A maçã de ouro

2 Ana - Um dia bem louco


Notas iniciais
Hello, my friends! Eu sou uma idiota mesmo. Como vão ? Nos vemos lá em baixo...

Tudo começou quando me revirei a noite toda na cama, no chalé 10. Sonhei com minha mãe e isso não era algo bom. Não mesmo. Pra quem não sabe, sou filha de Afrodite a deusa grega do amor e da beleza, e não, não sou como espera. Vamos dizer que fui um projeto mal feito.

Olhei para o meu lado esquerdo e vi a Amanda dormindo profundamente. Olhei para o direito e a Boni também dormia profundamente, como se não estivessem sonhando. Ahhh qual é o meu problema com sonhos? Nenhum. Mas quando se é semideus, sonhar não é algo bom. Sonhos são o canal de comunicação entre os semideuses e deuses. É o canal onde sabemos de fatos que irão acontecer, estão acontecendo. Geralmente são só bombas e problemas, como o meu sonho com a minha mãe.

Na verdade eu não conheço minha mãe pessoalmente ou deusamente, tanto faz. Não mesmo. Fui criada por meu pai, que diferentemente dos pais das minhas outras irmãs, não era ninguém famoso ou bonito. Meu pai era apenas um florista, que amava as flores acima de tudo. Quando eu nasci e minha mãe me deixou com ele, ele tomou um belo de um susto mas criou a filha com todo amor e carinho, até eu completar 4 anos. Foi quando ele descobriu que estava com um tumor no cérebro e tinha pouco tempo de vida. Logo após isso, assim que fiz 5 anos, ele faleceu e não havia mais ninguém da família. Fui deixada em um orfanato. Mas algo sempre me impedia de ser adotada. Sempre acontecia algo estranho e a família me devolvia. Até que um senhor barbudo em uma cadeira de rodas, que logo descobri ser Quíron, chegou no orfanato e me adotou. Me trouxe pro acampamento e me contou toda a verdade. Óbvio que uma criança de 5 anos não entendeu tudo de imediato, mas pouco se importou com isso. Tinha uma nova família, e irmãos. Logo me adaptei e sou uma das mais antigas aqui do Camp.

Olhei pela janela a minha frente e vi o sol nascendo. Suspirei, e pensei novamente no sonho. Minha mãe me dizia para ter atenção e não me afastar do pinheiro, que algo muito importante chegaria para mim. Um presente? Não. Não deve ser. Balancei a cabeça para jogar esses pensamentos no fundo de meu cérebro e me levantei para me arrumar. Mexi no armário e escolhi sem querer um short da Manda, depois eu explicaria a ela, ela não ficaria chateada, já que estava com um vestido meu a anos, mas nós, filhas de Afrodite, não temos problema em dividir roupa, não com nossas irmãs. Vesti meu tênis favorito, azul marinho e coloquei minha camisa personalizada do Acampamento, eu a cortei. Peguei meu cinto com minha adaga embainhada e olhei para as meninas. Não sei por quê, mas nós três dividíamos o mesmo quarto, só nós três, sempre nos sentimos como irmãs inteiras, não como se só dividíssemos a mãe.

Não me contive, e tive que acordá-las. Com muito cuidado eu puxei o cobertor da Boni, e em consequência, levei um chute nas costelas. Eu adoro acordar minhas irmãs. Já a Manda, eu gosto de pegar um pena e fazer cosquinha nela até acordá-la, e levar um tapa na perna. Essa rotina era tão boa e familiar, e eu sempre quis isso. Depois de apanhar das duas sonolentas, assim que despertaram, começaram a jogar em mim seus travesseiros enquanto eu ria de rolar no chão, da cara de brava delas. Boni levantou reclamando que eu não presto, que tinha que deixá-la dormir e foi para o banheiro. A Manda continuou deitada me encarando com aqueles olhos esverdeados. É, minhas irmãs são lindas e dignas de serem filhas de Afrodite, já eu nasci bugada, é a vida.

– Esse short é meu. — disse a Manda apontando para o short que eu usava.

– Ah, sim, é, peguei emprestado. — eu disse, sorrindo.

– Só não o rasgue, tá? Ele é meu preferido. — ela disse, bocejando.

– Tudo bem, pode deixar. — eu disse. — Ah, Manda, esqueci de dizer, quebrei aquele seu vidro de esmalte vermelho...

– Você fez o quê? — disse ela já se levantando da cama e indo procurar nas suas coisas o esmalte, achando que era uma brincadeira.

Nesse momento, uma batida na janela, nos tira da tensão de briga que se espalhava, era a Malu, nossa amiga filha de Selene, deusa da Lua. Malu só não morava no mesmo quarto, pois tinha que ficar em seu chalé, regras do Acampamento.

– Bom dia meus amores! — disse Malu, assim que abri a janela.

– Bom dia só se for pra você! Você acredita que a vaca da Ana quebrou meu esmalte? — disse a Manda fazendo biquinho.

– O esmalte é de menos, acabei de deixar cair um perfume lá no banheiro, um Chanel, é de quem? — perguntou a Boni, saindo do banheiro enquanto enxugava os cabelos. Achei que a Manda fosse ter um ataque. Ela saiu correndo para o banheiro enquanto eu ia verificar se meu Dior continuava na cabeceira.

Malu gargalhava na janela, enquanto ouvíamos a voz da Manda xingar tudo que se tem direito do banheiro, em grego e tudo. Foi quando a Malu disse:

– Ana, o Hequitor está te procurando.

Eu já sabia para quê. Quando eu quebrei o esmalte, sai correndo até o chalé 11 e implorei para o Hequitor comprar/roubar, fazer o que um bom filho de Hermes faz, um esmalte novo para eu devolver a Manda. Peguei uns dracmas na penteadeira e sai correndo para o chalé 11.

Assim que cheguei na porta, ouvi as cantadas baratas e chatas dos irmãos de Hequitor, não que eu me importasse, eu só ria delas. Hequitor estava parado na porta com uma sacola de papel da Gucci na mão, ou seja, ele conseguiu o esmalte.

– Graças aos deuses! — exclamei assim que vi o saco e sai correndo em sua direção.

– Ana, ai está você! — ele disse.

– Não, aqui é um holograma feito pelos meninos do 9. — eu disse revirando os olhos.

– O holograma não seria tão bonito. — disse-me ele dando uma piscadela. — Enfim, consegui o esmalte.

– Obrigada! Muito obrigada! Isso vai alegrar o humor da Manda, hoje ela está uma arara. Aliás, tem como ver pra mim um perfume igual ao dela? A Boni quebrou o dela hoje. — eu disse.

– Claro que tenho! Mas o que vou ganhar em troca? — ele disse em um tom maldoso.

– Dracmas! — exclamei, entregando as que eu tinha na mão a ele.

– Só dracmas por esse trabalho todo? — disse ele dando um muxoxo.

– Nem pensar nisso, mocinho. — eu disse, pegando a sacola de sua mão e me despedi voltando para o meu chalé. Rapidamente joguei a sacola na cama da Manda enquanto ela ainda estava no banheiro e segui até o pavilhão do refeitório.

Mas algo me deteve, alguma coisa me dizia para ir dar uma olhada no pinheiro, não sabia o por quê, só desviei meu caminho e subi até perto do pinheiro, vi que nada estava diferente e me virei para voltar. Só que nesse momento minha adaga brilhou e eu parei de andar, virada de costas para o pinheiro, foi quando ouvi um barulho, de algo caindo no chão, perto do pinheiro.

Quando virei na direção do barulho, vi um garoto, da minha idade, caído no chão, ele parecia ferido. Saí correndo em sua direção e me ajoelhei a seu lado, o ajudando a levantar o máximo que ele podia. Ele me olhou nos olhos e algo nele era estranhamente familiar. Tive a sensação de que já o conhecia e vê-lo naquele estado me encheu de lágrimas. Só que logo em seguida ele desmaiou, caindo em meu colo.

Gritei por socorro e logo alguns campistas vieram me ajudar. Carregaram-no inerte para a enfermaria na Casa Grande e os filhos de Apolo foram cuidar dele.

Passei o dia aflita, preocupada e ao mesmo tempo aliviada por tê-lo visto. Como eu podia sentir alivio em ver um garoto machucado? Nem eu sabia, mas tudo que sentia era que finalmente ele estava de volta, mesmo em suas condições.

Lá para o fim da tarde, fui à enfermaria vê-lo, mesmo que ele estivesse inconsciente, só queria ter certeza de que ele estava lá.

Assim que adentrei a enfermaria, o vi em pé, de costas a mim e fiquei observando-o em silêncio. Ele era um belo rapaz, mais alto que eu, uns 15 centímetros no mínimo. Tinha um porte atlético, como se fizesse algum esporte. Suas roupas sujas, foram trocadas por outras limpas, e ele realmente parecia bem.

Foi quando ele percebeu minha presença e se virou na minha direção. Não pude deixar de soltar um suspiro, eu já tinha o visto, no sonho que tive com minha mãe, mas não deixei transparecer, e soltei, para quebrar o silêncio:

– Se sente melhor?

Notas finais
E ai? Nos vemos no próximo capítulo!