A liberdade de um dragão morto
1 A liberdade de um dragão morto ( one - shot )
Notas iniciais
Me diga quem está dentro de mim.
Rindo dessa situação doentia. Me controlando como uma marionete, sem vida alguma para preservar.
E eu em minha fraqueza não consigo romper esse controle.
“Natsu me ajude.” Pedia sem que qualquer um pudesse me escutar dentro daquela escuridão. Dentro de mim mesmo.
Afinal por que tanta destruição, por que essa insistência em destroçá-los, destruir todos eles? Esse desejo de tomar o posto de acnologia, e com o meu corpo. É uma insanidade que eu não entendo.
Mas eu não iria encontrar uma resposta tão rápida e fácil assim depois de ter refletido a mesma coisa por anos a fio, anos preso em meu próprio corpo sem poder controlá-lo. E aquilo que me controlava ria de mim, ria a cada dia pela minha culpa, pelo meu remorso, minha fraqueza.
- Aguente firme Rogue. – ele pronunciava baixo, quase como que para si mesmo.
E assim senti as chamas me consumindo, ela estava me libertando , estava consumindo o que outrora me prendia, me controlava. E então aquilo que me usou se esvaia lentamente de meu debilitado corpo que se acabou por desabar.
- Obrigado... – digo sentindo minhas forças se esvaírem e minha existência sendo descartada célula por célula. – Não deixe que ele se perca, Frosch, salve-o...
Nunca em minha vida achei que desejaria tanto esse momento de morte,mesmo que sentisse a dor insuportável das chamas me consumindo, eu desejava... Porque eu sou fraco.
Eu acredito que assim meus pecados serão apagados, ou não creio nisso mais?
Mas é tarde demais para pensar, agora estou a virar cinzas.
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Senti uma brisa em meu rosto, era reconfortante e calma, como em um sonho.
Abro os olhos, como isso é possível? Eu morri, não deveria ter essa capacidade. Olhei ao redor, somente virando a cabeça para aumentar meu campo de visão. Estava em um campo de rosas negras – algo que eu não fazia idéia da existência – ela tinham mais espinhos do qualquer outra que eu já havia visto, então meu corpo estava rasgado, causando uma leve irritação, mas isso não era algo que me incomodava realmente.
Será que a minha libertação foi uma farsa, uma ilusão boba a fim de me tranqüilizar?
Acho que tenha sido real, já que não me sinto preso. Estou em minha perfeita sanidade, creio.
Assento-me e então percebo que meu cabelo não estava grande igual antes, estavam como nos velhos tempos, os tempos em que eu tinha controle.
Solto um pequeno suspiro e limpo um pouco de sangue de minhas calças levemente rasgadas, me levanto e espreguiço levemente, estando com uma sensação estranha de ter dormido por muito tempo.
-Sinto-lhes, mas vou pisar em vocês. – falo com as rosas.
Trilho um caminho até a parte com grama e todas as rosas que eu amassei se reerguiam, incrivelmente.
Mas afinal o que eu vim fazer aqui?
-Rogue! – uma voz familiar atrás de mim gritava.
Me virei bruscamente, e então me deparei com o loiro mais convencido que eu já havia conhecido em minha vida: Sting
Meus olhos se enchiam de lágrimas como se estivesse em um impulso fervente de chorar como uma criança, pela dor, pela vergonha, pela morte.
Queria chorar por ele, pelo que “eu” tinha feito com meu querido irmão.
-Ei, não chore... – ele diz se aproximando, um pouco sem graça. – Está tudo bem, agora já passou. – ele me envolve em um terno abraço.
-Mas... eu não posso ser perdoado.- as lagrimas se intensificam. – eu fiz coisas horríveis. Coisas horríveis para você irmão..!
Ele se afasta e então bagunça meu cabelo com suas mãos.
-Não foi você, vai ficar tudo bem. – ele diz com um terno sorriso. – Todos já te perdoaram Rogue, agora o único de quem você precisa pedir perdão é a si mesmo. Nunca mais carregue um peso assim sozinho, certo?
Todos a quem eu havia machucado apareciam com um sorriso em seus rostos.
Eu realmente merecia isso?
-Venha conosco irmão, vamos juntos para a guilda.- ele estendeu sua mão a mim.
-Por favor... – tomo-lhe as mãos.
Isso foi tudo o que sempre quis por todos esses anos... É uma dádiva que eu jurava que nunca me caberia tê-la. Então irei desfrutá-la e me unirei mais uma vez com meus amigos.
Irei aproveitar cada segundo, e então, quem sabe um dia, conseguirei aceitar a escuridão que jaz dentro de mim?
Até esse dia continuarei seguindo a luz que Sting emana, tentando não me perder pelo caminho.
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