Luana estava em sua cama checando o whatszapp, ela participava de poucos grupos porque não tinha tempo ou vontade de ficar lendo muitas mensagens, então ficava no aglomerado da família, um das amigas que tinha ela, Cosete, Mariana e Juliana e outro do jiu-jitsu. O restante eram contatos comuns como seu namorado, colegas da escola e outros. Toda noite sempre trocava palavras e áudios com Luís, dificilmente deixavam de se falar mesmo que tenham se visto durante o dia, houve apenas uma época que ela decidira lhe dar um tratamento de gelo quando ele defendeu Ingrid num argumento.

Luana não estava gostando do fato da garota do primeiro ano B estar ficando muito próxima de seu namorado pela justificativa de gostarem desse mundo de mangás e animes. Ingrid chegava a participar de reuniões com Luís e o restante dos idiotas dos amigos dele e por várias vezes viu o namorado no celular conversando com ela. Estava com ciúmes, mas preferiria engolir uma bola de golfe do que admitir isso. Quando Luís fez a menção do ciúme ignorando os avisos de Luana sobre a garota o ódio explodiu e ela não falou com ele por quase um mês.

Nunca havia lhe passado durante esse tempo a possibilidade de término, queria só que Luís sofresse. Ele mandava toneladas de mensagens, tentava falar com ela no colégio e até lhe comprava presentes. A inevitável conciliação veio quando o rapaz ficou de joelhos na calçada em frente sua casa gritando por ela com um buque de rosas e uma caixa de chocolates porque a avó do menino havia dito que mulheres gostavam dessas coisas. Luana aceitou porque já o tinha feito sofrer o bastante e por que ele prometeu manter distância de Ingrid.

Luana estava sendo tóxica? Possessiva? Talvez sim, mas a razão pairava do lado dela sendo confirmado pelas amigas e por seu querida prima Minerva. Havia motivos facilmente elencados: 1 – Ingrid era solteira. 2 – Era muito bonita. 3 – Ela ficava muito mais próxima de Luís dos que dos outros três idiotas amigos dele. 4 – ficavam trocavam mensagens por horas falando desses desenhos japoneses.

A “puta” claramente estava dando em cima de seu namorado. E Luís nem era lá essas coisas. No último ano havia espichado, ficando mais alto que ela, mas sempre foi um baixinho. Não praticava nenhum esporte ou arte marcial de modo que era magro de braços finos, tinham cabelos castanhos muito lisos que formavam cachos se ficasse mais de um mês sem cortar. Era um preguiçoso e porquinho que não gostava de tomar banho, tomava um por dia no máximo. Além disso Luana vivia tendo que oferecer halls ou outra balinha por causa do mau hálito dele da preguiça de escovar os dentes – como pode alguém ter preguiça de escovar os dentes? Ele também era mão de vaca com coisas que deveria ser essenciais do tipo: Luís não compra perfumes, colônias. Acha muito caro e desnecessário comprando desodorantes com aqueles cheiros fortes de modo que o aerossol fica na casa formando uma neblina digna dos filmes de terror do Stephen King. Não busca se vestir de uma maneira mais adulta preferindo sempre os malditos shorts daquele tecido fino e camisetas body dry que não amarrotam. Ele tem um medo e nojo de calça jeans e camisa social que nem um vampiro teria de alho ou uma cruz.

Então ela teria ciúmes de um cara desses? Quão arrogante Luís era? Ele deveria ser grato por ter uma namorada como ela, de fato sua avó Carminda já agradeceu Luana várias vezes por ajuda-lo porque o garoto parece que se recusava a crescer mentalmente. Ele tem 15 anos, mas age como se ainda tivesse 10 e ultimamente anda pensando em sexo demais. A avó até o enviou ao psicólogo porque viu o sites pornográficos que ele visitava — Luana achou nojento, mas era típico de seu namorado.

— Francamente como ele espera que a gente faça sexo se mais parece que sou babá dele do que a namorada? – reclamou ela para si mesma.

Essa noite enquanto checava as mensagens um contato particular a chamou. Pela foto ela sabia quem era, o novo aluno do jiu-jitsu que tinha entrado há uns dois meses. Enzo tinha dezenove anos, era alto com quase um e noventa e braços definidos pelo tempo de academia e recentemente havia se interessado pela arte marcial. Com uma barba impecável ele sempre andava cheiroso e praticava com empolgação. Luana começara muito cedo então já estava num ponto mais avançado que ele de modo que o instrutor os colocou para treinar juntos para mediar a experiência com a inexperiência.

Porém eles nunca tinham falado pelo celular dessa forma como agora.

Um dia de conversa noturna se tornou dois. Depois três. Em um mês Luana se pegou conversando com ele pelo celular e na academia de jiu-jitsu de uma maneira automática, leve. Ela começou a demorar mais na frente do espelho antes de uma sessão de treino e no último sábado passou mais de quatro horas falando com o universitário entrando na madrugada de domingo.

Luana não era idiota. Era muito madura para a idade e sabia que várias vezes se pegavam flertando, mas não se importava. Era só flerte, ela tinha um namorado e qualquer um que visitasse suas redes sociais saberia disso. Luana gostava de conversar com Enzo, porque ele transmitia aquela aura de homem maduro, de conversas mais eloquentes em vez da costumeira brincadeira de Luís. Muitas vezes se cansava do garoto falando sobre as histórias dos desenhos e dos mangás, tinha ainda mais dor de cabeça quando ele a pressionava para ler. Luana tentara, mas sempre nessas estórias tinha personagens femininas sexualizadas demais, com peitos enormes, cintura fina e pouca roupa.

Então um dia Enzo a chamou para sair. Um treino em área aberta no parque da cidade.

Só os dois.

O alerta de Luana apitou e ela sentiu uma empolgação estranha com o corpo ficando quente. Respirou fundo, estava tudo bem. Ela tinha namorado e gostava dele. Enzo a chamou para treinar golpes de jiu-jitsu na grande área de gramado debaixo dos pés de mangas que há lá no parque.

Ela foi.

Treinaram alguns golpes, socos e chutes, conversaram muito e Enzo a convidou para tomarem um açaí, ele pagava. Luana engoliu seco, estava tudo bem. Não tinha acontecido nada demais. Aceitou, foram para um açaiteria e lá conversaram mais, a adolescente se pegou rindo e sentindo cada vez mais confortável. Era uma diferença notória entre Luís e Enzo. Com Luís ela também se sentia confortável e leve, mas não tinha essa estranha empolgação, esse calor.

Enzo tinha carro e a deixou em casa.

Tudo bem. Não tinha acontecido nada. Foi só uma tarde agradável.

Uma noite antes de dormir ela conversava com Luís pelo celular, mas quando Enzo a chamou ela acabou esquecendo de Luís só respondendo ele horas depois. Aquele sinal foi o mais perigoso e ela convocou o que chama de “pequeno conselho”. Apesar das amigas que tinha, Luana só confiava em duas mulheres o bastante para se abrir: sua amiga Cosete e sua prima Minerva.

Cosete tinha sua idade e era inacreditavelmente linda tanto de rosto quanto de corpo. Por várias vezes Luana ficou pensando como a biologia da mulher era injusta. Por mais de uma vez foi com a amiga às compras porque o tamanho do sutiã de Cosete tinha mudado, também não conseguia acreditar como a bunda de uma adolescente pode inflar a ponto de fazer aquelas curvas mesmo com uma cintura tão fina. Já sua prima Minerva era uma mulher divorciada de 35 anos com uma opinião que se alinhava bem com os pensamentos de Luana, ambas tinham uma boa afinidade e Minerva era a prima que mais esteve próxima dela durante a infância.

— Termina com o punheteiro e fica com o gostosão. – disse Cosete na lata.

— Cosete, menos. É sério! Eu sei que você não gosta muito do Luís, mas estou assustada comigo mesmo então quero minha amiga de verdade hoje aqui em vez da personificação da megera indomada.

Cosete respirou fundo sentando-se no puff do quarto de Luana enquanto Minerva ia até a janela para fumar um cigarro.

— Hoje em dia não tem como o gostosão não saber que você não tem namorado né? – disse a prima acendendo um cigarro.

— Acho que não... eu nunca disse por que nunca veio ao caso, mas ele me adicionou nas redes sociais e eu ele então... bom... tá lá que estou em um relacionamento sério e tem várias fotos de mim com o Luís.

Minerva deu uma longa tragada soprando a fumaça janela a fora e disse sem hesitar.

— Ele quer te comer.

— Prima! Será que pode mudar o palavreado!?

— Não seja infantil Luana, você já tem mais de 16. Já sabe como as coisas funcionam, só não entende. Eis aí uma excelente oportunidade. Ele gostou de você, provavelmente porque de alguma forma é o tipo dele e tá com tesão e você – ela apontou o dedo com o cigarro no meio – também sente tesão por ele.

Luana sentiu o rosto ficar quente. Cosete assoviou.

— Mais um motivo para você terminar com o punhenteiro, fala sério Luana. Ele é mais seu amigo de infância do que seu namorado de fato, sempre foi assim. Arrisco a dizer que você até está se tornando a mãe dele.

— Isso foi exagero, Cosete.

— Mas não está errado.

Luana não respondeu. Minerva ficou olhando para a janela e começou a falar.

— Você está com medo por que está se empolgando com o gostosão, já notou que ele te quer e a ideia não parece ruim. Mas você tem namorado e gosta do punheteiro.

— Poderiam não chamar ele assim?

— A avó dele o fez ir no psicólogo por causa dos sites pornô que visita! – disse Cosete numa risada.

Luana levou uma mão à cabeça.

— Não deveria ter te contado isso, ele só foi por que Carminda colocou isso como condição para continuar recebendo a mesada. Imagina uma senhora de setenta anos acessando o computador e vendo pornografia na forma de desenho animado, é claro que ela ia surtar.

— Luana tem razão Cosete, homens são bestas que buscam sexo a todo momento a partir do instante em que entram na fase adulta. É como um maldição por eles terem um pênis. Se eles tivessem acesso livre a mulheres fáceis ou prostitutas não seriam masturbadores, como hoje em dia não é tão simples precisam recorrer à mão. Luís é um garoto normal como qualquer outro – ela volta a apontar na direção de Luana – o que não tira o fato dele ser um punheteiro já que você não dá pra ele.

Luana ficou ainda mais vermelha.

— Então não sabe o que fazer não é? – perguntou Cosete – você já sabe, só tem medo. Tá na cara que tem falar a verdade para o punheteiro. A verdade amiga, você não odeia ele só que o cara simplesmente não te atrai como homem. Sendo sincera, nenhuma mulher no mundo a condenaria.

— A peituda tem razão nesse caso. – Minerva soltou uma baforada para fora. — mas ela também é uma pirralha que nem você e não enxerga o cenário inteiro.

— Peituda? Pirralha?! Tá querendo comprar briga, velhota?

Minerva sorriu.

— Não fique brava com tão pouco pirralha, senão seu futuro vai ser uma merda maior do que deveria. Você não entende que Luana entrou numa bifurcação bem simples, uma em que muitos homens e outras mulheres passam.

— Como assim? – perguntou Luana.

— O Luís é seu porto seguro, o homem que mais te conhece nessa vida. Ele sabe do seu humor, dos seus gostos, ele entende sua raiva e seus limites e passando por tudo isso ficou do teu lado, quer estar ao seu lado. Mas ele é chato. Maçante. Crianção. Enzo é a novidade, ele tem aquele cheirinho de carro novo, além de ser gostoso que dá tesão. Você quer isso, toda mulher quer sentir na vida essa empolgação, essa sensação da vida ser recompensadora. Eles se completam dando a você o pacote cheio que nós mulheres sempre buscamos em um parceiro. O problema é que você não acredita que pode ter os dois.

— Eu não posso. – disse ela.

Minerva voltou a sorrir tragando mais uma vez o cigarro.

— Quem disse?

— Está dizendo para ela trair o Luís, velha? – Cosete ficou de pé.

— Estou dizendo para ela fazer o que quiser fazer. Nessa bifurcação que chegou é fim de jogo, está ferrada. Se escolher o punheteiro vai ter uma vida exatamente igual a que está tendo agora e vai piorar com o passar do tempo, se você der pra ele será um sexo ruim por que você ainda é virgem depois vai surgir o problema dele ser virgem e não saber o que está fazendo, tem também o tamanho do pau e tudo mais. E mesmo que passem por isso, depois de transar tanto ele vai enjoar do seu corpo, todo homem é assim. Eles precisam de variedade, por isso trocam de mulher igual trocam de meia. Se terminar com ele e escolher o gostosão pode ter umas noites de sexo boas, se sentir empolgada, mas não se engane: Se o Enzo está dando em cima de você sabendo que tem namorado ele só quer te comer. Não cometa o erro infantil de achar que se você terminar com o punheteiro o gostosão vai namorar contigo. Ou seja, em ambos os casos você perde.

Luana entrou em choque.

— Não exagera, velhota. Não necessariamente as coisas serão assim.

— Por isso eu digo que você é uma pirralha também, peituda. E no seu caso? Já deu pra alguém por que com certeza o que não vai te faltar é candidatos. Como está a sua vida amorosa para vir aqui e aconselhar Luana a terminar com o namorado?

— Não é da sua conta, estamos aqui para ajudar a Luana e você não está fazendo isso.

— Ora, é claro que estou. A realidade bateu a porta dela. Como eu disse, chegar nessa bifurcação ela está ferrada. Todavia, há uma saída.

— Qual? – perguntou Luana visivelmente abalada.

— Vou repetir: faça o que quiser fazer. O gostosão te dá tesão e o punheteiro te faz segura? Fique com os dois. Uma hora o Enzo vai parar de querer te comer e você vai poder voltar à normalidade com o teu boy.

— Isso é ridículo. – disse Cosete – assim ela vai parecer uma puta!

— Puta? Por quê? Por fazer o que ela quer fazer? Se terminar com o boy como você sugere ele vai querer saber o motivo, ela pode inventar a desculpa mais branda, mas no momento que ele ver a Luana com outro vai entrar em choque e odiar ela, isso se já não odiar no momento que ela terminar.

— Mas se eu fizer o que diz – a voz de Luana estava frágil – e o Luís descobrir... ele vai me odiar com certeza.

— Como eu disse: você está ferrada. Pode dispensar o gostosão e ficar no seu porto seguro, mas o relacionamento de vocês não vai ser tão diferente do que é agora e agora você está insatisfeita. Além do mais o punheteiro parece ter muito libido, acha que ele vai ser fiel a você? Acha que se ele se deparar com uma bifurcação dessas em algum momento não vai escolher a rota que eu disse? Ele pode te amar, mas vai escolher o tesão e trepar com outra e depois voltar para seus braços.

Algo dentro de Luana quebrou com as palavras de sua prima.

— E quanto a você peituda, ela não é puta. Não sou simpatizante daquelas feministas malucas de sovaco cabeludo e tetas de fora, mas defendo igualdade de verdade entre homens e mulheres. Se um homem pode transar com várias e não ser “recriminado” pela sociedade a mulher também pode. Além do mais, vocês duas ainda são ingênuas demais.

Ambas olharam para Minerva que deu a última tragada no cigarro jogando a bituca fora.

— Acha que os homens desprezam as putas? Eles pagam valores exorbitantes para uma trepada de uma hora, se os imbecis realmente se importassem com a quantidade de paus que uma mulher já teve dentro dela não existiriam bordéis.

— Nem vem, velha! Uma mulher pra sexo não é uma mulher para um relacionamento sério! Nenhum dos homens vai levar para frente uma mulher com uma reputação de dar fácil.

— Pelo visto só sua bunda e seus peitos cresceram, não sua cabeça. Há homens que se apaixonam por prostitutas. O mundo dos adultos, dos relacionamentos, é vasto e altamente complexo. Não é nada tão preto no branco quanto nossas avós e bisavós nos contavam. Hoje em dia, Cosete, uma mulher que sabe sentar ganha um anel de noivado bem mais rápido do que uma puritana virgem.

As duas ficaram sem reação. Minerva se aproximou de Luana e pôs a mão em seu rosto.

— Se você pensar é porque está com medo das consequências, só que isso é idiota já que haverá consequências de qualquer modo e todas elas serão ruins. Escolha a menos pior querida. Deixe suas vontades livres, é melhor se arrepender de algo que fez do que se arrepender de algo que não fez.

Luana pegou um travesseiro. Estava visivelmente abalada.

— Eu não sei o que fazer.

— Não escute essa velha amargurada Luana. Ela só é assim por causa de um casamento fracassado.

— Não nego isso, contudo é nas falhas que mais aprendemos sobre a vida. E nesse quesito pirralha, eu sei mais que você.

Cosete ficou vermelha de raiva, mas direcionou sua atenção para a amiga.

— O punheteiro é nojento, infantil e carente, só que ele não merece ser traído. Termine com ele se for ficar com o outro cara.

— É uma opção. – disse Minerva – mas ela não vai escolher essa. Dificilmente homens e mulheres escolhem a opção mais ética, há casos, todavia poucos. Sabe por que não escolhem, peituda? Por que o tesão não é racional, nossa carência não se preocupa com a moral. Luana deixou a relação com o gostosão chegar ao ponto dela cogitar ficar com ele, sendo que houve vários momentos em que poderia ter cortado o laço logo ao primeiro sinal de interesse.

Luana foi abalada por outro choque de verdade com as palavras de Minerva.

— Minha previsão é que muito provavelmente você vai escolher sem precisar pensar. Fique com o gostosão, esconda bem do teu namorado e depois que o Enzo perder o interesse você ainda terá os braços do Luís. Esconda bem e ele nunca saberá de nada, depois de um tempo nem vai mais importar.

— Eu... eu não quero fazer isso, Minerva. – Luana respondeu hesitante. — Cosete está certa, o Luís não merece.

— Você quer se sentir viva, empolgada, intensa. Essa emoção surge e te domina muito antes da razão. É claro que ninguém quer ser um filho da puta traidor e infiel, um mentiroso. Mas as pessoas são, em maior ou menor grau e sabe por quê? Por que no começo a recompensa é ótima e imediata, o prazer é excelente e a vida é curta, inconscientemente a gente sabe que podemos morrer amanhã então queremos sentir prazer, queremos algo que faça nossa alma vibrar. Esse sentimento assume a direção de nossas ações, e só pensamos nas consequências após o ato.

***

Escutei o click da arma novamente ao mesmo tempo que meu corpo deu um salto de susto. A abaixei olhando para a pistola e comecei a rir, minha risada se transformou em gargalhadas. Os 2/6 falharam e eu ainda estou aqui, o bizarro é que conseguia sentir alguma empolgação com esse jogo, uma fagulha de felicidade em meio a merda que me encontrava por isso não conseguia parar de rir.

Logo as risadas cederam e as lágrimas vieram, voltei a chorar. Achei que já tinha chorado demais no funeral dela, achei que já tinha exaurido minhas emoções naquela briga, mas parece que não. A água salgada de meus olhos caíram sobre a pistola e voltei a lembrar de como as coisas eram.”

Por que eu fiz aquilo?! Porque tomei todas as decisões erradas? Poderia mesmo ter sido diferente?”

Bom, acho que não importa mais.”

Respiro fundo e coloco uma terceira munição no tambor do 38. O giro rápido e muitas vezes não sabendo qual silo vai estar pronto para o disparo, um vazio ou um cheio. Agora são 3/6. 50% de chances. Não nego o medo e empolgação por isso, volto a colocar o cano da pistola bem no meio da minha testa.

E puxo o gatilho.

Notas finais
Obrigado por ter lido até aqui. Postarei o próximo capítulo se houver ao menos um comentário nesse, gosto de saber como anda a história pelo ponto de vista dos outros que a leem.