A melhor derrota de Son Goten
2 Ultimato sério
Notas iniciais
Trunks e Goten eram amigos desde a infância. Inseparáveis, cresceram praticamente juntos e se consideravam irmãos, só que de mães e pais diferentes, claro.
Agora adultos, tinham suas próprias responsabilidades, Trunks assumindo cada vez mais a administração da Corporação Cápsula (CC) e Goten, funcionário público do município de West City. Sendo assim, faziam de tudo para se encontrarem em fins de semana como este para treinarem arduamente a fim de manter a forma e a força física – Afinal, eles não podiam prever quando a terra seria assolada de novo por um forte inimigo – e, óbvio, divertirem-se como nos velhos tempos.
– Ahá! Venci! Venci! – Goten gritava muito contente e com o maior sorriso bobo no rosto.
– “Pudera”... Depois de bem uns 20 rounds... Você finalmente me vence uma e pelo cansaço – Trunks ria entre as respirações um tanto entrecortadas.
– Vitória é vitória, Trunks – Goten replicou, inabalável e sem nenhum sinal de fadiga.
É preciso admitir que o Son podia até ser “distraído”, mas era muito resistente.
– Que seja – O rapaz de cabelo lilás deu de ombros, para em seguida se sentar no chão empoeirado do deserto rochoso e se recostar em uma grande pedra atrás de si. – Ufa. Aquela cápsula está aí com você?
Goten acenou positivamente com a cabeça e remexeu nos bolsos até tirar de um deles uma pequena cápsula verde. Esta foi jogada ao chão e num “Boom”, apareceu um frigobar no lugar. Ele então bateu a poeira da roupa esfarrapada, abaixou-se e abriu a porta da “geladeirazinha”, passando a analisar o conteúdo do seu interior.
– Você vai querer água, refrigerante...?
– Água mesmo.
– Saindo – O rapaz moreno jogou uma garrafa d’água para o colega que por sua vez a apanhou no ar sem nem piscar e também pegou uma para e si mesmo antes de fechar a porta do frigobar. Em seguida dirigiu-se para onde o amigo estava sentado e ali também se acomodou cheio de preguiça.
Os dois meio-sayajin ficaram em silêncio, apenas fitando o céu azul acima de suas cabeças. Até que ambos sentiram 3 ki’s conhecidos se aproximando. Quando os rapazes avistaram pontinhos no ar se aproximando em uma velocidade considerável, já estavam de pé já sabiam quem eram as donas daqueles ki’s.
– Caramba. O que será que aquelas garotas querem aqui – Trunks se perguntou em voz alta e tentando realmente imaginar a razão a qual as traria aqui, no meio do nada e a procura deles. – Goten, você está devendo dinheiro a elas? Fez ou disse alguma coisa?
– Ei! Eu não! – Goten contestou. — E não entendo como você pode me colocar como suspeito nessa história se o motivo de elas estarem vindo para cá com certeza não sou eu.
Desde o momento em que Bra distinguiu de longe as formas dos dois meio-sayajins, seu estômago havia começado uma revolta e parecia dar cambalhotas, fazendo-a se sentir enjoada. Não podia ficar pior, certo? Claro que podia! Seu coração acabara de se rebelar também e estava determinado a atravessar seu peito e sair.
A garota Briefs respirou fundo, tinha que ser confiante e estampar indiferença em seu rosto durante todo o processo. Depois, quando estivesse sozinha, trancada na privacidade de seu quarto, ela arrancaria os cabelos fio por fio. “Como raios eu vou derrotar o Goten, meu Kami! Não. Não. Calminha. Mundo feliz agora. Isso. Mais tarde você pensa nisso. Isso mesmo. Nada de expor o desespero para os outros. Fazendo a “cara-de-Vegeta””, Bra dialogava mentalmente, lutando para controlar suas emoções e, principalmente, suas expressões.
Logo atrás, voavam Marron e Pan. As duas conversavam entre si.
– Será que não estamos exagerando e sendo malvadas, Mah?
– Nada. Estamos sendo umas santas anjas da guarda, isso sim. Você não acha que os dois combinam? Pois então! Ela vai nos agradecer no futuro – A loira disse cheia de convicção.
– Tomara. Eles seriam um belo casal mesmo. – Pan comentou imaginando esse futuro. – Será estranho ter a Bra como minha tia.
As duas garotas riram.
O trio pousou no solo, há uns 5 metros de distância da dupla.
– Hey, Bra e Pan – Goten acenou com a mão. Sempre carismático.
Bra fingiu que não foi com ela e permaneceu muda e indiferente.
– Oi tio e oi... Er... – Pan ruborizou e passou a olhar para os próprios pés, batendo com os dedos indicadores se sentindo envergonhada. – T-Trunks.
– Oi Pan e minha irmãzinha favorita – Trunks cumprimentou normalmente.
– Olá rapazes e... Ih. Credo... Como vocês conseguem treinar em um lugar desses? – Marron questionou, tossindo e protegendo os olhos.
– Acostuma. A gente nem percebe mais a areia entrando nos olhos e... Kkkkk. Brincadeira. É só ficar contra a direção do vento e... – Goten terminar responder a pergunta, mas foi interrompido pelo colega.
– Andem, falem logo por que estão aqui – O garoto de cabelo lilás interrogou de uma vez, meio sem paciência, mas sobretudo curioso.
– Ah. É que a sua irmã quer dizer uma coisa, né Bra? – A garota loira deu uma tapinha nas costas da colega a qual retribuiu com um olhar diabólico. – Vamos, não se reprima, amiga.
Os olhos de todos, em especial os dos dois rapazes, estavam voltados para a garota de cabelos azuis. Esta sentia e queria ser puxada por um abismo e sumir dali. Mas não importava. Respirou fundo. Ela tinha que começar de algum jeito.
– Eu tenho um comunicado para o Goten – A menina disse bem depressa e com o semblante mais sério e frio que conseguiu sustentar.
– Para o Goten? Mas... Aaah. Eu sabia! Conta logo o que fez! – Trunks fitou o amigo com um ar de desaprovação.
– Heín?! Eu não me lembro de ter feito nada demais nesses dias envolvendo a tua irmã, cara – Goten protestou agitando os braços.
– Nada demais, é? Então fez alguma coisa. Para de enrolar, Goten! Não estou brincando!
– Irmão, não é nada disso. Eu só... – Bra tentou se explicar melhor, mas sequer conseguiu terminar a frase. Fora totalmente ignorada pelos rapazes.
– Tá legal. Eu me expressei mal. Pode me torturar por isso, p#@!
Pois é...
Trunks sempre fora ciumento para com Bra, desde que esta era criança. Ela, bonita demais, atraía olhares por onde passava e ele, como bom irmão mais velho, não podia, não conseguia deixar de sentir ciúmes disso.
A sorte é que a caçula jamais deu corda a ninguém e, de quebra, sabia se defender perfeitamente sozinha nessas situações, porque, mesmo nunca treinando, seu nível de luta já era naturalmente elevado comparado aos dos humanos normais. Então nunca teve nenhuma dor de cabeça relacionada a esse tipo de... Ãhn... Dor de cabeça.
Porém, desde que o melhor amigo terminou o seu relacionamento de mais de anos – há um pouco mais de um mês — e se encontrava solteiro, Trunks andava desconfiado. Por vezes, teve a impressão de ter visto o colega acompanhando sua a sua irmã com os olhos, além das demonstrações repentinas de interesse nela.
Outro detalhe: Bra também acabara de completar 19 anos, maior de idade, cada dia se tornando menos menina e mais mulher. Talvez a noção de sua irmã estar de fato crescendo e mais rápido do que ele esperava, estivesse-o deixando enciumado a ponto de ficar vendo, imaginando coisas. Vai saber.
Pan assistia a discussão, olhos arregalados, com mistura de medo e fascínio. Assustada com a reação enérgica de Trunks, mas ao mesmo tempo admirada por ele se mostrar tão protetor para com a irmã mais nova.
Marron fez uma grande careta diante desse “ataque de ciúmes inesperado” e refletia se valia a pena prosseguir com a aposta, pois visualizou o resultado do rapaz mais velho ver sua irmãzinha beijando o colega. Uma cova bem funda, na pior das hipóteses e inimizade entre os dois por um longo período, no mínimo. “Com certeza, valia a pena fazer esse beijo entre a princesinha e guerreiro comum acontecer”, concluiu.
Bra se encontrava atônita e parecia ter perdido momentaneamente a habilidade de articular palavras. “Mas que diabos...?”.
A dupla continuava discutindo entre si.
– Terra para Trunks! Eu sou seu amigo, esqueceu?! – Goten praticamente berrava.
– Existem regras, sabia?! Com tantas, você escolhe justo ela, abestado?! – Trunks falava sem pensar, cego por completo pelo ciúme.
– Na real, o que p#@ deu em você?!
– O que deu em mim, o caramba!
– QUIEEEETOOOSS!!!! – Bra usou todo o ar contido em seus pulmões para gritar essa palavra. O grito calou os dois rapazes de susto e fez pular alarmadas até as outras duas garotas. – Chega! Fechem a maldita boca e só se atrevam a abri-la quando eu tiver acabado de falar! Entendido?!
A dupla se limitou a assentir com um movimento de cabeça.
– Muito bem. Goten! – Bra disse apontando para o rapaz com trajes de luta alaranjados – Você e eu, daqui a 3 dias, pode até ser aqui mesmo, lutando mano a mano e nada de transformação sayajin. Entendido?!
Silêncio...
– Entendido?! – A menina repetiu.
Os dois híbridos olharam um para o outro e não conseguiram se controlar. Caíram na risada. E também pareciam ter se esquecido de toda a briga na qual estavam até um minuto atrás, inclusive.
– kkkkkkkkkkkk!! Ah, para irmãzinha. Você querendo lutar? Kkkkkkkkkkk!! Está se sentindo bem? – Trunks chorava de tanto rir.
– kkkkkkkkkkk!! Né! Kkkkkkkkkk!! – Goten apertava a barriga a qual já estava doendo. Rir demais dá nisso.
Bra sentiu sua face ruborizar, irritada e ofendida. Olhou para as duas amigas as quais se ativeram a apenas dar de ombros. É. Ela estava sozinha.
– PAREM DE RIR OS DOIS! ISTO É UM ULTIMATO SÉRIO!! – A garota de cabelos azuis gritou ainda mais alto que da última vez e conseguiu chamar a atenção dos meio-sayajins. Estes olharam para ela com um ar cômico, mas ao perceber que a expressão da garota se mantinha séria, o sorriso de ambos sumiu.
– Ah. Isso é sério? – Goten indagou, agora com um semblante de pura curiosidade.
– Como eu disse anteriormente, é um ultimato seríssimo – Bra respondeu com um tom firme.
– Sem zoeira? – Trunks perguntou erguendo uma das sobrancelhas.
– Sem zoeira. – A menina caprichou na “cara-de-Vegeta” (Aquela carranca).
– Por que essa vontade súbita de lutar? E por que com o Goten? – O rapaz de cabelo lilás ainda não estava totalmente convencido.
– Por que... – Bra fez uma pausa a fim de refletir. “Eles não precisam saber das apostas...”, pensou. Então ela tomou o cuidado de incluir na resposta um conteúdo de informações estritamente necessárias. – Por que Marron e Pan acham que eu não consigo derrotar o Goten em batalha e eu discordo. Daí, aqui estou com o intuito de provar meu valor. Pronto.
– Aaah. Perda de tempo sua, irmãzinha. Você não tem nível para peitar o Goten.
– Dis-cor-do. Então, filho do Kakarotto, aceita o meu desafio nas condições já dadas? – Bra indagou para o moreno, aparentado mais confiança do que realmente tinha. Ela devia ser atriz mesmo.
– Er... Daqui a 3 dias, pode ser nesse local e não posso me transformar em supersayajin, né? – Goten viu a menina assentir e olhou para o colega o qual revirou os olhos, tomado pelo tédio. – Sei lá... Eu...
Marron viu o meio-sayajin vacilar e correu para interferir.
– Afe. Goten, larga de ser besta. Que mal há? Pense em como será divertido. Você será o primeiro adversário da Bra – A loira quis mesmo incentivar para o desespero da garota Briefs a qual só de ouvir a palavra “primeiro”, quase vomitou. – O Trunks deixa também, né?
– Mmmm... É. Sem problemas. Lutar é sempre boa ideia. Quem sabe ela até pega o gosto e passa a agir feito sayajin de verdade, sabe – O rapaz de cabelo lilás comentou colocando os braços atrás da cabeça.
– Ahh. Então eu aceito o desafio – Goten declarou todo contente, deixando Bra inexplicavelmente encabulada do nada. – Você vai ver, Bra, aprende-se muito com a derrota. Hehe.
– Ora, mas como é exibido – A meio-sayajin disse pra lá de aborrecida com o comentário.
– Oba. Oba – Marron bateu palmas. – Agora hora de selar o contrato verbal. Apertem as mãos. Pronto. Ambos prometeram se encontrar para se enfrentar daqui a 3 dias bem aqui, neste local. Nada de fugir, hein – Nessa parte, a loira deu um sorriso especial para a colega de olhos azuis.
Bra fuzilou a loirinha com o olhar. Não, ela não fugiria. Sem bem que.. Melhor dizendo, a fuga não era a sua opção A. Talvez a C ou D...
– Mal posso esperar para lutar com você – Goten contou com um sorriso bobo no rosto sem soltar e apertando firme a mão da híbrida. – Estou curioso para descobrir seu estilo de combate.
Bra nada mais disse. Sentia a mão do rapaz aquecendo a sua e foi tomada por um frio no corpo quando estas se separaram. “Meu estilo de combate... Essa é uma coisa que eu também estou curiosa para descobrir...”, ponderou consigo mesma.
Os cinco saíram voando do local juntos e foram se separando conforme a rota de seus lares se definia. Já era início de noite quando os irmãos Briefs pousaram na CC. Vegeta e Bulma haviam voltado e já enchiam o ambiente com suas costumeiras briguinhas.
Em seu quarto, Bra não conseguia dormir.
Ela só tinha 3 dias para inventar um plano infalível para derrotar o caçula dos Sons. Precisava pensar rápido.
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