A matter of time
9 Eight
Henry apoiou os cotovelos nos joelhos, cruzou as mãos em sua nuca e fechou os olhos com força quando inclinou a cabeça para baixo. Charlotte havia sido levada as pressas para a sala de cirurgia, estava a quase uma hora sem vê-la quando passou mais de meia hora só respondendo às perguntas dos policiais que foram chamados. Repetiu a história que Ray havia dito para ele, que procurou a ajuda do Capitão Man para encontrar Charlotte e conseguiram, ele voltou com ela para o hospital enquanto o super-herói foi atrás de quem a tinha sequestrado.
Sua história foi aceita, sem surpresas, e após algumas mensagens avisando onde estavam, se encontrava sentado em uma cadeira no canto da sala de espera se sentindo assustado e detestando não poder fazer nada. Não sabia como Charlotte e o bebê estavam, ninguém havia aparecido para explicar nada deixando a todos no escuro. Inspirou fundo, tentando desacelerar seu coração antes que explodisse em lágrimas, soltou o ar lentamente se forçando a não desabar logo ali.
— Ei. — a voz suave veio acompanhada de um carinho em suas costas. — Vai ficar tudo bem, querido. — somente assentiu, não conseguia falar. — Eles vão ficar bem.
A fala veio mais firme, seguida dos braços de sua mãe o rodeando pelos ombros. Se inclinou contra ela, algumas lágrimas escapando por suas pálpebras fechadas. Siren o apertou forte, beijando o topo de sua cabeça enquanto Henry se permitia ser consolado.
Após algum tempo, passos apressados o fizeram sair do colo de sua mãe. Ray parou ofegante à sua frente, o rosto vermelho e molhado, seus olhos sombrios, porém brilhando por lágrimas que Henry logo detectou. Levantou-se rapidamente, puxando seu mentor para um abraço apertado. O Manchester fungou sutilmente, o apertando forte uma última vez antes de se afastar, secou as lágrimas sutilmente com as costas das mãos e ficou de frente para a parede branca da sala de espera.
— Como eles estão? — perguntou com a voz rouca.
Henry suspirou, aproximando-se dele para conversarem mais baixo.
— Ainda em cirurgia. — respondeu, esfregando os olhos com a ponta dos dedos. — Não tivemos nenhuma informação nova até agora. Na hora que chegamos aqui, tiraram ela de mim e levaram às pressas pro centro cirúrgico. Os batimentos dela e do bebê estavam muitos baixos, eles não sabiam se... se os dois... eu não consigo mais.
Declarou, seu corpo pesando novamente e o arrastando de encontro ao chão. Apoiou as costas na parede branca, descendo lentamente para sentar no chão frio, abraçado aos joelhos observou Ray repetir seus movimentos.
— Vocês não vão mais precisar se preocupar com ele.
O tom gelado na voz do Manchester era a resposta para as perguntas que ele deixaria para entender depois. Somente assentiu letargicamente, sentia estar dissociando. Uma vez, em uma missão que tiveram em Distopya, não possuía mais o controle do próprio corpo, sua mente parecia estar indo para outro lugar, literalmente. Lembrava de escutar as vozes, sons, gritos e pedidos de ajuda ao longe, como se estivesse sendo envolvido em uma neblina que o impedia de enxergar o mundo ao seu redor. Parecia estar vendo e ouvindo tudo através de uma tela, uma tela embaçada e abafada.
— Hen.
A voz chegou atrasada até ele, como se estivesse atravessando a água até chegar aos seus ouvidos. A escutou novamente, junto com um toque suave em seu braço que aumentou o aperto. Era o que precisava, um puxão da realidade que o fez piscar rapidamente, seus olhos se acostumando a claridade e focando aos poucos no rosto que o encarava preocupado.
— Ei, cara. — o rosto de Jasper se tornou mais nítido, respirou fundo a fim de relembrar onde estava. — O médico da Charlotte está vindo.
— Certo. — falou em um tom de voz falho, aceitando a mão estendida do amigo. — Certo. — repetiu novamente, se apoiando nele quando o médico ainda vestido com os trajes cirúrgicos apareceu à frente deles.
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