A maldição da Sucessão

26 Capítulo 26: Invisível.


Notas iniciais
- Feliz natal e feliz 2022! — Demorei, mas voltei com mais um capítulo para vocês! — Comentem!

Mansão Greengrass

Harry se esforçou muito para não demonstrar que estava se sentindo intimidado sentado no sofá de couro da sala de estar da mansão Greengrass. Ele estava sendo fitado tanto pelo gigantesco quadro da família pendurado em cima da lareira tanto pelos donos da mansão.

— Vocês receberam hoje? – perguntou Harry desconfortável.

A mulher tirou o cigarro na boca e se esticou para colocá-lo no cinzeiro de prata. Sua expressão era de desprezo, embora Harry achou que fosse o formato do seu rosto que dava essa impressão.

— Sim. – respondeu ela voltando a se arrumar elegantemente no sofá.

As batidas da bengala quicando no chão amadeirado indicou o retorno de seu marido.

— Aqui, está. – estendeu o homem uma caixa de madeira.

Harry abriu a caixa para encontrar uma boneca de porcelana com cachos loiros enfeitado por um laço vermelho segurando um pirulito.

Harry confuso ergueu o olhar para o casal.

— É um boneca. – afirmou Harry.

— É claro que é uma boneca, senhor Potter. – falou a senhora Greengrass. – Não somos cegos.

O senhor Greengrass soltou uma risada pela fala da esposa.

— O que minha esposa está querendo dizer é que achamos que seja uma ameaça implícita. – explicou ele agarrando um charuto. – Desde do seu anúncio sobre o senhor Malfoy ser suspeito do assassinato do senhor Gladstone as pessoas não tem sido muito amigáveis, principalmente a família do Gladstone. E a foto de nossa filha espalhada pelo mundo bruxo ligando-a ao fugitivo e assassino Malfoy não ajudou muito.

— Que é o genro de vocês. – adicionou Harry.

A senhora Greengrass o encarou sem expressão. Harry não se encolheu.

— Logo, as pessoas estão achando que temos algum envolvimento com a fuga deles. – O senhor Greengrass apontou para a caixa com o charuto entre os dedos. – O que não temos.

Harry tirou a boneca da caixa para encontrar um bilhete.

“Cuidado com quem sua filha se envolve.”

— Vocês não tem ideia de quem enviou isso? – Harry questionou analisando o bilhete.

— Não. – respondeu o senhor Greengrass soltando um anel de fumaça.

— Queremos que você encontre nossa filha o mais rápido possível antes que ela se machuque por causa do Malfoy. – declarou a senhora Greengrass. – Nunca apoiamos o envolvimento dela com o senhor Malfoy, aquela família destrói tudo o que toca, não queremos que o nosso nome caía em ruínas igual ao deles.

Harry devolveu a boneca para a caixa.

— Estou tentando encontrá-los. – disse ele. – Mas é difícil procurar no escuro, sem dicas ou pistas.

— Demétria. – o senhor Greengrass a chamou sem desviar o olhar de Harry.

— Nossa outra filha, Daphne, ela foi embora de casa. – contou a senhora Greengrass sem emoção. – Deserdamos ela, porém Astória não aceitou o que fizemos. Acredito que elas ainda tenham contato uma com a outra, talvez ela e o Malfoy tenham procurado refúgio na casa de Daphne.

— Por que vocês não falaram isso antes?! – exclamou Harry.

— Porque não era relevante. – cortou a senhora Greengrass.

Harry respirou fundo.

— Onde Daphne está morando?

Apolo Greengrass ofereceu um pedaço de pergaminho. Harry identificou o brasão da família pintado no pergaminho.

— Ficaríamos gratos se no seu novo pronunciamento falasse sobre nossa ajuda na investigação. – informou ele. – E como nossa filha foi induzida a fugir. Eu poderia mostrar a minha gratidão numa carta elogiando o seu brilhante trabalho para a Suprema Corte.

— Eu não preciso de motivadores para fazer o meu trabalho. – guardou Harry o pergaminho no casaco já se levantando. – E seus elogios podem ser dados para todo quartel de aurores. Eu já recebo o suficiente.

— Senhor Potter. – chamou a senhora Greengrass e Harry parou na porta olhando por cima do ombro. – Traga minha filha para casa.

Agora ele tem tudo o que precisa. Tudo está sob seus olhos, mas nada ele vê.

Harry sabia que Debbie não disponibilizaria tudo o que ele queria e precisava saber, então ele optou por ele mesmo consegui-las e o primeiro passo para tê-las era passar pela secretária dela sem parecer suspeito. Com algumas risadas, flertes e a mentira que Debbie deveria ter se esquecido da entrega de uns relatórios urgentes, Harry conseguiu pelo menos entrar por cinco minutos no escritório de Debbie, ele estava ciente que a sua persona famosa e heroica ajudou muito a secretária a não criar uma desconfiança ao ponto de achar que ele estava fazendo algo errado.

Harry não se vangloria por esse feito, pelo contrário, ter que apelar para sua famosa pessoa para conseguir as coisas não é uma coisa de se orgulhar.

A carta de A está aberta em cima do livro sobre bancos e heranças que pediu emprestado de Hermione junto com as informações bancarias de Gladstone. O pergaminho com os nomes dos aurores já está amassado pela quantidade de vezes que ele pegou e releu. O trajeto de viagens que Malfoy havia feito antes de retornar para Inglaterra já estava completamente traçado junto com as possibilidades de lugares que ele poderia estar. Os cartazes de desaparecidos estão jogados em algum lugar, somente um permanece em sua mão.

— Onde você está? – pergunta ele para o cartaz de Pansy. Ela pisca para ele e nada demonstra, mas Harry sente que pode ter visto o início de um sorriso nos lábios ou talvez fosse só sua memória dando vida a foto.

Quando partiu da mansão Greengrass naquela tarde, ele achou que já tinha conseguido capturar o Malfoy. Com uma equipe de aurores ele se encaminhou para o endereço dado pelos pais de Astória, porém ao chegar no local encontrou somente um grande estábulo com cavalos.

“O assassino da marca negra, é como estamos nos referindo.”

“Porque ninguém iria fazer isso por mim, além de mim mesma!”

“Como estivesse fugindo de algo”.

“Talvez ela esteja no Rio Tâmisa ou quem sabe num cemitério clandestino.”

“Após a fuga aconteceu outras mortes estranhas além das mortes dos aurores...”

“ Draco Malfoy estava pagando Gladstone por algo.”

“Gregório Goyle estava enterrado no cemitério da família Malfoy.”

— O que você está escondendo? – pergunta ele novamente como ela fosse responder. — O que eu não estou vendo?

Harry leva a xícara com a mistura de café e poção para mantê-lo acordado aos lábios e desvia seu olhar do cartaz. Ele não dorme uma noite inteira há duas semanas. Sua mente não permite que ele adormeça, ele não se permiti adormecer sem pelo menos montar o começo de algum dos quebra-cabeças que tem em suas mãos.

A morte do Gregório Goyle e as outras mortes ficam martelando em sua cabeça sem interrupção e um nome, o nome dela, voltou a ter sua atenção novamente. Pansy Helena Parkinson, é uma incógnita no meio disso tudo para ele, ela ao mesmo tempo que o deixa com raiva por sumir e fazê-lo ter a obrigação de procurá-la, aguça a sua curiosidade por ele não compreender completamente e nem prever suas recentes ações. Harry pensou nas possibilidades mais óbvias, seu amor não superado por Malfoy, seu pai em Azkaban e vingança.

Ela e Malfoy se uniram para se vingar de Gladstone? Malfoy com sua dívida e ela com a prisão de seu pai? Ela realmente estava usando ele como bode expiatório?

Seduzir Harry era arriscado demais, se ela realmente quisesse atrapalhar as investigações dos fugitivos e encobrir a culpa no assassinato usar ele como bode expiatório era idiotice, levando em consideração a sua fama e o passada deles era mais sensato usar um outro auror para ser o espião. No entanto, pode ter sido uma jogada certeira de uma forma ou outra ela acabou descobrindo o que Harry sabia e escapou.

A lareira produz um som de crepitação para depois surgir Hermione seguida por Rony.

— Harry! – cumprimenta Hermione já estudando a sala de estar dele com espanto pela quantidade de pergaminhos e livros espalhados.

— Parece que alguém está dando uma de Hermione. – comenta Rony limpando as roupas.

— Vocês já voltaram! – exclama Harry se levantando do sofá para recebê-los deixando de lado o cartaz. – Como foi a lua de mel?

Ele levanta um lado dos lábios sorrindo maliciosamente.

— Foi bem prazerosa. – responde Rony sorrindo também.

— Rony! – repreende Hermione olhando para ele. – Harry, o que é tudo isso?

Hermione indica com as mãos os pergaminhos, livros e fotos espalhados ao redor. E no final indica ele por causa do pijama e cabelos despenteados mais do que o normal.

— Trabalho. – acena com a varinha afastando os pergaminhos de um dos sofá para permitir que os amigos se assentem. – Eu não queria perturbar a viagem de vocês, mas agora que retornaram posso pedir ajuda.

— Nossa ajuda? – estranha Hermione.

— Sim, não posso confiar no Ministério enquanto eles ficam retendo informações de mim.

— Como assim? – questiona Rony.

Harry explica o que havia descoberto na conversa secreta ao lado de fora do Castelo de cristais. A expressão de surpresa não passou despercebida por Harry quando ele falou sobre as outras mortes, nem a expressão de julgamento principalmente de Hermione quando a forma de como ele conseguiu adentrar no escritório de Debbie foi explicada.

— Olhe para isso. – Harry entrega para os amigos um arquivo de todos os bruxos que suspostamente estão mortos. – Adrian Pucey, ele estava na equipe de quadribol da Sonserina no nosso primeiro ano. Ele estava jogando nos Falcões de Falmouth quando sofreu um acidente em treinamento e morreu.

— Mas o que isso....- começa Hermione para ser interrompida por Harry passando para outra ficha.

— Liz Tuttle foi atacada pela criatura que ela estava estudando e acabou não resistindo e morreu. Mérula Snyde atacada pelo próprio marido e acabou morrendo, ambas eram da Sonserina. – Harry troca para outra ficha. – Roberto Hilliard, ele era da Corvinal ....

— Ainda não entendemos onde você quer chegar. – esclarece Rony.

— Eu passei duas semana inteira tentando encontrar um motivo para a Debbie esconder essas mortes. – explica Harry. – Todos eles morreram no período entre outubro do ano passado e agora. Ou seja, depois da fuga, mas não há um padrão para essas mortes e nem mesmo algo que possa ser considerado estranho ou suspeito ao não ser o período. Eles morreram de fatalidades ou causas comuns. Além disso, eu pesquisei e me aprofundei, se não eram ou tiveram parentescos relacionados com Comensais da morte ou apoiadores tiveram ou eram parentesco de bruxos que lutaram contra o Lorde das trevas, ou que nem chegaram a se envolver.

— Então você está dizendo... – indica Hermione pedindo que ele prossiga.

— Que não há nada lógico ou justificado para eu não ter sido informado sobre isso.

— Talvez você tenha pegado os arquivos errados. – sugere Rony mexendo em um dos arquivos.

— Eu não peguei os arquivos errados! – se defende Harry.

— Harry, eu sei que você está sob muito estresse agora. – começa Hermione. – Mas talvez você está querendo ver algo além do que há. Talvez você não foi informado porque não é relevante para investigação do assassino da marca negra.

— Vocês não ouviram nada do que eu disse sobre a conversa no dia do casamento! – exclama Harry indignado. – Falaram que as mortes eram estranhas, só que eu não estou conseguindo ver essa estranheza e nem um padrão. Se não fosse relevante por que esconderiam?

Rony e Hermione se olham discretamente.

— Não é que não acreditamos em você. – suaviza Hermione. – Só achamos que você está perdendo o foco. Você tem que capturar o assassino da marca negra, e ainda tem que encontrar o paradeiro do Malfoy.

— Vocês não acham que venho tentando isso também. – rebate Harry. – Malfoy desapareceu, junto com a Greengrass e Parkinson para algum lugar irrastreável que nem a famílias deles sabem para onde podem ter ido. Os pais da Greengrass me deram o endereço de onde acham que eles estariam e eu fui checar e descobri que se trata só de um estábulo e nada deles. O quebrador de feitiço que contratei ainda afirma que não consegue quebrar os feitiços da porta da mansão Malfoy, o corpo de Goyle não fornece nenhuma informação adicional além de ele ter morrido por impacto. Eu tenho uma pilha de pergaminhos para assinar, cinco assassinatos de aurores para solucionar, um infeitiçamento de Imperius seguido por assassinato e suicídio, fugitivos para perseguir e um assassino para encontrar.

Harry numera tudo em uma única respiração.

— Eu preciso de férias. – solta ele coçando os olhos sob os óculos.

— Ainda é um pouco cedo para férias. – fala Rony. – Mas podemos indicar uma noite de folga. Irá ter um jantar comemorativo ao nosso retorno na Toca. Você vai, não é?

— É hoje? – pergunta Harry surpreso. Ele está completamente perdido nas datas.

— Talvez uma folga ajude você pensar melhor. – sugere Hermione. – E você sabe que vamos te ajudar com isso, com tudo isso.

— Eu só vou ajudar depois que receber o meu presente de aniversário atrasado. – Brinca Rony.

Toca

— Não, o desempenho do time caiu e isso você não pode negar. – a voz estridente de Jorge destaca-se sobre as outras conversas.

— Fique de boca fechada enquanto come, Jorge! – ralha Gina o irmão. – Ei! Tiago, chega de doce.

Harry está numa calmaria sentando na mesa de jantar da Toca. O ambiente não é silencioso, o velho rádio toca uma música ao fundo, as panelas batem no fogão e os pratos são lavados. Gina, Rony e Jorge discutem sobre o desempenho de alguns times de quadribol nos últimos jogos. Senhora Weasley, Hermione e Audrey, esposa de Percy, conversam sobre a lua de mel e ao mesmo tempo vigiam e dá ordens para Molly e Lucy, filhas gêmeas de Percy, impedindo que elas se machuquem ou destruam a casa. E Harry está inserido na conversa de Percy com o senhor Weasley sobre o Ministério.

O jantar na Toca, se fosse resumido em uma palavra seria barulhento. E estaria mais barulhento se Carlinhos, Gui e Fleur e seus filhos estivessem presentes.

— O Ministério está sobre muita pressão. – expõe Percy. – Com a fuga e o surgimento desse assassino os outros países se preocupam que possa ser o início de uma nova guerra ou revolta e que outro Gellert Grindelwald ou Lorde das trevas esteja nascendo, por isso tinha muitos bruxos políticos no casamento e a imprensa. É o que eu chamo de relações exteriores, nada como um casamento dos heróis do mundo bruxo para tranquilizar.

— O que eu acho que realmente vai acalmar é o assassino da marca negra ser pego. – acrescenta Harry. – E os fugitivos.

Harry não está gostando que a preocupação principal do Ministério esteja sendo em passar a imagem que tudo está sob controle, em vez de realmente deixar as coisas no controle. O Ministério já devia ter aprendido que com a negação de Cornélio Fudge sobre a volta de Você-sabe-quem não fez ele simplesmente desaparecer, pelo contrário deu poder maior à ele que continuou seu progresso nas sombras do negacionismo de seu retorno que o próprio Ministério criou. Negar a existência de um problema não o faz desaparecer.

— Mas a captura do assassino e dos fugitivos é com você, Harry. – aponta Percy partindo mais um pedaço do pudim de chocolate. – Eu só estou com a parte de relações com os outros países.

Harry leva a sua atenção para uma mãozinha que está cutucando seu braço.

— Tio, Tiago não quer devolver a varinha. – conta Lucy apontando para Tiago e Molly que estão numa briga pela varinha de brinquedo.

Recentemente, como esperado de toda criança bruxa Tiago criou uma fascinação por varinhas. Harry precisou várias vezes tirar a varinha de alguém da mão dele que ele pegou do bolso ou da mesa enquanto todos estavam distraídos comendo, além de ter que passar o jantar inteiro negando o pedido do menino sobre deixar ele brincar com a sua varinha. Gina já havia lhe informado sobre as péssimas consequências de deixá-lo com uma varinha na mão.

Harry olha para Gina que está entretida na discussão sobre quadribol, parece ter se distraído somente dessa vez a sua atenção de Tiago. O que dura só segundos, pois o choro estridente de Tiago a faz girar a cabeça instantaneamente na direção dele.

— Deixa que eu pego ele. – avisa ele indo até o menino que está em lágrimas pela a varinha ter sido tirada de sua mão.

Harry pega sua varinha do bolso e mostra para Tiago que logo estende a mão para agarrá-la.

— Vamos brincar do lado de fora com a minha. – ele estende a mão para Tiago direcionando-os para o quintal da Toca.

As risadas de Tiago começam a encher o ambiente silencioso do lado de fora. Harry sabendo que Tiago e Gina vão retornar para o País de Gales, onde é a localização da base do time, não vê problema em passar o tempo que puder com o filho mesmo nos momento de birra dele.

No início de carreira de Gina e dele, os dois viviam entre a casa no País de Gales e a Toca, Harry ainda não usava o Largo Grimmauld como lar, quando a carreira começou a exigir demais os dois passavam quase duas semanas sem se ver, mas isso não os afetava. Então, a gravidez aconteceu e os horários tumultuados, compromissos excessivos, propósitos diferentes e um bebê começaram a ter um peso no relacionamento deles e veio a separação e cada um se estabeleceu em um país.

Tiago, a parte que seria mais afetada por essa separação parece não se importar de ter o pai em outro país. Harry, por outro lado se sente um visitante na vida de seu filho, ele gostaria de assistir todos os dias a mesma alegria que ele está presenciando enquanto solta de sua varinha bolhas para que Tiago as estore.

— Ele está agitado. – Nota Gina sentando ao lado dele no banco de jardim. – Semana passada ele encontrou a vassoura que você deu para ele e passou quase a semana inteira me pedindo ela.

— Queria ensinar ele voar na vassoura. – diz Harry um pouco melancólico recordando da carta que sua mãe havia escrito informando à Sirius sobre seu pai o ensinando a voar numa vassoura parecida. – Mas o trabalho está me sugando.

— Nem me fale, a temporada de jogos vai começar. – informa Gina. – Eu só vou conseguir ver ele a noite. A elfa vai vê-lo mais do que eu.

— Pensei que ainda estava em licença a maternidade. – expressa Harry acenando com a varinha para produzir mais bolhas. – Que não estava participando dos jogos.

— Eu estou só participando dos treinos.– Gina explica estourando um bolha que passa perto de seu rosto. – Não consigo ficar muito longe do quadribol.

— Se eu não tivesse tão atolado de trabalho pedia para você deixar ele comigo. – Harry volta-se para o menino alegre que corre atrás da bolhas. – Deixaria ele aqui com sua mãe enquanto estivesse no trabalho e o pegaria de volta quando voltasse. Não confio muito em Monstro com crianças.

Harry ainda não teve a possibilidade de conhecer a elfa que Gina contratou depois da separação deles, porém sabe que a elfa doméstica é melhor do que Monstro no aspecto ao cuidado de criança. Embora, ele confiei em Monstro com a casa, confiar seu filho a qual o nome do meio é Sirius não parece ser uma boa escolha.

Gina dá uma risada e acena com a cabeça concordando.

— Acho que nem Hermione pode discordar disso.

— Discordar com o quê? – Hermione com Rony ao lado surgem da porta seguidos pelas filhas de Percy, estando uma delas com a metade do corpo escondido na capa de invisibilidade.

— Que Monstro seria uma ótima babá. – esclarece Gina dando espaço para que Hermione se sente ao lado dela.

— Eu não confiaria nem uma coruja para Monstro cuidar. – Zomba Rony.

— Que eu me lembre ele foi um ótimo cuidador para o Régulo.

— E como resultado desse ótimo cuidado Régulo se tornou um Comensal da Morte. – completa Rony. – E o resto vocês sabem.

Harry acena novamente com a varinha para produzir mais bolhas e fingi não ver o olhar de reprovação de Hermione para Rony, ao contrário de Gina que ri da represaria que o irmão sofreu.

— Deveríamos começar a pensar em como iremos fazer caso voltemos a ficar juntos. – reconhece Gina. – Não acho que será saudável para ele fica indo de minha casa para sua como ainda estivéssemos separados, temos que estabelecer qual casa será a nossa.

Harry se mantêm produzindo bolinhas em silêncio. Com tudo que está ocorrendo ele havia se esquecido que deveria sentar e conversar com Gina sobre o retorno deles como um casal. Ele está despreparado para esse retorno, o exemplo disso é que nem quarto Tiago tem no Largo Grimmauld, Harry nunca levou Tiago para o Largo Grimmauld para dormir ou passar o dia lá. Ele acha o ambiente da Toca mais reconfortante para uma criança de um ano e meio.

Harry se pergunta como deixou se esquecer de uma coisa tão importante para ele, o retorno de sua família.

— Não precisamos resolver isso agora. Podemos ir conversando com calma. – tranquiliza Gina que deve ter entendido o motivo do silêncio dele. — Como vai o seu trabalho?

— Horrível. – murmura Harry. – Eu tenho várias coisas em mãos e não consigo resolver nenhuma. Estou tão perto de pegar o assassino da marca negra quanto estou de pegar o Malfoy.

— Você não tem nenhuma pista sobre onde ele está? Quero dizer, eles?

— Não, nenhuma. – nega Harry frustrado. — Se a família Malfoy e amigos sabem se recusam a falar e como eu não tenho permissão do Ministério para usar a poção Veritaserum tenho que acreditar na palavras deles. Os feitiços de rastreamento estão sendo inúteis, não há vestígio deles. A revista que foi feita na casa da Parkinson não apresentou nada de suspeito, somente o pergaminho de mudança de cabelo o que pode indicar que talvez ela esteja com a aparência mudada. A mansão Malfoy é impenetrável. Ou seja, eles evaporaram e está sendo impossível encontrá-los.

— Então é como se eles tivessem ficado invisíveis. – comenta Gina indiferentemente estourado outra bolha.

Harry gira a cabeça para Tiago quando novamente ele chora. O motivo de sua chateação não é mais a varinha pelo que parece, ele e sua prima Lucy estão numa disputa pela capa da invisibilidade comprada numa loja que as gêmeas ganharam de seu pai de aniversário. Harry assiste Tiago puxar a capa de um lado e Lucy tentando desvencilhar a capa de suas mãos do outro, enquanto Molly continua a estourar a bolhas que ele soltou.

— Me dá a capa, aqui! – Gina interrompe a briga pela capa. – Se não sabem dividir, ninguém brinca.

— Mas a capa é minha, tia! – reclama Lucy batendo o pé no chão.

Harry se atenta a parte do corpo de Gina desaparecendo atrás da capa, como ela estivesse partida em dois. Ele se recorda da sua própria capa guardada em seu armário no Grimmauld esperando para que quando Tiago tiver idade suficiente possa herdá-la, o que com certeza será um problema para ele e Gina no futuro. Qual seja a personalidade que Tiago puxar, ambos os pais não tem um histórico bom de obediência e bom comportamento, Harry perambulava por Hogwarts com sua capa e se quisesse podia ter aprontado muito mais com a vantagem de ser invisível.

A palavra invisível começa ter um foco maior para Harry, Gina pode estar em frente a ele, mas uma parte do corpo dela ele não vê. As bolhas que ele produziu são transparentes, embora ele enxergue a circunferência, a parte central é quase invisível e só desaparecem totalmente quando são estouradas.

— Invisível. – repete Harry.

Está tudo sob os olhos dele, mas ele não enxerga. Porém não indica que não esteja lá.

Há muitas maneiras de se tornar invisível no mundo bruxo, mas nenhuma é tão eficaz contra os feitiços de rastreamento. Se Malfoy, Parkinson e Greengrass estão fugindo usando os feitiços comuns isso os obrigaria a ficarem mudando de lugar o tempo todo já que em algum momentos eles poderiam ser rastreados, principalmente se houvesse a utilização de algum feitiço das trevas. Harry sabe por causa dos trajetos das viagens que traçou, usando como base os pedidos de permissão de viagem, que Malfoy costumava a ficar em um lugar só em todas as viagens, e isso ele acredita ser devido a saúde frágil da Greengrass, uma informação que ele conseguiu com os pais dela. Com isso, poderia existir somente um feitiço capaz de deixar alguém invisível sem que possa ser rastreado, um feitiço específico como o feitiço Fidelius ou um feitiço novo, um feitiço criado.

“Desde que o Fiel do Segredo se recuse a falar, Você-Sabe-Quem pode procurar na vila inteira por Lily e James, durante anos e nunca encontrá-los, mesmo que esteja com o nariz colado na janela da sala de estar deles!”

Harry ouve a voz do professor Flitwick.

— Invisível. – constata ele. – Eles estão invisíveis. Como fui burro!

— Quem? – pergunta Rony.

— Eles estão invisíveis. – repete Harry. – Malfoy, Greengrass e Parkinson estão invisíveis. Se eles estão se escondendo a melhor forma é sumir, é ficar invisível.

— Você acha que eles estão usando o feitiços de desilusão? – questiona Rony confuso. – Mas é possível rastreá-los.

— Não, ou eles criaram um feitiço, um feitiço novo pode ser imune aos feitiços de rastreamento. – fala Harry. – Ou eles podem ter...

— Feitiço Fidelius. — conclui Hermione.

Poderia ser uma dedução radical, criar feitiços é algo completamente complicado como também lançar o feitiço Fidelius. No entanto, Harry precisaria comprovar para descartar essas possibilidades.

Notas finais
- Me desculpe por qualquer erro. Eu releio e passa alguns erros despercebidos pelo meu olhar. — Deu um friozinho na barriga quando leram o começo?