A maldição do laranjal
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Primeira história de terror, não vou prometer sustos e arrepios, mas vou tentar por medo em vocês heuheu
Bem, espero que gostem, e quero comentários, ok?

Eu nunca morei em uma cidade grande, o que já é bem degradante. Imagina me mudar para uma cidade menor ainda? Ninguém merece, é desprezível.
Já faz três dias que estou nesse lugar chato. Ainda nem saí de casa: por falta de tempo e de motivos.
As aulas começam hoje, para ocupar ainda mais minha cabeça, se já não bastasse à mudança.
Se eu era um garoto rabugento, agora me tornei pior, como aqueles velhos de 70 anos que abandonam em asilos. Pois bem, positividade (disfarçada por um sorriso maníaco), meus pais não vão embora mesmo, por mais que eu insista (são três dias de pura insistência, incluindo joelhos no chão, fora os dias de insistência na minha antiga cidade).
- Mãe, anda logo, se não vamos nos atrasar.
- Pare com isso menino, você tem um par de pernas, pode muito bem ir andando sozinho!
- Mas está frio lá fora. Mal cheguei à cidade vou ficar doente? Já me basta estar aqui.
- Não reclame de barriga cheia garoto. Vai ter de ir a pé agora. — Ela não conseguiu conter o riso.
- Pare de brincar mãe, me leva logo, por favor. — Pedi.
- Não vou te levar, aliás, estou atrasada, você não. Estou indo para o trabalho, boa sorte na escola. — Ela beijou o alto da minha cabeça e saiu andando com suas pastas na mão e seu cabelo castanho chocolate liso amarrado em um choque alto perfeito, que destaca ainda mais suas feições e seus olhos cor de âmbar. — E vá com um casaco limpo. — Ela saiu porta a fora.
Meu pai desceu as escadas com sua costumeira cara de escritor preguiçoso que se forma por seus olhos azuis e profundas olheiras que se emolduram por seu cabelo preto cacheado, só por isso dá para perceber que ele acabou de acordar, sua roupa também diz tudo: camiseta branca, short azul xadrez e meias nos pés, um verdadeiro duende do sono.
Eu sou uma espécie de mistura dos dois, tenho cabelos castanhos chocolate, olhos azuis, 1,72m de altura, não sou gordo, mas também não sou nenhum palito de dentes.
- Pai você vai me levar para escola.
Ele parou no degrau onde estava.
- Vá com sua mãe.
- Ela já saiu.
- Se não temos o carro, como vou te levar? Ainda precisa que lhe deem a mão para atravessar a rua?
- Não precisa. Infelizmente vou ter que ir a pé.
Passei por onde meu pai se encontrava e peguei meu casaco preto de capuz e também meu fone de ouvido. Como estou com a camiseta do uniforme, só desci as escadas, me despedi do meu pai e fui para escola.
Achei estranho me lembrar tão facilmente do caminho, cujo só passei uma vez, quando cheguei na cidade.
O caminho se forma por ruelas de pedra (nem asfalto tem aqui!), construções antigas, algumas casas que parecem sair daqueles filmes que se passam no início do século passado misturadas com algumas poucas construções recentes (essa cidade parece não ter sido completamente atingida pelo progresso).
Saindo fora da cidade, fui caminhando pela estrada de chão rodeada por imensas árvores. Até que é confortante.
Por um pedaço de cerca, pude ver novamente o laranjal, que por sinal, é um lugar bem fora do comum: suas árvores são plantadas perto umas das outras, o que deixa o local muito sombrio. Ele não fica muito longe da escola, mas não é colado a ela também.
Andei mais um pouco pelo caminho cheio de terra que está sujando meu tênis branco.
É algo incrível eu ter vindo do outro lado da cidade em apenas 40 min. Consegui chegar à pequena escola assim que o sinal tocou. Além de ser um local pequeno, não há muitos alunos (só se a grande maioria faltou).
Passei na secretaria para deixar os documentos para finalizar a minha matrícula.
Ninguém me guiou até a sala, a “simpática” moça que me atendeu, disse que não seria coisa difícil encontrá-la. A minha é a sala número 12 (acho que sei por que a senhorita “simpática” não me trouxe até aqui), eu entrei, mas ainda não tinha professor na sala, e os poucos alunos (cerca de uns 15) que estavam espalhados pela sala cheia de carteiras vazias, conversavam animadamente entre si, como de costume em qualquer escola. Atravessei-os como um vagante invisível, ninguém demonstrou ter percebido minha presença. Sentei-me em uma cadeira ao fundo da sala, nada encostado à parede, apenas uma carteira na fileira do meio.
O professor entrou na sala, é um velho de, aparentemente, uns 50 anos, com seus poucos cabelos escuros misturados ao seu ralo cabelo branco e um bom inicio de calvície; como nos filmes estadunidenses, ele está usando uma camisa vermelha xadrez, calça social marrom, terninho de camurça da mesma cor da calça, mocassins marrons muito bem engraxados e óculos de armação quadrada, preta e lentes com grau avançado.
- Bom dia alunos. Recebi a notícia que um novo aluno ingressaria em nossa classe. – Ele mexeu em alguns papeis em sua mesa, quando achou o que procurava anunciou: — Othelo Bartholomeu Ferreira Brandão, você está aí? – Que velho maldito! Falou meu nome inteiro.
A sala inteira procurou curiosamente por mim, em poucos segundos, os poucos alunos estavam com seus olhos vidrados em mim, eles me penetravam como grandes agulhas.
- Othelo Bartholomeu Ferreira Brandão? Responda-me!
Ergui o braço timidamente “um gesto desnecessário”, pensei “todos já me viram, estarei fazendo papel de bobo”. –Estou aqui. – Falei num sussurro.
- Se apresente. – O resquício de velho carrancudo se esvaiu, ele me deu um sorriso como bad boy sarcástico. Assustador.
Levantei da carteira e estava prestes a arriscar a dar um passo...
- Não precisa vir aqui, se apresente daí mesmo. – Ele se recostou em sua mesa, ele como todos outros alunos me olharam como se eu fosse um experimento cientifico, um sapo pronto para ser dissecado.
- O-olá, como vocês sabem sou Othelo Bartholomeu prefiro que me chamem de Lou. Tenho 15 anos. Mudei-me de Terra Roxa para cárecentemente, não faz uma semana. — Sentei-me. Acho que minha rápida apresentação foi satisfatória, eu não preciso sair por aí contando minha vida inteira desde que eu nasci.
- Bem vindo ao 1º ano. — Todos os alunos falaram juntos e preguiçosamente.
- Sou o professor Décio, dou aula de todas as matérias. Vou fazer a chamada, assim Othelo vai poder saber o nome de cada um de vocês.
Conforme o professor foi chamando, os alunos levantavam as mãos. No final, eu não lembrava o nome de ninguém, não que fizesse questão de saber.
Alguns alunos vieram falar comigo, tive que fingir lembrar o nome de todos, principalmente por eu não ser bom com nomes.
No recreio eu fiquei na sala, estava sem fome para ir lanchar, mas eu não sou o único a estar aqui, há uma dupla de garotos (um ruivo, gordinho e não muito baixo – ele está de costas para mim, por isso não sei direito como é o seu rosto -, o outro tem cabelos e olhos castanhos, é o oposto do outro: alto e magro. Se não me engano, um deles se chama Erick).
Uma garota de cabelos loiros bem claros (quase brancos), olhos laranja como o céu no fim de um dia ensolarado, ela é de altura mediana, chegou à sala no meio do recreio e parou em frente a minha carteira.
- Aqui é meu lugar. – Disse rispidamente.
- Pelo menos por hoje, vai ter que procurar outro.
- Mas eu sempre sento aqui! – Ela parecia estar prestes a chorar.
- Não adianta fazer birra, sente-se ali. – Apontei para o lugar vazio ao meu lado esquerdo.
- Mas aí é o meu lugar! – Choramingou.
- Caramba, é só um dia. Você nem vai ficar tão longe dele.
- Tudo bem, mas se amanhã você estiver aí, eu não vou hesitar em fazer qualquer coisa para você sair.
Caramba, menininha bizarra.
- Aliás, quem é você? – Ela perguntou.
- Sou o novato, Lou.
- Meu nome é Lea. Engraçado, não?
- O que?
- Seu nome começa com “L” e tem três letras, como o meu. – Ela sorriu.
- Ah, não – sorri -, meu nome não é Lou, é Othelo, Lou é só apelido.
- Ah, desculpe. – Ela corou e seu sorriso se transformou em algo tímido e sem graça.
- Tudo bem contigo? Você não parecia muito bem quando entrei.
Comecei a devanear sobre minha vida e cheguei à conclusão de que, a solidão que eu tanto acho desprezível, às vezes me cai bem: é melhor estar sozinho mesmo se sentindo triste com isso, a estar com alguém e fazer mal a essa pessoa.
- Lou, tudo bem? – Lea perguntou novamente.
- Estou sim, Lea. – Dei um sorriso torto forçado.
- Depois da aula, vai ter agronomia, minha matéria favorita. – Ela parece animada, mas de certa forma ela tem uma pontada de tristeza nos olhos, que, para pessoas como eu, não se esconde atrás de um belo sorriso.
O sinal tocou, Lea foi para seu novo lugar e sentou-se com uma postura extremamente correta – apesar de estar movendo a cabeça para os lados de uma forma estranha, como se estivesse tendo um tique (isso só reforça o fato de ela ser bizarra).
Os alunos começaram a regressar a sala. Diferente daquele filme “Tente socializar o novato para que ele saia saltitando por campos floridos junto com os outros”, os alunos agiram com indiferença, como se eu fosse “o menino antissocial que não faz amizade”, acho até melhor, é um saco ter um monte de estranhos te bajulando.
Professor Décio começou a passar tarefas no quadro, copiei desanimadamente cada uma delas e as resolvi apressadamente.
Pelo que Lea falou, não vou embora 11 h, droga, estou morrendo de fome (como um jacaré na Lua).
Como será essa tal aula de agronomia? Só espero não ter que mexer com “adubo” — termo usado para enfeitar “bosta de vaca” (Ok sou um garoto, e não sou nenhum gay ou coisa do tipo, mas isso não significa que eu tenha que colocar a mão na merda).
O sinal tocou, a minha sala foi a única a ficar (parece que hoje é o dia que ela fica responsável pela manutenção diária do laranjal).
Notas finais
Ficaria muito feliz se você, leitor(a), acompanhasse.
Até o próximo capítulo! :)
p.s.: me desculpem se tiver algum erro ortográfico, qualquer coisa me avisem que eu reviso depois.
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