A menina que não controlava o chakra
3 Velhinha
Notas iniciais
—Menina? – chegou ao pé de mim um homem com uma faixa na cabeça e uma camisa branca suja.
E agora? O que digo?
—Ah…
—Sudeni, chega aqui. – interrompeu-me o homem, olhando para trás e esse homem aproximou-se também e coçou a cabeça quando chegou perto de mim.
—Quem é ela? – outro disse.
Nesse momento o pânico subiu-me e eu balbuciei:
—M-Maruta. – engoli em seco, nunca tinha falado com mais ninguém além da Haruka.
—De onde vens?
Olhei para o cimo do penhasco e eles ficaram brancos quando olharam também.
—Vocês aí! – gritou uma senhora velha enquanto se aproximava a passava pelo meio deles em minha direção. – O que vos deu para deixarem uma criança sozinha? Vem, vem, estás toda suja. – ela pegou-me pelos ombros e simplesmente puxou-me para junto das outras crianças.
Olhei para trás e os homens continuavam petrificados. Quando olharam para trás eu voltei-me imediatamente para a frente até chegar a um monte de crianças que me vieram cumprimentar.
—Qual o teu nome? – rapidamente disse uma.
—Que idade tens?
—De onde vens?
Olhei à volta, aflita, mas a velhinha já tinha ido embora e acabei por ser novamente puxada por eles.
—Sabes saltar à corda? – eles olharam-me e eu acenei que não com a cabeça.
—Vem, vamos ensinar-te.
No início foi bem complicado sincronizar-me com eles nas várias brincadeiras que me ensinaram, mas foi extremamente divertido e eu só desejava que aquilo nunca mais acabasse. Sentia-me… acolhida. O medo que tinha de ser uma aberração tinha ido embora e eu estava tão feliz com tudo o que estava a aprender, com… estar com pessoas iguais a mim.
Começou a anoitecer quando a velhinha nos chamou para jantar. Eu sorria de orelha a orelha e inspirei para sentir o cheiro da comida.
—Obrigada. – Sussurrei.
—Maruta, senta-te aqui comigo. – disse o Jin e assim fiz. – Atchim! – olhei-o assim que ele acabara de espirrar, quando o jantar já ia a meio.
—Atchim!! – quando ouvi outro espirro vindo do outro lado da mesa reparei que todas elas estavam a fungar e vermelhos.
—O que se passa? – chegou a velhinha, colocando a mão na testa do Jin. – Devem ter apanhado frio!
Ela aproximou-se de mais um grupo de mulheres. Reparei que as estava encarando quando uma delas olhou para mim e eu desviei o meu olhar para a minha tigela, que acabei de comer.
As crianças começaram todas a levantar-se.
—Vamos. – olhei a velhinha que acabara de colocar as suas mãos nos meus ombros.
Vi todas as outras crianças a pegarem um caminho diferente do meu. Não sabia o que se estava a passar, mas não tinha coragem de perguntar.
—Hoje, tens que dormir connosco, já que foste a única que não se constipou. – ouvi uma outra senhora reclamar, sentada na sua cama, quando entrei no quarto. Ela olhava-me com um olhar torto e eu sentia-me muito desconfortável naquele ambiente, queria voltar.
—Não comeces, ela não tem culpa. – defendeu-me a velhinha enquanto arrumava a cama para mim.
Olhei para trás por um instante, com as luzes já baixas, pude ver um grupo de 3 homens a conversarem à porta do quarto.
—Ela veio da floresta.
—Nem sabemos o nome dela.
—Isto é seguro?
—Todas as crianças adoeceram menos ela.
—Vamos esperar até amanhã…
Quando me deitei a velhinha beijou-me a testa.
—Boa noite.
—Boa noite. – respondi baixinho e vi-a deitar-se na cama ao lado. Fiquei um tempo a olhá-la, ela tinha uma… aura… tão quente… ela era tão aconchegante. Parecia que brilhava… no quarto…
Não me apercebi quando tinha adormecido, mas acordei repentinamente, com uma dor no peito.
—A-Ai… — apertei a minha mão contra o meu peito, começando a sentir falta de ar. A minha visão começava a embaçar e, no desespero, levantei-me e fui até à velhinha.
—A-Ajuda… — toquei-a, mas ela não se mexia. – V-Velhinha… — comecei a sacudi-la, enquanto sentia as lágrimas a escorrerem involuntariamente pelo meu rosto. Tinha um mau pressentimento.
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