A lenda dos amantes do Tempo

20 O sacrifício maior - parte 3: O adeus


Notas iniciais
GENTE DESCULPA A DEMORA ABUSIVA! FIQUEI TRÊS HORAS ESCREVENDO PQ NAO AGUENTAVA MAIS FICAR SEM POSTAR! NÃO ME MATEM COM ESSE CAPÍTULO! E COMENTEM! EU PRECISO DE OPINIÕES SOBRE ESSE CAP! POR FAVOR! FIQUEM AI! MUITA COISA AINDA VEM POR AI, PROMETO QUE VAI VALER A PENA ♥ PROMETO FAZER VOCÊS CHORAREM HORRORES NOS PRÓXIMOS 3 CAPÍTULOS! E VAI SAIR RAPIDINHO! ESPERO QUE GOSTEM! CAIXA ALTA PQ TO EUFORICA, DESCULPA HAHA

Bernard deixou o tempo passar, gastando-o divinamente bem na cama, assistindo Regina falar sobre a loja e as pequenezas que tinha para comentar. Habitualmente era tão contida que estava adorando vê-la sorridente e tagarela, idêntica a Liz e seus comentários de todos os dias. Vez ou outra ele lançava um olhar furtivo à penteadeira, à caixinha que guardava o anel de sua mãe, sentindo-se entorpecido de tanta felicidade e também, incrédulo do que aquele simples objeto faria por ele. Selaria seu recomeço, seu renascimento. O que havia de mais bonito e que incrivelmente cabia num pedaço de ouro.

O amor, que cura, salva e dá forças para viver.

Ele a ouvia e a amava, a cada minuto, a cada instante, adiando o que tanto queria fazer por não conseguir se desviar dela, da maneira linda com que se portava, ciente que estava segura, de que era amada, não importa o que acontecesse.

Bernard enfim se levantou e caminhou até a penteadeira. Com cuidado, tocou a caixinha, abrindo-a devagar, sem que Regina pudesse ver qualquer coisa que se passava. Podia sentir os olhos dela cravados nele, a interrogação em seu rosto. Olhou-se no espelho, tendo vontade de gritar, de chorar, de extravasar sua emoção. Havia vencido.

O que estava esperando para ir em frente?

De súbito, virou-se para ela. Eles se encararam em silêncio até que Bernard abriu a boca para fazer a pergunta mais importante de sua vida.

Que nunca seria dita.

Um grito soou, fazendo seus lábios ficarem abertos, parados no ar.

Eliza.

Bell correu porta a fora, em direção ao quarto da filha.

Regina quis seguí-lo, mas outra vez a sensação de ser uma intrusa surgiu. Resolveu não se intrometer. Devia ser um pesadelo, coisa de criança que o papai facilmente daria um jeito.

Ela o esperou, até a demora alardeá-la. Bernard não voltava. Sentiu um frio estranho na espinha. A suspeita de um barulho a fez aguçar os ouvidos, redobrando a atenção. Será que aquele som que por um milésimo de segundo ouvira não fora mera fantasia? Um minuto depois sentiu-se boba, preocupando-se a toa. Baixou a guarda, concluiu por fim que era imaginação sua e então ouviu um chorinho fino e desesperado brotar do nada e tomar um volume inimaginável, ferindo a quietude da noite.

Henry.

Ela não se lembrava de tê-lo visto chorando daquele jeito doentio nenhuma vez.

O que afinal estava acontecendo naquela casa?

Sua garganta se apertou e seu corpo estremeceu, pressentindo algo terrivelmente ruim.

Foi sua vez de correr, até o menino. Impulsiva, atravessou a residência e acabou no corredor que dava para o quartinho do bebê.

O choro tornava-se mais e mais insuportável, como se fosse além de uma simples reação da criança, como se fosse um grito de dor.

Regina congelou diante da porta do quarto, incapaz dar outro passo.

Por debaixo da madeira uma luz verde intensa escapava. Uma luz sobrenatural, mágica e terrível.

Ela balançou os dedos e seu poder flutuou entre eles. Estava fraco. O tempo não deixava de lembra-la que à levava embora aos poucos. A prova estava ali em sua mão. A rainha voltou a mirar o clarão esverdeado, temerosa, sentindo sua coragem lhe abandonar. O que quer que fosse enfrentar, não pertencia à aquele mundo e poderia arruinar aquilo que tanto lutara para conseguir.

Seu final feliz.

Em seu olhar, estavam refletidos luz e o horror que a perspectiva de entrar no quarto e lançar-se ao desconhecido lhe causava.

Ela hesitava, e desmoronava por dentro, por saber que sua próxima atitude seria decisiva e faria tudo mudar, para sempre.

Regina pensou em Henry, um garotinho que ainda nada havia conhecido da vida. Um menino adorável que tornara-se órfão ao nascer e no que ele significava para Bernard e para si própria. Pensou nele sorrindo para ela, na redenção que havia em tê-lo dormindo em seus braços, na oportunidade de ser sua mãe.

Com um lampejo de bravura, ela abriu a porta. Por um instante ficou com os pés colados ao chão, internalizando o que via, com os ouvidos zumbindo e o cabelo voando devido ao vento revolto.

Um ser sem rosto, uma sombra, pairava sobre a janela e lançava magia diretamente ao berço do bebê.

Regina se apressou e trêmula, pegou a criança. Henry estava vermelho e ensopado de tanto chorar. Ele parecia sentir como ela, a atmosfera assustadora ao seu redor. No momento em que o resgatou, a Coisa soltou um grito esganiçado e como se um raio caísse bem ali, um clarão tomou o cômodo. A rainha correu e tentou esconder-se se encolhendo atrás de uma poltrona. Não adiantou. O Ser os encontrou e em toda sua fúria, disparou poder. Obedecendo a um reflexo, ela curvou-se sobre o pequenino corpo do neném. A magia atingiu-a como uma labareda, queimando sua carne, ferindo sua pele logo acima de seu lábio.

Da ferida, restaria uma cicatriz, a marca eterna de seu sacrifício, de seu heroísmo, de seu passado machucado que ninguém nunca conheceria.

Regina não arriscava se mexer, o simples ato de respirar doía. Checou ao redor. Não havia para onde correr. Olhou o garotinho que berrava de puro pavor e como ele, por ele, ficou com os olhos cheios de lágrimas. Deixou sua cabeça pender, de tristeza e cansaço, amargando sua inocência. Por um curto período de tempo achara que o mal não a seguiria naquela nova Terra. Pela primeira vez deu-se conta de como era fraca, miseravelmente, fraca e boba.

Tinha medo, de levantar-se e enfrentar a Coisa. De perder tudo, outra vez.

Como uma mãe encurralada em uma zona de guerra, ela chorou em silêncio por seu menino, por sua impotência, por sua solidão numa luta perdida. Não havia sinal de Bernard, Eliza ou Maise. Existiam somente Regina, Henry e a sombra, naquele momento crucial, naquele cenário desesperador.

A rainha desviou por um segundo de sua dor e viu o olhar do garoto, enorme, conectado aos dela, pedindo por socorro. Depositou um beijo repleto de sofrimento na testa rosada de Henry, selando uma promessa.

Iria salvá-lo. Mesmo que o preço a pagar fosse alto demais. Mesmo que não houvesse volta.

Enquanto uma gota escorria por sua bochecha, ela se levantou, com o bebê colado firmemente a seu peito, caminhou em direção ao inimigo, em meio ao furacão, enquanto o vento fazia tudo ir pelos ares. Com uma rajada certeira de poder, fez o ser recuar até a janela. Imediatamente a sombra revidou. Iniciou-se assim um combate entre forças. Usando todas suas energias, com uma única mão, ela mantinha sua magia viva. Com a outra, segurava Henry. Tê-lo ali, junto a ela, a impulsionava, a fazia ir aos limites de sua capacidade, apenas por ele.

E então a face da Coisa tomou forma, por insignificantes instantes.

Ele, sorrindo cinismo e escuridão.

O monstro disfarçado de garoto que tentara mata-la no East End. A ela, Abigail e sua mãe.

“_ Um menino... um menino... “

A lembrança de sua voz demoníaca serpentou até Regina, congelando suas células.

Ele voltara, para cumprir o que prometera.

Para leva-lo embora, para nunca mais. Para Terra onde os meninos nunca cresciam.

Peter Pan.

Porque o queria? Porque entrara pela janela, para trazer destruição?

Essa seria mais uma pergunta nunca respondida.

O choque a fez fraquejar imperceptivelmente, o bastante para Pan aproveitar-se e ataca-la com maior intensidade. Regina foi abaixando-se... abaixando-se... incapaz de continuar a competir contra Peter, sabendo que se esgotaria até cair no chão, moribunda. Por uma fração de tempo ela realmente desejou isso, adormecer sem mais acordar. Era ridiculamente mais fácil desistir, dizer adeus à aquela existência que lhe oferecera tanta dor, tantas migalhas de alegria, para depois, massacrar até mesmo elas. Suas pestanas foram cerrando-se... cerrando... o corpo ficando mais leve... mais leve... todo e qualquer som foi sumindo e sua magia falhando. Caiu de joelhos, prestes a perder os sentidos.

Seria o fim, se um menininho não fosse sua salvação, e ela, sua salvadora.

Henry berrou e por um segundo nada ocorreu. Até que ela ofegasse, pingando suor, abrindo os olhos, recebendo uma transfusão de vida, sendo arrancada das garras da morte como quem alcança a superfície de um rio depois de quase morrer afogado.

Suas pernas se recusavam a erguerem-se. Seus dedos ardiam como se consumidos por fogo, seus ossos doíam tanto que pareciam quebrados.

Havia algo mortalmente errado em usar sua magia naquele mundo. Ela sentia na pele, jogada sobre o tapete como um bicho imundo, o pecado imperdoável de ser uma bruxa.

Aquelas que estavam condenadas a sobreviverem.

Um pensamento disparou em sua mente.

Seu destino era sobreviver, talvez não por si, mas por Bernard, Eliza, Henry, Shannon, Daniel.

Cega pela determinação, ela levantou-se com dificuldade, para aniquilar o monstro. Para transformá-lo em pó, para vingar cada minuto de desgraça que vivera. Cada lágrima. Cada pessoa que perdera.

Estava libertada a salvadora de luz e trevas.

Em seu interior foi detonada a dinamite, o poder feito de dor, bem, mal, ódio e sangue. Estava a beira de um colapso e obrigava-se a enviar mais e mais mágica, mesmo que parecesse que suas próprias células estivessem arrancadas e usadas para fabricá-la.

A ventania fazia seu corpo balançar. Dentro dele, seus órgãos eram chama líquida, as batidas de seu coração eram dolorosas. Viver era um desafio o qual ela possuía outra opção a não ser vencer. Por eles.

Um berro infernal invadiu o quarto.

Ainda que fosse difícil movimentar-se ela mirou a porta aberta.

Lá estavam, as três testemunhas de seu crime que nunca deveria ser descoberto.

Sua identidade.

Maise tinha a mão rechonchuda sobre a boca. Tremia toda, como se estivesse em meio a um surto nervoso. Eliza e Bernard a encarava como estátuas.

Regina não conseguiu olhar para Bell.

_ ELIZA ESTAVA CERTA! ELA É UMA BRUXA! BRUXA! — a governanta cuspiu, intoxicando o ar.

Bruxa.

Estava acontecendo, de novo. Outro segredo escancarado, exposto, violado.

A rainha prosseguia enfrentando Pan, agora de modo automático, já sem convicção, zonza com aquela palavra cuspida entre eles.

Ela encontrou os olhos desbotados de Eliza, um espectro pálido da doce garotinha que fora e nunca mais seria. Restava traição, culpa, uma divina impagável, a carcaça de uma criança perdida para sempre.

Liz se acostumaria com olhar de pura repulsa e condenação de Regina lhe fazendo companhia com o passar dos anos. Aprenderia a dançar e flagelar-se com sua lembrança, a torna-lo parte de si, a usá-lo para relembrá-la que cada péssimo momento que a vida lhe traria era mais que merecido.

Acabou dolorosamente em Bernard. Ela o buscara, em desespero.

Dentre todos seus demônios já enfrentados, todos os inimigos, todos os dias em que pensara que não conseguiria superar, nada se comparava com Bell imóvel e de ombros caídos, como se não pudesse lutar contra o choque. Seu rosto estava contorcido de incompreensão.

E medo.

Seu olhar arregalado e nebuloso transbordava tristeza. Uma nova e terrível ótica sobre a rainha se revelava e sobrepunha a tudo que Bernard um dia pensara dela. E havia algo mais, uma mensagem secreta em suas pupilas destinada a ela.

Regina temia decifrá-la.

Vendo-o a olhando daquela forma agoniante ela sentiu-se oca, vazia, um verme. Sem dar-se conta, lentamente desceu seus dedos cansados e então uma rajada poderosa de magia, que fez todos cerrarem suas pestanas tentando proteger-se de sua luz, a transpassou como uma espada envenenada direto em seu peito, incendiando cada fibra de seu coração, rasgando-o sem piedade, secando-o, transformando-o em cinzas.

Logo seriam todos pó.

Seu coração, suas esperanças e o melhor tempo de sua vida.

A tortura só terminaria com sua morte.

Ela sabia.

A dor trucidante só iria embora quando seus batimentos cessassem, levando tudo.

Enquanto isso, seguia sendo eletrocutada, calada, sem reclamar.

Sem nenhuma explicação, talvez achando que já tivera divertimento bastante, o monstro enfim parou de ataca-la e fugiu voando pela janela, desistindo de levar Henry.

_ Bruxa! Bruxa! — Maise saiu porta a fora gritando infamemente para o mundo. Esgotada, Regina deixou-se cair sentada no chão, e lá ficou, ouvindo a força aquela atrocidade. Ela fitou Henry, ainda em seus braços chorando agora um choro fraco e desconsolado, chorando por todos eles. Ela pediu desculpas a ele, e então franziu a testa, fechou os olhos, desejando que pudesse imitá-lo, ansiando que ainda tivesse lágrimas para chorar. A humilhação comia o que de vivo restara de si. A cabeça baixa parecia impossível de ser levantada.

Lentamente, ela mirou Bell.

Ele olhava o tapete, furioso, exalando decepção. Em sua mão fechada estava o pequeno anel de noivado que nunca seria entregue, o pedido de casamento que jamais seria feito. Os anos que existiriam.

Com muito esforço ela se pôs de pé e com pressa entregou o bebê para Bernard.

Não foi capaz de olhá-lo mais uma vez.

Desnorteada, correu, deixando Bernard para trás.

Ele ficou em seu lugar, petrificado diante de sua desgraça, com a criança berrando em seu colo.

A rainha fugia em disparada, e a voz apocalíptica da governanta a seguia pela mansão, a entorpecendo, a perseguindo aonde quer que fosse, se confundido com o chorinho de Henry.

Regina desceu as escadas tão rapidamente, fraca demais para controlar decentemente seus passos que por pouco não rolou degrau abaixo.

Fugir... fugir... era tudo no que conseguia pensar.

E tudo que não queria fazer.

Ao empurrar a porta de entrada do casarão, uma lufada de ar puro adentrou em seus pulmões e ela sentiu-se por instantes, um pouco mais viva por se livrar do ar viciado da casa.

Mas sua estadia no inferno não estava encerrada.

Dedos gordos se fecharam em volta de seus pulsos e a suspendeu. Regina relutou, chutando e sacudindo, acabando toda descabelada. Era ela um animal capturado, e não vencido. Estava cercada por duas fardas azuis perfeitamente arrumadas.

Guardas.

O que faziam ali, na noite escura, em meio a pacata ruazinha, naquele exato momento?

Desesperada, ela tentou esticar seus dedos, pedindo socorro a sua magia.

Nada aconteceu.

Tentou novamente. Nada.

Fim da linha.

Estava abandonada à própria sorte.

Para onde a levaria? Qual seria seu destino?

Ela se remexeu, ainda lutando, com o rosto vermelho de ódio e cansaço e viu Maise acompanhando a cena, com olhos faiscando uma satisfação doentia. Os cravou em Regina e ela entendeu. Por algum motivo que nunca descobriria, tinha convicção, a governanta tramara cuidadosamente aquilo, seus gritos, os guardas. Ela, encurralada.

Porque? Maise nem sequer a conhecia.

Bernard e Eliza enfim chegaram à calçada, a tempo para a execução do último e derradeiro movimento de Regina naquele macabro espetáculo.

Com extrema dificuldade ela agarrou a faca presa à cintura de um dos policiais. O feriu na palma da mão, se desvencilhando, e ágil, cortou também a si, no mesmo lugar. Enquanto o filete escuro de sangue escorria pela pele, tirou do vestido o velho relógio que Gold havia lhe dado, esfregou seu sangue nele e esticou o braço, olhando para os céus.

_ RUMPLESTILSKIN!

_ RUMPLESTILSKIN! — bradou novamente.

Entre as nuvens, abriu-se um buraco esbranquiçado que transformou-se num redemoinho, num portal que a cada segundo, alargava-se, trazendo mais e mais luz e vento.

_ RUMPLESTILSKIN! — berrou Regina, o mais alto que pode.

Como se liberto de um feitiço, Bell arregalou os olhos, compreendendo tudo o que se passava, voltando a ser o homem o qual a rainha amava e morreria se preciso.

_ NÃO! — ele lançou-se para frente em desespero, tentando alcança-la. Bernard caiu de joelhos, após um guarda soca-lo bem acima da bochecha, devido a pancada, devido ao golpe fatal que o destino lhe aplicava.

Eliza agarrou-se a seu braço, encolhida.

Regina olhou para ele e então o olhar mais belo e doído que o mundo já conhecera aconteceu.

Ela já sentia ser sugada pelo portal. Estava se desfazendo, perdendo sua materialidade.

Sabia, não havia volta. O que estava começado seria terminado. Toda magia vinha com um preço.

Ela se afogou naquele olhar azul desamparado e desejou que numa outra vida pudesse conhecesse Bernard. Quis ser apenas uma moça normal como todas as outras. Quis tão pouco, que pudesse amar e ser amada, ter sua família, noites de amor, crianças, alguém com quem dividir dias ensolarados e felizes. Irremediavelmente perdidos. Olharam-se com a dor imensurável dos amaldiçoados pelo tempo, daqueles que estavam mundos e um século distantes, ainda que seus corações fossem um só.

O futuro estava acontecendo e apagado.

_ Wendy... Chapeleiro... Regina... — Cora repetia, exausta, sem conseguir conter sua ansiedade. Chegara. A mansão estava logo ali.

Virou uma esquina, colocou seu sorriso mais verdadeiro no rosto e deu mais um passo. Quando abriu os olhos, a luz era tanta que tornava-se praticamente enxergar. O céu estava aberto, poeira voava para todos os lados e no centro do furacão estava ela.

Regina.

Antes que pudesse racionar, o pior se sucedeu. A bruxa colou-se à parede de uma casa, percebendo que havia chegado tarde demais.

Sua última e tola esperança estava morta.

Com um clarão, Regina desapareceu da vida de Bernard e Eliza.

Para sempre.

" Eu sonhei um sonho num tempo que se foi

Quando as esperanças eram altas e a vida valia ser vivida

Eu sonhei que o amor nunca morreria

Eu sonhei que Deus poderia perdoar

Então eu era jovem e destemido

Quando os sonhos eram feitos, usados e desperdiçados

Não havia preços a serem pagos

Nem canção não cantada, nem vinho não provado

Mas os tigres vêm à noite

Com sua voz suave como o trovão

Como se despedaçassem suas esperanças

Como se transformassem seus sonhos em vergonha

Ele dormiu por um verão comigo

Ele preencheu meus dias com amor sem fim

Ele levou minha juventude em sua correia

Mas ele se foi quando o outono chegou

E eu ainda sonhava com ele vindo a mim

E nós viveríamos os anos juntos

Mas há sonhos que não podem ser

E há tempestades que não podemos prever

Eu tive um sonho de como minha vida seria

Tão diferente deste inferno que estou vivendo

Tão diferente agora daquilo que parecia

Agora a vida matou o sonho

Que eu sonhei "

I dreamed a dream — Les miserables