A melodia do Luar
4 Capitulo 4 - A melodia de um amor
Notas iniciais
Esse é o tipo de história que o carinha secundário não fica com a heroína. Porque o cara que ela ama é outro. É o tipo de história que ninguém deveria saber. É esse o tipo de música que canto. É esse o tipo de amor que tive.
—Ela é feliz e é o que importa! _Felix sorriu encarando-a.
—... E você? _Ela questionou baixinho. Felix puxou sua bochecha.
—Adri foi o meu primeiro amor e isso nunca mudará... Não é algo que esquecemos, mas não é algo que sentimos para sempre... Sou feliz com nossas vidas! _Ele pegou o violão.
—Mas você nunca pode se declarar realmente... Não vai se arrepender... _A mão pesada em sua cabeça a fez parar de falar, enquanto bagunçava seus cabelos.
—Felix, em trinta segundos... _Alguém passou pelos dois.
—Só vou cantar essa musica por sua causa, então me observe... _Felix parou com as mãos em sua cabeça, deslizou-as segurando o rosto da garota. _Você é a melhor amiga que alguém poderia querer... _Beijou-lhe a testa e se virou seguindo para o palco.
—... Você não respondeu... _Allie murmurou encarando-o pegar o microfone com um sorriso.
Edmund abraçava a esposa em meio ao público, quando o viram entrar no palco. Adriana sorriu acenando, amava ouvi-lo cantar desde sempre. Desejou que um dia alguém pudesse compreende-lo por completo.
—... Boa noite... _Felix riu encarando o público. _Estou muito feliz de cantar aqui novamente... Foi onde comecei a cantar oficialmente, então é sempre bom voltar às origens... _Ele dedilhou o violão. _E para um lugar tão especial, decidi cantar uma musica especial. Essa é uma inédita, mas bastante antiga... _Sorriu encontrando Adriana e Edmund no meio do público. _É sobre aquele primeiro amor que nunca esqueceremos...
Allie o viu encarar algo em meio ao público, sabia exatamente para quem ele olhava. Não podia entender a sua escolha. Ele se abstera do amor naquele dia e sofrera. Lembrava claramente de tudo.
—Felix...
Félix caminhou vagarosamente pela casa alugada com toda ornamentação. Seguiu em silêncio pelos jardins, o traje de gala cinza lhe caia muito bem, seu cabelo fora penteado para trás abandonando seu estilo galã de sempre. Carregava um buquê, cujas flores foram escolhidas a dedo. Estava só. Não tinha a companhia de seu melhor amigo Leonardo, ou dos outros da turma, nem as irmãs Redfox, ou Allie, Edmund e Adriana. Algo em seus olhos era doloroso, diferente do Félix brincalhão e playboy que todos conheciam. Ele encarou seu buquê e seguiu para dentro da casa. Ouviu o barulho alegre e as pessoas correndo ansiosas com os últimos ajustes. Parou na primeira porta e entrou. Sorriu vendo os rapazes de smokings. Se destacando o Smoking como o seu em Shun e o branco em Edmund.
—Hum. Ed, isso não lhe cai bem! _Falou risonho.
—É um pouco incômodo, mas até gosto desse! _Edmund sorriu. _Estou à altura da rainha?
—… Nunca estará. _Felix riu dando um tapinha em seu ombro. As risadas tomaram o quarto por um instante. _Ainda não a vi. Estava indo fazê-lo.
—É mesmo? _Edmund o encarou.
—Ryu! _Clarisse entrou no quarto. _Ah, garotos preciso de uma ajudinha braçal.
—Agora? _Ryu a encarou.
—Sim. Neil, Nick, Henry e Ryu encontrem Luna lá atrás. Leo, Shun e Felix… Você chegou agora?
—Agorinha. _Felix respondeu.
—Então só os dois virão comigo na cozinha, Mari precisa de ajuda. Félix assim que puder nos encontre. _Clarisse sorriu empurrando os rapazes resmungões para fora, seguindo ao encontro de Marina, irmã mais nova de Will.
—Ela está mandona… Ainda mais… _Os dois riram concordando.
—Vim te dar os parabéns antes. _Felix sorriu e viu Edmund encarar o buquê.
—E o buquê é para mim?
—Você não é tão importante a esse ponto. _Riram. _São para Dri…
—… _Edmund o encarou, estava um pouco sério. _Felix… Você está…
—O que pensa que vai dizer? Não é isso que quer? _Felix suspirou controlando o tom da voz. _Ela está feliz! Você não?
—Claro que estou. É só que…
—Não me entenda mal! Vim acompanhar dois de meus amigos em uma nova fase da vida deles. Estou feliz por meus amigos. Não vim porque quero sua pena!
—… _Edmund pôs a mão no ombro de Félix e sorriu levemente. _Obrigado por nós apoiar… Por estar conosco.
—Sou padrinho, onde mais estaria? _Felix sorriu e então ficou sério. _Não ouse fazê-la chorar ou...
—Não é necessário que me diga o óbvio. _Edmund sorriu. Félix lhe deu um tapinha no ombro e deu as costas seguindo até a porta. _Felix, fico honrado por tê-lo como rival.
—… _Felix abriu a porta sorrindo. _Do que está falando, imbecil?
A porta fechou atrás do prateado que caminhou lentamente até o quarto no fim do corredor. Recostou na parede ao lado da porta criando coragem para entrar. Viu uma garota com um vestido da cor de seu smoking parar ao seu lado.
—Olha só. Parece um príncipe! _Ela sorriu e suspirou. _Perdeu a coragem príncipe?
—… Você é um pé no saco Allie! _Felix soltou um risinho.
—Que linda forma de tratar uma dama, príncipe. _Ela riu. Ele a encarou enfim. _Não vai vê-la? Teremos que entrar em breve… Não posso entrar sem meu parceiro. Somos padrinhos da noiva sabe?
—… Sei… _Felix encarou o buquê. Allie se sentou no chão ao seu lado. Félix imitou-a.
—O tempo passa voando não é? Parece que foi ontem quando saímos para o parque pela primeira vez. _Allie lembrou risonha. _Adriana sempre pulando fora de relacionamentos… Admirava seu foco no que era importante, mas me preocupava com o quanto ela exigia de si mesma. Foi aí que vocês surgiram.
—…
—Nossas saídas eram divertidas e desfocavam do estresse do dia a dia. Eu pensava assim, acho que ela também. Ah, mas vocês eram chamariz de encrenca.
—Somos a turma do bar do Will… Que nome tosco. _Felix riu. _Dragon Scale ou Redfox eram muito melhores.
—Devo concordar. Mas vocês se uniram e o point era o bar, então faz sentido os conhecerem assim…
—Ou a turma do Will. Qual é? Ele nem se mete… _Os dois riram juntos.
—Você gosta disso não é?
—… Sim… Gosto deles… São minha família… _Felix murmurou. _Quero a felicidade deles…
—De Dri também? _Allie o encarou.
—Claro! Ela é da família também.
—E só isso? _ Allie o observou ficar em silêncio mexendo em uma das flores. _Tudo bem abrir mão de sua felicidade por eles?
—Eu… Não estou abrindo mão… _Felix a encarou. _Que eles estejam felizes, é parte da minha felicidade.
—… _Allie abraçou os joelhos. _Tem vezes que você parece muito legal, com certa maturidade…
—Obrigado eu acho…
—Mas isso não é tudo verdade… Me parece que está ignorando a parte de você que sofre… Isso é triste… _Ficaram os dois em silêncio. _Felix, eu quero muito que minha amiga seja feliz, mas também quero que você e o Ed sejam…
—… Obrigado…
—Acho que você deveria dizer para ela… _Allie o encarou com os olhos marejados.
—… _Felix sorriu ternamente e acariciou sua bochecha. _Existem coisas que devem ser ditas, mas existem momentos certos para elas… E essa é uma que o momento já se passou… Obrigado, de verdade…
Allie abaixou a cabeça em silêncio controlando as lágrimas. Queria chorar pela pessoa que não conseguia. Ficaram uns minutos parados até ela se recompor e encara-lo.
—Mas isso é pra ela não é? _Apontou o buquê. Ele assentiu. _Tem que entregar.
—Eu não sei se quero…
—Não deixarei voltar atrás. _Ela o puxou pela mão e sorriu. _Estou com você, coragem.
A porta se abriu na frente de Felix e ele viu Janaina parada ao lado da irmã terminando o ajuste do vestido. Adriana se virou para olhar quem chegara. Felix ficou boquiaberto por um instante, Adriana estava linda, como uma princesa. Luvas, cabelo, véu e assessórios, tudo estava perfeito nela. O sorriso iluminou seu rosto.
—Pensei que não veria meu padrinho. _Adriana sorriu.
—E perder de ver esse espetáculo antes do idiota no outro quarto? Nunca! _Felix riu.
—Obrigada. O smoking lhe caiu bem, parece…
—Um príncipe dos contos? _Allie riu completando.
—Isso! _Adriana sorriu para a amiga.
—Disse a ele. Encontrei ele perambulando aqui na frente. _Allie caminhou até Janaina. _Desculpem a demora, encontrei o colar.
—Ótimo… Havia esquecido com Clarisse. _Janaina viu Allie lhe entregar a caixinha.
—Bem, devo dizer que você é a noiva mais linda que já vi. _Felix caminhou abraçando-a enquanto conduzia-os num pequeno rodopio. _Esta feliz?
—O que acha? _Adriana estava radiante.
—Ansiosa? _Ele riu com a careta que ela fez. _Acho que Ed também está. Ah, quando o vir diga que sua primeira dança de noiva foi minha.
—… Idiota… _Adriana riu. _Direi…
—Parabéns… Desejo que sejam muito felizes… _Felix beijou-lhe a testa e se afastou estendendo o buquê. _Para a senhorita.
—Felix… São lindas… _Adriana sorriu encarando-o.
—Esta na hora… Vocês tem que entrar na frente. _Janaina sorriu.
—… Felix, obrigada… Por tudo… _Adriana o encarou. Então olhou Allie. _Vocês são os meus melhores amigos, obrigada por estarem do meu lado hoje também.
—Disponha… _Os dois riram juntos. Felix estendeu o braço para Allie e seguiram para a porta.
—Amo vocês… _Ouviram a loira murmurar.
Seguiram pelos corredores em silêncio. A cada passo mais perto do salão. Entraram e ficaram de pé próximo ao altar. Allie o encarou.
—Tudo bem? _Sussurrou.
—Sim…
—Leonardo parece muito preocupado. _Allie encarou o rapaz sentado no lado oposto.
—Ele é como um irmão mais velho com excesso de cuidado. _Riu para Leonardo que se tranquilizou um pouco.
—Acho que hoje ele está certo… _Allie murmurou ao seu lado.
—Estou bem… Fique tranquila…
—… Está na hora… Como será que ela está? _Edmund murmurou encarando o final do tapete vermelho. Os quatro padrinhos riram.
—Linda… _Felix murmurou dando língua. _Relaxe…
—Ela logo estará aqui… _Shun tocou seu ombro.
—Minhas mãos estão suando… _Edmund riu nervoso.
—Por favor respire e não vá desmaiar. _ Marina sorriu ao lado de Shun. _Ela está linda.
—É minha primeira vez casando, sabem?
—Não me diga? _Allie riu. _Respire.
—E se…
—Você é um imbecil e ela te escolheu mesmo assim… O mais difícil já foi, então se acalme. _Felix prendeu uma risadinha.
—Você está me acalmando ou me chamando pro braço? _ Os outros riram.
—Funcionou, não? _Antes que Edmund pudesse responder, a música característica fez todo o salão prender a respiração e ver a noiva entrar de braços dados ao irmão.
Felix sentiu o fôlego lhe abandonar e os olhos queimarem, suas mãos tremeram e seu coração saltou como nunca. Ela sorriu, mas não era para ele. Seu peito doeu como nunca, uma mão pressionou a sua. Era Allie, ele sabia. Aquilo o acalentou um pouco, mas a dor ainda era tão intensa e constante. Seus lábios secaram e quis chorar quando ouviu “Existe alguém nesse recinto que tem algo contra a união dessas duas pessoas?”. Viu-a sorrir e sentiu que ficaria bem com o tempo. “Fale agora ou cale-se para sempre.” Mais do que nunca quis chorar, apertou a mão de Allie, a qual não largara por um segundo. “Eu os declaro marido e mulher!” Sentiu o calor da mão da amiga lhe confortar um pouco, enquanto seu coração partia. Naquele instante sua mente estava um caos. Dividido entre a alegria e a tristeza. A questão era que amava Adriana.
Foi guiado por Allie enquanto sorria debilmente com todos. Recuperou-se depressa e a agradeceu em silêncio, antes da festa.
—Quando me disseram que tinha um discurso a fazer. Pensei, droga. Não sei como ser gentil com Ed! Então eu pensei muito em como falar algo sem ser grosseiro... _Felix fez uma pausa e retirou um papelzinho do bolso. _Eu escrevi! _Mostrou o papelzinho dobrado e o desdobrou. _Allie revisou... Obrigado Allie! _As pessoas riram. _Bem, o noivo, Ed, o que dizer de Ed... Acho que hoje posso dizer que somos amigos... Acho... Companheiros de algumas batalhas. Quando o conheci o pensamento foi imediato: Maldito desgraçado! Isso não mudou muito não... _Felix viu o rapaz rir um pouco. _Digo... Ele era concorrência. E aniquilávamos a concorrência! Parece que naquela época a concorrência resolveu se rebelar e recusar seu destino. Edmund era um rival tão teimoso quanto um certo grupo. Ele se recusava a desistir. Pior! Ele contra atacava. Meu inimigo mortal! Por que aquele cara tinha que estar em todo canto que eu estava? Por que eu tinha que sair com ele também? Aquele maldito não podia sumir? Ele era um imbecil que falava merda sem entender! Mas era um imbecil que estava pronto para morrer salvando um amigo, era um maldito senhor gentileza, era confiável. Por que merda tinha que ser assim? _Felix riu encarando-o.
Allie os encarou, esperava que o rapaz não desabasse ali. Então Felix sorriu, sorriu de verdade. Seus olhos brilharam por um momento. Felix encarou o papel e o amassou.
—Poderíamos apenas continuar sendo inimigos mortais? Claro que não! Porque o idiota do noivo se preocupava com as pessoas. Esse imbecil se tornou alguém por quem tenho apreço. Talvez o imbecil fosse eu... Amigos? É né, que opção eu tenho? Ed gostava de alguém, alguém genial por quem ele daria o mundo. Alguém... _ “por quem eu também daria o mundo”. _... Que ele não abriria mão. E ela? Ela enxergou o que ele tinha de bom, antes que eu visse... Antes que ele mesmo descobrisse... Hoje eu vejo o porquê ela se apaixonou... Esse imbecil tem um lado genial, não é? _Felix sorriu sincero. _Fico feliz de tê-lo como amigo! Sua felicidade me faz feliz...
—Obrigado Felix... _Edmund sorriu.
—Tsc... _Felix riu, então seus olhos foram até a loira vestida de branco. _Hey, Adri. Você está deslumbrante!
—Obrigada. _Ela sorriu.
—O que dizer sobre a noiva? _Felix olhou-a nos olhos. _A primeira impressão que tive foi uma mistura de sensações. Encanto seguido de uma tijolada na cabeça. Pensei que ela era no mínimo uma criatura interessante. _Felix não precisava de papel algum suas palavras estavam gravadas em seu coração. _Completamente fechada! Não deixava ninguém de fora se aproximar demais... Foi dureza conseguir alcança-la. Mas o trabalho vale a pena. Adri é gentil, confiável, tem cuidado com cada um ao seu redor. Percebe coisas que ninguém jamais perceberia. Ela cativa todos os que conseguem alcança-la. Aos poucos fui descobrindo essas coisinhas dela. _ “Aos poucos me vi preso”. _Com medo de se ferir ela criará uma barreira envolta do seu coração. Mas vi alguém quebra-la aos poucos, com sua gentileza, com seu amor. _ “Antes que eu pudesse”. _Então eu a vi se apaixonar... Seus olhos brilhavam, mais do que quando ela dança... Seu sorriso se tornou mais lindo do que nunca... Embora ela quisesse esconder a todo custo, eu pude perceber... _ “Porque sempre estive te observando!” _Ela seguiu até ele... Temi... _ “Que a levasse” Felix deu uma pausa e respirou. _Que a ferisse. Adriana era minha preciosa amiga. Mas ele era incapaz de feri-la. Os olhos dele tinham o mesmo brilho que os dela. Eles refletiam apenas Adriana. Juntos, ela era mais feliz. _Ele sorriu. Allie e Edmund viram a dor passar por seu olhar. _Juntos, ele era mais feliz. Juntos eram mais felizes. Ele jamais abriria mão dela e ela jamais o deixaria partir. Os dois eram meus grandes amigos... E os queria felizes... _ “Mesmo que machuque é o melhor” Felix sorriu. _Decidi naquela época que os apoiaria. E agora aqui estão.
—Felix... _Edmund sabia o quanto aquilo doía nele.
—... Vocês podem ver? Os dois estão brilhando... _ Felix sentiu os olhos arderem, sua mente estava um caos. Estava feliz por seus melhores amigos, mas perdera a mulher da sua vida. Sorriu com um olhar amoroso. _Estou tão feliz por vocês...
—Felix... _Allie sentiu as lagrimas descerem lentamente.
—Ed... Ela é tão, tão preciosa... _Felix o encarou no fundo dos olhos. “Estou deixando de ser seu rival.” _Então, cuide muito bem dela, certo? _ “Estou desistindo!”
—... Deixe comigo... _Edmund baixou o olhar sentindo as lagrimas virem.
—Hai... _Felix sorriu encarando Adriana. A loira chorava. _Adri... _Seu peito doeu. “Você foi a primeira...” _Eu te garanto... _ “Eu sempre te amei...” Lagrimas se juntaram em seus olhos. _Que você pode confiar nele... _ “Eu te amo muito Adriana!” As lagrimas mancharam seu rosto.
—Fale... _Allie choramingava.
—... _Felix encarou Allie o observando. “Desculpe, Allie! Estou abandonando esses sentimentos!” Ele sorriu em meio as lagrimas. _Do fundo do coração, desejo toda felicidade do mundo para vocês! _Felix pegou uma taça. _Um brinde aos noivos!
Edmund sorriu encarando-o, pegou a taça. Adriana pegou sua taça também e se levantou caminhando até ele. Edmund a acompanhou. Allie os encarou. Os três sorriram chamando-a, a garota pegou sua taça e se aproximou dos três. As pessoas pegaram as taças. Os quatro jovens se encararam em uma meia lua.
—Aos noivos! _ “É o fim!” Felix encarou Allie, então Adriana ao seu lado esquerdo e Edmund ao lado dela. “À felicidade de Felix!” Allie sorriu ao lado direito de Felix. “Obrigada, Felix... À você.” Adriana pensou em meio a um sorriso. “Ao seu recomeço! Obrigado...” Edmund o encarou. As quatro taças tilintaram ao se chocarem, enquanto os quatro sorriam em todo seu coração. As pessoas ergueram suas taças.
Edmund puxou-os em um abraço em grupo. Os rostos manchados pelas lagrimas que rolavam sem parar, os sorrisos no rosto, a felicidade e a tristeza, reunidas em cada um deles por conta de uma amizade que tornara-se inquebrantável.
—Sinto muito Allie... Eu não poderia dizer! _Felix estava sentado, recostado na parede, ao seu lado estava Allie de pé. _O tempo já passou...
—... Eu entendo... Mas... _Allie o observou chorar. _Você tem que dizer, mesmo que seja agora... _Os dois estavam escondidos na lateral da casa. _Diga... Felix...
—... Eu amo a Adriana! _Ele sentiu um peso sair de seu peito, subindo até seus olhos, e então lagrimas e mais lagrimas. Ele se encolheu escondendo o rosto. _Eu a amo...
—... Eu sei... _Allie agachou ao seu lado e afagou-lhe as costas. Foi inevitável segurar as lagrimas. _Eu sei...
A garota encarou o pedaço de papel nas mãos de Felix, uma letra. Allie enxugou as lagrimas e o encarou. Felix sorriu enxugando o rosto.
—Você... Você precisa dizer... _Ela encarou a canção. _Não importa como... Ela se quer precisa entender Felix... Mas ela precisa ouvir.
—... _Ele encarou o papel e o amaçou rindo. Ficou de pé. _Qual é Allie? Não importa mais... Vamos beber... _Ele riu enfiando o papel no bolso antes de sair.
Allie encarou a bolinha amassada cair do casaco. Pegou-a e com cuidado desdobrou, vendo-o partir para o salão de festas.
—Vamos pirralha! _Felix ria dançando com Luna.
—Felix, você bebeu né? _A ruiva ria.
—Um pouquinho! _Felix confirmou sob o olhar dos amigos que se divertiam ao redor.
—Acho que todos beberam um pouquinho! _Adriana riu encarando Neil e Janaina dançarem de um lado a outro, não tão sóbrios.
—Tem razão! _Nicolas fotografava todos.
—Leo assume aqui! _Felix passou Luna para o rapaz.
—Cansou da pirralha! _Henry gargalhou.
—... Meio enjoado... _Felix sorriu caminhando até onde Allie estava sentada. _E ai?
—Você está bêbado! _Allie sorriu bebendo um taça de vinho.
—Você não? _Ele riu se sentando.
—E ai vocês? _Edmund se aproximou dos dois.
—Ed grande Ed... _Felix sorriu.
—Seu sorriso me enoja... _Edmund se sentou dividindo vinho entre eles. _Felix... Não vai dizer nada?
—Do que está falando? _Felix riu encarando-o olhar a loira.
—Sabe do que estou falando...
—Você me enjoa... _Felix riu então o encarou seriamente.
—Como marido isso me irrita... Mas como amigo... _Edmund bateu em seu ombro. _Me parece que esta fugindo...
—... Você me irrita... _Felix bebeu o vinho de uma vez. _Já obtive minha resposta... E quero que vocês...
—Não tenho dúvidas que quer nossa felicidade... Também sei que não quer esconder isso para sempre... _Edmund bebeu seu vinho. Allie os encarou.
—Vá a merda! _Felix ficou de pé e seguiu até o palco cambaleando.
Em alguns instantes ele estava sentado num banco com o microfone a sua frente e o violão no colo. Seu rosto corado pela bebida, encarando seriamente a mesa com Allie e Edmund. Se antes parecera que ele estava completamente bêbado, quando sua mão moveu-se pelo violão aquela aparência se dissipou. Ele dedilhou como se uma linha invisível guiasse seus dedos até as cordas, a melodia rodopiou numa brincadeira amistosa em seus ouvidos. A medida que as pessoas paravam para encara-lo aquele som parecia dançar por todo o salão. Felix estava à vontade, aquele era com certeza o seu mundo.
—Boa noite... De novo... _Ele sorriu com os olhos fechados. _Eu sou Felix e... Hum... Essa é uma música inédita minha... Que gostaria de tocar hoje... Provavelmente nunca a tocarei novamente já que não penso que combine tanto com o astral dos meus shows. _Ele dedilhou abrindo os olhos. _Mas bem, queria dar uma chance a ela de ser ouvida uma única vez... Então por favor gostaria de um minuto da atenção de vocês... Se quiserem dançar, vão em frente... Se quiserem rir.. Ou então se quiserem chorar... Fiquem a vontade... Mas ouçam a letra... Com atenção... _Sussurrou.
Allie pôs as mãos no bolso tocando o pedaço de papel. Felix dedilhou uma melodia melancólica e doce. Ele buscou folego e sua voz tomou a atenção de todos.
Caminhei sem rumo, perdido
Sempre andava fugindo.
Uma existência de dor
Buscando o amor.
Ele mudou a forma do dedilhado, transformando o som em algo alegre com um ar de diversão e confusão. Encantando seus ouvintes. As pessoas se levantaram. Adriana e Luna retiraram os sapatos e rodopiaram juntas.
Encontrei você.
Uma porta abri
e foram seus olhos que vi
Um avalanche em um ser.
Com ar de conquistador,
Sem qualquer experiência no quesito amor.
Tentei ser galanteador,
Você nem se importou.
O som parecia uma risada. Allie ficou de pé encarando-o. Os olhos de Felix estavam fechados como se se lembrasse de algo. O som se tornou leve e apaixonado.
Era diferente
de toda gente
que na vida encontrei.
Me encantei.
Pouco a pouco o som crescia como se o musico travasse uma batalha interna. Edmund se endireitou na cadeira, atento. Felix deu um risinho. E como se contasse uma historia continuou.
Não fui o único a notar
Ele também estava lá.
Disputas sem fim.
“Não irei perder!” Defini.
Nem notamos que sentias horror.
Éramos novos em matéria de amor.
Você queria amar
e eu não sabia me expressar.
O tempo é um bom professor
Nos faz crescer
amadurecer.
Nossa amizade cresceu
Você, ele e eu.
Claro que a rivalidade também.
Mas uma risadinha vinda do violão seguido de encanto. A melodia flutuante foi do encanto ao medo em três estrofes.
Aprendi a cantar,
podia enfim te mostrar.
Mas você descobriu o caos em meu coração
O caos que quis esconder.
Aquele que quis esquecer
que me fazia sofrer.
E você me mostrou o seu interior
Você em mim confiou.
Aquilo que quis esconder. Toda aquela confusão
E me estendeu a mão.
Luna sorriu quando o som voltou a ter uma alegria que iluminava a sala. Adriana rodopiava sem parar no salão. Os Redfox restantes haviam parado de dançar assim como os antigos Dragões, agora novos Redfox, para que pudessem encara-lo.
Pela primeira vez não estive sozinho.
Estava contigo.
Pude enfim pensar: “Eu consigo!”
Pela segunda vez:
Vi a avalanche em um ser,
que bagunça tudo o que pensei entender.
Novamente me apaixonei.
Queria que pudesse notar
quis que pudesse se apaixonar.
Mas não era eu, o foco de seu olhar.
Luna estancou o pé no chão vendo-o dedilhar a tristeza e a dor, sentiu lagrimas fugirem de seus olhos. Allie sentia que seu folego havia sido sugado sem que notasse, doía. “Fale, Felix”. Edmund se levantou ouvindo-o, realmente doía. “Não ouse fugir”. Clarisse escondeu o rosto manchado no ombro de Ryu, ainda doía. Leonardo também estava parado sentindo aquela música que Felix escondera, ele sabia que doía. “Você consegue”.
Ele te conquistou.
Você se apaixonou.
Não sabia o que sentir.
Te vi partir.
“Não quero desistir!”
Meu coração quis chorar.
Para sempre comigo não vai estar.
Sei que ele não te deixará sozinha,
e que nunca serás minha.
“Não quero desistir droga! Não quero desistir! Eu não...”
Nicolas apenas registrou a dor pelas lentes de sua câmera em silencio. Henry não quis desviar o olhar, sabia de verdade, na pele, que aquilo doía. Para o impassível Neil não foi difícil esconder o que sentiu, ele entendia o quanto doía. Janaina não cedeu, mas entendeu. Amar doía. A voz de Felix suavizou e ele abriu os olhos, em sincronia a sua voz Adriana foi parando de rodar com lagrimas nos olhos. Era linda, a música de Felix. A melhor que já ouvira.
“Eu não...” Seus olhos focaram na loira, as lagrimas que lhe davam dor de cabeça estavam presas. “Entendo... Eu não quero desistir... Não quero desistir de você Adriana... Porque...”
Sinto que é o fim da linha,
mas pela primeira e última vez quero falar.
Amiga… Minha...
Sempre vou te amar.
“Porque eu te amo”. O último dedilhado sob os olhares emocionados. E então o folego que havia sido preso sem que fosse notado, saiu suavemente acordando um público entorpecido. Palmas que Felix nem ouviu, embargado pelo álcool no sangue e pela leveza de ter dito o que escondera. Colocando o violão de lado, ficou de pé.
—... Obrigado... _Riu. _É por isso que ela não combina... Parece mais uma poesia que uma canção... Enfim liberta... Obrigado... _Mais palmas. Ele sorriu sentindo os olhos pesarem enquanto a encarava. “Adeus canção... Adeus...”
Felix caiu para frente do palco. Edmund e Leonardo o seguraram a tempo apoiando seu corpo molenga. Leonardo segurou o microfone com uma risadinha.
—Acho que alguém perdeu uma batalha para o álcool... _Os risos ecoaram no salão. _Vamos levar esse cara daqui...
—Bom trabalho... _Edmund sussurrou.
—... Quero te bater... _Felix riu com a voz embargada. _Obrigado...
—Mandou bem... _Leonardo sorriu deixando o microfone no palco.
—Sei... Quero minha cama...
—... Felix... _Adriana o encarou e o abraçou. “Obrigada.” Felix pode jurar que a ouviu sussurrar antes de adormecer. _Ele bebeu demais de novo...
—Pois é. _Leonardo riu. _Ed, deixa que eu levo ele... Você fica com os convidados...
—Hum? E a garota que você estava? _Edmund encarou a jovem encarando-o em uma das mesas.
—Fazer o que, né? Amigos são amigos... _Eles riram.
—Posso me encarregar dele... _Allie sorriu se aproximando.
—Não vai dançar? _Adriana questionou.
—Acho que o álcool fez efeito em mim também! _Riu chamando o rapaz.
—Entendi! Tem os quartos lá em cima... _Adriana falou.
—Mais tarde chamamos vocês! _Leonado sorriu apoiando um Felix sonolento no ombro da garota baixinha.
—Certo... Adri, Ed... Felicidades! _Allie sorriu de orelha a orelha.
—Obrigado! _O casal a abraçou.
Allie subiu com Felix resmungando qualquer coisa. Quando finalmente desapareceram da visão dos convidados, o rapaz foi retomando a consciência novamente. Passou a mão no rosto ainda apoiado nela.
—... O que houve... _Murmurou com a voz embargada.
—Você caiu do palco e apagou... _Allie sorriu sentando-o num sofá de um dos quartos. Ele a encarou e sorriu. Um aliviou tomou conta de seu corpo e as lagrimas que a pouco não pode libertar transbordaram de seus olhos.
—... Eu não queria desistir... _Ele riu. Novamente ela não pode segurar as lagrimas.
—... Eu sei... _Sentou ao seu lado afagando lhe as costas.
—... Acabou... Finalmente acabou...
—... Sim...
—Eles estão tão felizes... _Allie o encarou.
—Felix... Eu prometo que você também encontrara a felicidade! _Ela murmurou em meio as lagrimas. Ele soluçou parando o choro para encara-la.
—Por que você está chorando? _Ele riu fraco encarando-a. _Quem foi rejeitado fui eu...
—... Não importa... _Ela o empurrou, fazendo-o dar uma risadinha.
—Obrigado... _Felix murmurou, enxugando as lagrimas.
—... Pode chorar quando estiver comigo... _Allie sorriu abraçando-o.
—Qual o seu problema? _Ele riu sentindo as lagrimas voltarem, mais uma vez chorou. _... Allie...
—... Estou aqui... _Ela o acalentou.
—Uma amiga me encorajou a canta-la, então... _Ele sorriu novamente encarando Allie. _Sejam gentis.
Seus dedos se moveram formando acordes, criando a melodia da canção. Sua voz ressoou gentil pelo microfone quando seus olhos se fecharam.
Yo-ho-ho
Yo-hoooo
Yo-hooo
Ele abriu os olhos sorrindo, então encarou o alvo de sua primeira paixão. A loira a quem tanto quis bem. Ela sorria abraçada a Edmund ouvindo sua letra.
É, pois é, a maré esconde os meus secretos
E se acaso mergulhar, o meu tesouro encontrará
Dentro de um navio que naufragou verá
Que tudo aquilo que o mar levou seria o meu amor
Que o mapa sempre te mostrou, mas você não viu
—Por que não diz a ela? Por que você fica em silencio... _Allie murmurou encarando-o da lateral do palco. Sentiu vontade de chorar.
Mas você não viu...
Não viu.
Adriana ouvia a canção atentamente, pensou no passado e pensou em Felix. Imaginou que choraria ao ouvir a musica se fosse no passado. Notou o olhar de Felix e sorriu. Mas agora era diferente.
Navego agora as águas como um pirata
Porém deixei uma mensagem na garrafa
Talvez assim um dia você a encontre e descobrirá:
Você foi o primeiro amor da minha vida.
Felix riu de orelha a orelha. Tudo era diferente. Nada era pesado. Allie o encarou. Não parecia doer. Parecia uma boa memoria que jamais se esqueceria.
—Você foi o primeiro amor da minha vida... _Edmund murmurou.
—... E você o meu... _Adriana sorriu abraçando-o enquanto dançavam.
—É boa... A musica... _Edmund sorriu.
—É a melhor... _A loira rodopiou.
—É? _Ele a viu assentir.
É, pois é, a maré esconde os meus secretos
E se acaso mergulhar, o meu tesouro encontrará
Dentro de um navio que naufragou verá
Que tudo aquilo que o mar levou seria o meu amor
Que o mapa sempre te mostrou, mas você não viu
A voz de Felix quase soou como uma gargalhada. Ele fechou os olhos risonho. Allie tentava compreende-lo. Tudo parecia diferente. Talvez fosse efeito do álcool.
—Sim... _Adriana sorriu. _Ele está livre...
—Livre? _Edmund a encarou.
—Sim... Livre... _Ela o beijou.
—Adriana, por acaso você? _Ele a viu sorrir.
Mas você não viu...
Não viu.
Felix abriu os olhos e encarou Allie, sorriu. A baixinha entendeu, ele finalmente poderia seguir em frente. Ele estava bem. Realmente bem. Então em meio as lagrimas, sorriu.
Navego agora as águas como um pirata
Porém deixei uma mensagem na garrafa
Talvez assim um dia você a encontre e descobrirá:
Você foi o primeiro amor da minha vida.
Ele dedilhou o final da musica e sob os aplausos agradeceu saindo pela lateral do palco. Parou de frente para Allie, então abriu um sorriso de orelha a orelha.
—Eu não me arrependo... _Allie ergueu os olhos encarando-o. _Sempre deixei claro o que sentia... Pela musica...
—O que? _Allie enxugou os olhos.
—Ela viu... Adriana sempre soube... _Ele riu coçando a nuca. _Que idiota... Mas... Al... _Ele a encarou. _Allie, foi por sua causa...
—Do que está falando?
—Obrigado por me empurrar adiante... Obrigado por estar comigo... _Ele viu-a soluçar. Acertou um peteleco em sua testa.
—Ei! _Allie o viu sorrir novamente.
—Por que está chorando? _Felix olhou no fundo dos olhos amendoados. _Por chorar comigo, por mim... Obrigado...
—Felix... _Ela sentiu a mão dele repousar no topo de sua cabeça afagando-a. Ele sorriu pensando na parceira dos jogos que sempre esteve ao seu lado.
—Baixinha... _Sua voz emanava um carinho enorme. Ele abaixou para ficar do tamanho dela puxando sua cabeça, recostou suas testas. _Você é a melhor! Não chore mais... Tudo está bem agora...
—Você... Demorou... _Ela sorriu em meio as lagrimas, dando um soquinho de leve em seu peito. _Felix... Você é uma pessoa incrível... De verdade...
—... Obrigado... _Ele a encarava.
—... Não tem nada de errado em você... _Ela soluçou acertando outro soquinho. _Só... Não sabe escolher...
—Você... _Ele riu, vendo-a rir também. Puxou-a em um abraço apertado. _Prometo que vou escolher corretamente na próxima...
—De verdade? _Ela riu tendo o som abafado pelo corpo dele.
—De verdade! Você também tem que escolher direito... _Ele sentiu as mãos dela se aferrarem mais forte as suas costas.
—Talvez eu possa... _Allie sentiu o rosto queimar com que ia dizer. _Encontrar alguém que não me veja só como amiga e conselheira amorosa...
—... _Felix riu sentindo o rosto corar discretamente. _Talvez... _Puxou delicadamente a cabeça de Allie e depositou um beijo em sua testa, antes de larga-la e retornar ao palco. Allie sorriu.
—Allie... _Felix encarou a garota adormecida no sofá do camarim. Arrumou seu cabelo atrás da orelha. _Vamos para casa... Você tem cheiro de álcool...
—Felix... _Ela bocejou abrindo os olhos. _Você não pode falar nada sobre isso...
—Você nem viu o restante do show... _Ele fez bico sob o olhar dela, enquanto acariciava sua bochecha com o polegar.
—Eu... Eu não... _Allie parou de falar e riu. _Desculpe...
—Efeito do álcool... Vamos, eu também quero dormir... _Felix parou de falar encarando-a por um tempo.
—O que? _Ela sorriu encarando-o.
—Nada...
—... Eles estão muito bêbados ou... _Edmund murmurou levando uma cotovelada da esposa na entrada do camarim. Allie e Felix encararam os dois.
—A quanto tempo estão ai? _Felix afastou a mão do rosto de Allie.
—A um pouco... _Adriana sorriu de orelha a orelha.
—Serio... Vocês... _Felix parou de falar escondendo o rosto ruborizado.
—Viemos chama-los... Estamos voltando para casa... _Edmund os encarou.
—Yep... Vamos? _Felix esticou a mão para Allie que se sentara. Ela segurou sua mão.
—Claro... _A garota tentou ficar de pé, então o encarou.
—Qual o problema? _Adriana a encarou.
—... Não consigo levantar... _Allie riu com o rosto vermelho.
—Allie está muito bêbada! _Edmund riu puxando Adriana pela mão na frente dos dois.
—Serio? _Felix riu encarando-a, antes de ergue-la nas costas.
—Obrigada... _Allie riu.
—O que me dará em troca? _Felix questionou encarando o casal de amigos sair do estabelecimento dançando pelo meio fio. Os dois haviam bebido menos, mas Felix recuperava parcialmente a consciência do efeito alcoólico bem mais rápido.
—... O que? _Allie pensou recostando a cabeça em seu ombro, sonolenta. _Um encontro...
—Um encontro? _Felix ficou um pouco surpreso a princípio, mas sorriu.
—Isso... O que acha?
—Felix! Vamos por aqui! Você leva a Allie? _Edmund o encarou.
—Pode deixar. _Felix acenou. Adriana riu sacudindo a mão.
—Tem certeza? Você não está bêbado também? _Edmund questionou.
—O efeito diminuiu... Você parece ter bebido mais do que eu, justo agora! _Felix riu, ouvindo-o resmungar e se despedir.
Felix caminhou em silencio até os dois sumirem da vista. Allie bocejou uma, duas, três vezes. Ele riu acomodando-a melhor nas costas.
—Eu gosto da ideia... _Felix murmurou fazendo a garota entreabrir os olhos.
—Que? _Allie questionou, quando pararam na frente de seu apartamento.
—Disse que gosto da ideia... _Felix colocou-a de pé. _O encontro. Consegue ficar de pé?
—Sim. Como assim? _Ela piscou os olhos.
—Está se sentindo bem? _Felix sorriu abrindo a porta para ela.
—Sim... O que você quer dizer?
—Entre, feche bem a porta, se molhe e vá dormir! _Felix a encarava.
—Tá. O que você?
—Beba bastante água e...
—Felix! Você está fugindo... _Allie encarou o prateado coçar a nuca.
—O encontro... Podemos marcar algum dia... _A garota notou o rubor de leve em seu rosto. _Ah, pare de encarar e entre logo.
—... _Allie entreabriu a boca, surpresa.
—Allie. _Ele encarou a garota atônita. Beijou a ponta do seu nariz com delicadeza e empurrou-a dentro do cômodo. _Va dormir. Feche bem a porta.
—Felix...
—Boa noite Allie... _Sorriu puxando a porta.
Felix esperou ouvir o som da chave e seguiu com um risinho no canto da boca. Pegou seu celular.
De: Felix
Para: Duo (Baixinha)
Leia amanhã: Tudo aconteceu de verdade! Temos um encontro! Não é mais uma fantasia devido ao álcool.
Ps: Beba agua.
De: Allie
Para: Duo (Mr. Intensidade)
Claro que não é uma fantasia! Não se ache tanto! Nunca fantasiei!
Ps: Por favor não ligue tanto amanhã. Estarei de ressaca.
Ps 2: Com “não ligue tanto” quero dizer que 10 vezes já é muito. Não ultrapasse!
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