A maldição do gato
2 Dor
Notas iniciais
Chat Noir não sabia quem era essa tal de Ladybug. Ele até sabia que existia um miraculous da joaninha, mas não fazia ideia de que alguém estava usando. Podia jurar que só ele era um portador de miraculous no momento. Bem, ele e Hawkmoth. Já dizia Mestre Fu que era perigoso colocar vários miraculous em circulação.
Chat Noir não podia compreender porque, se Hawkmoth queria tanto o seu miraculous, não tinha pegado ele ainda. Aparentemente, Nathalie dizia que valia mais a pena pegar o anel depois que ele já tivesse aberto a boca sobre Ladybug.
Talvez Chat Noir tivesse entregado ela se soubesse algo para dizer. Ele já havia pensado em mentir, mas Hawkmoth sempre sabia quando ele criava algo. Simplesmente queria acabar com seu sofrimento. Seja lá quem fosse Ladybug, ele a odiava por fê-lo sofrer assim.
Adrien sabia que só precisava aguentar até a noite. Conseguiu avisar as escondidas sobre sua captura e o Mestre disse que enviaria algum portador para resgatá-lo. Tentariam outro meio de chegar a Hawkmoth, aquele não havia funcionado. Pelo menos, agora sabiam sua identidade.
Talvez isso fizesse ele não conseguir dormir à noite, por medo do aparecer e lhe fazer mal como lhe fazia agora. Talvez fosse bom, pois sabia que devia temê-lo e tomaria algumas precauções. Se sentia imprudente por seus hábitos descuidados agora.
Só mais um pouco... Só mais um pouco... Era o que pensava a cada soco, a cada corte, a cada choque, a cada torção, a cada esticamento. O resgate já vem...
...
Ladybug estava com medo de olhar seu gatinho. Sabia que Hawkmoth tinha tratado ele muito mal. Acima de tudo, sabia que não era para permitir que ele saísse nessa missão. Ela sabia que Chat Noir era forte, mas pensar nele como Adrien não ajudava. E agora, seus piores tormentos se realizaram.
Ela temia por Chat Noir. Temia nunca mais ouvir uma piada dele, nunca mais ouvir uma cantada dele, nunca mais ter sua mão beijada por ele. Foi só um dia, mas sentia como se tivessem sido anos. Um dia era o suficiente para Hawkmoth ter machucado seu gatinho de formas desastrosas... E pensar que admirava Gabriel Agreste...
Por estar vendo Gabriel como um monstro que torturou seu amado, sentia que ele seria um monstro que a prenderia também e torturaria ela também. Achava que seria uma missão perigosa e já sentia medo do que viria. Então, sentiu-se surpresa quando viu que não havia ninguém vigiando Chat Noir.
Ela sabia que ele devia estar muito fraco para conseguir escapar agora, talvez por isso deixaram fácil o acesso a ele. Mesmo assim, era estranho. Hawkmoth poderia ter previsto sua ida. Talvez achasse que sua prisão anti–cataclismo fosse o suficiente para deter seu talismã.
O local onde o prenderam estava bem claro, Ladybug achou que era uma armadilha de tão fácil que pareceu ser chegar em Chat Noir. Porém, assim que chegou, percebeu que seja lá o que o Guardião tinha dado a Adrien havia funcionado. Hawkmoth havia desistido.
Usou seu talismã várias e várias vezes para conseguir driblar a prisão de Gabriel. Ela sabia que seria trabalhoso e Adrien estaria machucado e fraco demais para ajudar. Trouxera bastante comida para poder alimentar Tikki, sua kwami. Exigiu muito do seu raciocínio ter que usar diferentes talismãs um depois do outro, mas salvar Adrien era motivação para tudo.
Ladybug não sabia porquê Hawkmoth queria tanto os seus miraculous, porém ficou horrorizada com o quanto ele estava disposto a lutar por eles. Chat Noir estava em farrapos. Sentia que Hawkmoth havia atropelado ela com um rolo compressor e arrastado seu corpo por um chá cheio de lajotas. Engoliu em seco pensando que ele realmente podia ter feito isso com Adrien.
Ela carregou ele em seu colo e o levou para a casa do Mestre Fu. Era estranho salvá-lo e não levá-lo para a casa. Na verdade, ele o salvou de sua casa. Coitado. Marinette prometeu a si mesma que, se Adrien concordasse em ficar com ela para sempre, ela seria uma família melhor do que a que ele tinha. Jamais tratariam seus filhos como Gabriel o havia tratado. Ele devia estar traumatizado.
Ela o abraçou com ternura, até que Chat Noir seu um urro de dor e saiu de perto. Até cair novamente. Ladybug o carregou sentindo toda a dor que ele sentia junto dele, seu amor ampliava sua empatia.
Ao chegar no lar de Mestre Fu, ele indicou uma cama. Ladybug o arrumou lá, ouvindo Adrien agonizando. Quando ele estava pronto para descansar e se recuperar, Ladybug saiu. Pôde ouvir sua destransformação e seu suspiro de alívio. Naquela noite ela dormiu preocupada. Prometeu a si mesma que voltaria amanhã para ver os resultados da cura de Mestre Fu.
Sua missão agora era dar um jeito de não preocupar Gabriel com o sumiço do filho. Não seria fácil, mas talvez nunca mais dormisse em paz se lembrasse que Adrien dormia lá. Queria ele com Mestre Fu. Enganar Gabriel por um dia era o seu objetivo mais importante agora.
...
Adrien acordara bem mais disposto naquele dia. Não sabia quem era a nova portadora que Mestre Fu, porém estava muito curioso para saber quem era. Talvez, ganhasse uma nova parceira! Ele tentava não alimentar expectativas, já que sabia que era perigoso ter muitos miraculous em circulação, mas não podia evitar de sonhar com isso.
Mestre Fu estava preparando alguma poção que curaria suas feridas e Adrien que se sentia todo doído e ferido aguardava a benção da cura deitado em seu leito. E a cura era tão eficiente quanto imaginava que seria. Não era algo que o curasse por completo, todavia seus machucados em demasia não permitiriam uma cura rápida nem com auxílio de mágica.
Não demorou muito para a portadora escolhida por Mestre Fu aparecer para vê-lo. Agora, Adrien sentia-se muito melhor e tinha grande desejo em conhecê-la. Sua ânsia de fazer novos amigos ainda não cessara, mesmo agora que podia ir à escola e tinha conhecido Alya e Nino.
Adrien foi até a salinha para encontrá-la, ele não tinha certeza se deveria fazer isso transformado ou não. Nas raras vezes que havia trabalhado em dupla, ele sabia a identidade do parceiro, mas só porque ele quem havia dado o miraculous. E, de qualquer modo, não sabiam a dele. A garota estava destransformada, então ele supôs que não haveria problema.
Ele logo foi cumprimentá-la, muito ansioso. Ela parecia uma garota determinada e ele mal podia eesperar para trabalhar junto dela para capturar Hawkmoth. Pensar nele como seu pai era assustador e ele fazia ele tremer, por isso tentava evitar de pensar assim... Pensar que seu pai que o feriu...
A garota estava chorando, parecia emocionada com suas feridas. Talvez ela fosse uma de suas fãs, já que ele era um modelo famoso, e por isso se importasse com ele mesmo sendo um estranho. Ela correu para seus braços e foi um abraço desesperado e consolador. Adrien poderia ficar abraçando-a para sempre se uma imensa dor de cabeça não o tivesse o atingido como um tiro.
—Meu gatinho está bem? — perguntou a garota preocupada
Ele se esforçou para prestar atenção no que ela dizia, mas a dor era muito forte. Ele gemia de dor.
—Adrien?! — ela começou a ficar desesperada –Oh, não! Deite-se, eu... Eu vou fazer algum chá... O que você sente?
—Uma dor de cabeça muito forte... — disse quase sem forças
Ele achou que a gentileza da garota com um estranho era muito exagerada. Ela parecia ter uma preocupação genuína, como se conhecesse há anos. Ela tinha pureza no coração, o que fazia dela uma portadora perfeita para um miraculous.
Adrien se deitou e ela foi em direção à cozinha de Mestre Fu preparar um chá para aliviar sua dor.
...
Marinette estava muito preocupada com seu amado. Ele parecia estar sofrendo muito, ela só poderia imaginar o trauma que era para ele ter sido machucado daquela maneira pelo seu próprio pai. Ela não sabia o que fazer, só queria voltar no tempo e impedir que ele passasse por tudo isso.
Quando ela voltou com o chá, Adrien parecia bem melhor, ela sorriu.
—Você parece bem melhor! – disse alegre lhe entregando o chá — Que bom!
—Obrigada por se preocupar tanto assim comigo...
—Tudo por meu gatinho – pela segunda vez, Marinette não percebeu o estranhamento dele ao seu chamado assim
As mãos de Adrien mal tocaram as suas e as dores já voltaram. Os dois acharam isso muito estranho, a dor ter passado assim no nada e voltar com a mesma intensidade de antes minutos depois. Marinette torceu para que o chá fizesse efeito e sentou-se em algum lugar com um banco na sala em que estavam.
Ela sorriu ao ver que chá parecia estar fazendo efeito, já que as expressões de dor diminuiram um pouco quando ele começou a bebericar seu chá Era uma receita especial do pai da garota e ela sempre achou mágicos os efeitos.
Ao terminar, Marinette se levantou para pegar a caneca da mão dele antes que ele se levantasse para fazer isso. Ela não queria que ele tivesse mais esforço do que o necessário. Secretamente, ela temia opróximo ataque de akumatizado fosse fatal para ele.
—Espere! — Adrien pediu com esforço -Se afaste um pouco.
Marinettte, confusa, fez o que ela havia lhe pedido.
—Eu sabia! A dor de cabeça não é culpa de meu pai, é sua! Sempre que você chega perto, volta a doer e sempre que você se afasta para! Fique longe! – disse em tom acusatório
—Adrien, meu gatinho... — disse Marinette horrorizada e magoada –Sou eu, Marinette... Eu jamais te faria mal...
—Eu não sei quem é você, mas se realmente se importa comigo, se afaste... Por favor... — implorava ele
Marinette se afastou chorando:
—Como pode não saber quem eu sou... Eu sou Ladybug... A garota que você disse que amaria sem importar quem fosse...
Nesse ponto, Mestre Fu chegou com a poção e ao ver a cara de choro de Marinette já percebeu o que estava havendo:
—Marinette— disse docemente -Não chore. — pediu após entregar a poção a Adrien, que a bebeu em um gole –Se a culpa é de alguém, é minha. Eu dei a ele a poção do esquecimento.
—Poção do esquecimento?! — ambos estavam revoltados
—Então ele esqueceu quem eu sou, o amor que tem por mim e sente dor na minha presença por sua causa?! — Marinette estava furiosa
—E eu conheci o amor da minha vida e esqueci ele por sua causa, e agora ela está sofrendo por isso?! — Adrien também estava revoltado
—Calma, crianças. Só desse modo você estaria segura, Marinette. Por mais que Hawkmoth o forçasse a falar, ele não poderia revelar nada sobre Ladybug. E existe um ativador, Adrien irá se lembrar de você assim que ele acontecer.
—E qual é?! — perguntaram eles desesperados
Marinette queria seu amor de volta e Adrien só queria que as dores da aproximação dessa tal Marinette passassem.
—Eu não sei! — disse Mestre Fu na defensiva –Foi Adrien que escolheu. É claro que agora ele será incapaz de lembrar-se, porém é um marco de que tudo está bem novamente.
Mestre Fu se afastou e guiou os jovens até a saída. Só eles poderiam resolver o problema agora.
...
Ladybug e Chat Noir pulavam pelos telhados de Paris preocupados. Tinham muitas coisas para resolver.
Naquele momento, Ladybug contava a Chat Noir quem ela era e qual a relação que os dois tinham e Chat Noir se esforçava para ouvir, pular pelos telhados e suportar a dor de cabeça terrível que a proximidade dela causava ao mesmo tempo. Ambos mal viam a hora do ativador acontecer.
A cabeça de Ladybug não parava de pensar no que poderia ser e torcia para que fosse algo que aconteceria logo.
Pelas histórias e pelo olhar de Ladybug, Chat Noir sabia que tudo que ela dizia, além de ser verdade, tinha um significado especial para ela. Ele não conhecia ela direito, todavia não queria magoá-la. Fosse pelo passado que ela afirmava que os dois tinham fosse por já ter visto que ela era uma pessoa de valor.
A dor de cabeça era muito forte, Adrien achava que cairia a qualquer momento, já que não conseguia se concentrar em nada. Só se acalmou quando chegaram na mansão Agreste. Ele mal via a hora dela ir.
Por mais que soubesse a história deles e o quanto Marinette gostava dele, tudo que Adrien queria era que a dor de cabeça passasse. Era alucinante, o suficiente para esquecer momentaneamente que estava entrando na casa de um inimigo. Aquele que fez tudo isso, incluindo esquecer de Ladybug, com ele.
Se despediram e combinaram de se reencontrar. Marinette sabia o quanto tudo isso devia ser doloroso para ele e não queria forçá-lo a nada, porém queria muito ficar junto de seu amado namorado. Ao ver que ele estava disposto a encarar a dor de cabeça mortal que sua presença lhe causava, Marinette sorriu por dentro.
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