A maldição da Sucessão
10 Capítulo 10: A foto cadavérica.
Notas iniciais
— Você precisa se acalmar. — pediu Pansy enquanto observava Draco andar de um lado para o outro nervosamente sentada no sofá dentro da Sala Precisa.
— Como vou me acalmar! – estalou Draco jogando os braços para o alto exasperado. — Se Kátia se lembrar….
— Ela não vai se lembrar. – Interrompeu Pansy.
— Como você sabe?! Você disse que era um ótimo plano e que iria funcionar. — acusou ele.
— Iria funcionar se aquela idiota não tivesse tocado no colar. — Pansy se defendeu cruzando os braços.
Draco retomou sua caminhada de um lado para o outro. Pansy cansada e percebendo que ele não iria se acalmar sozinho se levantou do sofá e foi até ele.
— Vamos ter que pensar num plano melhor dessa vez. – disse ela acariciando seu braço.
Draco a fitou acenando a cabeça em negação.
— Esquece, eu não quero mais a sua ajuda. – Ele se afastou dela deixando-a surpresa.
— Você precisa da minha ajuda! – exclamou Pansy.
— Não preciso! – Ralhou Draco dando as costas para ela tenso.
— Você precisa porque está com medo e quando você está com medo você não pensa direito. – esclareceu ela. – Consigo ver isso em seus olhos. Você pode ser muitas coisas Draco, assassino não é uma delas.
Pansy viu os ombros de Draco cair antes de começar a falar.
— Você entende que quase matamos a Kátia. – Disse ele com a voz baixa. — Se ela lembrar que foi você que a prendeu no banheiro e eu que a enfeiticei para que levasse o colar para Dumbledore e contar. Nós dois estaremos mortos.
— Dumbledore nunca nos mataria. – opôs ela.
— Não estou falando dele! O Lorde das trevas que iria nos matar. Ele vai me matar por fracassar na missão e te matar porque você sabe demais. – Ele virou em direção a Pansy. – E nem os nossos pais estarem do lado dele pode impedir isso.
Pansy se aproximou dele e agarrou seu braço esquerdo arregaçando a manga da camiseta branca deixando visível a marca negra exposta em seu antebraço.
— Você me mostrou isso porque você confia em mim. – ela sacode o braço dele. – Prometi que iria te ajudar nessa missão e vou te ajudar, não importa o que aconteça.
— Eu não deveria ter mostrado isso para você. – confessou Draco. – Eu não..
— Mas mostrou. – Pansy acariciou o seu rosto pálido se aproximando. – Agora é tarde para voltar atrás.
Os lábios dos dois se encontraram, igualmente os seus corpos naquele dia na Sala Precisa e só tiveram os móveis e milhares de outras coisas como testemunha.
Confiança não é exatamente a palavra que trouxe Pansy a entrar na Abadia de Westminster a catedral trouxa mais famosa de Londres, a palavra certa seria medo, o sentimento seria receio.
Pansy está surpresa e admirada por mais que quisesse negar, os vitrais coloridos, os ornamentos, a folhagem a ouro e os mosaicos coloridos a deixaram hipnotizada todo o tempo que esteve andando na sua espera. A cada escultura e pintura que ela parava para admirar um novo conhecimento sobre o mundo trouxa ela adquiria, agora lendo nomes de personalidades na chamada “Esquina dos poetas” o desdém pelo local e pelos trouxas havia diminuído dando lugar para a curiosidade e o que ela poderia chamar de admiração.
Pansy está tão absorvida na visitação pelo local que nem nota a aproximação de Blásio.
— Vejo que se interessou pelo Santuário trouxa. – comenta Blásio apontando para o folhetim de visitação na mão de Pansy.
— Tive que fazer algo enquanto estava esperando. – Diz ela. – Onde está Draco?
— Ele já deve estar vindo. Seria suspeito ele entrar junto comigo num lugar trouxa. – Blásio semicerra os olhos para ler o nome dá estatua. — William Shakespeare?
— Quando eu disse que precisava ser em um lugar onde nenhum bruxo poderia nos encontrar, não quis dizer uma igreja trouxa. – Fala Pansy folheando o seu guia de visitação.
— Que é o lugar mais improvável de se encontrar um bruxo de sangue puro. – comenta Draco surgindo ao lado deles. – Quem iria imaginar que um bruxo de sangue puro iria visitar o local onde seus ancestrais foram queimados e torturados.
— Acho que não acontecia isso aqui. – Pansy murmura. – Aqui só acontecia coroações de reis e rainhas.
— Vejo que alguém se interessou pelos trouxas. – Draco dá um sorriso para Pansy que não retribui.
Pansy não queria dar a impressão para Draco que as coisas entre eles estavam bem, o único motivo de ela mandar uma carta para ele pedindo para se encontrarem era porque ela não sabia o que fazer ou pensar com o que estava em sua bancada de trabalho ontem.
Pansy começa a caminhar para ir para outra área da Abadia. Draco e Blásio a acompanham.
— O motivo de chamá-los é que ontem alguém deixou isso em minha bancada de trabalho. – Pansy retira do bolso do casaco azul uma foto e estende para eles.
A foto de início não parece haver nenhum um problema, tirada no terceiro ano de Hogwarts como todas as outras mostra Vicente Crabbe e Gregório Goyle atrás de Draco Malfoy e Pansy Parkinson vestidos com habitual uniforme da Sonserina se preparando para terem suas imagens capturadas pela câmera. O movimento deles se arrumando para acharem a posição correta prova ser original, além da memória de Draco e Pansy que se recordam desse dia.
O que é novidade no retrato é que quando todos já escolheram a posição certa os rostos de Crabbe e Goyle se tornam caveiras.
— O que isso tem a ver comigo? – questiona Blásio recebendo em troca o olhar de Pansy e Draco. – Eu só estou perguntando.
— O que você acha que isso significa? – Draco pergunta a Pansy mesmo sabendo a resposta.
— Que Greg está morto. – Pansy pega o retrato e guarda em seu bolso. – E que seremos os próximos.
Draco, Pansy e Blásio param numa área onde há uma vista para o jardim e lugares para se sentar igualmente a Hogwarts.
— Greg fugiu de Azkaban, não foi. – afirma Blásio.
Antes mesmo dos nomes dos fugitivos serem publicados no Profeta Diário Pansy sabia que Greg havia fugido, ele o conhecia e sabia que ele não perderia a chance de liberdade.
— O que você está pensando, Draco? – questiona Blásio ao ver Draco em silêncio olhando para o jardim.
— Estamos sendo ameaçados isso é uma realidade. – afirma Draco. – Tem algo acontecendo eu só não sei o que é.
— Não é tão difícil encontrar o motivo. – argumenta Pansy se sentando. Escolher botas de salto alto parece ter sido uma péssima ideia. – Estão com raiva por nós sermos filhos de comensais da morte que fugiram de Azkaban e acreditam que somos culpados. Mas o que me deixa confusa é que se realmente Greg estiver morto porque o Ministério não fez um pronunciamento sobre isso.
— Ouvi dizer que o Ministério está uma bagunça desde da fuga e só está sendo encoberto por enquanto devido às festas do final de ano. Estão até revendo leis e uma delas está relacionado com Comensais da morte.
— Onde você ouvi isso? – Pansy pergunta surpresa, pois trabalha no Ministério e não havia visto na fora do comum.
— Estou saindo com a secretária da chefe do Departamento de Execução das Leis da Magia.
Pansy e Draco olham maliciosamente para Blásio.
— Ela não disse do que se trata essa lei? – pergunta Draco.
— Ela não sabe, é um assunto privado ainda.
— Quando tudo isso vai acabar! – resmunga Pansy passando a mão no rosto. – O que vamos fazer?
— Sentar e esperar sermos assassinados não é uma opção. – fala Draco. – Sei uma forma de conseguir mais informação sobre essa lei e até mais sobre o que o Ministério planeja.
— Como? – Pansy e Blásio perguntam em simultâneo.
— Se der certo eu contarei para vocês. – Draco fala. – Enquanto isso, Pan tome cuidado e Blásio me deixe informado. Agora eu tenho que ir.
Draco saí deixando Pansy e Blásio confusos olhando um para o outro.
O barulho de seus saltos mostram o quanto a visita que ela teve hoje de manhã a animou. Receber a visita do bruxo que admira depois de meses tentando se comunicar é o que ela chamaria de “Milagre do pré -ano novo.” A conversa que ela sonhou e ter foi muito mais do que ela esperava e ajudou muito o ego dela receber elogios de alguém que ela aprecia.
Hermione anda pelo corredor do Departamento para regulação e controle de criaturas mágicas com um sorriso estampado no rosto que nem as papeladas enormes que ela carrega consegue afetar o seu humor.
— Senhorita Granger. – cumprimenta a colega de trabalho ao passar por ela.
Hermione está tão perdida nas memórias da conversa que teve com Allan Matthews que nem notou o bruxo sentado na cadeira em frente a sua sala a esperando.
— Granger. – chama.
Hermione fica estática em frente a porta de seu escritório surpresa com a presença do bruxo.
— Malfoy. – cumprimenta ela olhando surpresa para ele.
Malfoy está elegante para uma visita ao Ministério, mas suas roupas não são formais o suficiente como se ele estivesse ali para tratar de negócios.
— Como posso te ajudar? – pergunta ela tentando dissipar a surpresa.
— Soube que você é responsável pela contratação dos elfos domésticos. – Draco explica calmamente. – Eu estou precisando de um elfo doméstico.
— Claro, entre. – Hermione ainda estado de choque esquece de usar a varinha e tenta abrir a porta com uma das mãos, mas antes de tocar a maçaneta a porta se abre sozinha.
Hermione atordoada olha para atrás para ver Draco com a varinha em punho apontada para a porta.
— Obrigada. – agradece ela entrando no escritório. – Você pode se sentar que irei pegar um formulário para você.
Draco entra no escritório observando o ambiente que ele já imaginava como seria, cheio de livros e pergaminhos. Ele coloca o casaco cinza sobre o encosto da outra cadeira e se senta na do lado.
Hermione coloca a papelada em cima da mesa e abre uma das gavetas puxando um pergaminho.
— Você precisa colocar suas preferências, exigências e depois assinar. – explica Hermione estendendo para ele o pergaminho e uma pena. – Depois irei analisar e comparar com elfos que estão cadastrados e te enviarei a ficha daqueles que se encaixam.
Enquanto Draco preenche o pergaminho Hermione organiza a papelada usando dessa vez a varinha.
Hermione tenta ao máximo fingir que não está assistindo Draco preencher, mas inevitável por causa da estranheza da situação.
— Aqui está. – Draco empurra o formulário na direção de Hermione.
— Leva só sete dias para eu enviar uma resposta. – Hermione esclarece dando uma olhada rápida no formulário a procura de erro.
Normalmente Hermione iria explicar as regras de contratação e a remuneração que o elfo deveria receber pelos serviços prestados aos bruxos. No entanto, Draco Malfoy parecia estar informado já que veio até ela com a pretensão de contratar um elfo em vez de pedir informação.
— Entendi. – Draco se levanta pegando seu casaco cinza da cadeira. – Quando eu contratar o elfo doméstico terei que declarar isso?
— Bem, quando você contratar o Ministério já vai estar ciente que você tem um elfo doméstico sob sua tutela.
— Que bom! Não quero arranjar problema com o Ministério. – dá um singelo sorriso. – Já basta as reuniões com a Chefe do Departamento de Execução da Magia que insistem em adiar sendo que eu só quero que ela autorize novamente minhas viagens internacionais.
Hermione franze a testa.
— Mas isso tem que ser resolvido só com ela? – questiona Hermione pensando que qualquer um podia dar o selo de aprovação.
— Pelo visto sim, esse é o privilégio que é dado a mim por ser um antigo Comensal da morte. – comentam Draco. – E também há uma Lei que está sendo revista em relação aos Comensais da Morte por isso que não posso sair da Inglaterra.
— Compreendo. – Hermione assenti com a cabeça. – Espero que consiga uma reunião com ela.
— Obrigado, Granger. – Draco agradece e se retira do escritório.
Hermione pega o formulário de Draco e lê novamente com mais calma. O formulário não há nada de diferente dos outros milhares de formulário que passou pelas mãos dela, somente na parte de preferências e exigências que chama a sua atenção. Escrito com a caligrafia bem feita de Draco Malfoy está: preferência por um elfo doméstico fêmea, a exigência é que saiba dar cuidados para uma bruxa com uma saúde muito debilitada.
Hermione se compadeci ao pressupor o motivo da contratação do elfo doméstico e pela urgência de Draco em querer poder sair do país. Ela havia ouvido falar da situação da companheira de Draco e que não havia cura para uma Maldição de sangue, mas talvez Draco não pensasse dessa forma por isso estudasse Alquimia.
Com seu coração falando mais alto do que razão e despertada pelo interesse na nova lei Hermione pensa que talvez possa ajudar Draco Malfoy.
Exatamente o que Draco queria.
Pansy aparata na entrada cidade, por causa da escuridão não há nada que consiga ser visto com nitidez nem mesmo a estátua em frente à entrada, as ruas deserta cobertas pela rasa neve que formam um caminho se torna um guia para ela pela falta de iluminação. O vento frio são os únicos sons produzidos na cidade que parecia estar abandonada, Pansy caminha a procura de algum número ou sinalização para identificar o lugar que deveria ir, sem outra opção ela puxa a varinha do grosso casaco.
— Lumos. – a ponta da sua varinha se ilumina e ela coloca sobre o bilhete na qual está escrito o endereço.
Quando a luz ilumina o papel um contorno vai surgindo e se move até criar a silhueta de um anjo olhando para o lado direito, sem compreender nada Pansy acompanha o olhar do anjo com a varinha iluminando e avista uma estátua coberta de gelo idêntica ao contorno do anjo diante de um cemitério.
Pansy caminha até o cemitério usando a iluminação da sua varinha.
— Homenum Revelio! – pronuncia ela apontando a varinha para saber se havia alguma presença no local, alguma presença viva.
Pansy adiou muito até finalmente decidir que iria onde o cartão que veio junto com bracelete no Natal indicava, essa decisão tomada depois das “sutis” ameaças direcionadas a ela. Mesmo que sua mente dissesse que podia ser uma armadilha um lado dela dizia e queria acreditar que talvez fosse seu pai querendo se comunicar.
Pansy se sente apreensiva a cada passo que dá para dentro do cemitério, a sensação que algo pudesse vir acontecer se intensifica enquanto ela vai lendo os nomes das lápides. O papel em sua mão voa e o vento o leva para ficar preso em uma árvore, pela intuição ou não ela segue na mesma direção e sob os pés da árvore há pedaço de madeira fincada no chão, levando a varinha para iluminar Pansy sente seu corpo congelar como tivesse sido atingida por um feitiço, escrito sobre a madeira está “Midas Parkinson”.
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