Notas iniciais
Olá, como estão? Espero que gostem!

—Menina? – chegou ao pé de mim um homem com uma faixa na cabeça e uma camisa branca suja.

E agora? O que digo?

—Ah…

—Sudeni, chega aqui. – interrompeu-me o homem, olhando para trás e esse homem aproximou-se também e coçou a cabeça quando chegou perto de mim.

—Quem é ela? – outro disse.

Nesse momento o pânico subiu-me e eu balbuciei:

—M-Maruta. – engoli em seco, nunca tinha falado com mais ninguém além da Haruka.

—De onde vens?

Olhei para o cimo do penhasco e eles ficaram brancos quando olharam também.

—Vocês aí! – gritou uma senhora velha enquanto se aproximava a passava pelo meio deles em minha direção. – O que vos deu para deixarem uma criança sozinha? Vem, vem, estás toda suja. – ela pegou-me pelos ombros e simplesmente puxou-me para junto das outras crianças.

Olhei para trás e os homens continuavam petrificados. Quando olharam para trás eu voltei-me imediatamente para a frente até chegar a um monte de crianças que me vieram cumprimentar.

—Qual o teu nome? – rapidamente disse uma.

—Que idade tens?

—De onde vens?

Olhei à volta, aflita, mas a velhinha já tinha ido embora e acabei por ser novamente puxada por eles.

—Sabes saltar à corda? – eles olharam-me e eu acenei que não com a cabeça.

—Vem, vamos ensinar-te.

No início foi bem complicado sincronizar-me com eles nas várias brincadeiras que me ensinaram, mas foi extremamente divertido e eu só desejava que aquilo nunca mais acabasse. Sentia-me… acolhida. O medo que tinha de ser uma aberração tinha ido embora e eu estava tão feliz com tudo o que estava a aprender, com… estar com pessoas iguais a mim.

Começou a anoitecer quando a velhinha nos chamou para jantar. Eu sorria de orelha a orelha e inspirei para sentir o cheiro da comida.

—Obrigada. – Sussurrei.

—Maruta, senta-te aqui comigo. – disse o Jin e assim fiz. – Atchim! – olhei-o assim que ele acabara de espirrar, quando o jantar já ia a meio.

—Atchim!! – quando ouvi outro espirro vindo do outro lado da mesa reparei que todas elas estavam a fungar e vermelhos.

—O que se passa? – chegou a velhinha, colocando a mão na testa do Jin. – Devem ter apanhado frio!

Ela aproximou-se de mais um grupo de mulheres. Reparei que as estava encarando quando uma delas olhou para mim e eu desviei o meu olhar para a minha tigela, que acabei de comer.

As crianças começaram todas a levantar-se.

—Vamos. – olhei a velhinha que acabara de colocar as suas mãos nos meus ombros.

Vi todas as outras crianças a pegarem um caminho diferente do meu. Não sabia o que se estava a passar, mas não tinha coragem de perguntar.

—Hoje, tens que dormir connosco, já que foste a única que não se constipou. – ouvi uma outra senhora reclamar, sentada na sua cama, quando entrei no quarto. Ela olhava-me com um olhar torto e eu sentia-me muito desconfortável naquele ambiente, queria voltar.

—Não comeces, ela não tem culpa. – defendeu-me a velhinha enquanto arrumava a cama para mim.

Olhei para trás por um instante, com as luzes já baixas, pude ver um grupo de 3 homens a conversarem à porta do quarto.

—Ela veio da floresta.

—Nem sabemos o nome dela.

—Isto é seguro?

—Todas as crianças adoeceram menos ela.

—Vamos esperar até amanhã…

Quando me deitei a velhinha beijou-me a testa.

—Boa noite.

—Boa noite. – respondi baixinho e vi-a deitar-se na cama ao lado. Fiquei um tempo a olhá-la, ela tinha uma… aura… tão quente… ela era tão aconchegante. Parecia que brilhava… no quarto…

Não me apercebi quando tinha adormecido, mas acordei repentinamente, com uma dor no peito.

—A-Ai… — apertei a minha mão contra o meu peito, começando a sentir falta de ar. A minha visão começava a embaçar e, no desespero, levantei-me e fui até à velhinha.

—A-Ajuda… — toquei-a, mas ela não se mexia. – V-Velhinha… — comecei a sacudi-la, enquanto sentia as lágrimas a escorrerem involuntariamente pelo meu rosto. Tinha um mau pressentimento.

Notas finais
Até ao próximo capítulo ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.