah sim, entendo.
Ela disse e seu sorriso sumiu na mesma hora. Eu não podia deixar isto assim.
_Mas, domingo tenho uma festa de aniversário de criança. É uma garotinha filha de uma grande amiga. Se quiser, pode me acompanhar... Eu disse aquilo meio sem jeito, afinal, era um convite bobo.
_Jura? Ela disse abrindo-se em um sorriso. Claro que quero ir.
Mais uma vez ela sorriu, me abraçou e me deu um beijo na bochecha. Imediatamente corei.
_Então, domingo, estarei pronta ao meio dia.
Sara disse e saiu, deixando seu delicioso perfume junto a mim. Seu corpo molhado junto ao meu me fez deseja-la de uma forma tão intensa, que mal pude me controlar. Decidi entrar e tomar um banho gelado.
Domingo. Domingo ela sairia comigo, como se fôssemos namorados. Que sonho, que sonho...
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Finalmente domingo chegou. Eu aguardava ansioso por esse dia. Levantei cedo e preparei ovos mexidos e suco de laranja. Comprei pão integral e algumas frutas. Escolhi minha melhor roupa e a passei impecavelmente. Tomou um bom banho, aparei a barba, me vesti e passei um perfume que tinha ganhado de minha mãe no Natal. Olhei-me no espelho durante algum tempo, perguntando se era digno daquela mulher.
Fui até sua casa e toquei a campainha. Ela não tardou a atender e quando a vi, meu coração disparou mais uma vez. Pensei que fosse impossível aquela mulher ser mais bonita do que habitualmente, mas não era. Ela usava um vestido preto simples, de mangas ¾, até os joelhos e quando ela se virou, convidando-me a entrar, vi que tinha um decote que deixavam suas lindas costas a mostra. O salto alto deixava suas pernas ainda mais lindas. Os cabelos estavam presos em um coque muito simples e nos lábios ela trazia um batom vermelho. Está simplesmente perfeita. Fiz uma simples mesura.
_Está incrível!
_Ora, muito obrigada. Você também Gil. Vou pegar minha bolsa e podemos ir.
Saímos em seguida. Abri a porta para ela e ganhei novamente um sorriso. Seguimos trocando algumas palavras durante o trajeto. Até que Crazy do Aerosmith começou a tocar, ela aumentou o volume do rádio e começou a cantar como uma doida. Eu só sabia rir. Eu amo essa musica. Ela era tão espontânea no que fazia, sem dar importância ao que diriam as pessoas na rua. Fica ainda mais linda dessa forma. É com ela cantando e olhando pra mim, fazendo-me rir, que eu soube pela primeira vez. Eu amo essa mulher...
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