A maldição da Sucessão
30 Capítulo 30: A União.
Notas iniciais

Com a chegada da primavera algumas flores começaram a florescer no jardim da pousada o que possibilita que elas sejam usadas como enfeites para a cerimônia.
A previsão de Grace estava correta, existe sim uma noiva no futuro de Draco. A noiva que se tornará sua esposa hoje.
Os preparativos para o casamento estão sendo organizados tão rapidamente como estivessem sob algum tipo de magia. O quintal da parte de trás da pousada se tornou o local da cerimônia, uma trave de madeira decorado com flores brancas e uma espécie de cortina branca será o altar onde estarão os noivos que terão aos seus pés um tapete de tricô e velas brancas para iluminar ao anoitecer. As poucas mesas e cadeiras de madeiras já estão postas e prontas para a cerimônia que terá Grace e sua família, além de Daphne e Pansy e alguns vizinhos que contribuíram com a comida.
O casamento não será nada como Astória até mesmo Pansy imaginaram quando crianças e que costumavam a ir, falta o luxo e bruxos. Mas a situação atual exige praticidade.
— Aqui, estão as flores para o cabelo. – avisa Daphne atrás de Pansy que está observando pela janela do quarto o quintal.
Pansy se afasta da janela e se volta para Daphne que está vestindo um vestido esvoaçante de cor verde.
— Eu não vou colocar flores na minha cabeça. – aponta ela para as flores coloridas.
— Não é para você. – Daphne coloca as flores em cima da cama. – É para Tori. Foi ideia da Grace
— Você não devia estar com Astória? – pergunta Pansy sentando na cama e analisando as flores. – Ajudando ela a não ficar nervosa ou encorajando ela a abandonar o Draco no altar?
A anunciação que os dois iriam se casar aconteceu de forma tão inesperada quanto a anunciação da gravidez.
— Como assim vocês não são casados ainda? – questionou Grace impressionada.
Astória sem graça sorriu deixando suas bochechas pálidas rosadas.
— Nós não tivemos tempo para pensar em casamento. – explicou ela. – Tínhamos outras preocupações.
— Me desculpe falar isso, mas vocês são dois idiotas por ficarem adiando o casamento. – falou Grace limpando a xícara. – Vocês vão ter um filho juntos.
— Eles estavam mais preocupados em fazer o bebê. – murmurou Daphne ocasionalmente fazendo Pansy rir.
— Você está certa. – concordou Draco prático.
Todas olharam surpresas para ele.
— O que você disse? – exclamou Astória.
— Não sobre o que a Daphne disse. – explicou Draco. — Sobre nos casar.
— Não estou entendendo. – Astoria abaixou o prato confusa. – Para a gente se se casar precisamos de alguém do ...
— Tenho tudo o que precisamos para nos casar. Testemunhas e um documento. — garantiu Draco simplesmente encarando-a nos olhos e dando um aceno singelo com a cabeça. — Confie em mim.
Draco disse tudo com tanta naturalidade que pareceu que ele já tinha planejado tudo com muita antecedência.
—Então, vamos nos casar. – confirmou Astória sorrindo. – Quando será a cerimônia?
Poderia não estar exposto, mas Pansy acreditou que o medo das consequências da gravidez e a possibilidade que Astória não consiga levar até o final tenha feito sido os motivadores para ele decidir se casar aleatoriamente, além é claro das ameaças de morte. Mais tarde, ela entendeu que era uma situação racional, Draco queria garantir o seu sobrenome para Astória e seu filho, para que ambos tivessem direito a sua fortuna e riquezas. Ele quer garantir que ninguém nomeie seu filho como bastardo e possa subjugar seu direito como herdeiro, como o direito de Astória.
— Ela está vindo para cá. – Daphne organizando as flores. – E eu já tentei diversas vezes fazê-la abandonar Draco. Mas nenhuma palavra minha irá fazê-la mudar de ideia sobre o ele, então terei que aceitar que ele será meu cunhado, pai do meu sobrinho e da família.
Como se tivesse sido lançado um feitiço convocatório Astória abre a porta entrando apressadamente no quarto. Como o usual ela veste um vestido branco simples liso que destaca a pequena elevação no estômago.
— Não consigo fechar o vestido. – fala ela dando as costas para Daphne. – E o vestido está apertado.
— Você está grávida, Tori. – Daphne fecha o zíper. – Tudo em você ficará apertado.
— Por que você não usou a varinha? – questiona Pansy.
Com quase dois meses vivendo com trouxas e a necessidade de esconder a varinha todos começaram a adquirir hábitos trouxas, optando em certas situações em fazer as coisas de maneira trouxa em vez de só acenar a varinha. O que Pansy acha um desperdício total da magia, por isso ela quer voltar imediatamente para o mundo bruxo.
— O que acha, Pan? – pergunta Daphne mostrando para ela a coroa de flores.
— Ficou bonito. – elogia ela passando a mão pelo cabelo.
As semanas se passaram e o assunto sobre a gravidez e Marcus Flint ficou no passado. As circunstâncias requer ações úteis para encontrar maneiras de solucionar as coisas, sentimentos e intrigas estão sendo deixadas para segundo, como sempre.
— Quem diria que os bruxos membros das famílias dos 28 sagrados estariam num casamento feito por trouxas. – comenta Daphne colocando as flores na cabeça de Astória.
— Quem diria? – concorda Pansy ajustando seu vestido. Ela está se sentindo enorme nele. – Se descobrirem vamos com certeza ser deserdados. Meu cabelo está bom?
— Eu já fui deserdada. – relembra Daphne.
— Aqui. – Astória estende o espelho de mão para ela. – Eu sabia que aqui não teria espelho.
Pansy se inclina para pegar o espelho de mão, porém Astória o solta antes mesmo dela enrolar os dedos para segura-lo. O espelho raspa pelo seus dedos e se espatifa no chão.
— Droga! — Ela agarra a varinha e lança Reparo, reparando o espelho quebrado.
— Estão todas prontas? O noivo está lá na sala esperando a noiva dele. – Grace abre a porta vestindo um vestido vermelho que é da mesma coloração vermelha do seu cabelo. – Você está linda, Astória!
— E eu? – pergunta Daphne colocando as mãos na cintura.
— Você sempre está linda. – Grace pisca para Daphne que lança um beijo no ar para ela. – Vamos, o noivo está lá embaixo.
— Tori, espere. – impede Daphne a segurando-a pelo braço. – Embora eu não concorde nem um pouco com sua escolha para marido. Eu estou feliz por você.
Astória sorri indo abraçar Daphne.
— Obrigado. – sussurra Astória. — Eu também estou feliz por você.
Todas descem para encontrar Draco vestido com uma camiseta e calça brancas com um flor no bolso da camiseta.
Ele não devia ter aceitado os conselhos de Grace. O verdadeiro Draco estaria usando a roupa de tecido mais caro que tivesse. Pensa Pansy ao vê-lo.
Ele oferece a mão para Astória com um sorriso brilhante em seu rosto. Poucas das vezes Pansy viu um sorriso tão sincero no rosto dele. Ele a ajuda a descer os degraus e entrega para ela um buquê com várias tipos de flores coloridas.
A cerimônia com toda a certeza não foi o casamento que Draco e Astória teriam se estivessem no mundo bruxo. Os dois caminharam até o altar juntos e com as mãos unidas assinaram a Certidão de Casamento, documento que formaliza a união e um contrato, tendo Pansy e Daphne como testemunhas. Pansy se questionou quando assinou seu nome, onde Draco havia conseguido o documento bruxo, a escrita e detalhes eram reais demais para ser uma falsificação, até produziu uma pequena luz quando todos assinaram, como se fosse um documento real.
Draco e Astória não trocaram as alianças, uma corda foi enrolada em volta de suas mãos unidas, uma substituta para o que é realmente feito em um casamento de bruxos de sangue puro no momento do voto matrimonial. O voto matrimonial, feito com um feitiço que sela os votos para que bruxos não pensem em descumprir ou quebrar, já que a união de bruxos de sangue puro é uma união de bens e famílias que pode ocasionar muitas perdas em decorrência ao um casamento mal sucedido.
Os dois se uniram igual como homem e mulher e cerimônia se encerrou com Grace jogando pétalas de flores neles.
Na verdade, o real voto foi proclamado pelo os dois fora dos olhos dos trouxas. Draco, Astória e Pansy se retiraram por minutos para dentro da pousada para que fosse feito os votos da maneira mágica. Draco e Astória uniram as mãos novamente e Pansy com a varinha declarou os votos que cada um aceitou, e uma fina corrente avermelhada os uniu. E no lugar da aliança Draco prendeu um medalhão de prata no pescoço de Astória, um medalhão igual ao dele.
— Essa música é linda! – aplaude Grace após um dos vizinhos começar a tocar uma música no acordeão depois que todos se sentaram para comer. – Vamos dançar!
Grace puxa Daphne da mesa fazendo ela abandonar o prato de doces.
— Venha dançar também, noivos! – grita Grace direcionando Daphne para uma dança rotativa e saltitante.
Surpreendentemente Draco estende a mão para Astória. Ela nem demora a aceitar a mão dele. Os dois juntos iniciam uma dança lenta, o oposto do ritmo da música e da dança divertida de Grace e Daphne.
Aos poucos a música vai perdendo seu ritmo alegre e o momento romântico se torna melancólico. Pansy já havia dançado com Draco, mas isso o que ela assiste não é somente uma dança. A forma que Astória deita a cabeça no peito de Draco, e como ele responde a essa ação abaixando a cabeça para dar um beijo no topo da cabeça dela com os olhos fechados não é uma dança qualquer, eles parecem estar aceitando nesse momento os votos que fizeram um para o outro. A dança é diferente de uma maneira que ela não sabe explicar. Eles se amam, talvez essa seja a explicação que ela está procurando.
Pansy foi testemunha do casamento Draco Malfoy. A Pansy de 15 anos estaria roxa de inveja, mas a atual está feliz pelo os dois. Ela nunca podia imaginar que Draco Malfoy casaria em uma pousada trouxa e que veria sua melhor amiga beijar uma trouxa e que ela estaria grávida de Harry Potter. Se o mundo quer provar algo para ela, ele está conseguindo.
No cair da noite, Pansy se encontra na calmaria sentada na cadeira balanço da varanda olhando para o pequeno portão de entrada da pousada acariciando com uma mão os pelos preto e branco, macios e longos de Toby que está cochilando ao lado de sua coxa enquanto com a outra ela se alimenta com os doces restantes da pequena celebração.
Ela pensa no passado, em sua mãe e pai e quando começa a pensar sobre planos do futuro e em seu filho. Seu filho, é a primeira vez que ela realmente está se referindo ao que cresce dentro de si como algo que tem rosto, olhos castanhos iguais aos seus ou verdes, cabelos ondulados ou bagunçados, um menino ou uma menina, não somente um feto, um inconveniente. Talvez o casamento tenha tido um efeito nela. Draco saí pela porta de entrada com a camisa branca e calça segurando uma caixinha de prata de cigarro na mão.
— Já acabou a lua de mel?! – Brinca ela mastigando um bolinho de morango. – Astória deve estar tão decepcionada.
Eles voltaram a se falar eventualmente, com palavras monossilábicas e conversas com um minuto de duração quando se juntavam para resolver qual seria o próximo passo deles. Ele não havia se desculpado até o momento, é claro, e nem ela pelo o tapa. Por mais que os dois quisessem negar, sempre foi e sempre será assim o funcionamento da amizade deles. Entre brigas, desculpas no subentendido e ajuda mútua.
O pedido de ser testemunha do casamento inesperado foi um pedido de trégua e talvez desculpa por parte dele o que ela aceitou mais por consideração à Astória e ao bebê.
Draco ignorando o comentário acende o cigarro usando a varinha.
— Obrigado. – agradece ele uniformemente sem olhar para ela. – Por ser testemunha.
— Eu não fiz isso por você. – diz ela com a boca cheia. – Eu fiz por Astória.
— Fale o que quiser. – Ele dá de ombros. – Você acabou fazendo isso para mim de qualquer forma.
— Você é tão irritante! – bufa Pansy após engolir.
— E você é teimosa. — rebate ele.
Pansy volta a comer seus doces revirando os olhos. O melhor tratamento que ela pode dar a ele é o silêncio. Draco também permanece fumando em silêncio o cigarro e olhando para o horizonte até circular os ombros e perguntar acusatoriamente:
— Por que ele? – ele não olha para ela. – De todos os bruxos. Por quê ele?
Pansy engasga em indignação.
– Não me venha com esse tom, como se eu tivesse te traído! – defende-se ela. – Não foi eu que desapareceu quando a guerra acabou e fingiu que os amigos não existia. Que só voltou depois de vários meses sem notícias como se nada tivesse acontecido.
— Quantas vezes eu vou ter que te falar que não podia te oferecer ajuda. – repete ele pausadamente batendo no cigarro. — Eu tinha os meus pais para tentar livrar de Azkaban, eu tinha que me livrar de Azkaban...
— Eu também tinha que tentar livrar meus pais de Azkaban e mesmo assim arranjei tempo para testemunhar ao seu favor. – corta Pansy. – Você não me contou sobre o plano do armário Sumidouro, você sumiu e me deixou em Hogwarts mesmo sabendo que os Comensais da morte iriam dominar a escola. – ela finalmente está dizendo tudo o queria ter dito. – Você nem ao menos me contou sobre você e Astória. E eu ainda te ajudei com a missão e testemunhei a seu favor. Ao contrário do que fiz para meu pai que coloquei em Azkaban. E você pelo menos deu ao trabalho de me ajudar ou agradecer? Claro que não.
Draco finalmente se vira para ela. Ele não sabia que ela mesmo que havia entregado o pai.
— Eu não sabia disso. – diz ele. – Sobre seu pai.
— É claro que não sabia. – zomba Pansy brincando com o doce em seu prato. – Como poderia saber? Você estava muito ocupado fugindo, você é ótimo nisso.
Draco passa minutos estudando ela sem expressão alguma no rosto antes de desviar para o horizonte dando uma tragada no cigarro
— Eu não podia oferecer ajuda porque fui ajudado. – confessa ele. – O pai de Astória me deu o dinheiro para que eu pudesse pagar o Gladstone. Eu sabia que meus pais iriam para Azkaban mesmo com um julgamento, e a única alternativa que encontrei para impedir a prisão foi pagar funcionários do Ministério pelos menos para que dessem a sentença em prisão domiciliar ou exílio. Eu não sabia do dinheiro em bancos estrangeiros na época, eu só descobri depois e foi por isso que viajei, para que eu pudesse pegar esse dinheiro para pagar de volta o dinheiro dado. – conta Draco estudando o cigarro. – Por isso, eu não podia te ajudar. E...
Draco respira fundo e engole a saliva como estivesse fazendo um esforço para prosseguir.
— E você nunca precisou da minha ajuda para nada. Eu sabia que você iria saber se virar.
Pansy fica sem reação por segundos. Ele está certo, ela sabe de virar muito bem sem ele, mas mesmo assim...
— Isso foi um elogio? – debocha ela com um sorriso pequeno no rosto. – Porque acho que perdi a minha capacidade de ouvir e você a sua capacidade de escrever. Você podia ter me contado tudo isso numa carta.
—Sério? Não seja dramática! – retorna ele no mesmo tom de deboche. – O que você queria que eu fizesse? Que escrevesse todo meu plano de lavar a mão de funcionários do Ministério com dinheiro? Que contasse que aceitei o pagamento na condição de ficar longe de Astória? Onde isso iria ajudar você?
— Você o quê?! – exclama Pansy. – Não acredito nisso. Ela sabe disso? Porque eu acabei de casar vocês.
— Eu só fingi ficar longe dela. – esclarece ele impaciente. — Astória é muito boa em esconder as coisas quando quer.
— Bem, ela aprendeu isso com a mãe dela. – comenta Pansy olhando para o prato em sua mão. – Isso sim, é uma bela história de amor.
— Para de debochar. – reclama Draco.
— Eu não estou debochando. – defende-se Pansy com a voz aguda. – Quem diria que o arrogante Malfoy é um romântico?
— Quem diria que a chata Parkinson cairia na cama do Santo Potter? – zomba ele também jogando o cigarro no chão e pisando em cima. – E quem diria que eu estaria convivendo com trouxas quase dois meses?
Pansy solta um riso concordando com a ironia da situação.
— O mundo bruxo está mudando. — ela se levanta fazendo Toby resmungar. – Se quisermos fazer parte dele temos que mudar também e nos submeter a essas situações. Não devemos ser mais preconceituosos e puristas de sangue pelo que parece, nem supremacistas.
— Fale só por si. – contradiz Draco colocando as mãos no bolso. – O mundo não mudou tanto assim. Eu sempre serei um vilão, um comensal da morte, a marca negra sempre estará marcada no meu braço e você sempre será a garota que tentou entregar Harry Potter ao Lorde das trevas. Só porque agora resolvemos cuidar das nossas próprias vidas e tem outros bruxos no poder não significa que o mundo esqueceu e se tornou um lugar melhor para todos.
— Embora o mundo ainda seja o mesmo e você continue sendo um cretino e babaca algumas vezes. – Pansy admira as unhas pintadas para não ter que olhar para ele. — Para mim você mudou.
Draco não responde. Ele abaixa o olhar para o sapato estudando-os antes de estender uma mão em um pedido silencioso por um doce.
— Você também. – admiti ele levando o bolinho para a boca.
Eles se resolveram. Possivelmente no futuro irão achar motivos para brigar novamente, mas por enquanto estão num mútuo acordo de cooperação.
— Iremos voltar com você. – informa ele se aproximando mais dela. — Eu já planejei... O que há de errado com ele?
Pansy se vira para onde ele está apontando. Toby que estava dormindo tranquilamente na cadeira balanço segundos atrás está agora com a cabeça erguida e com as orelhas em pé, em estado de alerta.
— Não sei. – ela vai até o cachorro. — O que foi, Toby?
Ele não corresponde ao carinho dela. O cachorro continua a encarar fixamente a entrada da pousada.
Pansy procura entre as luzes fracas das lanternas de entrada da pousada o que está fazendo o cachorro se sentir ameaçado. As lanternas só possibilitam ver bem até o canteiro perto da pousada, mas a visibilidade se perde depois dos pequenos muros de entrada que separa a propriedade da pousada da rua pública, sendo a pousada localizada numa parte rural as ruas não tem postes de luzes e única iluminação oferecida são as das próprias casas.
O latido estridente de Toby a faz saltar.
— Você está vendo alguma coisa? – murmura Draco já com a varinha na mão.
Toby pula do balanço e se coloca na ponta da escada em posição defensiva rosnando ferozmente.
Semicerrando os olhos, Pansy acha que pode ver algo se movendo na escuridão, algo que se move cuidadosamente, algo que que está observando eles. Ela vai enrolando seus dedos lentamente na varinha em sua cintura.
O alarme dispara soando alto.
— PANSY, CUIDADO! – Pansy usando o protego como escudo se protege de um feitiço vindo da parte da frente da pousada. O prato em sua outra mão se espatifa no chão.
— Vamos! – Draco a puxa para dentro da pousada.
Eles adentram fechando a porta com estrondo.
— Colloportus! – Tranca Pansy a porta.
— O que aconteceu?! – pergunta Astória descendo as escadas vestida com as roupas de dormir e com a varinha na mão.
— Alguém nos atacou. – explica Pansy rapidamente para Astória. – Um bruxo.
Grace saí da cozinha também e ao se deparar com a varinha na mão de Draco olha interrogativamente para todos.
— O que é isso? – questiona ela apontando para a varinha. – E desde quando temos alarme?
Toby late incessantemente do lado de fora em meio ao apito sonoro do alarme.
— Esquecemos o cachorro. – avisa Draco vigiando pela janela da sala de estar. – Deve ter mais de um bruxo.
Pansy vigia pela fresta das cortinas da porta de entrada o canteiro que agora está em completa escuridão, pois as luzes de entrada foram apagadas. A única claridade vem da varanda onde Toby está correndo de um lado para o outro latindo para o breu.
— Como conseguiram ultrapassar suas proteções? – pergunta ela para Draco procurando algum sinal de movimento na escuridão.
— Devem ter usado a elfa para aparatar dentro do perímetro. – supõe Draco sem tirar os olhos da janela. – O feitiço não funciona para elfos. E só bruxos experientes pode ultrapassar todas as minhas proteções.
Daphne desce correndo as escadas com cabelo molhado enrolada no roupão de banho.
— Ouvi um grito e o alarme. – diz ela.
— Como assim usado a elfa?! – exclama Pansy olhando para ele. – Sua elfa sabe que estamos aqui?!
— Como você acha que consegui os jornais e o documento de casamento? – devolve Draco.
— Do que eles estão falando, Daphne? – pergunta Grace.
Os latidos ininterruptos de Toby e o alarme cessam abruptamente.
— O Toby parou de latir. – reconhece Grace.
Draco e Pansy voltam para as janelas a procura de Toby, porém só encontram o vazio da varanda.
Como se a luminosidade da casa estivesse sendo sugada, as luzes da varanda e de cada cômodo da casa vão se apagando deixando todos na escuridão completa.
— Lumos Maxima. – Lança Astória.
— O que são vocês?! – Grace está com olhos arregalados encarando a varinha acesa de Astória.
— Querida, eu vou te explicar. – acalma Daphne segurando-a pelos ombros. – Você só precisa se acalmar...
— O que está acontecendo? – a mãe de Grace, Sarah, saí do quarto do andar de baixo.
— Petrificus Totalus. – lança Draco nela.
— Draco! – vocifera Daphne indo juntamente com Grace até o corpo congelado no chão.
— O que ele fez com ela?! – Grace pergunta exaltada. – O que eles são?! Como ele fez isso!?
Eles escutam um gemido. É o cachorro, Toby.
— Toby! – chama Grace aterrorizada.
O telhado começa a fazer barulho, passos pesados marcando firmemente cada movimento, há alguém no telhado. Todos olham para cima apreensivos se afastando da porta de entrada.
— O que estão fazendo? – pergunta Astória baixo.
Em competição com o barulho do telhado um arranhão começa na parede lateral da sala de estar, como houvesse algo afiado passando pela parede, cortando a madeira profundamente. O arranhão vai prosseguindo lentamente e cada vez fica mais forte e alto.
— Estão nos distraindo. – murmura Draco acompanhando o som em passos cautelosos com a varinha erguida e preparada.
O arranhão passa pela parede da sala de estar, prossegue até a parede da janela, porém não dá para enxergar ninguém ou algo pelo vidro da janela. O arranhão continua, indicando que irá se seguir para porta da frente.
De repente as luzes da casa são acesas, e todos eletrodomésticos começam a funcionar, o rádio e a televisão competem em volume, a música alta toca na sala de estar, as vozes dos atores da televisão gritam. E então, a porta da frente se abre violentamente.
— Estupore. – lança Draco para o vulto preto que passa rapidamente pela porta.
Em resposta para a tentativa de ataque do Draco, tudo na casa começa a ser lançado com violência contra eles. Os quadros, fotos, cadeira, pratos, tudo é jogado contra eles.
— Impedimenta! — lança Astória impedindo que um vaso acerte Grace.
— Depulso. – Pansy arremessa os enfeites de corujas para longe dela que se chocam com a parede se despedaçando.
— Reducto! – desintegra Draco uma cadeira que vinha em sua direção.
No entanto, a outra cadeira passa por ele e atinge Daphne que havia se levantando com a confusão. A violenta colisão a joga longe fazendo- a cair no chão e bater a cabeça.
— Daphne! – Grita Grace indo ao socorro de Daphne.
Uma luz verde passa raspando por Draco e atinge diretamente Grace que logo desmorona no chão com os olhos estáticos.
— Não!! – Daphne berra e sem ter a consciência do perigo corre em direção ao corpo caído de Grace.
— Daphne, não! – grita Draco.
Uma outra luz verde brilha na casa.
O som de outro corpo atingindo o chão é seguido por um silêncio ensurdecedor. Tudo fica imóvel e o lugar fica completamente mudo e escuro, deixando o ambiente somente com os sons de súplicas de Daphne e iluminação da lua.
As luzes voltam lentamente trazendo para a luz e para os olhos a cena trágica na sala.
— Grace! Por favor! – clama Daphne agarrando Grace.
Mesmo sabendo que ela havia visto perfeitamente a luz verde ainda assim, há uma esperança que talvez haja outro feitiço ou maldição que possa ter a mesma coloração da maldição da morte. Ela precisava acreditar nisso!
Escorada na parede, Pansy com a respiração ofegante volta-se perplexa para a mão ainda erguida de Astória. Seus olhos brilham em determinação, mas logo sua postura rígida vai se desfazendo quando decai o entendimento que ela havia acabado de fazer.
Astória leva a mão tremendo à boca assombrada e olha para Draco que está encarando-a atônito.
— Grace! – chama Daphne virando o rosto inexpressivo de Grace.
A vida já havia deixado os olhos verdes de Grace, seu coração já não bate mais e nem Daphne pode mais negar isso. A sensação que seu coração estivesse sendo arrancado do peito a medida que a eminente morte de Grace decai sobre si, cresce juntamente com o sentimento de raiva, a queimação de ódio e dor faz Daphne sentir como seu corpo estivesse expandindo para todo ambiente.
Duas lágrimas solitárias descem de seus olhos azuis.
— NÃO!!
O berro dela é sucedido pelo barulho dos vidros das janelas se despedaçando.
Pansy, Draco e Astória se protegem do cacos de vidros voadores, porém ainda sentem os pequenos rasgos na pele.
Como ele não viu isso chegando? É o que Draco pensa ao estudar tudo à sua volta. Ele deveria ter premeditado que isso podia acontecer e ele sabe exatamente onde errou.
Daphne abraça o corpo de Grace se balançando levemente, a mãe de Grace continua petrificada no chão e Astória está em estado de choque. E Pansy fita assustada o outro corpo caído num canto mais distante da sala, o vulto preto.
Com a varinha em punho Draco se aproxima e congela identificando a máscara tão conhecida por ele, ele viu seu pai usar, sua tia usar e até mesmo um dia cogitou usá-la também. Um aceno da varinha lança a máscara de Comensal da morte longe. Quem estaria atrás da máscara?
— Não... – ele sente suas pernas perderem a força.
Pansy estranhando a reação perturbada de Draco se aproxima e ao olhar para o cadáver deitado todo o seu corpo fraqueja. No chão deitado morto com sua pele negra brilhando como sempre e seus olhos sombrios está Blásio Zabini. O local envolta dela começa a rodar e a visão do corpo de Blásio vai se desfocando, um incomodo começa em seu estômago como uma vibração, a sensação de frio sobe sobre sua coluna gradualmente. Ela sente uma perda de equilíbrio e se curva para longe do corpo e de Draco para vomitar tudo que está em seu estômago violentamente.
Astória se aproxima também e larga a varinha no chão ao identificar quem ela assassinou, um gemido agudo e doloroso saí de sua boca enquanto ela cai sobre seus joelhos chorando.
Draco está tão pasmo que nem consegue sentir nojo ou preocupação para situação de Pansy e nem vai ao socorro de Astória rapidamente quando ela começa a arfar e sangue pingar de seu nariz. Tudo ao seu redor parece ter sumido e o seu foco é o corpo estendido de Blásio. Somente os sons de aparatação consegue tirar ele do seu estupor de choque, sem perder tempo ele vai até Astória e a afasta do corpo de Blásio.
Ele agarra a varinha que ela deixou cair no chão e joga a dele para algum lugar da casa.
— Eu matei ele. – soluça Astória entre respirações ofegante encarando o corpo de Blásio.
— Tori, olhe para mim. – Draco vira o rosto de Astória em seu direção. – Foi eu. Foi eu que lançou a maldição da morte! – informa ele alto suficiente para que todos que estão na sala ouça. – Quando eles perguntarem digam que foi eu.
Sete aurores, todos eles com a varinha em punho adentram a casa em posição de combate.
Pansy fecha seus olhos cheios de água e engole a contragosto o sabor nojento de sua boca saboreando a dura realidade que nada do aconteceu só é um pesadelo que logo ela acordará.
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