Eu me ofereci para acompanhá-la até em casa depois do ensaio, ela aceitou e no caminho tivemos uma conversa sobre sonhos, ela me surpreendeu, pois ela tinha o mesmo sonho que eu:ser cantor e compositor.Posso até sonhar coisas impossíveis, eu sei, mas agora eu acho que o teatro vai me dar um "empurrãozinho" para a carreira musical.

Falando em teatro, eu estou perdendo o meu medo de me apresentar em público.Eu sei, minha opinião sobre teatro mudou de repente, não é tão ruim quanto eu achei que seria.

Nos últimos ensaios a tensão aumentava cada vez mais, pois, ali podiam errar à vontade, mas não na apresentação, acho que por isso o sr.Willians, nosso diretor, nos deu o seguinte conselho:

— Não fiquem tão nervosos se errarem apenas improvisem.

Acabou o último ensaio e fui caminhando tranquilamente para casa, pensei em contar para minha mãe que tinha arrumado uns amigos, mas eu só contaria quando tivesse mais intimidades com eles, pois minha mãe ia chamar todos lá para casa, para poder conhecê-los.

Li algumas páginas de um livro sobre música.Desci até a cozinha para apanhar umas torradas, quando de repente meu celular toca, era a Ally:

— Alô,Austin,você tá podendo falar?

—Sim, não estou fazendo nada importante,pode falar, algum problema?

— Eu acabei de ter uma briga com meu pai- Disse ela chorosa- Ele disse que não ia me levar para o teatro e muito menos assistir a peça.Ele me trancou no quarto,não sei quando ele vai me tirar do castigo, você pode me encontrar amanhã?

— Que pena,e, terei o maior prazer em te levar!-Disse eu com muita pena, ela parecia sofrer muito nas mãos do pai.

— Como eu disse, ele só me colocou no teatro para me despachar.Vou me sentir melhor com você,me encontre na rua Surrey, às 6:35, vou tentar sair escondido.Thau tenho que desligar.

—Thau.

cara mas por que diabos eu disse aquilo?,eu posso acabar me encrencando com pai dela,e se ela não conseguir fugir?, pois ela ia "tentar", mas não tinha certeza.

—Filho, estava falando com quem?-Perguntou minha mãe entrando de surpresa em meu quarto.

—Com uma amiga.-Falei sem pensar,tarde demais.

—Oh!você arranjou amigos, sabia que o curso ia dar certo!-Disse ela, vibrando de felicidade.-Quem é ela?

—Ela se chama Ally e no começo era tímida como eu.

—Hum...-Respondeu ela com tom de malícia.

—Mãe!

Eu sei minha mãe às vezes é muito ridícula.Desde pequeno que eu odeio essas brincadeirinhas maliciosas,como por exemplo o "tá namorando",quem inventou isso devia ter um problema mental,só pode.

Fui dormir, ao acordar fui logo me organizando, pois eu não queria que nada desse errado nesse dia.Minha casa era um pouco longe da rua Surrey, então resolvi sair mais cedo, eram mais ou menos 6:25 quando saí,não queria me atrasar,levei uma mochila contendo figurino,garrafa de água e batatas chips.

Percebi que fui adiantado, pois quando cheguei na rua Surrey ainda eram 6:30,bem, melhor chegar adiantado do que atrasado.alguns minutos depois Ally apareceu,estava linda,mais ainda deixou sua marca no visual:o laço dourado.

Depois de uma longa caminhada ao teatro,finalmente chegamos, estava uma bagunça lá dentro, sinceramente eu achei que em dia de apresentação eles estariam mais "sérios" e se organizariam melhor,mas a bagunça não era causada por uma zoeira, e sim pela tensão.

Após colocar o figurino e rever meu texto, fui olhar através da cortina e vi que o teatro estava lotado, mas, um rosto me chamou atenção, era minha mãe estava sentada logo na primeira fileira e parecia mais ansiosa do que nunca.

A peça foi um tanto longa,após ela terminar eu entrei no camarim e troquei o figurino por um roupa normal,a qual eu estava vestindo quando fui buscar a Ally.Acho que mandei muito bem na peça.

—Ally, trouxe algo para comer?-Disse eu tirando o saco de batatas chips da bolsa e mostrando a ela.

—Sim!obrigada por oferecer

Quando nós estávamos quase acabando de comer minha mãe entrou correndo nas coxias, mas ela gritou meu nome de um jeito que até eu tomei um susto.

—AUSTIN!

—Olá mãe!

—Deixa eu adivinhar, esta é a Ally.-Disse ela sorrindo, graças a Deus sem malícia.

—Olá senhora Turner!-Exclamou Ally sorridente.

—Desculpa filho mas temos que ir para casa, seu pai vai chegar hoje.

Bem, meu pai é policial e viaja o mundo inteiro a trabalho e passa pouco tempo em casa:

—Thau Ally! até mais!

—Thau!até!

Sentia saudades do meu pai, mas eu me senti meio culpado por ter deixado a Ally lá sozinha, e se o pai dela descobrisse?Qual seria o castigo dela?

Cheguei em casa e subi para o quarto para mexer um pouco no computador,só que na maior parte do tempo fiquei olhando para a tela pensando no que fazer, pois, não podia tocar violão quando meu pai estava lá, aliás, não podia falar nem a palavra "música", meu pai odiava a ideia de eu querer ser cantor, ele até fala que eu canto e toco bem mas, cantor é apenas uma profissão amadora e sem futuro, segundo ele, acho errado pois, as pessoas não devem escolher a profissão por salário, mas sim, por paixão.

Meu pai chegou, dei um abraço nele, jantamos e falamos as novidades do momento,quer dizer, nem tanto, tinha notícias que nós havíamos recebido há semanas e até meses, mas como meu pai viajou ano passado, para ele tudo isso é novo.

Ao me deitar na cama acabei sonhando com Ally,não consegui deixar o sentimento de culpa, eu nunca tinha me importado com ninguém assim, além dos meus pais,é claro, Eu e ela simpatizamos à primeira vista, acho que estou gostando dela, mas não tenho certeza ainda, e acho meio cedo para me declarar, ainda mais sem saber se o sentimento é certo ou não,planejo não contar nada para ninguém, porque,dessas brincadeirinhas já bastou aquela da minha mãe.