A lenda de Spyro: A nova era (Livro 1)
11 Convocação.
Notas iniciais
Após cair no sono aninhada em volta de Cyro, Cynder começa a ter um sonho do qual nunca tivera antes.
Cynder estava em um corredor de paredes azul claro com detalhes branco. Uma forte luz lá adiante, chamando por seu nome com uma voz um tanto que familiar. A voz causava um calor em Cynder que ela não sentia a alguns dias. A voz despertou a curiosidade dela, fazendo-a andar no corredor estranhamente claro.
Aproximando cada vez mais da luz, a voz ficava cada vez mais familiar, porém Cynder não conseguia lembrar onde ouviu.
–Cynder. Venha Cynder! -Dizia a voz. -Confie em mim.
Cynder caminhava olhando para as paredes, que haviam os mesmos símbolos dos elementos que havia no templo. A voz era incessante, porém carinhosa e gentil. Muito confortante para Cynder.
Quando ela chega a luz percebe que era uma gigante porta entreaberta.
–Entre Cynder!
–Quem é você? -Pergunta ela colocando a pata na porta para empurrá-la.
–Ora Cynder... Não reconhece minha voz?
Cynder aperta as sobrancelhas estranhando e empurra a porta. A luz repentina que havia dentro da sala ofusca os olhos dela, obrigando-a a cobrir seu rosto com as asas. Seus maravilhosos olhos verde esmeralda vão se acostumando à luz do local aos pouco. Ela começa a tirar as asas da frente, vendo que na sala havia gigantes estantes cheias de livros. Milhões de livros. Abrindo mais um pouco ela vê uma pata azul clara na sua frente, mostrando que o dragão a sua frente era um adulto.
–Como você cresceu dês da última vez que eu a vi, querida!
Cynder finalmente lembra de quem era a voz e fica petrificada, olhando para a pata. -I... I... Ig... -Cynder levanta a cabeça lentamente e vê o rosto, agora azul claro como o resto do corpo, de Ignitus, agora como cronista, com cintos de couro com bolsões cheios de pergaminhos. -IGNITUS!
–Olá pequenina! -Diz Ignitus sorrindo para Cynder.
Cynder tinha lágrimas em seus olhos. Ela estava completamente paralisada por ver Ignitus novamente. Ela finalmente sai de seu transe e o abraça com força, deixando lágrimas caírem de seus olhos e escorrerem pelo gigante peito de Ignitus, que a envolveu, com um carinho gigantesco, sua pata num abraço emocionante e carinhoso.
–Ignitus! Não acredito no que estou vendo! V... Você virou o novo cronista! Como isso é possível?! -Pergunta Cynder, ainda com lágrimas em seus olhos, olhando para o rosto de Ignitus, agarrada ao seu peito. -Sentimos tanto sua falta!
–Eu sei, Cynder... Vi tudo! E obrigado por acalmar Spyro!
–Não foi nada! Eu o amo e não queria que ficasse tão triste por tanto tempo!
–Foi muito bom você ter feito isso! Aproposito, parabéns por seu filho com ele! Sinto que você será uma excelente mãe! E não se importe com o que os outros dizem sobre você! Quando falarem, olhe em seu coração. Olhe para Spyro. Ele te ama. Muito mais do que você imagina, Cynder! Ele seria capas de morrer... e até MATAR por você! Realmente achei que ele iria destruir a alma e corpo de Brasa ontem!
–Eu também! Fiquei com medo de Spyro! Ele nunca gritou daquele jeito!
–E hoje acontecerá uma coisa muito parecida com outro dragão! Não posso falar qual, mas se você não controlar Spyro, ele irá matar esse dragão!
–Posso saber pelo menos o motivo?
–Não sei se devo......
–Por favooooor! -Cynder o olha nos olhos, saindo de cima dele.
Ignitus pensa um pouco e então fala. -Esse dragão irá tentar matar Cyro!
–OQUE! QUEM OUSAR TOCAR UM DEDO NO MEU FILHO, EU...
Ignitus a olha entortando a cabeça um pouco. -Cynder...
Cynder o olha e se acalma. -Me desculpe... Mas, ele é meu filho... Acho que foi o instinto que me deixou brava... Desculpe novamente.
–Não se preocupe com isso! Mas o verdadeiro motivo pelo o qual eu queria falar com você pessoalmente é que vai acontecer uma coisa que poderá matar Spyro se VOCÊ não o der forças! Você precisa estar com ele quando isso acontecer, e quando acontecer você saberá o porquê de eu estar falando desse jeito! Um novo inimigo surgirá! Irá querer libertar Malefor novamente! Mas para isso ele deve ter o poder dos quatro guardiões, como antes. Então terá que esperar até a nova era ser proclamada. Mas seus eventos irão começar antes. Bem antes!
–Que inimigo? -Cynder pergunta, com cara de urgência.
–Isso eu não posso dizer, ou mudarei o destino! Já estou mudando contando para você, mas agora não seu como será mais... Você dirá como irá ser! Se Spyro morrerá, ou se ele irá ficar vivo! A vida de Spyro está nas suas patas, Cynder!
Cynder olha para o chão, pensativa. -Como irei deter uma coisa que eu não sei o que será?!
–Do mesmo jeito que você está vivendo agora! Viva sua vida normalmente até que esse dia chegue! Seu filho necessita da sua presença! Ele o ama, assim como Spyro! Você tem um poder incrível dentro de você, Cynder! Você é magnífica! Muito forte mesmo! Quase tanto quanto Spyro! E o filho de vocês será mais forte que vocês dois JUNTOS! Você deverá cuidar dele com muito zelo!
–E irei! Com minha vida! Serei a mãe que eu nunca tive!
–Assim espero, Cynder. Assim espero!
–Mas tenho medo que eu seja influenciada por Malefor novamente! Não quero viver aquilo tudo novamente! Eu... eu...
–Apenas lembre de quem você é, Cynder! Seu coração é tão puro quanto o de Spyro! Confiando em si mesma não será influenciada! Nunca! Lembre-se disso!
Cynder olha para Ignitus e sorri. -Obrigada Ignitus!
–Não a o que agradecer, minha linda!
Cynder dá um pequeno sorriso ao ouvir aquilo. -E Spyro? Posso contar para ele sobre você? Ele ficará muito feliz. Ele disse ontem que não sentia seu espírito. Então era por isso! Por que você está vivo! Hahaha! Pelos ancestrais...
–De fato foi um tanto irônico, uh? A decisão é sua! Isso não mudará o destino em grandes proporções. A menos que todos fiquem sabendo. Se isso acontecer, será um desastre! O fim dos tempos!
–Então acho melhor guardar esse segredo por enquanto!
–Creio que sim! -Ignitus ri um pouco. Você é sábia, Cynder. Aprecio isso em você! Agora você deverá ir! Como eu disse, Spyro irá querer e vai matar alguém se você não interferir! Se ele matar, não mudará o destino do mundo, mas sim o dele, pois ele irá se arrepender e se envenenar com a culpa! Mas, desse jeito irá mudar o rumo do mundo.
–Irei impedi-lo! Irei mesmo! Eu pro...
–Não prometa uma coisa que você não tem certeza que conseguirá fazer, Cynder! -Ignitus interrompeu, deixando Cynder encabulada. -Creio que verei você novamente logo, Cynder! Agora, acorde! E não se esqueça: Viva sua vida feliz até que o dia venha! No dia você deve se preocupar, mas não agora! Sua felicidade é importante, pois vai tê-la com Spyro!
Cynder sorri conforme sua visão de Ignitus começa a ficar desfocada. -Até logo Ignitus!
–Até logo minha jovem! -Diz ele um segundo antes dela abrir seus olhos, a ponto de fazer sua voz ficar ecoando na cabeça dela.
Ela acorda e vê o focinho de Cyro em cima do dela, olhando para ela com seus olhos fechados. Ela ri com sua garganta e passa sua língua na parte de baixo de Cyro, fazendo-o mover para fora dela. Ela o olha por mais cinco segundos, admirando-o. Então finalmente ela se levanta, carinhosamente, para não acordar nem Cyro nem Spyro e desce da cama. Ao olhar para os dois vê Spyro bocejando em seu sono e Cyro colocando sua cabeça dentro da boca de Spyro. Ela se apressa em tirá-lo de lá antes que Spyro fechasse a boca e mantivesse a cabeça de Cyro dentro, Fazendo morrer sem fôlego. Após tirá-lo com cuidado, Spyro fecha a boca. Cynder sorri e coloca a cabeça de Cyro no flanco musculoso de Spyro, Fazendo Cyro se remexer e se aninhar nele.
Cynder percebe que nada mais poderia ocorrer e decide ir pegar comida na cozinha. Cynder pega um pedaço de carne para ela e Spyro e um peixe para Cyro. Voltando para seu quarto ela ouve um barulho de coisas caindo.
–Essa não! -Cynder sai em disparada em direção ao seu quarto. Um barulho mais alto e um rugido pôde ser ouvido. -Não não não!
Cynder finalmente chaga em seu quarto onde vê o chão e a cama sujas de sangue. Spyro estava mordendo um dragão adulto pelo pescoço e o sacudindo como se fosse um boneco, jogando sangue para todo lado.
–SPYRO! -Cynder grita e corre em sua direção.
O dragão rugia, gritava e pedia por misericórdia. -AHHHHHHHHHHH! PARAAAAAAAAAAAAAAA! POR FAVOR! ME PERDOE!
Cynder faz Spyro parar de morde-lo, colocando sua pata nas duas mandíbulas dele e puxando-as, para abri-la. Ele estava muito, MUITO, nervoso.
–MALDITO! EU VOU TE MATAR! TE TRUCIDAR!
O dragão não conseguia se levantar, pois Spyro tinha quebrado todas as patas dele de propósito.
–Ei! Spyro! Se acalme! O que houve? Não parece você! Se acalme! Ouça a minha voz!
Spyro começa a se acalmar respirando fundo. Cynder acha que já é seguro soltá-lo. Spyro fica no mesmo lugar e olha para o dragão, ensanguentado. -Dai-me uma explicação para seu feito AGORA!
–M... Me perdoe! P... Por fa... vor! E... Eu não s... sabia o que estava fazendo!
–O que ele fez, Spyro?
Spyro aponta para a cama, onde Cyro estava sangrando pelos flancos, porém estava em plena consciência olhando para Spyro e Cynder, com medo. -CYRO! -Cynder corre até ele e examina as feridas. -VOCÊ O MORDEU?! POR QUE FEZ ISSO COM O NOSSO FILHO?!
O dragão olha para baixo, não querendo responder.
Cynder começa a lamber as feridas de Cyro, fazendo-o choramingar devido a dor. Felizmente os dentes do dragão não chegaram a entrar mais que dez milímetros, pois Spyro o atacou assim que Cyro berrou devido a dor.
–RESPONDA! -Ordena Spyro, dando um passo na direção do dragão, ameaçando-o.
O dragão vira seu rosto e sussurra. -Porque ele é filho de Cynder.
Aquelas palavras atuaram como um peso nas costas de Cynder, que parou de lamber por um segundo. Cyro pareceu saber o que o dragão quis dizer, pois ficou nervoso e quis mordê-lo, mas Cynder o segurou com a boca.
–O que você disse? -Spyro fala com um timbre de voz amedrontador. -TEEEEEEEEERRAAAAAAAAAAAAADOOOOOOOOOOOOOOR! -Spyro dá um berro chamando por Terrador. O berro foi tão alto que pôde ser ouvido por toda a Warfang. Corvos voaram em um lugar dela. felizmente o quarto de Terrador era apenas três quartos a frente, e ele acorda embasbacado por tamanho barulho e corre para ver o que acontecera. Ao entrar no quarto de Spyro ele vê todo aquele sangue, o dragão no chão, Spyro com a boca cheia de sangue e Cynder com Cyro na boca.
–O que está... -Começa ele, mas é interrompido por Spyro, muito nervoso.
–Convoque todos os dragões no centro de Warfang agora!
–O que houve? -Terrador exigiu saber.
Spyro bate com a pata no chão, assustando o dragão. -Esse filho de uma vadia xingou Cynder. Quis matar nosso filho!
–OQUE! ASSASSINATO?! -Terrador olha com olhos furiosos para o dragão. -Por qual motivo?
–Segundo ele... -Spyro vê Cynder olhar para baixo e Cyro, ainda em sua boca, lambe-la, sabendo que sua mãe estava triste. -...porque ele é filho de Cynder.
Terrador rosna para o dragão, com osso, músculos e carne expostos onde Spyro o mordeu. -Novamente essa história, uh? EU NÃO IREI MAIS ADMITIR ISSO! Irei convocá-los imediatamente, Spyro!
–Muito obrigado, Terrador! E leve esse... -Spyro suspira, contendo um xingamento. -Antes que eu o mate!
Terrador olha para a expressão de Spyro e faz o que ele pediu, pegando o dragão com a boca, sem delicadeza, e levantando-o sem problemas devido sua extraordinária força.
Spyro olha para Cynder e para Cyro e se aproxima deles. -Ele está bem?
Cynder o coloca no chão. -Sim... Os dentes quase não o perfuraram... Por sua causa, meu amor! Por sua causa ele não está morto! Obrigada, Spyro!
–Não tem o que agradecer! Daria minha vida por vocês dois! E quanto a o que aquele imbecil disse... Não se importe com isso!
–Não se preocupe... Eu não me importo tanto tanto quanto me importava antes...
Spyro aproxima seu focinho de Cyro, que o lambe parecendo agradecer. Spyro sorri em ver seu filho bem.
–O que você vai fazer convocando todos os dragões? -Pergunta Cynder.
–Irei botar os pingos nos is! -Spyro diz lambendo Cyro.
Nesse momento Terrador volta. -Cyro está bem?
–Sim. Graças a Spyro ele não sofreu ferimentos graves. Apenas uns pequenos furos nos flancos.
–Menos mal... Volteer está convocando os dragões junto com Ray e Rya, então... Já podemos ir!
Spyro, Cynder e Cyro, nas costas de Cynder, seguem Terrador até o centro de Warfang, onde quase todos os dragões já estavam. Spyro olha para todos e começa a pensar em um discurso apropriado.
–Uh... Terrador! Como é que você sabe sobre Cyro? -Pergunta Cynder.
–Eu ouvi vocês falando ontem quando o ovo rachou! Então, quando vocês foram dormir eu fui vê-lo. Falei também para Cyril e Volteer!
–Oh... Tudo bem! Então acho que iremos contar para todos agora! -Spyro diz.
Volteer pousa ao lado de Terrador. -Tudo pronto, E ainda bem que esse fofinho está bem! -Volteer olha para Cyro, que pareceu dar um sorrisinho para ele.
–Obrigado Volteer! Vamos Cynder! Precisamos ir em um lugar alto... ALI! -Spyro voa para cima de uma casa, não tão grande quanto os incríveis prédios. Cynder o segue, com Cyro nas costas. Quando ela pousa ao lado de Spyro, todos os dragões já estavam os olhando.
–Povo de Warfang! Agradeço muito a presença de vocês! A primeira coisa que queria falar é que meu filho com Cynder nasceu! -Spyro pega Cyro na boca e coloca no teto da casa onde estavam. Todos os dragões parecem enlouquecer com "awwwws..." e vivas. -Porém parece que alguns de vocês não entenderam o fato de Cynder não ser má. -Todos os dragões murmuriaram uns com os outros. -Hoje cedo um dragão foi até meu quarto e mordeu Cyro querendo matá-lo. -Todos os dragões exclamaram com isso. -Cynder não me deixou matá-lo. Porém, ele disse que queria matar Cyro, porque era filho de Cynder. -Todos os dragões se calam olhando para Cynder, que estava com a cabeça baixa, com tristeza em seus olhos. -SE EU SOUBER QUE MAIS ALGUÉM PENSE QUE CYNDER É MÁ, NADA IRÁ ME DETER! CYNDER FOI CONTROLADA POR MALEFOR! DO MESMO JEITO QUE ELA FOI RAPTADA QUANDO OVO, QUALQUER UM DE VOCÊS PODERIAM TER SIDO! SE PONHAM NO LUGAR DELA! SINTAM A DOR QUE ELA SENTE CADA VEZ QUE ELA LEMBRA DO QUE ELA FOI OBRIGADA A FAZER! Ela acha que eu não sei... Mas ela foi forçada a matar os próprios pais! Vocês acham que ela quis matá-los? -Todos se espantam com a revelação, inclusive Cynder, que achava que ele não sabia disso. De algum lugar lá em baixo, Brasa voou até Cynder, que estava quase deitada de tão triste e a levantou. Spyro olha para Brasa e sorri. -Obrigado Brasa!
–Disponha Spyro!
Spyro olha novamente para a multidão. -Acho melhor vocês pensarem antes de PENSAR que ela quis fazer aquilo tudo! Todos os dias ela se condena com isso. Tento ajudá-la. Vocês vão acabar matando ela de depressão! -Todos olham para baixo e então para Cynder. Spyro percebe o ato. -Cynder... Venha cá! Gostaria de falar algo?
Cynder se aproxima e olha para todos. -Err... Bem... Tudo que Spyro falou era verdade. Ele só se esqueceu de uma pequena coisa. Tudo que eu fiz contra a minha vontade, eu tinha plena consciência disso! Malefor controlava apenas meu corpo, mas minha mente sentia a dor dos que eu matei! Eu... Eu me sento péssima! Realmente horrível! Por favor, não estou pedindo muito! Eu só... -Cynder se cala quando todos os dragões dobram as pernas dianteiras em reverência e respeito por Cynder.
Cynder fica embasbacada em ver aquilo e lágrimas saem de seus olhos. -Pelos ancestrais! -Ela sorri. -O... Obrigada! Muito obrigada mesmo! -Cynder estava muito feliz em finalmente ser notada como boa. -Finalmente! Agora, em fim, sou amada! Eu... Eu amo isso! É tão bom! Pelos ancestrais! Agora estou com Spyro, tenho um filho com ele e não sou mais tratada como um lixo! Tem como ficar melhor a minha vida? -Pensava ela enquanto retribuía a reverência.
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