A maldição da Sucessão

29 Capítulo 29: O aniversário.


Notas iniciais
- Olá, desculpem o atraso do capítulo. Para compensar vou tentar postar mais um capítulo esse final de semana. — Comentem!

Ela não contou para ninguém, virou o mês desde da descoberta e ela ainda não contou para ninguém. Ainda não é uma realidade para ela.

Ela está fugindo de alguém que quer lhe matar, escondida numa casa trouxa, seu pai está foragido de Azkaban e sua mãe se recusa a falar com ela. O pai de seu filho, “seu antigo inimigo”, é como estivesse prometido para se casar. Que futuro ela tem para dar para a criança? Um nome de família manchado, ser um filho bastardo de Harry Potter ou não saber a identidade do pai. Esse não é o futuro que ela planejou, nada disso está sendo como ela planejou.

— Você está gostando de seu aniversário? – pergunta Daphne entregando um pedaço de bolo confeitado.

Com a virada do mês, o sol da primavera do dia 04 de Abril chegou aquecendo os habitantes de Hunstanton o suficiente para fazê-los sair de suas casas e visitarem o parque de diversão na costa e a praia onde o sol se põe sobre o mar, os paredões íngremes avermelhados colorem a areia e as pedras. E o naufrágio, o barco destruído de anos atrás, preso na areia completam a paisagem da praia para belas fotos. A primavera pode ter animado os habitantes e os turistas, mas nem um sol ou flores pode fazê-los arriscarem a sair do esconderijo para se pôr à vista na praia ou no parque onde qualquer bruxo pode estar. Já está cansativo ficar trancado na pousada sem sair e ficar inventando novas justificativas para o motivo de não saírem, porém todo cuidado é estritamente necessário. Ou em outras palavras:

Nulla est Magus

Com somente esse feitiço que Draco aprendeu enquanto viajava tornou a pousada inexistente para bruxos. Bruxos não ouvem, não enxergam a pousada e não podem localizá-la. O feitiço é poderoso o suficiente para confundir feitiços de rastreamento, já que os feitiços são feitos por bruxos e para bruxos, e não se dá para localizar algo que não existe para eles. Por isso, a pousada continua a ser visível para os trouxas, e por isso eles não podem sair, já que podem não encontrar a pousada novamente sem o auxílio de um localizador que Draco deu a elas, ou sem o guiamento de um trouxa.

A soma de mais dois feitiços Protego Totalum e Salvio Hexia, eles estão protegidos por um escudo, salvos de feitiços, insonoros, invisíveis e prevenidos de uma visita inesperada com o feitiço anti-aparatação.

E com esse cuidado excessivo que Pansy passou dias estudando minuciosamente cada movimento da avó de Grace, Hulda, depois do ocorrido na cozinha. O acontecido na cozinha acendeu uma desconfiança. O que a senhora disse, a forma como foi dito e o estado como ela estava. Foi completamente estranho e incomum para o mundo trouxa, mas não para o mundo bruxo.

Ou a idosa, Hulda, como foi dito tem demência ou supostamente tem algum poder mágico. Ambos os casos, não deram evidências claras até o acontecido na cozinha. Mas Pansy não saberia dizer qual das opções parece ser a mais lógica, já que a avó de Grace foi a primeira idosa trouxa que ela teve contato, e também ela tem certeza que consegue identificar um bruxo logo de primeira. Ela está precisando sair da pousada dos trouxas.

— Eu iria gostar mais se tivesse cinco anos. – resmunga Pansy antes de levar um pedaço do bolo de creme com coco à boca desviando seu olhar da idosa.

— Pelo menos tente sorrir. – provoca Daphne arrumando seu chapéu pontudo de aniversário. – Ou dizer: Obrigada, Daphne, pela festa e bolo.

Não tem a menor possibilidade de ela aproveitar seu aniversário, não quando tem tanta coisa tirando seu bom humor. Ela quer tanto uma bebida alcoólica, um cigarro ou comprar alguma coisa cara. Ela quer o mundo mágico.

— Hora dos presentes! – anuncia Grace feliz entregando uns embrulhos para ela. – Esse é meu, da minha mãe, da minha avó e de Daphne.

Pansy acena com a cabeça em agradecimento para a senhora de cabelos brancos sentada na poltrona, Hulda, que nem mesmo está olhando para ela e para a mulher corpulenta de cabelos vermelhos vestindo o avental em pé, Sarah, mãe de Grace.

Desembrulhando os presentes ela encontra uma um gatinho de pelúcia branco, um conjunto de boinas de três cores diferentes, ela não usa chapéu desde dos 13 anos, e um frasco de perfume fragrância chocolate.

— Daphne deu dicas do que comprar. – conta Grace piscando seus olhos verdes em entusiasmo. – Ela disse que te devia um urso de pelúcia por ter estragado o seu.

Na verdade, as duas quando crianças haviam inventado de experimentar suas magias em uns dos bichos de pelúcia de Pansy, o que acabou num desastre, elas não sabem como, mas elas conseguiram incendiar o animal de pelúcia.

Astória é a próxima a se aproximar com um presente. Pode não estar aparente para um olhar desatento, mas para Pansy que vem acompanhando de perto percebe de longe uma pequena elevação no estômago de Astória e isso a deixa cada vez mais apreensiva. Talvez em poucas semanas o seu estômago comece a aparecer também.

Ela como todos os bruxos conhecem os métodos seguros de interromper uma gravidez indesejada, mas raramente é usado já que os métodos contraceptivos são eficazes para impedir uma gravidez indesejada, ou eram.

Houve casos que ela ouviu sobre bruxas interrompendo a gravidez. Para isso, é necessário a ida ao um hospital mágico para conseguir a permissão de um medi-bruxo e a realização do procedimento deve ser feito nas semanas inicias da gestação.

Mas é isso que ela quer fazer? Interromper.

Crianças bruxas como foi ensinado são únicas, raras e devem a todo custo serem protegidas. Elas são o futuro do mundo bruxo, a criança em seu ventre é o futuro de sua família, embora não seja um sangue puro. Além disso, tudo o que Astória contou na noite do chá mexeu um pouco com ela de uma maneira que ela não sabe explicar.

Abrindo o presente ela encontra uma caixinha de madeira que contém um trenzinho vermelho e uma montanha com um túnel, ambos feitos de madeira.

— É uma caixinha de música. – explica Astória.

Ela dá corta na caixinha para o trenzinho começar a andar piscando enquanto entra e saí do túnel da montanha ao som de uma musiquinha.

Astória está com um sorriso radiante enquanto assiste o trenzinho, o mesmo sorriso da menina doce de laço na cabeça que brincou de bonecas com Pansy. O sorriso que ela dava para o teatro sem graça de fantoche mágico que Daphne e Pansy faziam, o sorriso que Pansy espera que o filho de Astória e Draco tenha, se for considerar a previsão de Grace como real, e também que herde as feições e a doçura da mãe. O mundo já teve o suficiente dos homens Malfoy.

A Grace e sua mãe começam a recolher pratos sujos e Daphne tira as bexigas e o enfeite da pequena festa surpresa que elas planejaram. Pansy pensa como tudo seria facilmente resolvido com um aceno da varinha.

— Fui eu que sugeri dar uma caixinha de música. – informa Astória fazendo Pansy olhar com mais atenção a caixinha de música. – Daphne escolheu essa, pois a fez se lembrar do expresso de Hogwarts na primeira vez que viu.

Olhando agora com essa informação, Pansy também acha o trenzinho parecido com expresso de Hogwarts.

— Eu enfeiticei para que toque qualquer melodia que você comece a cantar e também faz você cair no sono. – confidencia ela num tom baixo.

— Cuidado com que vai cantar. – avisa Daphne quando Grace e sua mãe vão para a cozinha. – Porque irá tocar sem parar até você cair no sono. Eu falei que enfeitiçar para tocar qualquer música incansavelmente pode ser útil porque não é repetitivo, mas pode ser irritante se você cantar uma música horrível.

— Falando sobre as coisas enfeitiçadas. – acrescenta Pansy vendo a oportunidade perfeita para perguntar. – O padrasto da Grace era um bruxo, não era?

Daphne é pega desprevenida, ela olha para os lados antes de voltar para Pansy.

— Ele era um aborto. – responde Astória ainda fitando o trenzinho.

— Aborto? – repete Pansy. – Então os pais dele eram bruxos.

— Sim, você conhece a mãe dele, é Hulda, a avó de Grace. – aponta Astória para senhora encarando o vazio antes de bocejar. – Ela é avó de consideração de Grace. Ele casou com a mãe de Grace quando ela era criança e quando ele morreu a pousada ficou para elas. Daphne me contou tudo depois que fui questionar ela sobre o ocorrido na cozinha. Eu vou parar a caixinha.

— Eu não esqueci de contar para vocês. – Daphne arruma as bexigas na mão enquanto Astória tira discretamente a varinha da manga. – Eu só não quis contar. Queria que vocês tivessem a experiência de conhecer trouxas sem indícios de magia.

— Mas a idosa é uma bruxa. – Pansy está perturbada por não ter identificado uma bruxa do meio de todos os trouxas. – Ela é vidente?

— Bem, sim. – salienta Daphne. – Foi ela que ensinou a Sarah e a Grace a ler cartas e a mão. É claro que ela não contou a principal habilidade que precisa para fazer essas coisas. – ela solta uma risada. – E sim, aquilo que aconteceu na cozinha foi uma visão. Depois que o filho dela morreu num acidente ela nunca mais praticou ou fez magia. Porém, as visões continuaram ocorrendo e os trouxas começaram a achar que ela tinha demência.

— Se ela é uma bruxa por que a Grace e a mãe dela parecem não saber sobre o mundo mágico? – Pansy questiona.

— Hermes, o padrasto da Grace disse que não fazia sentido contar para elas sobre um mundo na qual elas nunca vão fazer parte. – conta Daphne. – Que eles nunca irão fazer parte. A primeira vez que vim para essa pousada pensei que fosse de bruxos por causa do nome. Você não sabe como foi grande a minha surpresa ao saber que não era de bruxos. Enfim, fiquei confusa na época com o dinheiro trouxa e foi quando conheci o padrasto da Grace, ele era dono dessa pousada e percebeu na hora que eu era uma bruxa por eu ter dito sobre o quanto era desrespeitoso a pousada se chamar mágica quando pertence aos trouxas e também eu acabei entregando um galeão por acidente. Ele me ajudou com a troca do dinheiro bruxo e me deu o emprego aqui.

A informação sobre a idosa ser uma bruxa deu uma explicação sobre o que tinha acontecido na cozinha, porém criou outras dúvidas. Se a idosa é uma bruxa vidente e aquilo que aconteceu na cozinha foi uma visão. O que significa? E sobre a leitura da carta que Grace fez?

— Você tem certeza que Grace não é uma bruxa? – reforça Pansy.

— Tenho. – afirma Daphne. – Por quê?

— Tenho que falar com vocês. – comunica alto Draco surgindo das escadas após ter saído por meia hora.

O tom sério mostra ser algo importante. Ele indica para que elas o sigam para o lado de fora, a varanda.

— Olhem isso. – Draco pousa na mesa de jardim um exemplar do Profeta Diário e três cartazes de procurados. Não antes de checar se alguém está por perto.

— Onde você conseguiu isso?! – pergunta Daphne agarrando um cartaz.

Pansy reconhece sua foto estampada em um dos três.

— Estão nos procurando. – fala ela para si mesmo. – Então minha carta não foi convincente.

— Eu já esperava isso. – declara Draco fazendo Pansy revirar os olhos. – Por isso, aqui estão as identidades falsas que venho trabalhando.

Draco estende três identidades bruxas.

— Esse é o plano de vocês? – Daphne está desacreditada. – Sair do país como fugitivos e residir em outro país com identidades falsas. Essa é a vida que você pretende dar para seu filho, Draco? Para meu sobrinho? Uma vida igual a sua? Quer dizer, pior que a sua?

— E que outras opções você tem para mim, Daphne? – Draco rebate grosseiro. – Eu sou todo ouvidos. Mas se essa opção é passar o resto da vida vivendo como um trouxa, eu descarto.

— É uma vida melhor do que viver fugindo ou preso em Azkaban. – rosna Daphne. – Astória está grávida, caso você tenha esquecido. Cada vez que o bebê crescer, cada vez ele irá deixá-la mais fraca. E ela pode sofrer um aborto a qualquer momento, além do mais, ela não pode usar transportes mágicos.

— Você acha que não sei disso! – replica Draco. – O que você acha que venho fazendo trancando no quarto? Brincando? Admirando o maravilhoso mundo trouxa? Eu venho tentando encontrar uma maneira de deixá-la saudável e segura de um assassino.

— Vocês podem parar de falar como se eu não estivesse aqui! — exige Astória acariciando o estômago.

— O assassino que só está ameaçando ela por sua causa, por causa do seu passado. – recorda Daphne soltando o cartaz. – Você me prometeu que a protegeria, Malfoy. Você sabe o que fez e sabe o que tem que fazer.

— Obrigado por me relembrar. – debocha Draco.

— Daphne está certa. – interrompe Pansy estudando sua identidade falsa. Se Daphne e Draco embarcarem numa discussão séria, isso nunca terminará. – Não podemos ir para outro país usando nomes falsos, não poderemos fazer nada com essas identidades. Os nossos nomes podem estar manchados, mas ainda somos herdeiros de propriedades e riquezas.

Ela precisa do seu nome para conseguir um emprego na Macusa, a carta de recomendação estará no nome de Pansy Helena Parkinson, não no nome aleatório de alguma bruxa. Ela não quer ir para América sem o trabalho, ela quer trabalhar no Ministério, mesmo que não precise, pois é lá onde estão os bruxos que ela quer se socializar, bruxos importantes e com poder de influência que pode assegurar um amparo para ela na alta sociedade. Dinheiro não é o suficiente para comprar sua antiga e boa reputação, não depois da guerra.

— Não por muito tempo. – diz Draco.

— O que isso quer dizer? – questiona Pansy.

Draco pega novamente o jornal e o estende para ela aberto numa página específica. Quase imperceptível em letras minúsculas está escrito: “A lei chamada, Bens para o bem, vai a votação nesta semana.”

Pansy ergue o olhar interrogativamente.

— Essa lei vai dar o direito para o Ministério pegar os nossos bens na falta de um herdeiro legítimo. – explica Draco recolhendo o jornal para si. – Pelo que eu entendi, mesmo que houver um testamento que dê o direito para outra pessoa, os bens será do Ministério. É necessário ser um herdeiro legítimo necessário para herdar, um descendente, ascendente ou um cônjuge sobrevivente.

— Eles podem fazer isso? – indaga Pansy.

A perspectiva que o Ministério quer os bens dela já é revoltante por si só, agora considerando a hipótese que o Ministério vai ter o direito dado por lei caso ela seja a última de sua família transforma a situação inadmissível. Ela tem todo o direito de fazer o que bem entender com seus bens, e deixar sua herança na mão do Ministério nunca foi uma opção. O Ministério não deve se meter em algo que não é de sua jurisdição. Essa herança é algo além de dinheiro, é o legado, nome e história de sua família, joias, móveis e quadros e a mansão foram feitos e construídos exclusivamente para sua família, peças únicas, como o sangue de sua família que foi passando para gerações.

Seu pai quase perdeu uma quantia da herança com suas dívidas, mas se não fosse por Theo e seu conhecimento em negociação e sobre o dinheiro guardado em bancos estrangeiros, ela teria que ter dado joias e quadros valiosos para quitar a dívida.

O Ministério não colocará as mãos em mais alguma coisa dela. O Ministério tomou seu pai, seu nome, seu orgulho, isso ele não levará também. A única coisa que sobrou para ela se vangloriar de ter o sobrenome Parkinson, seus bens.

— Não se preocupe, você já está garantindo um herdeiro para sua herança. — expõe Draco. — É verdade, eu esqueci que você vai precisar do seu nome verdadeiro para registrar seu filho ou filha quando nascer. Ou estou errado?

— O quê?! – Pansy encara ele espantada. – Do que você está falando?

— Draco! – repreende Daphne.

— Pela sua reação, indica que estou certo. – garante Draco simplesmente folheando o jornal. – Você está grávida, não está?

Pansy desnorteada olha para Daphne e depois para Astória que recusa encontrar seu olhar. Então ela compreende. Ela descobriu. Foi Astória que descobriu e contou.

— Ele sabe? – pergunta Draco fingindo ler o jornal.

— Quem? – Pansy ainda se mantém encarando seriamente Astória.

— Salazar Sonserina. – retruca Draco áspero. – De quem você acha que estou falando? O pai da criança. Aliás, quem é?

— Isso não é da sua conta. – Pansy braveja se sentindo traída e exposta. – Toma conta do seu próprio filho.

— Você saí andando por aí grávida enquanto tem alguém querendo te matar. – Draco coloca o jornal aberto sobre a mesa. – Acha que vai ficar mais segura com um bebê?

Pansy abaixa o olhar sem mexer o pescoço para onde a mão de Draco está pousada.

Marcus Flint, filho de apoiadores do Lorde das trevas falecidos na guerra, morre após um incidente com uma poção.

Marcus Flint cegado por uma poção caiu sobre as escadas, assim fraturando o pescoço....

— No meu último contato com Marcus, ele citou algumas ameaças que estava recebendo anonimamente. – relata ele. — Eles encontraram o corpo de Greg enterrado no cemitério da mansão Malfoy. Estou realmente sendo incriminado por ser suspeito da morte do Nott e Gladstone, e agora posso estar sendo incriminado por ajudar um fugitivo de Azkaban e possivelmente de assassinato, de novo.

Pansy aperta as mãos envolta da caixinha de música que ela nem percebeu que trouxe consigo. Ela não se lembra de Marcus Flint, mas a noção que ele pode ter sido mais uma vítima sucedida deixa a situação numa zona maior de perigo.

Draco devagar passa a página do jornal para a sessão de esportes. Pansy identifica a foto do Potter com uma criança em seus braços ao de lado Gina Weasley. Ela desce a leitura: “A apanhadora, Gina Weasley retorna para a sede do time Harpias de Holyhead sozinha sem a companhia de Harry Potter, porém convidados do casamento informaram...

— É dele, não é? – questiona Draco com a voz cortante. – Você está grávida do Potter. Você descobriu por ele sobre a acusação. Sendo ele o chefe só pela boca dele você poderia ter ouvido sobre a acusação antes de tudo mundo, antes da imprensa publicar no jornal. Vocês trabalharam juntos.

Ela não é tão sutil quanto pensa que é. Ela está tão visível assim? Ela pode mentir, mas isso não foi uma pergunta, foi uma afirmação.

— E se for? – zomba ela sorrindo de lado. – Está com ciúmes?

— Estava tão desesperada assim para ser o segredo sujo do Po...

Há um suspiro de surpresa de Astória quando a mão de Pansy encontra a bochecha direita dele. Ela queria ter feito isso há muito tempo, ver a marca avermelhada em sua pele branca, assistir seu rosto arrogante ficar assustado por uma fração de segundos e voltar para ela raivoso.

Ela não será humilhada por ele! Nem por mais ninguém!

— Batendo como uma trouxa em vez de usar a varinha. – cospe ele com desgosto. – Se sente melhor agora?

— Eu posso fazer de novo para mostrar o quanto isso me fez sentir melhor. – ameaça ela a centímetros do rosto dele. — Obrigado pelo presente.

Pai foragido de Azkaban, ameaças, morte do Greg, ela está sendo procurada pelo Ministério, morte de Marcus, Ministério querendo seus bens, gravidez...

Como um problema tomou essa grande proporção?

Pansy fecha porta do quarto e encostada nela fica minutos olhando para o nada.

— Droga! – arremessa ela a caixinha de música na cama com força.

Ela foi uma completa burra em fugir, agora o Ministério tem motivos para acreditar que ela tem algo a esconder. Ela devia ter ido ao Ministério, ter pedido para que abrissem uma investigação de perseguição, ela devia ter falado com Potter.

Não, ele não. Ela não pode contar com ele para nada.

Ela foi completamente idiota em relação a ele, se ela tivesse sido racional e cautelosa ela não estaria em nenhuma das situações que se encontra neste momento. Pensando bem, se for para refletir em tudo o que ela não devia ter feito, a lista será longa e começará bem antes do recentes acontecimentos. Ela tem é que pensar em seus próximos passos com muito cuidado.

Primeiro, ela tem que informar sua a mãe sobre a “Lei dos bens para o bem” e talvez até seu pai esteja escondido com sua mãe na França, assim ela já resolve dois problemas de uma única vez. Ninguém irá procurar ela lá, já que devem ter ido até sua mãe para saber do seu paradeiro, se não tivessem ido, não teria cartaz.

É isso que ela vai fazer!

O resto ela pensará quando chegar na França. Pansy começa a pegar tudo o que é seu que está no quarto e coloca em sua bolsa com o feitiço extensor.

— Quem é? – pergunta ela após as batidas tímidas na madeira.

— Sou eu, Pansy. – a voz de Daphne saí por detrás da porta.

Pansy acena a varinha para a porta abrindo-a.

— Você não sabe o quanto foi maravilhoso presenciar você dando um tapa no Draco. – comenta Daphne após entrar com sorriso de satisfação no rosto. – O que está fazendo?

— Indo para a França. – Responde Pansy escolhendo uma roupa.

— Como assim indo para a França? — Daphne pergunta confusa. – E a gravidez?

— O quê?! Sua irmã não te falou? – implica Pansy puxando uma peça de roupa. – Achei que ela tinha feito um pronunciamento para todos.

— Pansy. – começa Daphne assistindo ela mexendo nas roupas. – Tori só perguntou se você tinha contado alguma coisa, e depois ela me contou sobre o trigo. Eu que comecei a ligar seu enjoo e vômitos, seu comportamento estranho e seus seios estão maiores.

A brincadeira não é suficiente para fazer Pansy parar de arrumando suas coisas.

– Você sabe de quando tempo está? – continua Daphne ao perceber que Pansy não reagiu como esperado. Em outro momento elas teria rido juntas. – O Potter sabe?

Pansy acena com a mão negativamente desviando o assunto enquanto arruma sua maleta de poções.

— Dá para você olhar mim! – reclama Daphne. – Olha, eu vou fingir que você não está agindo feito uma idiota tomando decisões movida por emoções. Como você não contou para nenhum de nós sobre a gravidez devo imaginar que você também não contou e nem pretende contar para o Potter sobre o bebê. Então, o que você vai fazer? Sobre a gravidez?

— E o que você quer que eu diga ou faça, Daphne? – bufa Pansy retornando para a bolsa aberta na cama. – Não é como se Potter fosse soltar fogos de artifício ao saber que tem um outro herdeiro a caminho, principalmente vindo de mim, e ele está muito bem com a ruiva. E no momento a minha preocupação maior é o Ministério querendo pegar meus bens e as ameaças contra a minha vida.

— Então como solução para suas maiores preocupações você pretende ir para França sozinha enquanto tem alguém querendo te matar? – Daphne descrente se põem ao lado de Pansy puxando a bolsa das mãos dela. – Você está ciente que se alguém te matar, mata seu bebê também? Então você de qualquer forma vai acabar perdendo a sua fortuna pela falta de um herdeiro.

— Eu sei! Muito obrigado por me informar. – Pansy fecha a maleta de poções. – De qualquer forma, eu vou para França porque tenho que avisar a minha mãe sobre a lei que vai arrancar nossos bens, tenho que explicar o porquê de ter aurores atrás de mim, mesmo que ela não queira falar comigo, tenho que falar com ela, até mesmo para saber se meu pai entrou em contato com ela. Sobre a questão da gravidez estou deixando para o próximo momento que eu não exija tanta urgência. Então, agora que eu te respondi posso continuar com o meu trabalho ou você vai continuar atrapalhando?

— Sua mãe não está falando com você? – pergunta Daphne. – Por quê?

— Esquece isso. – Pansy penteia uma mecha do cabelo atrás da orelha. O cabelo comprido já está incomodando-a.

— Tudo bem. – suspira Daphne gesticulando com as mãos em sinal de calma. – Antes de você sair por aí viajando para outro país, pense um pouco o quanto é arriscado. O Greg foi morto, e pelo o que Draco disse o Marcus também foi uma vítima. Não é seguro para você partir para a França sozinha.

A porta do quarto é aberta e uma cabeça de cabelos castanhos claros aparece.

— Tori, agora não. – pede Daphne.

Pansy se afasta para a janela dando as costas para Astória e Daphne.

— Eu vim explicar sobre...

— Explicar sobre o quê? – interrompe Pansy sem se virar. – Como você abriu a boca sobre a minha gravidez. O que não era da sua conta.

— Eu não contei sobre sua gravidez. – esclarece Astória. – Eu só o questionei para Draco se ele achava que você estava estranha e...

— Eu quero não saber. – corta Pansy indiferente.

Pansy sente olhar de Daphne queimar em suas costas

— Eu não sabia que ele iria reagir desse jeito. – justifica Astória.

— Será? – ironiza Pansy finalmente se virando para ela. – Não precisa fingir que você se importa com alguém além de você mesma.

Astória permanece com a boca aberta procurando palavras para amenizar outras ditas por ela em um momento de raiva. Ela já devia saber que esquecer não é um hábito para eles, nem perdoar.

— Naquele dia, eu descontei a raiva de outra pessoa em você. – reconhece ela tentado se manter neutra. – Eu não devia ter feito isso.

— Você não devia ter feito um monte de coisas. – Adiciona Pansy.

— Já chega, Pansy! – censura Daphne gravemente.

Pansy está pronta para protestar, mas sabe que brigar com Daphne será uma batalha perdida. Sem outra alternativa ela volta para sua bolsa.

— Por que você está fazendo a mala? – pergunta Astória.

— Ela quer ir para França. – informa Daphne.

— O quê? – exclama Astória. – Isso é loucura.

— É o que estou tentando dizer. – concorda Daphne.

— Pansy. – Hesitante Astória se aproxima. — É melhor nós quatro ficarmos unidos, principalmente agora. Ainda mais com você estando grávida. Eu sei que você está assustada, frustrada e brava. – Continua ela calmamente. – Eu também estou, e acho que não é uma boa hora para nós separarmos. Ficarmos juntos é mais seguro para todos.

Pansy morde o lábio. Talvez ela esteja sendo realmente irracional no momento, movida pelo que acabou de acontecer.

— O mundo bruxo não é seguro para nenhum de vocês agora, nenhum de nós. – adverti Daphne firme. – Ao que me parece agora o Ministério está começando uma guerra pessoal com as famílias de puro sangue e é melhor nenhum de nós estarmos no meio disso. Tudo o que aconteceu, a guerra e supremacia para proteção da linhagem de sangue puro e para manter a salvo o nosso povo e a nossa cultura dos trouxas assassinos e de bruxos traidores, foi tudo uma mentira. Tudo foi por causa do poder, sempre será por poder. E o Ministério agora querendo mexer com famílias de sangue puro não vai trazer boas coisas, e nessa batalha de poder nós estamos em desvantagem. O único poder que podemos ter agora é de dominar as nossas próprias vidas.

— Daphne, eu sei que essa é sua realidade agora e que você gosta de viver como trouxa, o que eu acho uma loucura e falta de senso. – argumenta Pansy. — Mas não me atraiu, eu gosto de usar a minha varinha para tudo e da herança que tenho no mundo bruxo.

— Iremos ter que voltar, isso é um realidade. – admiti Astória sentando na cama e pegando a caixinha de música. – Quanto mais fugimos mais impotentes ficamos.

— Às vezes eu sinto que estou falando com os quadros de Hogwarts. – resmunga Daphne se sentando na cama também ao lado de Astória. – Só pensem com estratégia e inteligência antes de tomarem qualquer decisão.

— Iremos. — garante Astória.

— Só tomem cuidado. – pede Daphne.

— Iremos. – Astória pega a mão da irmã.

Há um silêncio confortável na quarto. O momento poderia ser uma releitura de uma lembrança de infância das três, seria se ambas as três estivessem com bonecas e não preocupadas com ameaças de morte e problemas com a lei.

— Você e Potter? – solta Daphne fazendo careta para Pansy que ainda se mantém em pé ao lado da cama. – Sério?

— Daphne, nenhum cara vai ser atrativo aos seus olhos. – debocha Pansy finalmente se sentando na cama. – Você gosta de mulher, lembra? E o Potter mudou desde de Hogwarts.

— Vocês duas tem um péssimo gosto para homens. – critica Daphne rindo.

Potter e ela não deveria ser uma surpresa incomum. Não quando Daphne está namorando uma trouxa, membros dos Sagrados Vinte Oito morando com trouxas e perdendo seu lugar de destaque. Nada mais pode surpreender, não depois da guerra. O mundo bruxo está cada vez perdendo o sentido ou o mundo bruxo está mudando.

Notas finais
- Perdoem qualquer erro. — O titulo do próximo capítulo é " União".