A mais bela entre as belas
3 Um baile na corte
P.O.V. Ella.
O dia do baile chegou e eu estava pronta.
—Vamos meninas! Mas, o que é isso?
—Eu mesma fiz. Não lhe custou absolutamente nada.
—Vejam só que vestido mais cafona. É tão velho que está se desfazendo.
—O que?
Ela puxou a manga rasgando-a.
—A manga rasgou.
—Não. Por favor, não rasgue meu vestido.
Elas reduziram o meu lindo vestido a trapos e foram embora. Tudo o que me restava era o colar que a minha mãe me deu.
Corri para o jardim e chorei ajoelhada no chão do coreto.
—Não chore linda garota. Porque você vai ao baile hoje.
—O que?
—Devemos nos apressar. Vá ao jardim e colha uma abóbora a maior e mais bonita que encontrar.
De alguma forma eu sabia que podia confiar nela, então fiz o que ela pediu apesar de não fazer a menor ideia de como uma abóbora me faria ir ao baile. Mas, logo eu descobri.
—Bibidi bobidi bo!
A abóbora se transformou numa linda carruagem suntuosa e brilhante.
—Como você fez isso?
—Sou sua fada madrinha.
Ela transformou meus ratinhos em garanhões brancos que formaram duas parelhas de cavalos, os lagartos se tornaram dois lacaios, o Senhor Ganso se tornou um cocheiro roliço e transformou meu vestido rosa esfarrapado em um lindo vestido azul cheio de borboletas, anáguas e tudo mais.
Quando estava entrando na carruagem ela viu meus sapatos.
—São seus melhores?
—Ninguém vai vê-los.
—Tire. Vão estragar seu visual, vou te fazer novos.
Ela me fez sapatos de cristal lindos.
—São de cristal mesmo?
—Sim. E são muito confortáveis. Adorei o colar.
—Era da minha mãe.
—Vai logo.
—Obrigado por tudo.
—E Ella? Ao soar da meia noite a magia cessará e tudo ao que era antes voltará.
—Meia noite. É mais que o suficiente.
—Vai senhor ganso!
Assim que eu cheguei todos pararam para olhar pra mim. E ele estava lá.
Desci as escadas bem devagar, prestando atenção onde pisava e quando cheguei ao térreo ele estava com a mão estendida para mim. Eu peguei.
—É você não é?
—Sou eu.
—Você é de verdade?
—Você é?
Nós dançamos a primeira dança e estávamos saindo quando fomos detidos por alguns homens.
—Onde conseguiu esse medalhão?
—Era da minha mãe. Porque?
—Qual era o nome da sua mãe?
—Evangeline Van Cartier.
—Você tem alguma marca de nascença?
—De que isso importa?
—Por favor, apenas responda.
—Tenho.
—Onde fica?
—Nas minhas costas e tem forma de coração.
O homem ficou de joelhos.
—Alteza.
—Pode se levantar.
—Com todo o respeito rapaz, mas estou me curvando para ela e não para você.
—Porque?
—Porque você é a Princesa da Inglaterra. E deve vir comigo.
—Eu vou ficar no baile. Você me confundiu com outra pessoa, passe bem.
—Qual é o seu nome?
—Ella.
Ele me levou até um lindo jardim secreto.
—Um balanço.
—Por favor.
—Eu não devo.
—Deve sim.
—Não devo não.
—Deve sim.
—Está bem.
Sentei-me no balanço e ele me empurrou fazendo o balanço cumprir sua função. Mas, ele balançou forte demais e o meu sapatinho saiu.
—Ops.
—Deixa, eu pego. São de cristal?
—São.
—Então, Ella me fale sobre você.
—Eu...
O relógio começou a soar.
—Eu tenho que ir. Você foi muito gentil, eu adorei cada segundo dessa noite. Adeus.
—O que? Onde está indo?
—Lagartos e abóboras. É difícil explicar.
P.O.V. D'Artagnan.
A noite foi maravilhosa, memorável. Mas, quando estava prestes a descobrir mais sobre a encantadora e misteriosa Ella, ela fugiu célere como uma corça dourada. Felizmente, os guardas do Rei da Inglaterra a detiveram.
—Perdoe-nos doce Princesa, mas tem que vir conosco.
—Mas, ao soar das doze a magia cessará e tudo ao que era antes voltará.
—O que?
—Só me tirem daqui por favor.
—Com prazer.
—Esperem, vou com vocês.
P.O.V. Ella.
O último eco da meia noite soou e então meu vestido azul voltou a ser farrapos rosa, minha carruagem voltou a ser abóbora, meus lacaios lagartos, meus cavalos voltaram a ser ratinhos e eles todos ficaram chocados.
—Como fez isso?
—Não fui eu. Foi a minha fada madrinha.
—Os sapatos ainda são de cristal e o camafeu ainda é um camafeu.
—Os sapatos não foram transformados, foram feitos.
Eles me levaram de volta para a minha casa e eu fiz as minhas malas.
—O que está fazendo no meu quarto sua imunda?!
—Você me deve Lady Tremaine. E eu vim cobrar.
—Nunca mais entre aqui!
Ela tentou me atacar.
—Senhora, não coloque as mãos na Princesa.
Peguei as jóias e vestidos dela e os das minhas irmãs postiças.
—Agora vocês vão ser tão feias quanto as almas de vocês. Eu as perdoo, sua dívida está paga. Adeus.
Fomos para o porto e logo estávamos em um navio para a Inglaterra.
P.O.V. Lady Tremaine.
Ella a imunda é a Princesa da Inglaterra?! Ela nos deixou na miséria!
Ficamos com suas roupas velhas e surradas, as minhas jóias, as de minhas filhas, meus vestidos e os vestidos delas. Não deixou absolutamente nada de valor para trás. Moedas, ela levou todas.
—O que faremos agora mamãe?
—Sobrevivemos.
P.O.V. Rei Louis.
Ele fugiu. Foi visto indo para o porto acompanhando aquela jovem que recentemente descobriram ser a Princesa da Inglaterra.
Ele foi para um País que é inimigo sem escolta, sem guarda! Ele sempre foi rebelde e inconsequente, mas dessa vez foi demais.
Algum dia esse menino vai fazer alguma bobagem que vai custar a vida dele.

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