Notas iniciais
Um presente de Natal para minha querida Angie. Era para ser uma one, mas gostei tanto de escrever esse cap, que talvez eu escreva mais alguns.

Ele a amava, era um fato. Nada poderia ser feito sobre isso. Gui amava Hermione, agora só restava saber se ela o amava. Realmente, seria difícil uma garota como ela ficar, ou amar, um homem como ele. E ele não poderia reclamar, afinal era nove anos mais velho que ela, é o irmão mais velho de um de seus melhores amigos e agora, depois da guerra, era um viúvo. Sem contar que, mesmo sem se transformar, a mudança de lua atingia-o com força.

Como ele poderia chegar para ela e dizer: Eu te amo? Não sabia.

Estava enlouquecendo aos poucos, só podia. Precisava dela, de seu cheiro, sua voz... parecia até uma criança birrenta, batendo o pé por algo que queria. Nesse caso, Hermione era seu objeto de desejo.

Eu soube que havia um acorde secreto

Que Davi tocava, e que agradava o Senhor

Mas você não liga para música, não é?

É assim

A quarta, a quinta

O menor cai, e o maior sobe

O rei frustrado compondo Aleluia

Ele já não tinha idade para ser um jovem egoísta como muitos o eram. Tinha vinte e oito anos, não poderia mais agir como um adolescente prepotente. Mas algo em Hermione trazia de volta esse lado egoísta dele, egoísta ao ponto de quere-la só para si, para que ninguém mais pudesse toca-la ou, sequer, ouvi-la.

Ela também despertava nele uma selvageria tão animalesca quanto a pequena parte loba em si. Havia algo dentro dele que queria faze-la dele de todas as formas que pudesse fazer, todas que eram humanamente possíveis. Todas igualmente sujas e pecaminosas.

Aqueles sentimentos queimavam como fogo. Eles inflamavam suas veias e pareciam acender algo dentro de si. Algo tanto dele quanto de seus instintos animais. E era forte. Tão forte que só vê-la desencadeava reações constrangedoras quanto a seu corpo.

Necessitava estar perto dela, mesmo assim se negava esse sentimento. Nem mesmo Fleur, que foi seu primeiro amor, conseguiu despertar tantas coisas assim nele. Colocou em sua mente que nunca mereceria uma moça como ela. Não ele, com suas cicatrizes e problemas. Era melhor ficar longe, apenas observando-a. Além disso, ela deveria ficar com Rony.

Se levantou da mesa de Natal e saiu, para o jardim da Toca.

(...)

O ar puro invadiu seus pulmões, fazendo-o se acalmar, ali fora ele conseguiria coloacar sua mente no lugar.

Mesmo assim, o coração palpitava, e seu ritmo aumentou alucinadamente quando sentiu o cheiro de livros e rosas dela vindo junto da brisa fria e fraca. Fechou os olhos para inspirar aquele delicioso aroma, que invadia seu corpo e o drogava, como uma droga trouxa que seu pai citou uma vez.

Ouviu os passos dela afundarem na neve, ela se aproximava. Que Merlin lhe concedesse autocontrole o suficiente para não a agarra ali mesmo!

—Gui? —Sua voz, melodiosa como a cantoria de um anjo, soou. Como amava aquela doce voz. Mesmo assim, permaneceu de costas para a jovem. —Não vem para a ceia? —Ela estava mesmo disposta a provoca-lo, mesmo que sem querer.

Não pode evitar, se virou para ela, notando que ela usava um jeans justo e branco, com botas até os joelhos de couro com amarras atrás, uma blusa vermelha viva com uma jaqueta jeans branca por cima. Ah, e seus cabelos... revoltos e cheios, tão caramelados que lembravam o próprio doce. Assim com aqueles olhos, amendoados que pareciam ler sua alma.

—Volte para dentro, Hermione. —Murmurou, sentindo seu corpo reagir a ela. Sentia seu corpo clamar pelo pequeno corpo dela.

—Não sem você. —Não parecia ter malicia naquela declaração, mas ele teve que segurar um gemido de prazer em ouvi-la dizer aquilo. Quando pode ver, ela andou até ele e tocou seu rosto, bem em cima da cicatriz que tanto odiava. Era uma carícia muda e deliciosa, que o fez segurar a mão dela ali, como se implorasse por mais. —Vem, vamos. —Chamou, voltando para dentro. Antes dela poder dar mais de dois passos ele trouxe ela de volta, batendo-a contra seu peito.

Seus narizes se encostaram e as respirações se mesclavam.

Aleluia, Aleluia

Aleluia, Aleluia


Ele retirou o enfeite de cabelo que prendia os cachos dela, jogando a rosa vermelha no chão. Depois enfiou o nariz no cabelo dela, de onde vinha aquele delicioso aroma de xampu de morango. Ela era totalmente exótica para ele.

Ouviu-a arfar, e aquilo tirou um pouco mais do controle que ele ainda tinha. Restava pouco dele.

Tirou o nariz dali e levou sua mão direita até o queixo fino e feminino dela, erguendo-o até que seus lábios quase se encostassem. Um mergulhou nos olhos do outro. Os dela uma imensidão caramelada e o dele o infinito azul do céu. O desejo transparecia neles, já que as pupilas estavam tão dilatadas que a íris mal aparecia.

Reparou que, se realmente quisesse beija-la, teria de se abaixar um pouco e ela se levantar também. Ela era tão pequena e delicada, mas era tão imponente e forte. Tão perfeita... não merecia alguém como ele, grande demais, rustico, nem tão inteligente assim e cheio de cicatrizes. Imperfeito.

Ele contrastava com ela. Ela era perfeita, ele não. Ela merecia mais. Se afastou.

—Guilherme Weasley! —Ela rugiu. —Por que se afastou de mim? —Sentiu a mão dela, delicada porém firme, puxa-lo de volta para perto de si. —Por que se afastou? —Murmurou baixo novamente, olhando novamente em seus olhos, pedindo explicações.

—Eu não posso. —Murmurou. —Você merece mais. —Ela fez uma cara confusa.

—E por que pensa que não é bom o suficiente? —Ela acariciou a face dele. E, antes que ele pudesse argumentar, ela beijou-o.



Sua fé era forte mas você precisava de provas

Você a viu tomando banho no telhado

A beleza dela e o luar arruinaram você

Ela amarrou você a uma cadeira da cozinha

Ela destruiu seu trono, e cortou seu cabelo

E dos seus lábios ela tirou o Aleluia

—Você é tudo que eu preciso... —Murmurou para ele, ainda ofegante. Dessa vez, quem começou o beijo foi ele. Não era mais delicado como o primeiro, era firme e invasivo, necessitado.

Devorava os lábios dela com a volúpia e a fome que guardou durante tanto tempo. As mãos dela foram até os cabelos ruivos e desgrenhados dele, puxando-os do rabo e desalinhando-os ainda mais. Ele fez o mesmo, invadindo a juba castanha dela com os dedos, correndo-os com curiosidade pela nuca e couro cabeludo.

Necessitava de mais dela. Apertou-a contra si com força, fazendo-a gemer em sua boca. E isso só o excitou ainda mais. E ele podia sentir que ela estava da mesma maneira. Sem nem mesmo avisar a alguém, aparatou em seu quarto no Chalé das conchas.

Dominado por um sentimento animalesco, ele jogou-a contra a cama e voltou a beija-la com força. Quando notara novamente, estava por cima dela e suas mãos se encontravam transitando por entre o corpo pequeno e delicado dela.

E, num estalo de sanidade, ele parou. O que diabos ele estava fazendo? Ela era a melhor amiga de seus irmãos mais novos. A garota pela qual Rony era apaixonado. A menina nove anos mais nova que ele.

Não, menina não mais, agora era mulher, e enxergava isso. Porém, ela não merecia um cara que estava afundado em bebida e amargura desde que perdera a mulher grávida na guerra. Não era justo com ela. Ele não podia tirar dela tantos anos de juventude para que ela ficasse ao seu lado. Ele não poderia fazer aquilo com ela.

Se afastou, sendo observado pelos confusos olhos castanhos. As sobrancelhas franzidas e o nariz enrugado mostravam que ela estava formulando uma pergunta.

—Gui... —Ele cortou-a.

—Só vá embora, tá legal? —Se sentiu como um adolescente. Pode ouvir a respiração pesada de Hermione ser solta com escárnio e depois o som de aparatação. Realmente, ele estava agindo como um adolescente. Como pode deixar as coisas chegarem a esse ponto?

Ele não pode evitar o sorriso tomando seus lábios. Ele pode sentir o que tanto queria, quase se concretizou seu mais tórrido desejo. Ele tomara uma parte dela para si naquela noite de Natal. Mesmo que quisesse dela muito mais, aquilo deveria ser o suficiente, por enquanto.

(...)

Ela se perguntava por que ele não deixou-a ficar com ele. Por que Guilherme Weasley tinha de ser tão complexo? O que se passava por aquela cabeça ruiva?

Se sentiu nervosa, com raiva e dúvida. E se tinha uma coisa que Hermione detestava era sentir dúvida. Ela era o tipo de pessoa que gostava de saber das coisas, que gostava de ter certeza, sem margens para dúvidas. Sem margem para erro.

E ela odiava a maneira como Gui deixou-a ali, sem opções a não ser sair da casa dele. Qual era o problema dele, afinal? Ou será que era ela o problema?

Irritada, não queria ver nem uma outra cabeleira ruiva naquele Natal. Aparatou para casa, onde se jogou no sofá para ver televisão. Era só mais uma noite de Natal onde clássicos sobre o mesmo passavam em cada canal. Nada além de filmes de cachorro com o tema natalino. Ou esqueceram de mim, filme que já estava enjoada de ver.

Bufou, não era dessa forma que ela imaginou passar o Natal.

Alleluia, Aleluia

Aleluia, Aleluia

(...)

Três semanas se passaram, e tudo o que ela fez foi permanecer em casa, de forma a ler todos os livros que podia para se distrair e tentar não pensar naquele ruivo. Enquanto ele fez o contrário, mas não estava lendo, passou seu tempo livre cheirando o travesseiro onde ela esteve.

Ela evitava pensar nele, ele não parava de pensar nela. Ela queria ter coragem de ir atrás dele e agarra-lo novamente, ele queria ter coragem para não correr atrás dela. Ela queria não estar se sentindo traída e vazia, ele não queria estar se sentindo culpado por não tê-la tido quando podia.

Ela não parava de pensar em como teria sido se nada daquilo acontecesse, e ele não parava de pensar em como tudo estaria se não tivesse parado.

Como se a ouvissem um chamado, os dois foram para a janela encarar a lua. Os dois procurando na lua crescente uma resposta para suas dúvidas. Um consolo para todos aqueles talvez que os afligiam.

Ele se sentia, novamente, como um adolescente com sua primeira paixão, sem saber o que fazer. Deus, ele era o irmão mais velho e realmente cogitou a ideia de falar com um de seus irmãos pedindo ajuda.

O que fez foi aparatar em frente a Toca, aproveitando que a noite caíra a pouco tempo e que somente Gina deveria estar lá naquela hora. Quando a ruiva abriu a porta, encontrou Gina e Hermione no hall de entrada.

Quando seus olhos encararam os de Hermione, ele engoliu em seco, assim como a morena. Onde estava a coragem Grifinória? Provavelmente esvaiu assim que os dois se encararam, perdidos no olhar um do outro. Como se um dragasse a coragem do outro.

As pernas dos dois, como em uma ritmada dança, amoleceram, os corações palpitaram, as mãos suaram e as pupilas dilataram.

—Acho que os dois tem muito o que conversar. Vou sair com Harry, depois você me conta, Hermione. —Ela sumiu pela porta, e o irmão mais velho estava tão hipnotizado pela morena, que nem argumentou contra o fato de sua irmãzinha sair com um garoto.

—Tudo, bem, Gui. O que foi aquilo no Natal? —Ele tremeu com a pergunta. Procurou alguma resposta plausível para ela. Não encontrou nenhuma além da verdade:

—Paixão e desejo, Hermione. —Ele poderia imaginar mil e uma reações para ela ter naquele momento, menos aquele sorriso bobo brotando em seus lábios e ela beijando-o.

O corpo grande do Weasley, sem estar esperando o contato e com as pernas amolecidas pela tensão, foi de encontro com a porta da casa. Ele se assustou quando sentiu os lábios dela nos seus, mas cedeu ao delicioso beijo que se formou.

—Guilherme, como pode fazer isso? —Ela perguntou. —Eu também estou apaixonada por você, seu idiota! Desde antas de você noivar com Fleur! E aí, quando eu finalmente tive você pra mim, você me manda embora. Sabe como me senti quando você disse aquilo? —Perguntou, ainda chorosa.

—Imagino. —Ele respondeu, passando os dedos pelas lágrimas dela as secando. —Me desculpa? —Perguntou, temendo que ela dissesse não.

—Não tem como eu não te perdoar. Eu te amo. —Ela sussurrou no ouvido dele. Ele tirou o queixo dela do seu pescoço e beijou-a com certa urgência. Precisava dela tanto quanto ela precisava dele.

—Eu também te amo. —Murmurou de volta.


Talvez haja um Deus lá em cima

E tudo que eu aprendi do amor

É como atirar em alguém que desarmou você

E isso não é um choro que você pode ouvir á noite

Não é alguém que viu a luz

É um frio e sofrido

Aleluia, Aleluia

Aleluia, Aleluia.

Notas finais
Beijos e comentem!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!