P.O.V. Ella.

O dia do baile chegou e eu estava pronta.

—Vamos meninas! Mas, o que é isso?

—Eu mesma fiz. Não lhe custou absolutamente nada.

—Vejam só que vestido mais cafona. É tão velho que está se desfazendo.

—O que?

Ela puxou a manga rasgando-a.

—A manga rasgou.

—Não. Por favor, não rasgue meu vestido.

Elas reduziram o meu lindo vestido a trapos e foram embora. Tudo o que me restava era o colar que a minha mãe me deu.

Corri para o jardim e chorei ajoelhada no chão do coreto.

—Não chore linda garota. Porque você vai ao baile hoje.

—O que?

—Devemos nos apressar. Vá ao jardim e colha uma abóbora a maior e mais bonita que encontrar.

De alguma forma eu sabia que podia confiar nela, então fiz o que ela pediu apesar de não fazer a menor ideia de como uma abóbora me faria ir ao baile. Mas, logo eu descobri.

—Bibidi bobidi bo!

A abóbora se transformou numa linda carruagem suntuosa e brilhante.

—Como você fez isso?

—Sou sua fada madrinha.

Ela transformou meus ratinhos em garanhões brancos que formaram duas parelhas de cavalos, os lagartos se tornaram dois lacaios, o Senhor Ganso se tornou um cocheiro roliço e transformou meu vestido rosa esfarrapado em um lindo vestido azul cheio de borboletas, anáguas e tudo mais.

Quando estava entrando na carruagem ela viu meus sapatos.

—São seus melhores?

—Ninguém vai vê-los.

—Tire. Vão estragar seu visual, vou te fazer novos.

Ela me fez sapatos de cristal lindos.

—São de cristal mesmo?

—Sim. E são muito confortáveis. Adorei o colar.

—Era da minha mãe.

—Vai logo.

—Obrigado por tudo.

—E Ella? Ao soar da meia noite a magia cessará e tudo ao que era antes voltará.

—Meia noite. É mais que o suficiente.

—Vai senhor ganso!

Assim que eu cheguei todos pararam para olhar pra mim. E ele estava lá.

Desci as escadas bem devagar, prestando atenção onde pisava e quando cheguei ao térreo ele estava com a mão estendida para mim. Eu peguei.

—É você não é?

—Sou eu.

—Você é de verdade?

—Você é?

Nós dançamos a primeira dança e estávamos saindo quando fomos detidos por alguns homens.

—Onde conseguiu esse medalhão?

—Era da minha mãe. Porque?

—Qual era o nome da sua mãe?

—Evangeline Van Cartier.

—Você tem alguma marca de nascença?

—De que isso importa?

—Por favor, apenas responda.

—Tenho.

—Onde fica?

—Nas minhas costas e tem forma de coração.

O homem ficou de joelhos.

—Alteza.

—Pode se levantar.

—Com todo o respeito rapaz, mas estou me curvando para ela e não para você.

—Porque?

—Porque você é a Princesa da Inglaterra. E deve vir comigo.

—Eu vou ficar no baile. Você me confundiu com outra pessoa, passe bem.

—Qual é o seu nome?

—Ella.

Ele me levou até um lindo jardim secreto.

—Um balanço.

—Por favor.

—Eu não devo.

—Deve sim.

—Não devo não.

—Deve sim.

—Está bem.

Sentei-me no balanço e ele me empurrou fazendo o balanço cumprir sua função. Mas, ele balançou forte demais e o meu sapatinho saiu.

—Ops.

—Deixa, eu pego. São de cristal?

—São.

—Então, Ella me fale sobre você.

—Eu...

O relógio começou a soar.

—Eu tenho que ir. Você foi muito gentil, eu adorei cada segundo dessa noite. Adeus.

—O que? Onde está indo?

—Lagartos e abóboras. É difícil explicar.

P.O.V. D'Artagnan.

A noite foi maravilhosa, memorável. Mas, quando estava prestes a descobrir mais sobre a encantadora e misteriosa Ella, ela fugiu célere como uma corça dourada. Felizmente, os guardas do Rei da Inglaterra a detiveram.

—Perdoe-nos doce Princesa, mas tem que vir conosco.

—Mas, ao soar das doze a magia cessará e tudo ao que era antes voltará.

—O que?

—Só me tirem daqui por favor.

—Com prazer.

—Esperem, vou com vocês.

P.O.V. Ella.

O último eco da meia noite soou e então meu vestido azul voltou a ser farrapos rosa, minha carruagem voltou a ser abóbora, meus lacaios lagartos, meus cavalos voltaram a ser ratinhos e eles todos ficaram chocados.

—Como fez isso?

—Não fui eu. Foi a minha fada madrinha.

—Os sapatos ainda são de cristal e o camafeu ainda é um camafeu.

—Os sapatos não foram transformados, foram feitos.

Eles me levaram de volta para a minha casa e eu fiz as minhas malas.

—O que está fazendo no meu quarto sua imunda?!

—Você me deve Lady Tremaine. E eu vim cobrar.

—Nunca mais entre aqui!

Ela tentou me atacar.

—Senhora, não coloque as mãos na Princesa.

Peguei as jóias e vestidos dela e os das minhas irmãs postiças.

—Agora vocês vão ser tão feias quanto as almas de vocês. Eu as perdoo, sua dívida está paga. Adeus.

Fomos para o porto e logo estávamos em um navio para a Inglaterra.

P.O.V. Lady Tremaine.

Ella a imunda é a Princesa da Inglaterra?! Ela nos deixou na miséria!

Ficamos com suas roupas velhas e surradas, as minhas jóias, as de minhas filhas, meus vestidos e os vestidos delas. Não deixou absolutamente nada de valor para trás. Moedas, ela levou todas.

—O que faremos agora mamãe?

—Sobrevivemos.

P.O.V. Rei Louis.

Ele fugiu. Foi visto indo para o porto acompanhando aquela jovem que recentemente descobriram ser a Princesa da Inglaterra.

Ele foi para um País que é inimigo sem escolta, sem guarda! Ele sempre foi rebelde e inconsequente, mas dessa vez foi demais.

Algum dia esse menino vai fazer alguma bobagem que vai custar a vida dele.