Notas iniciais
Capítulo um pouco grandinho para apresentar os personagens principais!
Espero que gostem

Como um dia típico, Lilian escrevia poemas debaixo da janela. A garota pousava a mão na bochecha, pensando em cada palavra minúscula e perfeitamente desenhada no papel. Pensou, repensou. Ajustou-se na cadeira flexível e ergueu os olhos para o grande céu azul bem à frente. Ela não tinha consciência disso, mas seus olhos ficavam ainda mais azuis quando olhava para o céu.

Ela balançou a cabeça, tirou os fones de ouvido rosa. Levantou-se dali. Estava bloqueada em escrever algo, e ela sabia que ficar ali não traria palavras à mente. Com o cabelo escuro preso em um coque alto, a tarefa de trocar de roupa foi simples: colocou uma blusa azul com seu short preto e vestiu uma blusa de frio fina por cima.

Ah, como a irritava ficar sem conseguir escrever algo por mais de três dias! A garota olhava para seu reflexo no espelho do banheiro com a testa enrugada, como se estivesse com dor de cabeça. Escovou os dentes, observou seu rosto com algumas pequenas marcas de acne nas têmporas, coisas de sua adolescência. Lilian apressou o passo até pegar sua bolsa artística. Foi à porta de casa, passando a rua até chegar à praça municipal.

A jovem sentou no mesmo banco de sempre, gostava dali. De longe era possível ver as crianças nos brinquedos, se divertindo e gritando ali, como em uma bolha isolada de Lilian. Ela abriu a bolsa e tirou de lá um caderno sem pauta. Folheou entre contos de amor e poesias de escárnio até encontrar uma página ainda intocada.

Sabia que seu quarto era como uma prisão às vezes, e precisava fugir de lá quando necessário. Parecia que sua mente se trancava com a porta em certos dias, fazendo com que a garota tivesse que dar alguns passeios como o de agora. Ela ajustou a caneta preta nos dedos finos, pronta para marcar ali alguns rabiscos, quando uma movimentação ao lado a fez perder o foco.

Um grupo de meninas sorria para o menino ao centro, paparicando-o de diversas maneiras. Lilian o observou, talvez já o tivesse visto em algum lugar. Seus cabelos loiros atraíam o sol fraco, refletindo em um tom de laranja que Lilian parecia nunca ter visto. Encantada, ela sorriu sozinha. Estava distraída demais para notar os olhos do garoto em seu rosto, e, quando a menina deu por si, decidiu se retirar, afinal, que meninas barulhentas!

Lilian agora tinha mais desafios que o normal: encontrar um assento que fosse longe das crianças e das meninas barulhentas. O que tornava tudo mais difícil é que tinha poucos bancos espalhados pela praça, o que fez a jovem enrugar a testa.

— Eu só queria um lugar pra respirar – ela murmurou sozinha, colocando a mão em cima da testa para proteger os olhos do Sol enquanto procurava atentamente por um lugar confortável.

Sorriu ao encontrar a cafeteria de seu tio logo na esquina. Amava ir lá tanto quanto amava ficar sozinha à mercê de sua imaginação. Porém, não era sempre que seu pouco dinheiro a permitia de ir lá. Seu tio era simpático demais, fazendo com que Lilian ficasse sem graça de vê-lo pagando por suas bebidas, por isso procurava ir apenas quando conseguia pagar pelo que consumia.

Correu para lá, os cabelos se desprendendo do coque frouxo. Sua imagem era linda. Seus cabelos ondulavam com os movimentos do corpo de Lilian, mas novamente, ela não tinha consciência disso. Porém, dessa vez, uma pessoa tinha. O mesmo garoto que a admirou na praça, sorria para a figura de Lilian.

O garoto era nada mais nada menos que Henri, um menino da mesma idade de Lilian. Era um garoto sonhador, literalmente falando. Sonhava de tudo um pouco e, o motivo pelo qual Henri se encantou pela desconhecida, foi que já a tinha visto em seus sonhos.

Ele se irritou com as meninas que desejavam desesperadamente sua atenção, arqueando as sobrancelhas.

— Eu já disse que não sou ele! Por favor, me deixem em paz.

Elas se afastaram emburradas, não convencidas daquilo. Henri agradeceu a qualquer deus que quisesse ouvir e correu para o Café onde a garota de olhos azuis tinha entrado. No caminho o jovem balançava a cabeça, transtornado por isso acontecer com tanta freqüência. Ele não era aquele cantor de uma banda divertida, embora fossem... Parecidos. Pelo vidro do café, pôde ver ela cumprimentando um adulto, ele a esmagava num abraço apertado.

Abriu a porta do café, um sininho acoplado em cima da porta revelou sua presença. Ele respirou fundo ao ver a garota sozinha em uma mesa junto com o caderno de antes. Sim, ele havia reparado no caderninho vermelho.

Notas finais
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.