A melodia do Luar
1 Capítulo 1 - A melodia de um quarteto e um bar
Essa é aquela história que nunca ninguém jamais ouvira contarem nas fogueiras com os amigos, na roda de música com a família, numa festa de aniversário ou em um casamento.
Eu sou Felix Tsukioto Ginryuu, você já deve ter ouvido falar de mim. Sou o ídolo pop mais aclamado nas paradas de sucesso a nível mundial. Sou o ídolo pop que ascendeu da cidadezinha de Dinyah. Não é possível que você nunca tenha ouvido falar de Felix Tsukioto. Se não, então deve ter ouvido falar de Felix Ginryuu. Felix Ginryuu dos Dragon Scale, uma das gangs promissoras de Dinyah. Não deixem que a palavra gang os assustem, fomos apenas garotos brigões de Dinyah, garotos que amam a luta de rua, mas acima de tudo somos os cinco irmãos, os Dragon Scale. Eu sou Ginryuu, esse é o nome que escolhi para a irmãdade com os dragon, significa dragão prateado. Nosso orgulhoso laço.
Mas também sou Felix Tsukioto. Tsukioto foi a única coisa referente a minha família biológica que trouxe comigo, o sobrenome de minha mãe. O nome Tsukioto não me diz nada, mas ao mesmo tempo lembra quem sou. Sou Felix, sou o que escolhi ser. Sou um musico orgulhoso. Sabem, Tsukioto significa melodia do luar. É um belo significado, não é?
E quem sou eu? Sou Felix Tsukioto Ginryuu, ídolo pop, Amante de carros para alguns, Metido a playboy para outros, arruaceiro para quem quiser, um dos Dragons Scale, um exímio lutador de rua, diga-se de passagem, irmão, amigo e amante da musica, sem duvidas. Eu sou Felix, um musico. Mas não estou aqui para te dizer quem sou, não estou aqui para contar minha vida, essa é uma historia sobre um amor. Mas não uma historia qualquer...
... Essa é aquela história que nunca ninguém jamais ouvira contarem nas fogueiras com os amigos, na roda de música com a família, numa festa de aniversário ou em um casamento. É o tipo de história que o carinha secundário não fica com a heroína. Porque o cara que ela ama é outro. É o tipo de história que ninguém deveria saber...
—Como assim você vai me abandonar? _Felix choramingou encarando o melhor amigo, irmão de consideração e empresário, Leonardo.
—Olha só Felix, sei que está chateado, mas já é tarde... Estou exausto... Amanhã você tem outro grande show e...
—Mas você é meu melhor amigo! Não se abandona os melhores amigos nessa situação! _Felix murmurou tristonho. _Ela me dispensou!
—Não, não... Ela literalmente te deu um fora daqueles!
—Muito obrigado! _Felix riu irritado.
—É serio! Tudo que quero é a minha linda e maravilhosa cama! _Leonardo sorria impaciente deixando transparecer a raiva que sentia.
—Eu não entendo o que há de errado... Eu sou um cara legal! Não sou? _Felix o encarou. Leonardo revirou os olhos.
—É! Você é um cara legal, mas agora quero ir para casa antes que te mate! _Leonardo segurou seus ombros, antes que seguisse até o carro. _Boa noite!
—Qual é? Que tipo de amigo é esse? _Felix viu o carro partir enquanto começava a caminhar tristonho pelas ruas que conhecia de cor.
—Adri! _Edmund se aproximou da esposa sentada próximo ao balcão.
—Ed... Oi... _Adriana sorriu quando ele a beijou, antes de sentar ao seu lado. _Pedi algo para você jantar. Ainda não jantou não é?
—Não... Obrigado. _Edmund sorriu quando Will pôs um copo de suco no balcão a sua frente. _Obrigado Will.
Will era um amigo de longa data, irmão de consideração, mentor, e era o dono do bar, o que tornara aquele lugar o ponto de encontro dos irmãos Redfox, dos Dragon Scale e dos agregados, amigos, daqueles dois grupos. Por aquela razão Adriana Redfox marcara de jantar com seu marido, Edmund ali. A dona de longos cabelos loiros bebericou lentamente seu próprio suco.
—Felix me ligou ainda a pouco. _Edmund quebrou o silencio, recebendo o olhar curioso da esposa.
—Foi? Ele não devia estar morto de cansaço pós show?
—Provavelmente... Ele parecia mal e parece que Leo foi para casa. _Edmund comentou as informações que havia colhido e pensou um pouco mais sobre o assunto. _Ele quer beber! _Adriana assentiu voltando-se ao suco.
—O que será que houve dessa vez? _Questionou pensativa, tentando desvendar o motivo que faria o amigo se sentir mal.
—Não faço ideia... Felix é uma incógnita irritante... _Edmund riu.
—Diz isso, mas gosta muito dele! _Adriana sorriu encarando o marido.
—Fazer o que? Ele é meu amigo... E no final das contas é uma ótima pessoa. _Edmund sorriu. _Vai dizer que não pensa isso?
—Obvio que sei tudo isso... Mas vocês dois me deixavam bem irritada há algum tempo atrás... _Adriana riu. _Será que ele ainda está de luto pelo carro? Como era o nome dela mesmo? Caroline?
—Caroline! _Edmund riu lembrando do belíssimo automóvel que ficara irreconhecível após o acidente não causado por Felix. _Talvez seja culpa da Caroline mesmo... Na vida dele, carros sempre foram sua segunda paixão! _Edmund bebeu o suco e encarou-a novamente.
—E então, o que houve com você? _Adriana o encarou.
—O cliente não gostou muito do planejamento dos móveis, mais uma vez! Já é a terceira vez, que combinamos juntos um modelo e quando já está tudo devidamente pronto para produzirmos, ele muda de novo! Isso mobiliza uma grande parte da equipe e no fim das contas temos que recomeçar tudo. Está atrasando outros projetos... _Edmund suspirou irritado.
Os Redfox possuíam uma grande construtora criada e dirigida por dois grandes engenheiros, Clarisse Redfox, a segunda irmã Redfox, e seu marido, Ryu Aokaze Seiryuu. Adriana e Edmund eram arquitetos da construtora Redfox. No entanto Edmund trabalhava se responsabilizando principalmente com a criação de moveis, sendo o principal design de moveis da empresa.
—Resumindo temos trabalho acumulando, estamos ficando sem tempo e o cara simplesmente muda de ideia como se estivesse bebendo água! Em breve serei soterrado pelo trabalho acumulado e ele não decide... Isso me deixa furioso e não consigo criar.
—Talvez deva conversar com ele seriamente! Tente novamente e se não for do agrado dele, simplesmente digam que não dá e vão terminar os outros com o prazo encurtado! _Adriana sorriu acariciando seu braço.
—Você é demais! _Edmund sorriu apaixonado. _Mas esse seria nosso trampolim e...
—Acho que a empresa já usou o trampolim e ainda estamos no ar. A construtora Redfox está no topo, querido. Não estou querendo dizer que jogue fora a oportunidade, mas será que vale a pena jogar todos os outros projetos pro ar junto com sua saúde mental por conta dela? _Adriana o encarou. _Não é culpa sua se o cara é mal resolvido!
—Ryu disse algo parecido antes... _Edmund sorriu. _Mas prefiro você... _Beijou-a. _ Mas e você?
—Ah... Não é nada tão sério... É só que o dia da apresentação está bem perto e...
—Noite... _Felix estava parado perto dos dois.
—Hey! Quando você chegou? _Edmund o encarou.
—Desde o “Resumindo”, mas vocês dois ficaram meio melosos de mais para mim e não pude interromper... _Felix murmurou sem animo, então se arrastou até um banco ao lado deles.
—Boa... Noite? _Adriana o encarou mover a mão para que ela prosseguisse.
—Adiante...
—Se não é o Felix! Grande show! _Will pôs um prato na frente de Edmund. _Vai querer algo?
—Uma bebida... Forte de preferência!
—Como quiser... _Will encarou Edmund e Adriana, enquanto enxugava um copo de vidro com o pano de prato. _Não foi um grande Show? _Sussurrou. Os dois ergueram os ombros.
—Então... Estamos com tudo pronto para a apresentação e confio plenamente na capacidade das minhas meninas... Mas estão tão apreensivas desde que trocamos a bailarina principal por conta da lesão no tornozelo. Estão completamente nervosas e isso pode atrapalhar, embora estejam maravilhosas. E acabo ficando nervosa também! Não sei o que fazer para acalma-las... _Adriana suspirou com certa agonia.
Além de arquiteta, Adriana era instrutora de dança. Trabalhava com as duas funções, mas sua vida, seu amor e todo seu coração estava na dança e tinha um carinho especial pela turma que instruía na academia de dança de Dinyah. Era o lugar onde havia estudado, dançado e se formado. E agora era instrutora naquele lugar brilhante e amava o que fazia.
—Sinto uma certa aflição... _A loira suspirou.
Felix virou o copo de uma vez e pediu outro a Will. Os três o encararam com curiosidade. Adriana e Edmund ficaram de pé, parando cada um de um lado do homem de cabelos prateados que virava o segundo copo.
—Fui dispensado de novo! _Felix falou finalmente. Os dois tocaram seus ombros ao mesmo tempo, compadecidos. _Do que adianta ter milhares de garotas gritando seu nome, se quando tento sair com alguma ela foge?!
—Ela fugiu? _Adriana questionou.
—A conheci ontem numa festa. Tudo parecia estar correndo tão bem. Bebemos, conversamos e rimos. Até rolou um clima. Ai trocamos telefone. Combinamos de sair quando deixei-a na porta de casa... Digo...
—Leo deixou né? Vocês beberam! Você não dirigiu o carro, dirigiu? _Adriana o encarou, pronta para repreende-lo.
—Não, mas quem fez Leo dirigir até a casa dela antes de me deixar em casa fui eu! _Felix sentiu-se ofendido. _Sequer tenho a Caroline! _Virou o terceiro copo e deitou a cabeça no braço sobre o balcão. _Então... Liguei para ela de manhã para confirmar tudo para depois do show, mas ela não atendeu nenhuma vez. Pensei que ela poderia ter esquecido de olhar ou ficado de ressaca. _Edmund e Adriana trocaram olhares cumplices imaginando o restante da historia. _Tipo, havíamos bebido um pouquinho...
—A que nível? _Adriana o encarou. Felix ergueu a cabeça encarando-a.
—... Nível? _Ele sentiu o rosto esquentar lembrando. _De sentarmos na grama do pátio externo encarando as estrelas... Enquanto riamos escandalosamente sem sessar...
—Rir das estrelas? _Edmund o encarou.
—... Até a barriga doer... Parecia hilário na hora e... _Felix sentiu a vergonha lhe tomar a fala, bebeu um pouco do quarto copo.
—Nível rir das estrelas e não lembrar de nada no dia seguinte! O quanto vocês beberam? _Edmund o encarou, sacudiu a cabeça se preparando para alcançar o ponto que queriam chegar na conversa. _Bem, o quanto você ligou?
—... Um pouco... _Felix notou os olhares dos dois. _Bastante... _Sua voz foi baixando, quando o casal ficou serio. _Duhenhosehiquenha vezes...
—Oi? _Adriana tentou entende-lo, quando ele repetiu. _Não te ouvi.
—... Duzentos e cinquenta vezes... _Felix ocupou-se de virar o quarto copo.
—DUZENTOS E CINQUENTA?! _Adriana o encarou.
—Caramba! _Edmund sentou do seu lado e pegou um dos copos da mesma bebida, que Will colocara na mesa. Rindo sem cessar Will pôs a garrafa na frente deles, ponderando que era o que desejariam naquele instante.
—Você é um cara persistente, não? _Will virou-se risonho, deixando Felix vermelho.
—Grudento, isso sim! Tá louco? Quem liga 250 vezes para alguém que conheceu em uma festa? No dia seguinte? Quem liga para alguém 250 num dia? _Adriana sentou-se ao seu lado.
—O que deu em você? _Edmund o encarou. _Desespero?!
—Aposto que foi o que ela pensou! _Adriana também o encarou.
—Não me julguem! _Felix viu os dois erguerem os braços em rendição.
—E então? _Edmund segurava risadinhas.
—Depois do show a encontrei numa loja de conveniência próximo de onde a tínhamos deixado anteriormente. Falei que tinha ligado para ela...
—Acho que era impossível ela não ter notado! _Adriana falou.
—Foi o que ela disse. Expliquei que queria saber do nosso encontro. Ela disse que estava muito bêbada na noite passada... Falou que preferia mais quando eu cantava, do que quando falava... E era melhor imaginar um ídolo perfeito de longe, do que estar com um maluco grudento que não entende quando alguém não quer atender o telefone... _Felix baixou a voz mais um pouco. _Disse que estava louca e que não queria sair comigo...
—Uou... Acho que ela foi um pouco... Má... _Adriana murmurou.
—O que você diria nessa situação? _Felix a encarou. Adriana ergueu os olhos para o alto.
—Hipoteticamente... O que eu diria... Festa, bebida, telefonemas e... _Adriana se perdeu nos pensamentos. _Acho que diria algo como... Não me leve a mal não... Mas se você me ligar de novo eu te denuncio... E se me seguir eu mesmo acabo com você... Você é maníaco obsessivo... E fique longe das minhas irmãs... Idiota pervertido...
—... _Os dois homens a encaram, assustados. Will parou o que fazia para observar a cena. Adriana voltou a olhar para Felix.
—... _Cobriu a boca com as mãos. _Droga! Não é isso... Eu não quis... É só que...
—Fui tão mal assim? _Felix virou o quinto copo.
—Não... É só que...
—Duzentos e cinquenta ligações devem tê-la assustado pra caramba! _Edmund bebeu um pouco do liquido em seu copo enquanto comia seu jantar.
—... Eu teria ficado assustada... Sinceramente... _Adriana tocou seu ombro de leve. _Você é um cara legal Felix... Mas acho que você se empolga muito nos primeiros encontros... E mostra algo que não é de verdade... Por isso elas acabam fugindo...
—Elas querem a pessoa por trás das suas canções e não o cara carente de atenção, fanático por carros.
—... O cara por trás das canções, é? _Felix riu cansado, seus olhos foram rapidamente até Adriana. _Bem, a pouco acreditei ter visto a velha Dri!
—Também a vi! _Edmund riu. _Parando para pensar, acho que caras te assustavam!
—Não, não! Caras como vocês dois me enlouqueciam! É completamente diferente. _Os três riram. _Logo de cara eu pensava lá vem o “Playboyzinho arrogante” da turma do Ryu, ou o “Galam babaca” da turma do Shun. Vocês dois viviam em pé de guerra.
—Haha! Tem razão! _Felix bebeu mais um pouco.
—... _Edmund o encarou. _Hum...
—Mas vocês criaram algo parecido com amizade, naquela época! Por conta de uma briga né? _Adriana os encarou. Os dois se olharam cumplices e riram.
—Algo assim... _Edmund murmurou bebendo um pouco ao mesmo tempo que Felix.
—Dri! _Felix corria em direção da loira.
—Adri! _Edmund o chamou de outra direção.
—Quem são? _Uma garota de cabelos curtos lisos, de tom acinzentado, que conversava com Adriana, a viu suspirar.
—Uns conhecidos ai! Conhecidos bem problemáticos! _Adriana encarou os rapazes acelerarem o passo para alcançarem-na primeiro.
—Adri, hey! _Edmund sorriu quando chegou primeiro ao seu lado. _Estive te buscando desde que cheguei aqui!
—Ah... _Adriana o encarava.
—Cheguei a pouco... Fui no Will, mas não te vi...
—Sabe como é. Tenho que estudar! _Adriana viu Felix parar do seu outro lado.
—Oi... _Ele sorriu.
—Oi. _Adriana encarou Felix.
—O que houve com os Redfox? _Felix questionou.
—Não sei o que quer dizer!
—Não temos ouvido falar de vocês! Ryu estava atrás de Clarisse! _Felix coçou a nuca.
—Dou o recado! _Adriana se voltou para a amiga.
—Ah, Adri. Eu tenho... Duas entradas para o parque de diversões novo daqui... Talvez queira ir comigo? _Edmund sorriu mostrando os ingressos. _Garanto que será divertido...
—Ah... Eu não...
—Engraçado! Também tenho entradas... Por que não vem comigo? _Felix sorriu. _Pedi o carro de Neil para nos levar...
—Não, obrigada! Não estou com vontade! Mas garanto que Luna e Nicolas vão adorar. _Os olhos da amiga da loira brilharam encarando os dois rapazes atentos para Adriana.
—Allie! É um prazer conhece-los também! Estudo com a Adriana! Somos quatro e temos quatro entradas! Nós vamos! Quando? _Allie sorriu de orelha a orelha.
—... Ah... Essa é Allie... E esses são Edmund e Felix... _Adriana encarou a amiga apertar a mão dos rapazes. _Ninguém te convidou e eu não vou! Adeus!
—Não! Espera ai! _Allie segurou Adriana pelo punho, recebendo um olhar mortal da amiga.
—Você não quer me ver irritada! _Adriana a encarou.
—E você não quer me ver sem parque! _Allie sorriu e olhou os garotos. _E então, quando?
—Ah, não... _Felix sorriu negando com a cabeça.
—Nós não vamos juntos! _Edmund completou enquanto apontavam um para o outro.
—Não rola, sabe!
—Não rola eu não ir ao parque! Estaremos esperando aqui após as aulas da manhã! E depois vocês nos trarão aqui de novo porque tem reposição de aula a noite! Até logo garotos! _Allie puxou Adriana e seguiu saltitando.
—Vou matar você! _Adriana resmungou.
—Não antes de te matar, esses dois são adoráveis. E estão loucos por você sabia?_Allie sorria. Adriana encarou os dois discutindo atrás de si.
—São infantis e idiotas! Irritantes.
—Pra você todos são irritantes! _Allie caminhou até seu armário.
—Adriana! _Um garoto sorriu. _Espero que possa sair comigo... Tinha dito que tinha compromisso, mas acabou de combinar de sair com aqueles caras!
—Você é cego?! Aliás quem é você? _Adriana o encarou.
—Engraçado! _Ele riu encarando-a.
—O que é engraçado?
—Não sabe mesmo quem sou?
—Nem ideia! _Adriana ia passando direto por ele.
—Marc! _Adriana assentiu e seguiu, ele segurou seu braço. _Então vai sair comigo?
—Não! _Adriana passou direto por ele. Allie a alcançou.
—Acho que deveria ser um pouquinho menos fria!
—Fui sincera!
—Não quero ir! _Adriana encarou Edmund e Felix discutindo na entrada, próximos ao carro. _Está vendo? Dois idiotas!
—Não é bem o que vejo, se quer saber minha opinião! _Allie piscou para a amiga e sorriu. Adriana encarou-os.
—Quem disse que vou te levar? Não te convidei! _Felix o encarou.
—Aham, não te convidei e mesmo assim você me atrapalhou! Agora sairemos os quatro, por que droga eu iria sozinho?! _Edmund o encarou de volta.
—Não vai entrar no carro!
—Quer apostar?
—Se quer brigar, pare de rodeios! _Felix o encarou.
—Devo dizer o mesmo, não?
—Bem, só vejo dois imbecis! _Adriana encarou os dois prontos para lutar. Allie riu.
—São energéticos! _Ela seguiu até eles empurrando-os. _Olá garotos! Vamos?
—Ah... Dri!
—Adri!
—Allie! É muito bom revê-la! A proposito, muito obrigado por fazer Adriana sair conosco! _Allie puxou a porta do carro. _Ah, não foi nada! _Suspirou e entrou na parte de trás sob o olhar deles. _Que mal faria? Não morreriam por isso... _Cruzou os braços. Adriana riu encarando-a.
—Yoshi, yoshi... _Adriana se juntou a ela afagando sua cabeça. _Ainda discorda de mim?
—... Não me venha com essa! _Allie a encarou, então olhou os dois rapazes. _Vão ficar parados ai?
—Ah... Vamos! _Felix fechou a porta das duas e correu até o lado do motorista. Sua tentativa de entrar antes de Edmund falhou e seguiram para o parque.
—Desculpe por antes, Allie! _Edmund falou.
—Isso... Embora tenha um pequeno inconveniente nisso... _Felix encarou Edmund. _Obrigado!
—Nada! Sou completamente a favor que essa garota arranje um namorado, ao invés de dar foras nos caras todos os dias! _Allie riu divertidamente.
—ALLIE! _Adriana a encarou.
—Mas é verdade ué!
—Antes de mim, arranje um namorado para você! _Adriana sorriu. Os dois se encolheram na frente decidindo não entrar na conversa das duas. _Depois você pensa na minha vida amorosa!
—Haha! A delicadeza em pessoa... Mas talvez faça isso um dia! No momento sou um cupido para uma amiga que nem tem tempo para diversão! _Allie a encarou. _Devia se dar um descanso às vezes.
—Do que está falando? _Edmund encarou Allie. Adriana queria assassina-la.
—São cinco irmãos e uma casa! Ela é irmã do meio! Janaina, trabalha sem parar e estuda a noite. Clarisse, trabalha tanto quanto Janaina e estuda de manhã. Adriana, estuda de manhã, trabalha como aprendiz a tarde e dança a noite. Os dois mais novos podem respirar por conta das três. Nicolas, estuda para o vestibular sem pausas. Luna em breve também o fará e tem seus jogos. As três recebem o suficiente para se manterem, manterem a casa e os estudos. Mas deve ser pesado, não sei onde arrumam tempo para treinar e lutar. _Felix falou pensativo, surpreendendo os três com o que sabia.
—Dias de folga... _Adriana murmurou baixinho.
—Bem é isso... Mas ainda têm a avó que está de olho nas mais velhas. _Allie sorriu parando de falar com o olhar de Adriana. _Bem, essa aqui se esforça muito e ignora todo o resto, como lazer com os amigos, vulgo eu.
—Só você? _Edmund a encarou. Adriana olhou a paisagem pela janela.
—Bem... Sabe como é...
—Não gosto muito de me envolver com todo tipo de pessoas! E as que convivem comigo na faculdade não podem entender que minha prioridade é minha família e não as festas... _Adriana resmungou.
—Ou sentem raiva por que muitos são loucos por ela e nenhum a agrada! _Allie a encarou.
—Não me importo com eles! Mas pode parar de contar toda a minha vida! _Adriana a encarou. _Já tenho o que é importante...
—Waahh! Isso foi quase uma declaração! _Allie a abraçou.
—Sou seu amigo também, não é Dri? _Felix questionou.
—...
—Acho que não, hein? _Edmund riu encarando-o. _Entre nós dois, essa ai... _Apontou para Allie. _Ganha em disparada!
—O que vocês pensaram? _Allie riu e largou Adriana. _Vocês já conhecem Adriana... Mas eu não os conheço.
—Nem eles a você! Aliás que tipo de pessoa sai contando a vida aos outros assim? _Adriana a encarou.
—Eu! Bem, sou filha única! Estudo na mesma turma de Adriana! Morei com o meus pais até os dezoito! Depois disso me mandaram buscar minha independência. _Riu. _Vim estudar dança e... Moro sozinha num apartamentozinho aqui perto... Meus pais pagam o apê e o mantem, mas de resto eu tenho que me sustentar. Gastos com o curso, roupas, comida e essas coisas, então tenho um trabalho de meio tempo como aprendiz em uma escola. Não tenho do que me queixar. E vocês?
—Filho único! Vivo com minha mãe! _Edmund sorriu. _Somos só nós dois, trabalho pela noite e faço uns bicos pela manhã para nos manter... _Edmund pensou um pouco. _A tarde saio com a turma... Sem eles provavelmente me perderia... Então não tenho muito tempo ou cabeça para estudar algo! Me admiro com vocês...
—Não quer fazer um curso superior ou algo? _Adriana questionou, ele sorriu e pensou novamente.
—Não é como se eu pudesse... Não tenho condições de gastar com cursos... Minha mãe sempre foi muito doente sabe... Então dede que meu pai se foi, tenho assumido a reponsabilidade de trabalhar para nos manter estabilizado e ela bem tradada... Um curso não entra no orçamento... _Murmurou. Então notou o silencio no carro, sorriu. _Mas sequer tenho um sonho de fazer algo realmente... Então não importa, só quero ter o meu emprego, quem sabe algo melhor um dia, e estar com ela e meus amigos... Isso me basta!
—Puxa... _Allie soltou o ar que prendia. _E você Felix?
—... _Ele ficou tenso por um instante. _Não é algo interessante!
—Mas queremos ouvir! _Allie sorriu. Felix sentiu um desconforto ainda maior. _Vai me dizer que seus pais te sustentam? Está com vergonha?
—Não... É só que não tem nada de espetacular! _Felix murmurou.
—Felix é playboyzinho... Tem cara que os pais o sustentam... _Edmund começou. Felix respirou profundamente concentrado na direção.
—Que foi criado cheio de mimos e... _Allie riu.
—Ai... Parem com... _Adriana foi interrompida quando o carro parou repentinamente.
—Calem a boca! Não falem como se soubessem algo sobre mim! _Felix respirou fundo. Surpreendera Edmund e Adriana, que nunca o viram sem um sorriso no rosto, tão serio como estava naquele instante. Encarou-os. _Tudo que tenho é mérito meu! Meus pais não me sustentam! Nunca fui mimado por meus pais! E a única pessoa que me quis bem alguma vez foi mandada para longe de mim! _Suas palavra eram ásperas e enraivecidas. Ele focou sua visão novamente, então sorriu envergonhado. _Desculpem... Não gosto dessa historia. E acabo perdendo o controle quando toco nesse assunto... _Voltou a olhar para frente. _Sei que querem quebrar a tensão, mas não comigo! Não vai ajudar! _Suspirou. _... Sinto inveja de vocês...
—Inveja? _Adriana o encarou. _Você ouviu Edmund falando?
—Alto e claro... Não me entenda mal... Os invejo por terem pais amorosos... _Felix murmurou sentindo a atenção voltada a si, suspirou sabendo que agora tinha que terminar. _Não é uma historia legal...
—Não importa! Queremos ouvir. _Allie falou. Ele abriu um mínimo sorriso e focou os olhos no para-brisa.
—... Bem, sou filho único. Também trabalho... _Sentiu os três olhares sobre si. _ Não façam essa cara de surpresa! Trabalho desde os quinze anos...
—Desculpe, mas não parece... _Allie murmurou. Felix sorriu.
—... Vivi até os 14 anos, rodeado de empregados e mordomos, de nobres fúteis, roupas de grife e regras imbecis de como ter classe e manter sua reputação. Sou filho bastardo... Meu pai queria um herdeiro e sua mulher era infértil, então engravidou uma das empregadas... Minha madrasta gostaria de ter se livrado de mim antes que nascesse, mas teve que se contentar só com minha mãe. _Felix parecia perdido aos olhos dos outros. _Logo após o parto ela mandou-a embora, ouvi de minha ama de leite que ela estava muito doente e faleceu na viagem. Tive varias babás, mas a única que acompanhou minha infância foi minha ama de leite, Lilian...
—Sinto muito... _Allie murmurou.
—Nunca a conheci então... _Felix forçou um sorriso. _Não se preocupe...
—Mas ela era sua mãe... _Adriana o encarou.
—O que sei sobre ela é o que Lilian me contou... Gostaria de conhecê-la, mas não sei o que sinto... _Felix pigarreou. _Bem... Minha madrasta nunca foi muito amorosa, tinha costume de maltratar os empregados, e meu pai concordava que era assim que deveria se eles merecessem, eu pagava caro se os defendesse. Ela tinha ódio de mim, do fato de que lhe lembrava minha mãe, de que tinha sangue de empregados e era tratado como o filho de meu pai com todas as despesas que tinha direito. Ela não poupava esforços na maldade. Me isolava de todos os seres vivos, não podia brincar, não tinha brinquedos, tinha aulas todos os dias de línguas diferentes, em casa, e aulas de musica clássica a mando do meu pai. Escapava para brincar com os filhos dos empregados e pagava caro por isso. Meu pai dizia que era uma vergonha, enquanto ela cuidava do meu castigo. _Felix engoliu em seco. _ O único momento em que podia escolher como agir e com quem estar era na escola. É a única coisa que agradeço a ela. Estudei até os 10 anos em uma escola longe dos olhos dos nobres e seus filhos graças a ela. Foi quando entendi o que eram amigos.
—Conheceu os caras na escola? _Edmund perguntou.
—Leonardo estudava comigo. Neil e Ryu eram mais velhos e Henry mais novo. Mas basicamente sim. _Felix sorriu. _Depois disso meu pai decidiu o que queria fazer com minha vida. Frenquentei uma escola caríssima e fui apresentado aos outros como uma mercadoria. Ele queria me casar com uma garota rica um dia, então me fazia brincar com garotos metidos e irritantes, quando não nos entendíamos, ele me batia. Aos 12 plantava o terror na escola, escapava das aulas particulares e fugia de casa para a casa de Neil. Obviamente me dava muito mal por isso. Então fazia ainda pior. Descobri sobre minha mãe em um dos acessos de raiva da minha madrasta, quando lhe disse que não fora ela quem me criara e sim Lilian. Ela xingou a mim, minha mãe e a Lilian das piores coisas que nunca havia ouvido. Devolvi com xingamentos ainda piores altos o suficiente para os vizinhos ouvirem. Paguei muito caro por isso. Na hora apanhei como nunca antes. Foi Lilian quem me acalentou naquela noite, uma ultima vez... _Felix respirou profundamente. _Pela manhã havia sido mandada embora.
—Felix... _Allie sentiu o arrependimento de ter feito-o contar.
—Meu comportamento piorou após isso. Comecei a brigar em todos os lugares e isso chegou ao ouvido de muita gente. Quando completei 14 já estava insuportável. Seria enviado para uma escola militar, mas antes disso atingimos o estopim. Meu pai queria que fizesse direito, eu queria fazer minha própria musica. Ele queria me casar com uma fulana importante. Bati o pé e disse que não o faria. Nenhum dos dois. Disse que eu faria minha música. Ele praguejou e disse que era uma desonra ao seu sangue, que era culpa do meu sangue ruim, que deveria imaginar que simplesmente me educar não mudaria. Gritei que nenhum dos dois havia me criado. Falei de Lilian. Minha madrasta me chamou de ingrato, disse que era culpa de Lilian, chamou-a de coisas que não me atrevo a repetir. O sangue subiu a cabeça e xinguei-a com palavras não muito bonitas ou próprias. Meu pai me bateu dizendo que não deveria tratar minha mãe daquela maneira. Aquilo me deixou ainda mais furioso. Disse que ela não era minha mãe, nem nunca seria. Disse que a única família que tinha eram meus amigo e Lilian. Meu pai me bateu o rosto e disse que eu o envergonhava com meu maldito sangue ruim. Ela alimentou a ideia de me jogar num internato militar. Gritei que não iria fazer o que eles queriam, que não era um fantoche e faria minha musica eles querendo ou não, que fugiria sempre mesmo que quebrassem minhas pernas, que encontraria com a única pessoa que me amou. Minha madrasta me deu um tapa e gritou que aquela pessoa já partira. Desolado, sorri enquanto dizia que fazia parte de uma gangue que lutava com as pessoas. Disse o que já sabiam, mas fingiam que não e tentavam esconder. Disse com orgulho que nos tornaríamos conhecidos mundialmente pelas batalhas que vencíamos. Quis que aquilo o ferisse mesmo que um pouco. _Felix sentiu dificuldade para respirar, encarando o horizonte, tão perdido que não notou os mínimos soluços atrás de si. _Meu pai me derrubou com um soco e disse que se envergonhava de ser meu pai. Disse-lhe que podia acabar logo com o maldito sofrimento. Disse-lhe que nunca fora seu filho. Ele me mandou embora. Então levantei-me e passei pela porta sem olhar para trás.
—Felix se quiser... Não tem que terminar... _Adriana murmurou.
—... _Ele balançou a cabeça. _Estou bem... Dai segui até onde Neil morava, sua família me acolheu como um filho. Pensava que pelo menos deveria ajuda-los, então aprendi a trabalhar. A família dele decidiu se mudar para longe em busca de uma vida melhor. Ele preferiu ficar, gostava daqui e estava no fim do colegial. Fiquei com ele. Neil me manteve por muito tempo já que trabalho de aprendiz não paga muito bem. Nessa época os pais de Henry sofreram um acidente e faleceram, sem família nenhuma, Neil o trouxe. Suas famílias eram amigas a muito tempo e os dois eram como irmãos. _Felix sorriu. _Neil é um irmão mais velho para todos nós. Enfim, decidi que era hora de me virar sozinho, consegui outro emprego. Na época Leo me veio com a historia de dividir o apartamento, mas aposto que tinha um dedo de Neil. Ele estava saindo do orfanato, mas estava com um emprego fixo bom e tinha algumas reservas.
—Leonardo é órfão? _Edmund questionou.
—Sim... Desde menino. Mas bem, ele me deu uma força enorme já que nunca conseguiria me manter com o salario que recebia. _Felix riu. _ Leo é o meu irmão no fim das contas. Ryu tinha que ajudar em casa com as coisas por isso não podia fazer muita coisa... Nenhum de nós na realidade, mas estávamos juntos pro que o mundo mandasse. Afinal somos os Dragon Scale, não é? E assim está bom. Eles são minha família! _Felix sorriu normalmente mais relaxado. _Bem... Hoje nós dois dividimos uma casa na mesma vizinhança que os três.
—Não sabia disso... _Edmund o encarou.
—Não sabe de nada... _Felix o encarou de volta.
—Desculpe... _Allie tinha lagrimas nos olhos.
—Não me entendam mal! Sou feliz com minha família. _Felix sorriu enfim quebrando toda a tensão. _Muitas pessoas me veem como alguém superficial... Sei que tenho esse jeito de “playboyzinho”, mas me orgulho do que consegui. O fiz com meu próprio esforço. _Tirou a chave do carro. _Chegamos! _Saiu do carro deixando-os.
Se havia ficado um clima estranhamente tenso? Sem duvidas. Allie chorava. Adriana remexia as mãos nervosamente. Edmund sentia-se incomodado por atiçar algo que não deveria. Sentiam-se mal por Felix. Então abriram a porta do carro e correram até ele. Allie o abraçou pelas costas, Adriana sorriu tocando seu braço e Edmund deu um tapinha de leve em suas costas. Não espiaram o rosto de Felix, mas caso o fizessem notariam suas lagrimas.
—... Penso que não tem que ter inveja por termos pais amorosos... Você teve Lilian, sabe... _Adriana murmurou abraçando-o também.
—... Sinto muito por o que disse... _Edmund murmurou ao seu lado.
—... _Felix assentiu enxugando o rosto discretamente.
—... Não preciso te abraçar também, certo? _Edmund o encarou. Felix riu verdadeiramente.
—Claro que não! _Felix respondeu em meio ao riso. As duas garotas riram junto a ele.
—Certo! Obrigado! _Edmund também se permitiu rir. As duas se afastaram de Felix, soltando-o do abraço. _Tudo bem?
—Sim... Vamos! _Apontou para o parque. Naquele momento já não haviam mais lagrimas, mas ele ainda tentava esconder os resquícios do choro e o grupo apenas entendeu.
—Montanha russa! Há quanto tempo não vou numa dessa? _Allie sorriu encarando a atração.
—... Faz um bom tempo que não ando nessas coisas também... _Adriana murmurou pensativa, quando os dois rapazes sorriram segurando suas mãos.
—Quer me dar a honra de ser minha dupla? _Edmund sorriu cavalheiro.
—Devo desculpar, mas a senhoria virá comigo... _Felix sorriu galanteador. _É questão de vida ou morte...
—... De quem? _Adriana sacudiu as mãos livrando-se dos dois.
—Minha... Se não estiver comigo a vida não tem sentido... _Felix segurou sua mão novamente. Edmund pegou do outro lado. Os dois se fuzilaram com os olhares.
—Então vai morrer, porque...
—Ne Adri... _Allie correu até ela puxando-a pela mão. _Não parece genial?
—... Você gosta mesmo dessas coisas, não é Allie? _Adriana sorriu.
—... Sim...
—... Já pode morrer! _Edmund encarou Felix e seguiu as duas garotas que caminhavam mais na frente.
—... Francamente, eu não quero ir com você!
—Como se eu quisesse ir com você!
—Vocês dois vem? _Allie sorriu sentada ao lado de Adriana. Os dois caminharam até os bancos de trás.
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