Ele deslizou pelas pedras quentes como se nada estivesse acontecendo, todo coberto não fazia questão de mostrar o rosto cheio de marcas e queimaduras, era esguio mas as asas negras e pesadas como o ferro o fazia se jogar um pouco para frente. Não, ele não lamentava ser um filho do inferno como os outros caídos viviam prateando pelos cantos "Demonios não choram" ele mesmo se deu essa regra e não se importava de ser chamado de demonio já que os seres humanos tinham medo do mesmo. Ele entrou na caverna e foi seguindo subindo as pedras amontoadas como escadas, o fogo borbulhava, ele continuou a subir os desenhos nas paredes monstravam os relatos da queda "Malditos humanos" ele balbuciou "Adoram lembrar da nossa miseria, e não percebem que eles estão caindo" empurrou o portão grosso e pesado e entrou no lugar. O fogo parecia brincar pelos cantos, e oo cheiro era forte.
—Eu não vou suportar mais isso!-gritou a voz do outro lado e as pedras tremeram.
—Tenha calma senhor-ele respondeu afastando a asa negra -Já está tudo quase certo!
—Quase?-ele gritou -Essas correntes estão me queimando por seculos, eu não consigo mais deixar o corpo para perturbar aqueles imundos!
Ele esticou a corrente com força e logo em seguida deu um grito agudo, seus pulsos queimaram.
—Aqueles anjos sabem mesmo forjar muito bem, Lúcifer!-Ele gargalhou e podia se ouvir um eco distante.
—Voce sabe que eu odeio quando me chamam de Lúcifer!-gritou e as correntes queimaram e um pouco de fogo voou no seu rosto.
—Costume -respondeu — Boas noticias, já achamos a marca, agora só pegamos ela e usaremos seu corpo!
—Que seja um garoto forte!-Lucifer exclamou intacto -Estou afim de usar minhas forças!
—Garoto?-ele gargalhou mais alto ainda -Não, não é um garoto!
—É o que?-Os olhos de Lucifer se converteram ao castanho, e manteve os labios semicerrados.
—É uma menina -respondeu -Bonita por sinal, ela tem sua marca, seu selo!
—Pobre criança!-ele riu mas logo fechou a cara -Tinha que ser mulher?
—Isso ou esperar mais uns anos, seculos.... milenios!
—Tudo bem- Lúcifer concordou -Tragam logo, meu corpo está queimando e não suporto mais esse cheiro!
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Entrei em casa contando até trinta, subi as escadas lentamente meu corpo parecia ter cem quilos ou mais, o vento batia no cabelo e formava uma bagunça de cabelo ruivo, não queria me mexer queria me esconder debaixo da cama e esperar alguem chegar e dizer "Achei"... Pensando bem, não queria que ninguem me encontrasse.
—Ana!-Minha mãe surgiu ao pé da escada, virei para ela e achei quase um milagre ver as tatuagens ali todas a mostra e seu "V" de cabeça para baixo nas costas que mais parecia ter recebido em uma briga de gangues, acho que seria estranho ver minha mãe daquela maneira.
—Sim?
—Por que está palida?-ela perguntou afastando uma mecha de cabelo.
Bom, eu poderia começar por eu vi tres demonios, eu teho uma marca infernal, preciso me jogar de um vulcão para salvar o mundo coisa que achei que só veria em filme, preciso salvar um anjo e juro que achei que ele devia me salvar mas simplesmente respondi:
—Nada!
Ela concordou com a cabeça e deu as costas. Havia algo de errado, ela não era assim primeiro por que ela nunca deixa as tatuagens para fora, ela nunca leva o meu "Nada" a serio, trocaram minha mãe.
Entrei no quarto sienciosamente, sentei na minha cama e me joguei para trás "Eu estou louca, estou louca, estou louca, estou louca" recitei para mim mesma todas as vezes possiveis, fechei os olhos e tentei pensar em coisas boas. Soltei um grito e senti algo tapar minha boca.
—Quieta menina!-Ele sussurrou no meu ouvido.
Tentei dizer algo mas minha boca estava tapada, tem um cara no meu quarto.
—Olhe para ali!-ele apontou com a outra mão e o quarto ficou escuro, olhei para o lado que ele estava apontando e vi um vulto passando, era pequenino, tinha braços e pernas, e podia ver o cabelo voar, não pensei duas vezes e mordi a mão dele.
—Ai!-ele gritou -Voce mordeu minha mão!
Pulei para o outro lado do quarto e olhei para ele, alto, loiro e os olhos castanhos mel, usava uma camisa do the rolling stones calças coladas e uma bota preta gasta de tanto andar.
—Quem é voce?-perguntei nervosa.
—Voce me fez perde-la!-ele gritou e olhou debaixo da cama.
—Ela quem?
—Minha fada!-ele respondeu e continuou procurando.
Não me segurei, cair na gargalhada, ele ficou me encarando como se não estivesse entendo o por que do meu riso.
—Voce...voce-tentei respirar -Voce invadi o meu quarto e me diz que está atrás da sua fada!
Comecei a rir e rir mais ainda, senti o estomago embrulhar, e um gosto seco invadir a garganta respirei fundo novamente.
—Fadas não existe, doente menta!-gritei e comecei a rir.
—Existe sim, foi voce que soltou elas!-ele respondeu.
Parei de rir e recebi um choque de realiade, ou seria isso ainda um sonho?
—O que?-perguntei baixinho.
—Voce e seus amigos foram para um lugar proibido, quebraram a barreira e agora os demonios de todos os portes estão libertos por ai!-ele exclamou sentando na minha cama.
Fechei os olhos e abaixei a cabeça "É um sonho" repeti centenas de vezes para mim mesma, mas tudo que eu sentia vir em mim era um vontade de sair correndo e me enfiar em algum buraco para me esconder de todo mundo.
—Não é um sonho!-Ele exclamou de olhos fechados sentado na minha cama.
Espera, me toquei, olhei para aquele garoto metido a pode tudo caçador de fadas, Peter pan sentado sobre meu colchão lindo e novo.
—Voce é um demonio!-gritei.
—Nem tanto!-ele disse e revirou os olhos -Notou o sol mais escuro?
Dei de ombros.
—Voce é um demonio!
—Não, não sou!-ele respondeu e foi ate a janela.
—Então o que é?-cruzei os braços.
—Sou digamos que -ele ficou de frente para mim -Sou seu protetor, um amigo de ... anos!
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