A melodia da minha canção
25 Capítulo 25 - Uma conversa, uma ação
Notas iniciais
– Papai, e eu ... posso explicar! – Ela disse fechando a porta e se aproximando de Germán.
– Pode explicar? Você me desobedece, sai escondido e ainda tem como explicar? – Ele dizia com o semblante nervoso.
– Eu não poderia perder essa festa! Todos foram, estávamos planejando isso há meses– Ela disse articulando aos mãos.
– CHEGA! – Ele disse num tom alto – Não tem que me explicar nada! Você me desobedeceu e isso não se justifica – Ele dizia balançando negativamente a cabeça.
– Me responda papai, você acha realmente justo eu ter que ficar de fora? Já perdi tantas coisas por ciúmes seu, já deixei de viver muitos momentos, porque você nunca aceitou que eu cresci! – Violetta dizia com os olhos cheios de lágrimas e a voz trêmula.
– CHEGA! – Ele gritou.
Violetta começou a chorar e colocou as duas mãos na cabeça. Nisso Angie que estava no quarto descia rapidamente a escada olhando para os dois sem entender nada.
– O que está acontecendo aqui gente? – Ela perguntou assustada olhando para os dois – Germán porque essa gritaria? E Violetta, porque você está vestida assim...Ah, agora entendi! – Disse Angie antes de concluir a fala, cruzando os braços e passou uma de suas mãos na testa.
– É isso mesmo Angie, é isso que você está imaginando. Violetta fugiu de casa para ir a uma festa, passou por cima da minha ordem, saiu sozinha e voltou sozinha nesse horário. – Ele dizia nervoso e andava de um lado para o outro, enquanto Violetta só chorava.
– Violetta... – Angie respirou e a olhou- Você não poderia ter feito isso... Sinto te dizer mas o seu pai está certo em ficar nervoso.
– Angie... você sabia o quanto eu queria ir nessa festa, todos os meus amigos estavam lá, e além do mais não fiz nada de errado, apenas me divertir, ri com meus amigos, cantamos, o que mal tem nisso? – Violetta explicava chorando, as lágrimas escorriam em seu rosto.
– Violetta, quando eu disser “não” é NÃO! Ouviu bem ... é não! – Germán dizia em tom alto- Eu só faço o melhor pra você! Entenda de uma vez...
– Aé? Faz o melhor? – Violetta enxugou as lágrimas e mudou de voz — Então me esconder por tantos anos, mentir sobre minha avó e minha tia, me criar dentro de uma bola de cristal e tem mais... Fingir que era o Jeremias para me vigiar ... isso é o melhor que você faz por mim?
Germán engoliu seco – Isso são coisas passadas Violetta – Ele tentava se justificar.
– Passadas... mas que me prejudicaram, que me machucaram. Papai, é só queria que entendesse que eu só queria sair... me divertir com meus amigos. Eu juro... juro que não fiz nada de errado, era na casa do Léon, os pais dele estavam lá... – Violetta voltou a chorar – Me perdoa, por favor!
Germán respirou fundo e abaixou a cabeça
– Só quero te proteger, é isso – Germán dizia sério
– Proteger de que? Dos meus amigos? De ser feliz? De Cantar? É disso que quer me proteger?- Ela disse
– Vilu, eu sei que você só queria se divertir, e sei também que não fez nada de errado. Mas você sai assim escondida, é perigoso... essa hora na rua sozinha. Isso não foi legal minha querida. – Disse Angie
– Eu não vim sozinha, o Léon me trouxe... Angie eu já fiquei de fora de tantas festas, deixei de ter tantos amigos, e agora que tenho quero aproveitar a vida, o que tem de errado nisso?- Violetta enxugava mais uma vez as lágrimas.
– Não tem nada de errado... a vida é para se viver, e eu fico muito feliz em ver você tão integrada com seus amigos, mas confiança é a base para qualquer relacionamento, precisamos confiar em você. – Angie dizia a olhando nos olhos.
– Violetta, eu sei que poderia ter deixado você ir. Mas essa festa foi tarde, talvez tivesse bebida alcoolica.. essas coisas – Germán cruzou os braços.
– Tarde? Papai, não tenho mais 10 anos onde as festas começavam as sete horas e terminava as nove. E outra, não tinha bebida alcoolica lá, para de colocar coisas na cabeça...- Ela parou- Ah! Quer saber mais, coitada da Isabela quando crescer vai sofrer o tanto que eu sofro com seus ciúmes, bom... se bem que ela vai ter uma mãe pra defender ela e ajudar com essas coisas, e isso... eu nunca tive.
Germán mudou de fisionomia, ao mesmo tempo que estava bravo com o coração cheio de raiva, agora estava estremecido, foi como uma punhalada no peito, se sentiu culpado. A única coisa que queria fazer era abraçar a filha.
Angie parou, olhou para Germán e percebeu a mudança no semblante do marido, olhou para Violetta que tinha os olhos cheios de lágrimas, percebeu o que estava em suas mãos, era a hora de tomar a rédea da situação.
– Minha linda, não fica assim! – Angie se aproximou, abraçou Violetta. – Eu tô aqui com você, sempre vou estar.
Violetta começou a chorar mais forte – Psiu! Não chora – Angie dizia com um tom de voz muito doce, ainda abraçada a Violetta, a beijava na testa – Não precisa chorar – Angie enxugava as lágrimas nos olhos de Violetta – Olha pra mim amorzinho,.. tudo que faço por você eu vou fazer pela Isabela, vou a defender quando precisar, mas também serei dura quando eu ver que ela está errada.
Violetta olhava para Angie, que percebeu seu olhar de arrependimento. – Você está errada, mas todo mundo erra... você está aqui para aprender a viver e nós, seu pai e eu estamos aqui para te ensinar, mesmo que as vezes isso seja duro, seja difícil de entender.– Violetta voltou a abraçar Angie.
– Vai para seu quarto Violetta! – Disse Germán – Você está de castigo, até minha segunda ordem, não saia de lá – Germán disse firme olhando para o chão.
– Castigo? Como assim castigo? Isso é coisa de criança e... – Ela justificava
– E você é uma criança... acabou de se comportar como uma –Disse Germán a olhando nos olhos –Então vá para seu quarto agora!! – Ele apontou o dedo para cima.
Violetta olhou com o semblante triste para Angie, como se estivesse pedindo ajuda. Angie a olhou com uma certa pena, e confirmou com a cabeça – Obedeça seu pai Violetta- Ela por sua vez, acelerou o passo e subiu as escadas correndo se trancando em seu quarto, deitou em sua cama e chorava.
– Meu amor, não queria que fosse tão duro com ela – Disse Angie, colocando as mãos nas costas de Germán que estava virado para o outro lado.
– Isso me dói Angie, tanto quanto em você – Mas precisamos ser firme com os filhos as vezes.- Germán estava triste
– Amanhã é outro dia, vamos para o quarto – Ela disse puxando a mão de Germán até o quarto.
Os dois deitaram na cama, Germán estava aceso sem sono algum. Angie apoiou sua cabeça em seu peitoral e alisou seu rosto.
– Não fica assim meu amor, adolescentes nessa idade fazem essas coisas, eu sei que ela fez foi errado, mas tenta entender o lado dela, ela só queria se divertir, com os amigos o namorado, o erro dela foi sair escondido.
– Eu sei que as vezes sou muito duro com ela, mas ela quebrou a confiança que eu tinha e isso vai demorar até se reconstruído – Germán dizia calmo, mas decepcionado.
– Amanhã vamos conversar melhor com ela tá? – Disse Angie beijando o rosto dele.
– Você vai estar junto comigo? Ele perguntou
– Sim, claro que vou... sempre com você – Deram um beijo, e em seguida vários selinhos.
Levantaram ainda cedo, por volta das 07:10 da manhã, Angie e German estavam na mesa tomando café da manhã. Violetta já estava acordada, porém não desceu.
– Amor, acho que deveríamos ir no quarto da Violetta, você está mais calmo e ela também – Disse Angie, enquanto terminava de beber o suco.
– Vamos, não tem jeito não é mesmo – Germán e Angie se levantaram e foram até o quarto de Violetta.
Violetta estava sentada em sua cama, com Isabela no colo brincando. Quando os dois entraram, ela parou de rir, abraçou a neném e olhou para os dois.
– Você pensou no que fez ontem à noite Violetta? – Ele perguntou a encarando, Angie olhava para os dois séria.
– Sim, eu pensei... – Violetta o encarou – E continuo achando que você foi muito injusto comigo! Sei que errei em ter saído sem falar nada... mas não me arrependi... continuo achando que você errou mais! – Ela disse firme
– Se você acha isso Violetta, muito bem... Angie, pega a Isabela do colo de Violetta... – Ele dava ordem falando firme
– Mas eu estou brincando com ela, ou agora não posso mais nem me divertir com minha irmã – Violetta respondeu
– Anda Angie, pega a Isabela... – Germán repetiu para Angie
Ela com o semblante confuso pegou Isabela, olhou para Violetta e disse – Calma Violetta, por favor, calma vocês dois!
Alguns segundos fora em silencio.
– Como eu disse, vai continuar de castigo... pense muito bem nas coisas que você está falando, estou fazendo isso porque eu te amo minha filha – Ele disse calmo.
Violetta começou a chorar novamente – Eu sei papai, eu sei que também errei... não gosto de brigar com você – Ela o olhava sentada na cama.
– Nem eu, não gosto de brigar com você, mas é para seu bem, tá? – Ela confirmou com a cabeça em meio as lágrimas, ele segurou em seu queixo e a beijou na testa e saiu do quarto.
– Que me ajudar a dar banho na Isabela daqui a pouco? – Perguntou Angie para Vilu
– Quero – Ela esboçou um pequeno sorriso
– Então leva ela lá para o quarto, vai tirando a roupinha e eu já chegou, vou falar com seu pai – Ela entregou Isabela para Violetta e desceu.
– Meu amor, não fique mal, tudo vai se resolver – Disse Angie a Germán perto da porta
– Eu espero meu bem, agora preciso ir, obrigado por tudo, te amo viu – Ele disse sorrindo para ela.
– Eu também te amo muito minha vida, vou lá cuidar das nossas filhas – Ela deu um beijo longo nele, terminando com vários selinhos.
Germán pegou seu carro e saiu em direção ao seu trabalho. Muitas coisas passavam em sua cabeça, as palavras que Violetta disse a ele, principalmente quando ela disse que não tinha uma mãe para a defender. Isso ficou dentro do seu coração, se arrependeu de tantas coisas, por não ter sido mais flexível com ela, por não ter dado mais liberdade a ela. Pensou em Maria, de como seria se ela estivesse aqui. Pensou em Angie e em como sua presença era essencial. Pensou em Isabela, no quanto amava sua caçulinha. Eram tantas coisas que passavam em sua mente que a falta de atenção, não percebeu um carro que entrava em seu esquerda, em alta velocidade, quando se deu conta ele freou o máximo que pode, mas foi inevitável ambos os carros se chocarem.
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