Notas iniciais
Bom dia. Este capítulo é bem especial, pois aparece a Bulma! ^----^

Bra despertou se sentindo, como seu irmão havia lhe dito ontem, novinha em folha. O sono tinha sido verdadeiramente reparador.

Levantou-se num pulo da cama, espreguiçou-se e alongou-se impressionada por toda aquela dor ter sumido assim de um dia para o outro.

O segundo dia tinha começado. Ela não podia perder tempo.

Tomou um banho rápido, abriu o guarda-roupa, escolheu vestir a roupa que usava nas aulas de educação física do colegial — blusa azul baby look e um micro short colado. Ainda servia nela.

Calçou os tênis, amarrou o cabelo em um rabo de cavalo, saiu do quarto, indo direito para a cozinha. Por Kami, estava faminta.

Na cozinha, encontrava-se apenas a sua avó, a qual preparava o café-da-manhã da família, e seu irmão, sentado à mesa e já vestindo um elegante terno preto. Bra olhou o relógio. 06h:12min. Seus pais ainda deviam estar na cama e seu avô, ocupado alimentando os gatos no jardim.

– Bom dia, mana – Trunks deu com mão exibindo um discreto sorriso. – Como se sente?

– Bom dia, vovó. Bom dia, Trunks. Ah, tenho a sensação de ter um buraco negro no estômago. Estou com fome – A menina respondeu sentando-se a mesa. A barriga roncando alto. – O que há para comer, vó Bunny?

– Ó, bom dia, Brazinha. Há um muito de tudo, viu – A Sra. Briefs disse usando um tom musical e já colocando em cima da mesa uma variedade e quantidade enormes de comidas para escolher.

MUITA comida na mesa. Assim eram servidas as refeições diárias dos moradores da CC, desde a chegada de Vegeta anos atrás.

Quase 40 minutos depois, os dois híbridos finalmente ficaram saciados e saíram da cozinha.

– Vou seguir treinando conforme a rotina “+2G” – a menina comentou alto para seu irmão ouvir. – E talvez pegue alguns robôs...

– Certo. Veja, separei uma coisa para você está manhã – Trunks falou tirando do bolso da calça um par de luvas e estendendo para a garota de cabelos azuis. – Anda, fique com isso emprestado até nossa mãe lhe fazer um. Use para não machucar tanto as mãos como ontem.

– Ah... Você percebeu... – Bra disse, os olhos brilhando, pegando e calçando as luvas.

Ela fechou e abriu as mãos com força para testar. Sim. Ficaram meio folgadas, mas mesmo assim ela gostou.

Ela agradeceu a Trunks pelo empréstimo com um insulto carinhoso e este se despediu dizendo ter uma reunião importante daqui a pouco.

Já no interior da câmara gravitacional e já tendo ligado e regulado o painel para 346G, Bra, após se readaptar a nova pressão, treina salto, socos e até algumas combinações... Mas não estava funcionando. Aquele ambiente parado, silencioso com exceção do ruído emitido pela máquina, a estava deixando louca. Totalmente sem concentração, por mais paradoxo que pareça.

Ela ficou se perguntando em como o pai aguentava passar horas a fio treinando sozinho. “Por Kamisama, é deprimente!”.

08h:58min. “Está vendo! Até as horas passam devagar desse jeito. Afe”, pensava irradiando tédio. “Já sei”,uma ideia lhe veio à mente em um estalo semelhante ao que ela deu em seguida com os dedos polegar e médio.

A princesinha desativa a gravidade, sai da sala e corre para o seu quarto para pegar nada mais nada menos que um som portátil. Este tinha sido presente de Pan em seu último aniversário. Pega também dois pendrives repletos de músicas, porque o som possuía entrada USB. Volta para a sala gravitacional correndo – até pisa na cauda de uns 3 gatos no caminho. Coloca o aparelho no chão mais ou menos no centro do ambiente e liga-o no último volume. Calabria começa a tocar enchendo de vida o espaço antes taciturno.

Agora sim”,pensa e esboça um sorriso, satisfeita consigo mesma.

Ela recomeça o treino dando saltos, socando e chutando o ar, etc, tudo no ritmo da música que tocava. Agora sim a Briefs estava animada. Modéstia a parte, a menina sempre fora uma musa da dança. Bra saltava, girava, chutava para frente, para trás, para o lado, mãos para cima, para baixo, girando e, claro, não se esqueceria do rebolado.

Ok. O foco do treino tinha sido parcialmente desviado, não? Mas a menina não ligava, porque, afinal, ficar dançando sob a pressão de 380G era uma proeza digna de aplauso. De uma forma ou de outra, aquilo se constituía em um exercício aeróbico, sim senhora e muito obrigada. Portando, qual seria o motivo de não treinar assim? Era até melhor.

Bra perdeu a noção do tempo. 422G. Agora rebolava ao som de S&M.

Se alguém de fora a visse dançando do jeito que estava, duvidaria com todas as forças que ela ainda fosse virgem. Se seu irmão a visse dançando do jeito que estava, lançaria um olhar reprovador para ela e outros milhares de olhares conferindo se nenhum pervertido a espiava. Se seu pai a visse dançando do jeito que estava, teria um ataque cardíaco logo após repreendê-la com as veias saltadas na testa. Se sua mãe a visse dançando do jeito que estava, comentaria, com “dor de cotovelo”, que já havia feito melhor...

Quando o grande monitor foi ligado e a figura de uma mulher de cabelos azuis curtos foi exibida na tela, a caçulinha Briefs quase teve um treco de susto. Bra se recompôs e rapidamente abaixou o volume do som.

– Oi, filha. Treinando loucamente feito o seu pai e o seu irmão? Virará lunática igual a eles? Por isso se esqueceu de almoçar? – Bulma perguntava falando mais alto que o necessário como de costume.

Esqueci-me de almoçar?”, a menina se perguntou mentalmente. Consultou o relógio do visor de seu celular e ergueu as sobrancelhas, espantada. “15h:34min! Kami! Esqueci mesmo!”.

– Perdão, mamãe. Ainda sobrou alguma coisa? Eu vou agora mesmo – A garota de cabelos azuis falou colocando a mão na tentativa de acalmar o estômago o qual tinha resolvido demonstrar estar vazio só agora.

– Sim. Sua mãe é uma pessoa maravilhosa e guardou para você. Outra coisa, eu e seu pai vamos sair para o shopping para comprar roupas novas para todos. Como o convenci a ir comigo, não vem ao caso, então se cuide – A mulher mais velha acenou para a filha em despedida.

– Mãe, espera! – Bra chamou, pois ao ouvir Bulma falar de roupas novas, lembrou-se de algo que Trunks recomendou a ela ontem à noite. – Preciso de uma roupa de batalha como as que você faz para papai e Trunks. E tem ficar pronta, no máximo, amanhã.

– Entendo. Então pretende virar uma lutadora mesmo? Ou seria mais adequado dizer virar uma guerreira dançarina? – Bulma piscou para filha que corou instantaneamente. – Você é muito talentosa, mas no passado eu dançava ainda melhor, sabia? Hihihi.

A menina revirou os olhos, porque tinha previsto minutos atrás esse comentário vindo da mãe. Esta, por sua vez, prosseguiu com um de suas maiores vocações: Tagarelar.

– Mas deixando de lado esse fato, minha querida, diga-me que vontade foi essa que lhe deu do nada de treinar, aprender a lutar...? E não gaste saliva e tempo dizendo qualquer lorota como a que você disse no café-da-manhã de ontem para o seu pai. Lembre-se, eu sou MUITO inteligente e perspicaz.

Bra ponderou se contava ou não a verdade verdadeira para a mãe ou se arriscava mentir de novo. Sua conclusão: uma meia verdade serve.

– Marron e Pan, minhas supostas melhores amigas, desafiaram-me a provar que eu sou capaz de derrotar o filho do Kakarotto em batalha. Bom, desafiei-o antes de ontem e a luta será depois de amanhã. Daí eu estou treinando... É isso, mamãe.

Bulma fitou a filha e até estreitou os olhos, buscando meticulosamente sinais não verbais de mentira. Não encontrando nada de significativo, a mulher Briefs continuou sua fala empinando o nariz.

– Mas você está fazendo tudo, TUDO, tudo errado, filha. Faça favor. Nunca que vai derrotar o Goten assim. Escute, eu vou lhe dizer agora como você vai vencê-lo. Já ouviu falar no sistema nervoso autônomo? Este se divide em sistema nervoso parassimpático e sistema nervoso simpático. Este responde, principalmente, a situações de estresse e aquele estimula, principalmente, atividades relaxantes. Lutar é uma situação de estresse, por exemplo. E o sexo é uma atividade relaxante, por exemplo.

– Mãe, eu não sei se estou entendendo aonde a senhora que chegar com isso – Bra falou sentindo-se confusa.

– Shhiuu. Não me interrompa querida. Só escute sua mãe que você já vai entender. Bem, o simpático e parassimpático na maioria das vezes são antagonistas, ou seja, tem funções opostas, contrárias...

– Eu sei o que quer dizer antagonista. Estudei tudo isso na escola – A menina reclama já impaciente.

– Se estudou, trate de raciocinar, filha. Está na cara! O nosso corpo, em geral, ou se estressa ou relaxa. Se você estimular o sistema parassimpático do Goten, então...

– Mãe, você não está querendo dizer... – Bra começava a entender o raciocínio.

– ... Ele vai ter escolher entre se estressar e se excitar. Ou ele se concentra na luta com você ou ele se concentra EM VOCÊ. Genial, né – Bulma deu uma risadinha diabólica.

A garota Briefs sentiu algo semelhante a uma corrente elétrica correr pelo seu corpo. Sua mãe tinha razão! Treinar e contar com o cavalheirismo do filho de Kakarotto não era nada comparado a essa ideia, pois lhe dava chances reais de vitória. Mas, por outro lado... Ela teria que... Que...

– Mãe, a senhora está sugerindo que eu... Eu... Er...

– O quê? Sensualize para o Goten? Exatamente! É fácil e você vai acabar achando divertido também. Se fizer isso, quero que um raio caia em mim se você não sair com a vitória. A como estou contente em finalmente poder conversar essas coisas com você – Bulma bateu palmas, mas em seguida, parou, olhou para os lados e cochichou. – Seu pai não precisa saber disso, tá.

– Mas Trunks disse...

– Está insinuando que o Trunks sabe mais da vida do que sua mãezinha aqui?

– Não, não. Eu só ia relembrar a história do uniforme...

– Aah. Mas é claro que eu faço um traje para você. Como sei mais ou menos suas medidas, essa noite já pode me procurar para uma prova. Vai ficar muito lindo e sensual. Agora eu preciso ir, filhinha. Vá comer se não você desmaia. Depois continuamos a nossa conversa. Beijos – Bulma acenou com a mão e desligou o monitor.

Bra continuou no mesmo lugar por mais alguns minutos. Estava sem reação. Sentindo-se um peixe fora d´água. Ontem Trunks lhe orientou de um jeito e hoje sua mãe de outro. Ela estava cogitando acatar o plano da mãe... Vencer era o objetivo não era? Os fins justificam os meios*?

*Referencia a Maquiavel.

Depois de comer vai ter mais glicose no meu cérebro e aí eu penso nisso”, decidiu por fim e saiu da sala de gravidade.

Notas finais
Escutar a Bulma ou escutar ao Trunks xD Beijos e até o capítulo seguinte!