Na manhã seguinte, Matteo não sentiu nada além de uma forte dor nas costas, ele temia levantar e olhar para o espelho encontrando um reflexo desagradável. Quando seu despertador finalmente tocou e sua mãe abriu a porta de seu quarto como rotina, ele sabia, era hora de levantar.

– Matteo, me diz que conhece uma garotinha de cabelos negros e rosto pálido ouvinte de rock que esta lá embaixo. — A mulher se expressava de forma totalmente hilária, Matteo ria internamente.

– Sim, mãe. A conheço, seu nome é Scarlet, e ela é minha amiga. — Ele respondeu calmamente enquanto vestia suas roupas. — Aliás, ela é bonita, eu acho.

– Vocês e suas namoradas do século XXI. Já mencionei que no meu tempo, meus pais escolhiam meus namorados?

A mulher começara a tagarelar, diferentemente dos dias anteriores Matteo não se sentiu completamente triste para ir a escola. Assim que o garoto viu a amiga dançar em sua calçada completamente desligada nos fones de ouvido, ele se sentiu motivado á sorrir, agora ele tinha um motivo, quem sabe.

– Mãe, não estou com fome! — Gritou para a mulher que tirava os apetrechos do cabelo. — Já vou indo.

– Como? Quem é você e o que fez ao meu filho? — A mulher correu do banheiro na direção do filho. — Sério mesmo que não quer comer?

Matteo riu e jogou a mochila nos ombros.

– Sim. Bom dia, mãe! — Ele bateu continência e correu as escadas. — Bom dia, Theo!

O padrasto do menino o encarou com cara de paisagem, o fato de estarem se falando não era normal, não quando Matteo toma a iniciativa.

– É, o que houve com seu filho, amor? — Matteo ouviu a pergunta de Theo e logo fechou a porta.

Quando desceu as escadas da casa se deparou com a amiga cantarolando e pulando encima do skate.

– Bom dia, Scarlet. — Ele a cumprimentou, e recebeu um sorriso dela.

– Matt! — A garota rapidamente o abraçou. — Estava com saudades, quer dizer, você sabe, de conversar.

O menino sorriu, ele pensou que suas bochechas estariam ficando coradas.

– Acho que é normal sentir saudades, Scarlet. — Deu de ombros amenizando o clima. — Eai, vamos?

A menina assentiu, eles se empurravam enquanto andavam, aquilo poderia ser bem idiota, mas era mesmo. As folhas caíam revelando de cara a nova estação, aquele parecia ser um novo ano, e talvez, um novo desafio para ambos.

– Então, como dormiu? — Scarlet perguntou enquanto carregava seu skate e cantarolava as músicas no mp4.

– Bem, eu acho. — Ele desviou o olhar, não gostava de mentir, ele sabia que era errado mas não podia simplesmente cospir na cara de Scarlet que era um medroso, ela iria zomba-lo pelo resto de seus dias.

– Pesquisei mais sobre Amy ontem, mas na internet não têm nada sobre sua morte, só uma foto dela. — Scarlet deu de ombros.

– Como era a foto?

Matteo perguntou, mas a amiga parecia mais interessada na música que tocava estúpidamente alta do que na lenda ridícula para criancinhas asssustadas.

– Você pode ir lá em casa hoje? — Ela perguntou, Matteo somente assentiu.

– Matteo! — Enzo e Rick se aproximaram, gritando o amigo em uníssono.

Matteo morava bem perto de sua escola, o que para ele seria triste pois gostaria de mais tempo para se preparar psicologicamente por mais um dia de aula.

– Olá garotos. — Matteo cumprimentou os amigos fazendo um gesto com a cabeça na direção de Scarlet que estava perdida em uma direção fixa.

Os amigos entenderam o gesto, Matteo queria que eles cumprimentassem a garota, eles pareciam protestar com uma careta, mas deram de ombros.

– Olá Scarlet. — Os dois sorriram para a menina que retríbuiu sem ânimo.

– Vocês gostam de skate? — Aquela foi a primeira pergunta de Scarlet, Matteo sentiu vontade de rir mas prende-o.

– Eu sabia andar mas minha mãe proibiu, acho que é perigoso. — Rick respondeu, ele parecia assustado com as expressões da garota ao fazer a pergunta.

– Podemos todos andar de skate um dia? — Ela perguntou, Matteo pensou que a insistência seria um de seus maiores problemas.

Os dois garotos deram de ombros e observaram Matteo como pedido de socorro.

– Então, o que pretendem fazer na aula de ciências? — Matteo perguntou aos três que agora caminhavam ao seu lado. — Enfrentar ou usar celular?

Rick e Enzo se encararam, Matteo odiava o fato dos amigos terem piadas internas.

– Rick e eu baixamos vídeos novos, você sabe, pura animação. — Enzo riu maliciosamente, Rick o acompanhou. — Se quiserem assistir..

– Que tipo de vídeos? — Scarlet perguntou e recebeu o olhar de repreensão de Matteo.

– Você não vai querer saber, mesmo.

– Gosto de vídeos, quem sabe eu assista também. — A garota deu de ombros. — Ei, quem é ele?

A menina apontou com um sorriso perdido para um dos loiros que ria com um grupo de amigos. Ansel. Ansel Rogers. Matteo suspirou irritado, as lembranças de seu ex melhor amigo o assombravam.

– Aquele é o Ansel, ele é capitão do time de futebol. E o mais ridículo da escola. — Rick respondeu tendo a confirmação dos amigos. — Ele ilude as meninas e sai com quem o convém.

– Ele era meu melhor amigo na quarta série, mas na quinta, jogava minha cabeça na privada. — Matteo respondeu. — Eu o odeio.

Scarlet encarou os três rapazes ao seu lado, ela não conseguia entender tanto ódio, afinal, Ansel era bonito e na sua idade, caras bonitos eram um bom negócio.

– Ele parece legal. — A garota deu de ombros.

– Mas não é. — Matteo respondeu revirando os olhos. — Olha para ele, ele é tão..

Scarlet sorriu ainda o observando.

– Lindo? — Voltou seus olhos ao amigo com uma pergunta, ele bufou.

– Idiota.

Enquanto trocavam olhares desafiadores, era possível ser ouvido o sinal batendo, já indicando a primeira aula do dia. Scarlet e Matteo pareciam mais interessados em uma briguinha sem motivo do que nos amigos que os gritavam há séculos.

– Vocês vão ficar discutindo a relação ou irão para a aula? — Rick perguntou impaciente. — Matteo, te vejo no recreio!

Matteo assentiu e andou depressa, esquecendo Scarlet que bufou.

– Me espere!

– Acho que podia fazer teste para líder de torcida, quem sabe você passa. — Matteo comentou ainda apressado. — E o Ansel irá adorar saber que é aluna nova, ele sempre adora.

– Por que esta agindo assim?

Matteo bufou e encarou a amiga, ele contou até dez mentalmente e disse:

– Minha nova melhor amiga apaixonada por meu ex melhor amigo. — Ele disse em tom óbvio. — Nada demais, não é?

– Você odeia ele, não eu. — Scarlet deu de ombros.

– Ele é um idiota!

– Talvez tenha mudado, Matteo. — Ela disse pacientemente. — Talvez nem todo mundo seja do jeito que você pensa que é.

Matteo parou irritado e a observou, ele puxou o ar.

– Certo. Sente com ele hoje. Até o recreio, Scarlet.

Matteo saiu andando em direção a entrada da escola, a menina não conseguiu se pronunciar então suspirou e andou atrás do amigo estressadinho.

A primeira aula. Era ciências, como Matteo odiava estudar ciências durante as terças-feiras, era uma das piores formas de começar o dia.

– Faremos um passeio esse ano, e sim, eu sei que estão cansados de ir á museus, porque eu também estou. — A professora Claire se apoiou na mesa com as mãos no peito. — Prometo que iremos para um lugar diferente dessa vez, e gostaria da colaboração de vocês. — Ela apontou para Ansel. — E principalmente do seu grupinho, Ansel.

Ansel revirou os olhos e voltou a rir dos amigos. Enquanto a professora se pronunciava sobre o quanto era difícil a vida com seu colega de quarto, Matteo desviou os olhos para Scarlet que o encarava, assim que ela o viu, suspirou e desviou o olhar.

– Por que Scarlet não sentou com a gente hoje? — Rick perguntou.

– Porque ela só consegue falar do Ansel. — Matteo revirou os olhos ao responder. — Acreditam que ela acha ele ''bonito''?

Enzo e Rick encararam-se soltando risadinhas que Matteo gostaria de desconhecer.

– Está com ciúmes? — Enzo perguntou prendendo um sorriso malicioso. — Da Scarlet?

– Não é ciúmes, é que, ele é irritante. — Matteo soltou os ombros para trás. — Não acham?

Os meninos deram de ombros e Rick logo se pronunciou.

– Não acha que já devia ter perdoado Ansel? — Perguntou o amigo. — Já faz anos, Matteo.

Matteo encarou a pilha de livros encima da escrivaninha á sua frente e soltou um suspiro ao lembrar das vezes em que Ansel o fez passar vergonha diante de toda a escola nos intervalos, e apartir deste dia, ele foi considerado a eterna vergonha da escola. Até criancinhas de 5 anos caçoavam dele.

– Nem morto. — Foi o que ele havia dito após um devaneio.

– Pois parece que Scarlet acabara de fazer uma nova amiga. — Enzo apontou para a garota das madeixas negras conversando com a ruiva de sardinhas, Annabell.

– Annabell Smith? — Matteo encarou os amigos. — Ela ta brincando, certo?

Enzo deu de ombros.

– Ela é estranha portanto, dá-se bem com estranhas.

– Ei, Annabell não é tão estranha assim. — Rick respondeu, Matteo percebeu que a bochecha do amigo estava corada.

Ele observou Rick por uns segundos até caírem na risada.

– Você gosta da Smith? — Enzo por fim perguntou.

– Ela é legal, se vocês não sabem. — Rick desviou o olhar, ele estava completamente corado.

– Isso é melhor que matar as formigas no jardim da minha tia. — Matteo disse contendo um riso alto. — Você gosta da ruiva.

– E você da Scarlet. — Rick debateu. — Bela jogada, Matteo.

– Eu não gosto da Scarlet, eu só.. — Ele hesitou para observar os amigos. — Eu só não achei que ela e o Ansel façam um casal bonito. Coisa de amigos.

Rick e Enzo riram baixinho do amigo que encarava o nada contemplando pensamentos.

– Espero que aproveitem o intervalo, na volta, irão queimar os dedos. — Claire, professora de ciências apontou para a classe antes de liberar todos os alunos.

Matteo esperou que Scarlet passasse ao seu lado para puxa-la. Ele a jogou dentro de um ármario vazio no corredor das salas, provavelmente era onde colocavam produtos de limpeza.

– Ei! — Ela se soltou. — O que é isso?

– Descul.pa. — Matteo engoliu em seco a própria fala. — Por você sabe, ter sido um idiota, respeito seu amor platônico pelo Ansel.

– Amor platônico? — Ela perguntou indignada. — Ele falou comigo! Tem noção?

Matteo cruzou os braços e bufou.

– Ah, é? E o que ele disse?

– Ele disse que sou linda, e que meus olhos brilham na luz do sol. — Ela suspirou. Matteo sentiu vontade de correr dali antes que quebrasse qualquer vassoura jogada.

– Bem, você já tem um ponto com ele. — Deu de ombros. — Legal.

– Me ajuda?

– O que?

– É, me ajuda, você é um menino, deve saber o que outros meninos gostam em garotas, de que coisas gostam que usamos. — Ela se aproximou do amigo e pôs as mãos em seu peito. — Por favor, Matteo!

Ele hesitou um pouco para observar a mão da menina em seu peito, ele suspirou e por fim, deu de ombros.

– Você já é linda, Scarlet. E se ele não gostar de você assim, eu não sei o que faço para ajudar.

Ele mordeu o lábio ainda perdida em devaneios e depois o puxou para fora da sala.

– Annabell é uma das melhores pessoas que já conheci! — Ela pulava enquanto falava, Matteo apenas concordava com cada palavra. — Ela é engraçada, e gosta das mesmas coisas que eu.

– É, Rick gosta dela. — Matteo deu de ombros abrindo a porta que dava diretamente para o jardim onde eles passavam o intervalo. — Acredita?

– Rick e Annabell? — Ela perguntou tendo a confirmação do garoto. — Vamos ver, seria Ribell? ou quem sabe, Annarick!

Matteo parou e a observou com uma careta estranha.

– Esta juntando casais, Scarlet?

– Sim. Eu apoio, e você?

– Tanto faz. — Deu de ombros. — Os garotos já estão nos esperando, você vem?

Scarlet pôde pensar um pouco até avistar a amiga sentada embaixo da árvore onde ficou no seu primeiro dia, ela acabara de ter uma ideia, digamos, genial.

– Vá na frente. — Ela fez um gesto e Matteo assentiu.

Matteo aproximou-se dos amigos que guardaram o celular ao perceber sua já instalada cara de nojo, ele sabia que os amigos estariam vendo vídeos adultos, e não queria ter de ouvir certos sons que atravessavam os fones.

– O quê? O que Scarlet está fazendo? — Enzo perguntou ao ver a garota se aproximar com Annabell.

– Mais uma amiga para o grupinho, semana dificil. — Matteo comentou enquanto observava Rick ficar estático. — Rick, está tudo bem?

– Me escondam, por favor! — O garoto ficara completamente vermelho, seus olhos brilhavam, ele parecia contente e assustado ao mesmo tempo.

Scarlet se aproximou rindo de algo com Annabell que parecia estar corada também ao observar os meninos, assim que Scarlet se pronunciou, Rick pensou que estava tendo um ataque cardíaco:

– Então, Annabell vai sentar conosco nos próximos dias, então, sejam legais. — Scarlet apontou um espaço vazio ao lado de Rick para que a nova amiga pudesse sentar. — Então, sobre o que falavam?

Rick engoliu em seco e sorriu completamente sem graça para a garota, que abaixou a cabeça contendo um sorriso. Scarlet sorria maliciosamente, Matteo pensou que pudesse estar entendendo o que se passava ali.

– Ela também gosta dele. — Sussurrou a menina para Matteo. — Acho que formam um ótimo casal.

– Ribell, eu apoio. — Matteo sussurrou de volta, e Scarlet sorriu.

Enquanto todos conversavam sem nem ao menos escutar um ao outro, Ansel se aproximou com um de seus melhores — aquele era o melhor — sorrisos aproximando-se de Scarlet.

– Scar. — Ansel sorriu para a menina que derreteu-se.

– Olá Ansel. — Ela o cumprimentou com um sorriso.

Matteo desviou o olhar para os amigos. Além dele, Rick e Enzo também não curtiam Ansel, todos tinham a mesma opinião sobre o rapaz.

– Matteo, ficaria triste se eu roubasse ela um pouco? — Ele perguntou ao garoto. Matteo sentiu um desafio em sua voz, mas ignorou.

– Não, pode ir.

Scarlet pegou em sua mão e saiu acompanhada dos sorrisos baratos de Ansel. Matteo fervia, porém tentava se conter.

– Ele é um completo idiota. — Sussurrou, mas seus amigos puderam escutar.

– Scarlet gosta dele. — Disse Annabell. — Mas, você gosta dela.

– Eu não gosto dela! — Exclamou Matteo. — Por que o intervalo não acaba?

Os amigos deram de ombros e voltaram a conversar, Matteo não conseguia tirar os olhos do possivel novo casal da escola. Ansel estaria iniciando mais um de seus jogos, como na quinta série, mas Scarlet não era um objeto.

As aulas se arrastaram lentamente, a de ciências teria sido a mais dolorosa, pois durou até o final do dia na escola. Scarlet estava sentada ao lado de Annabell, por isso ela e o garoto não haviam trocado nenhuma palavra até o momento. Na hora da saída, Rick e Enzo foram embora juntos, pois deviam aprontar um trabalho de artes, portanto Matteo não pôde ir com os amigos. Apenas havia restado Scarlet que estava com seu skate tradicional ao lado da calçada.

– Como foi com Ansel? — Ele não podia evitar aquela pergunta, estava matando-o por dentro.

– Ele é um idiota, você tinha razão. — Ela deu de ombros.

– Você gostava dele, Scarlet?

Ao ouvir a pergunta a menina gelou, ela não sabia o que responder, então deu de ombros.

– Acho que não.

– Vamos esquecer isso. — Matteo deu de ombros. — Vamos pra casa?

A menina assentiu, e como nos dias anteriores, eles caminhavam juntos conforme as folhas caíam.

– O que acha de ir lá em casa? — Scarlet perguntou parando há poucos centímetros de sua casa.

– Ver a foto de Amy?

– Sim, você sabe, é melhor mexer com isso á noite.

Matteo deu de ombros e assentiu. Na noite passada, não havia sido uma grande ideia, mas ele não queria dizer á amiga que era um completo medroso. Quando entraram na casa de Scarlet, ele percebeu que seus pais discutiam enquanto tomavam suco, aquilo era estranho. Matteo nunca havia visto seus pais discutirem antes, mas sabia que era normal quando casais se amam de verdade.

– Não ligue. — Scarlet o puxou para a escada. — Eles fazem isso o tempo todo, e depois eu sou obrigada a escutar coisas ridículas.

– Você quer dizer.. — Matteo se interrompeu, achava aquele assunto muito desnecessário para se conversar com uma garota.

– Sim, isso mesmo. — Ela deu de ombros. — Vem!

A menina abriu a porta do seu quarto, e Matteo que esperava um universo cor-de-rosa, únicornios e pôsteres de bandas ridículas, apenas encontrou uma parede roxa, alguns pôsteres de bandas antigas, e um tapete preto no chão. Do lado da escrivaninha onde a menina colocava seu notebook, ficava uma guitarra.

– Você toca? — Ele apontou para o instrumento e a menina apenas assentiu. — Seu quarto é meio...

– Masculino? Gótico? Emo? — Ela indagou.

– Não, você é tão meiga e com um quarto tão rock. — Ele deu de ombros.

– As aparências enganam, Matteo. — Scarlet simplesmente disse enquanto ligava seu notebook. — Preparado para ver Amy?

Matteo apenas assentiu e se aproximou da escrivaninha, ele engoliu em seco, não estava preparado para ver Amy o chamando para brincar novamente.

– Esta é Amy, e esta é a foto que eu falei hoje pela manhã. — A menina aproximou a tela para facilitar sua visão. Matteo ficou estático.

Na foto, a menina estava sentada em uma poltrona, com um sorriso frio e uma bola ao seu lado. Seus cabelos estavam bagunçados, e seus olhos brilhavam devido á câmera. Assim como em seu sonho, na mesma posição e do mesmo modo. Matteo se afastou, estava apavorado, não sabia no que havia se metido.

– O mais engraçado é que, essa é a única foto da Amy na internet. Não há mais nenhuma, somente ela. — Scarlet fechou a foto.

– Quem é essa?

Matteo havia apontado para uma idosa com uma roupa preta, óculos rachados e um simbolo de bruxaria desenhado em sua blusa.

– Essa é outra Amy. Ela é uma mulher satânica, como diz aqui. Dizem que em sua infância, ela sofreu os mesmos ataques que a Amy sofreu. Ela matava e usava os sangues dos outros como alimento próprio, ela era louca. E morreu queimada, por volta dos anos 20. — Scarlet encarou a expressão assustada do amigo.

– Você pode, pelo menos, imprimir essa imagem para mim? — Matteo perguntou tentando esconder seu nervosísmo.

– Claro, espere um minuto.

Scarlet fez todo o processo rapidamente, Matteo se perdeu em seus devaneios, Amy estaria brincando com ele. Ou então, seria a moça morta, mas como ela seria um espírito jovem, se morreu queimada na velhice?

– Aqui, Matteo. — Ela o entregou a foto. — Esta colorida, caso isso ajude para sabe-se lá o que irá fazer.

Scarlet deu de ombros e continuou a mexer no seu computador, agora colocava um rock pesado. Matteo estava confuso demais para ouvir, então suspirou e se pronunciou:

– Eu preciso ir, Scarlet. — Ele recolheu sua mochila do chão. — Até amanhã.

– Okay. — Ela respondeu. — Até amanhã, e vá pela sombra. Ou melhor, do jeito que essa foto está, vá pelo claro mesmo.

A menina brincou e começou a rir da própria piada, Matteo a ignorou e quando deu-se por si, já estava caminhando em direção á sua casa. Com as fotos nas mãos, ele memorizava cada detalhe do rosto de Amy e se surpreendia, era exatamente a cena que ela havia o mostrado nos sonhos. Quando chegou em casa, encontrou sua mãe e Theo em uma cena, digamos, constrangedora.

– Uh, mãe? — Ele levantou um dedo para prostestar, mas estava envergonhado demais.

A mulher saiu de cima do noivo, totalmente corada. Ela sorriu envergonhada e soltou o ar.

– Filho! — Exclamou se aproximando. — Como foi a aula?

Matteo tentou achar argumentos para debater aquela cena de poucos segundos, mas desistiu.

– Foi normal. Vou para o meu quarto. — Ele bateu continência e os deixou sozinhos na sala, ele havia ouvido um suspiro alíviado.

O garoto abriu a porta de seu quarto e jogou as coisas no chão, estava á noite, era melhor não mexer com certas coisas, mas novamente, ele estava curioso. Ao observar as janelas ele havia visto a casa de Amy, uma das janelas estavam quebradas, porém não estava assim antes. Matteo arregalou seus olhos quando viu uma das luzes acesas. Ele colocou a foto encima da escrivaninha e deitou-se para ouvir música.

– Filho? — Sua mãe abrira a porta de seu quarto. — Esta tudo bem?

Matteo retirou os fones de ouvido e sentou-se na cama.

– Por que não estaria?

– Você chegou em casa, e sabe, encontrou aquela cena, me desculpe. — Ela coçava a nuca.

Matteo suspirou e assentiu.

– Tudo bem, mãe. — Deu de ombros. — Eu já havia esquecido-a.

Ela sorriu fechado para o garoto, aproximou-se e como rotina, deu-lhe um beijo na testa.

– Eu te amo, e durma com os anjos.

Ele assentiu novamente e guardou seus fones. A mulher saiu de seu quarto e tudo que ele conseguiu fazer foi adormecer.

Em seus sonhos, lá estava ela. Amy sentada em volta de um circulo branco, sorrindo para Matteo, ela o chamava com os dedos, queria brincar. Matteo sentiu um calafrio, não podia ser verdade. Quando olhou ao seu redor, era a noite. Amy agora segurava sua bola e tentava tocar a testa de Matteo, quando a garota se aproximou e o tocou, ele a sentiu. A sentiu, mas não como um sonho, ele a sentiu como se ela estivesse fazendo isso, ali, agora, em seu quarto. Ele acordou assustado, olhou no relógio e como rotina, era 23:00 horas. Ele respirou fundo e viu a foto de Amy caída no chão. Caminhou até ela, e a pegou. No verso estava escrito em uma caligrafia infantil ''Vamos brincar ou não, Matteo?''

O garoto gelou quando olhou para a janela da casa e a viu sorrindo para ele e o chamando com as mãos.

– Vem brincar.- Foi o sussurro mais compreensível que ele pôde ter atrás de seus ouvidos.

Quando encarou novamente a folha de papel, havia duas opções. ''Sim ou não'' Já era tarde, ele estava dentro do jogo.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.