–Olá novamente.... Meu jovem! -Ignitus diz desta vez deitado ao lado de uma das imensas estantes cheia de livros e pergaminhos, com sua voz calma.

–Ignitus? Ahhh... É bom reencontra-lo... -Sua expressão era de desanimo.

–Venha meu amigo. Sente-se aqui. Temos tanto com o que... -Neste momento um pergaminho sai da estante, flutuando até ignitus. -Conversar.

Bruno estranhou a atitude do velho dragão a sua frente, mas obedeceu. -Conversar?

Ignitus sorriu um pouco e assentiu. -Sim. Conversar. Venha. Sente-se na minha pata!

–Ok.... -Ficou com receio de sentar na pata do dragão, mas com o sorriso amigável estampado na face de Ignitus, logo o fez.

Ignitus sorriu para ele, como se quisesse o confortar. -Há algo que queira... falar, Bruno? Sei que há.

–Bem... Eu receio que o senhor já tem conhecimento do que aconteceu há alguns minutos... Sobre a discussão nada amigável com o meu avô.

–Sim... eu sei sim. Acompanhei aquilo. -Ignitus fala descendo sua cabeça até ficar na altura de Bruno.

Bufou. -Sinceramente, eu não entendo o por que dele ter feito tudo isso. Esconder de todos, por tanto tempo... Como se ninguém fosse descobrir.

–Eu sei que você não entende, mas eu pedi isso para ele. Eu pedi para não contar para ninguém, ou... Bem... Você estaria morto agora. Mas não é sobre morrer fisicamente! Não estou falando daqui! -Ignitus afocinha a cabeça de Bruno. -... estou falando daqui! -Ignitus afocinha o peito dele, onde fica o coração.

–O engraçado é que, ele disse que o senhor é quem decide quem vive ou não. E me pediu para lhe perguntar... O por que de você não ter o ordenado a monitorar a minha família... Afim de tentar salva-la. -Bruno se levantou da pata fitando-o seriamente.

Ignitus deixa soltar uma mínima risada e olhou nos olhos dele. -Eu não tenho o poder nem a permissão de decidir quem morre ou vive, meu caro. E... Se ele monitorasse sua família, ele nunca teria terminado o que eu pedi, que é a substância que corre no corpo de você. Bruno... Não precisas ficar bravo comigo. -Ignitus diz olhando para sua pata, se referindo a quando bruno se levantou repentinamente. Então ele olha para bruno novamente com uma das sobrancelhas levantada.

Bruno estava se controlando. -E... A minh... Pais e irmão... Morreram por causa disso??! -Disse apontando para seu corpo, trêmulo.

–Não. Como eu digo: o futuro é uma árvore de varias ramificações. Mas... Desta vez todos os galhos... Para a sua família.... Levavam a morte. Lamento Bruno... Mas... Wendelin os salvou. Da forma que ele agiu, ele levou a sua família a morte que seria a melhor. Eles não sofreram. Foi rápido... E indolor.

–COMO NÃO SOFRERAM NADA SE FORAM DEVORADOS POR SERES FAMINTOS POR CARNE??? COMO!!! -Um fraco brilho se formou na íris, indicando o descontrole.

–Bruno... Não acreditas em mim? -Ignitus coloca uma das patas em seu ombro. -Eu sei que você não é assim, Bruno!

O brilho some, mas o desespero permanece. -Como... Eles não sentiram dor alguma? -Uma única lágrima se formou, escorrendo por sua face.

Ignitus percebe e da uma pequena lambida em seu rosto. -Não reprima suas lagrimas. Faz mal para a alma! Acredite. Eu falo por experiência própria. Agora... sente-se? -Ignitus pergunta olhando para sua pata. -Sente-se e se acalme que eu lhe mostrarei!

Ofegante, tenta se acalmar, sentando lentamente na pata.

Ignitus sorri para ele e abre o pergaminho. -Agora... Preste muita atenção. Por favor, não se exalte, ou... Terei que tomar medidas drásticas!

–Fale... Me explique... O que realmente aconteceu.

–Olhe para o pergaminho! -Ignitus fala e uma imagem começa a aparecer no meio do pergaminho.

Bruno focaliza a visão para o pergaminho, e então vê. Os seus pais estavam desesperadamente colocando a mesa, armário, qualquer coisa que pudesse bloquear a porta. Isto lhes deu algum tempo.

O pequeno, irmão de Bruno, estava sentado no chão chorando, e sua mãe tentava o acalmar, dizendo que tudo ficaria bem.

O pai, segurando uma faca de cozinha, estava atento a qualquer investida dos zumbis.

A mulher se afastou do filho, querendo conversar com seu marido. -O que nós vamos fazer?! Estamos encurralados por esses... Demônios!!

Ignitus abraça bruno com a asa enquanto isso.

Bruno continua observando, com os olhos aflitos.

–O que eu aprendi com o nosso filho sobre essas "aberrações" durantes anos, é que não irão desistir até alcançar a suas vitimas... E... Arrghhh... COMO ISSO FOI ACONTECER!! -O pai esmurrou a parede. -Vamos orar a Deus, e pedir para salvar as nossas almas, e para não sentirmos dor, ok?

A mulher estava aflita, não acreditando que aquele momento estava acontecendo. -Mas e o Bruno?! Ele está lá fora, no meio deste inferno!!

–Devemos agradecer a Deus por ele não estar aqui!! E... Eu sinto que... Ele vai conseguir escapar desses... Canibais...

A mãe puxou delicadamente o braço do pai, pedindo para os três, ficarem juntos.

–Amor?? -Disse fitando os olhos de sua esposa.

–Sim?

–Existe um outro meio de escaparmos... Sem sentir dor. Mas é... Desumano... -Apontou a mão para um frasco contendo Bromadiolona, um potente veneno para ratos, e que se for consumido em grande quantidade, inibirá a produção da Vitamina K, impossibilitando a coagulação, levando a uma hemorragia interna, e a morte em minutos.

Sabendo o que iria vir, ignitus abraçou mais forte Bruno.

Sua esposa não estava acreditando no que ouvira. -Não! Não!! É um pecado se o fizermos!!

–Mas o marido interrompeu. -Nós seremos devorados por aquilo!!! É a nossa única chance de não sentir dor!! -Apontou para os zumbis, macetando os corpos violentamente contra a porta.

Ignitus olhava atento para Bruno enquanto ele assistia as imagens.

A mãe começou a chorar, o que entristeceu o Pai. O Pai andou até o armário, esticou o braço, pegando o frasco contendo o veneno para ratos. -Filho?? Meu querido, coma isto, e nada de mal irá acontecer a você, eu lhe prometo! -Entregou três pedaços de veneno, beijando a testa de seu filho. Dirigiu o olhar a sua esposa. Esticou o braço, e ela pegou a mesma quantidade. O Pai fez o mesmo. -Por favor, vamos ficar um do lado do outro. Assim... Venceremos isto... Juntos. Os três mastigaram os pedaços de Bromadiolona, e o engoliram.

A mãe começou a orar em sussurro, com os olhos fechados. O pai, com a faca posicionada na mão esquerda, e a direita abraçando a esposa e o filho, fitava com tristeza os zumbis, que tentavam desesperadamente abocanhar suas presas.

Passado alguns minutos, o filho começou a ter espasmos, dando o indício do veneno estar funcionando.

A mãe se desesperou, abraçando o filho com força. -Filho??! MEU QUERIDO!!!! NAO!!........ -Desabou em choro, segurando o corpo mole da criança em seus braços, já sem vida. -Era a melhor escolha a ser tomada... Agora, o nosso filhinho vai descansar em paz. A esposa beijou a testa do filho várias vezes, e o marido a abraçou.

–Nós vamos superar... -Sussurrou no ouvido dela.

Nesse momento então, quando o pai estava com os braços em e de sua esposa, ele sente o veneno chegando. -Amor... C... Chegou a hora. Eu... Eu te amo muito! -Ele diz antes de a beijar devagar, pela última vez.

Os dois se beijam e então começam a ter os espasmos, com lágrimas escorrendo de seus olhos e então... A morte chegou para os dois, que morreram abraçados em volta do filho.

O pergaminho se fecha e Ignitus da uma leve lambida em Bruno. -Viu?

O jovem em pé ao lado do velho dragão não esboça sequer reação.

Ignitus continua paciente do jeito que eras. -Meu jovem... Como veras... Eles não sofreram em sua morte.

Bruno fechou as pálpebras, tentando conter as lágrimas, mas não funcionava.

Ignitus o acariciava na cabeça com sua pata que era quase duas vezes maior que a cabeça do menino, mas... Tão carinhosamente quanto uma mãe. -Chore. Isso... Não retraia as lágrimas! Faz mal para a alma!

Ele queria demonstrar que era forte, mas... Essa revelação repentina, o abalou bruscamente.

Ignitus sabia as suas intenções. -Bruno... Chorar não faz um ser fraco! Mostra que ele tem sentimentos! E um ser com sentimentos é mais forte que tudo! -Ele diz com sua voz sabia.

–Eu... Eu cometi uma injustiça... Culpando o meu avô por tudo! -Tentava enxugar as lágrimas escorrendo pelo seu rosto, sem sucesso.

–Tudo pode ser... Perdoado, meu jovem. As vezes, um perdão pode trazer o que há muito... Tinha se perdido!

O Adolescente prestava atenção nas palavras ditas, querendo lembrar delas, como uma lição.

–E... Às vezes... Um abraço é o que nos salva da solidão! -Ignitus fala abrindo as asas querendo um abraço de Bruno.

Ele não quer errar agora, e nunca mais, aceitando o abraço oferecido.

Ignitus sorri e aperta suas magnificas e grandes asas em torno do pequeno jovem, em um abraço amoroso.

–Eu acho que... Preciso pedir desculpas ao meu avô. Preciso começar a consertar os erros que cometi... Urgentemente –Disse Bruno retribuindo o abraço.

–Ainda há tempo. Uma dica? Um certo dragãozinho amarelo que te adora muito ficou muito triste com você...

–Eu sei... O meu jeito ignorante e ríspido de ser, irá desaparecer... Eu prometo!

O velho dragão então o lambe no pescoço devagar e carinhosamente. -Esse é o Bruno que eu conheço! -Ele sorri e o lambe mais uma vez. -Agora... Meu jovem... Mais algo que queira saber?

–Bem, por enquanto, eu queria só a verdade... Apesar de dolorosa.

–Verdade uh? Huhuhu... Há verdade em todos os cantos! Precisará ser mais... Especifico, meu jovem!

Bruno pensa mais um pouco. -Eu acredito que exista tempo para tudo. Além de que, não quero lhe incomodar. -Disse dando um vago sorriso.

Ignitus assentiu. -Sabia escolha! Então... Vá! Nosso tempo... Terminou.

–Tenha um bom... Err... Dia??

–Huhuhu... Sim... Tenha um bom dia meu jovem! -Nisso ignitus solta uma leve brisa no rosto de Bruno, o acordando na terra.

Bruno acordou, percebendo que estava no chão, com as pernas apoiadas no sofá. -Obrigado Ignitus... Mesmo!! -Sorriu para si mesmo, levantando rapidamente, cheio de energia. Depois de ter levantado, sentiu um odor desagradável. Direcionou, então, o nariz para baixo do braço. -Afff... Preciso urgentemente de um banho!