A me conduzir
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Mais uma vez o feriado de Corpus Christi estava se aproximando; me arrisco dizer que é o feriado mais esperado do ano por mim. Minha mala já estava quase pronta na terça-feira, a não ser pela roupa da apresentação final que ainda estava pendurada no cabide para que não amassasse demais e por mais que eu já frequento o seminário de música há pelo menos 7 anos, é sempre uma ansiedade enorme.
Minha paixão pela música sempre foi muito evidente e nem mesmo depois de formada parei de estudar. Até porque é nesses lugares que se conhecem pessoas incríveis e extremamente talentosas, que se unem em prol do mesmo propósito. Então continuei indo atrás de cursos e seminários de música para continuar vivendo experiências e aprender mais e mais, até porque, minha vida é regida pela música.
Durante toda aquela semana, que era mais curta por conta do feriado, tentei focar ao máximo nas minhas aulas de canto e musicalização tentando conter meu êxtase. Tinha noção de quem iria encontrar por lá, mas o mais excitante, era não fazer ideia qual seria a música da próxima edição; a música que une o coro, orquestra, alunos das oficinas, professores, e toda a emoção de fim de seminário.
—Tudo preparado pra quinta-feira? — Pergunto ao Eric enquanto jogo minha bolsa sobre os ombros para ir embora, não disfarçando minha empolgação evidente que falava por si só através dos meus gestos.
—Nem me fale em quinta-feira, preciso terminar o arranjo final. — Diz ele num tom de voz agudo, que usa apenas quando está nervoso com alguma coisa, soltando uma risada nervosa logo em seguida — Mas tá tudo bem…
—E qual a novidade? — Debocho, nada surpresa com suas atrapalhações contra o tempo. — Se precisar de ajuda, sabe que é só pedir.
—Quer terminar o arranjo pra mim?
—Menos isso.
—Poxa vida, tô ferrado. — Ele ri enquanto joga tudo dentro de sua mochila preta e o lança também sob o ombro direito e procura a chave para fechar a sala.
—Nenhum spoiler de qual música será?
—Ah, estraga a surpresa, né? Aliás… quem sabe podes reger ela esse ano? — Ele se dirige à porta e eu o acompanho para que pudesse trancar a sala.
—Não obrigada, eu confio no teu potencial, sei que será melhor contigo regendo. — Dou-lhe um tapinha no ombro.
—Você quem sabe. — Ele se vira pra mim como quem estivesse realmente falando sério.
—Vamos ver até lá… né? Quem sabe…
—Então tá.
—Até quinta! — Me despeço, olhando as horas no meu relógio de pulso. — Preciso ir..
—Também não vai ir na quarta a noite pra recepção?
—Tenho que dar aula. — Ergo os ombros, conformada de que não poderia mudar isso.
—Então somos dois… até quinta.
Eric foi meu professor na faculdade e regente do coro universitário da qual eu continuei frequentando mesmo depois de me formar. Nos conhecemos há quase 7 anos e desde então nos tornamos grandes amigos na vida pessoal e no âmbito profissional, formando parcerias e trocando ideias e partituras. Eu sempre achei engraçado a minha facilidade em fazer amizades com pessoas bem mais velhas que eu e ter dificuldades em me conectar com as pessoas mais próximas da minha idade; o que me faz ter a certeza de que eu irei casar no fim das contas com um cara muito mais velho que eu.
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