–Oque?! -Exclama Cynder, vendo Cyro e Labareda se beijarem. -Você e Labareda?! Você pediu para ela?!

Cyro sorri para sua mãe. -Sim! Tremor me ajudou!

–Estou tão orgulhoso filho! -Diz Spyro, sorrindo para Cyro.

–Obrigado pai! -Cyro estava muito feliz com aquilo Tudo. -Vamos então?

Os cinco vão para o quarto de Cyro. Eles não haviam entrado lá desde que Cyro havia descoberto seu segundo elemento. Estava muito diferente. Estava com muitos manequins de treinamento com alguns tendo dardos de terra neles, outros tendo rasgões e outras tendo buracos, devido os dardos de gelo terem derretido.

–Nossa Cyro! Você treina todo dia? -Pergunta Tremor, se aproximando dos manequins.

–Todo dia um pouco. Eu preciso, pois se algum mau aparecer, eu tenho que estar pronto para defender o mundo. É o dever do dragão roxo!

–Meu pai disse que Spyro lutava com muita desenvoltura e agilidade. -Diz Labareda, referindo-se a Chama. -Eu nunca vi você lutando, Cyro.

–Geralmente eu luto mais com meu pai, no templo, onde tem mais espaço. Realmente ele luta muito bem mesmo! Mas eu já ganhei dele uma vez. -Cyro não consegue deixar a chance de se gabar passar.

–Você ganhou do seu pai!? -Uta exclama.

–Sim! É que armei uma emboscada. Eu fiquei meio que me esquivando dos ataques dele e quando eu vi uma brecha eu ataquei com meu ataque mais forte. Fiquei com medo de ter machucado ele, porque ele caiu de costas no chão com força. Mas, pelo o que parecia, ele estava bem, e contente ainda por eu vencer dele em uma batalha. Não faz muito tempo que isso aconteceu. Mas desde então eu não consigo mais vencê-lo.

–Qualquer dia quero batalhar com você! -Diz Tremor, analisando os dardos de terra.

–Você não tem chance contra ele, pedregulho! -Zomba Uta.

–Cale a boca fagulha! -Ataca Tremor.

–Parem vocês dois! -Diz Cyro. -Qualquer um aqui pode vencer de mim, porque eu não sei como vocês lutam! -Cyro acha outra deixa para se gabar e aproveita. -Mas vão ter que ser bem rápidos e ágeis! Hehehe.

–Rápidos e ágeis? Acho que eu consigo então! -Diz Uta.

–Mas tem que armar boas estratégias também! -Continua Cyro.

–Então ele não consegue nunca! HAHAHAHA! -Zomba Tremor.

Cyro não se contem e ri também. Depois de se recompor ele volta a dizer. -Todas as batalhas tem três elementos básicos: Agilidade, ou velocidade, como vocês quiserem chamar; Força e estratégia! Vocês devem combinar esses três elementos em um só e atacar. Caso seu inimigo esteja vindo só com um elemento, então use seu inverso! Por exemplo. Se Tremor estiver vindo para mim apenas com sua força, eu irei usar a minha velocidade para paralisá-lo no chão. Toparia dar uma demonstração, Tremor?

–Ficaria honrado! Só com a força, certo?

–Exato! Com a intenção de me acertar um golpe a ponto de me fazer desmaiar.

–Tudo! Lá vou eu!

Tremor e Cyro estavam a uma certa distância e Tremor começa a correr com passos firmes em direção a Cyro. Cyro a principio não se mexeu, esperou até que Tremor levantasse sua pata para atacá-lo e simplesmente se abaixou como um relâmpago, fazendo Tremor acertar apenas o ar. Como Tremor estava esperando o impacto, não conseguiu para o ataque e caiu no chão devido o peso de seus músculos contraídos para aliviar o peso do impacto do golpe. Cyro então, de onde estava, deu um salto para trás e caiu em cima de Tremor, com uma pata na cabeça dele.

Aquilo tudo durou apenas um segundo, caso que se algum dos três que estavam assistindo piscassem um pouco mais demorado eles não iriam entender o que aconteceu.

–Viram? -Cyro fala saindo de cima de Tremor.

Os três estavam maravilhados com tamanha velocidade dos movimentos de Cyro, inclusive Uta, que era do elemento eletricidade.

–Pelos ancestrais! Que fantástico! -Exclama Uta. -Você detonou Tremor sem nem mesmo atacar ele!

–Isso é porque eu usei o peso dele contra ele. Quando usamos somente nossa força, nós canalizamos quase todo nosso peso no membro em que vamos atacar, e se erramos, com Tremor, nós perdemos o equilíbrio e ficamos expostos para um possível ataque.

–Nossa Cyro! Como é que você sabe tanto sobre isso? -Pergunta Nita.

–Aprendi com o melhor! -Cyro realmente amava muito seu pai.

–Tá! Mas como você faz para interceptar a velocidade? -Pergunta Uta.

–Força!

Todos os quatro dão um solavanco de espanto.

–Força e concentração. -Completa Cyro. -Permita-me demonstrar. Mas, tenho que avisar, que pode doer um pouco!

–Tudo bem! -Uta não gostava muito de dor, mas a curiosidade era tamanha que decidiu tentar.

Cyro se posiciona olhando para Uta alguns passos distante dele. Num piscar de olhos Uta estava ao seu lado. Cyro percebeu o movimento repentino de Uta mas sabia que se atacasse naquele momento Uta iria desviar, então apenas deu um pulo para o lado, se distanciando. Pela segunda vez, Uta corre em um velocidade incrível para o lado de Cyro. Mas desta vez ele quebrou a cara. Cyro já esperava ele avançar daquele modo e assim que viu o músculo de Uta se contrair em sua coxa dianteira direita ele se virou e bateu com muita força sua cauda em Uta, se aproximando rápido demais para poder desviar daquele ataque. Uta foi lançado, batendo nos manequins e caindo no chão. Os manequins, como eram feito de palha e feno, amorteceram a queda e fizeram Uta não sentir o impacto no chão, mas, o da cauda de Cyro, ele sentiu muito bem.

–Mas o que... Ai! Ai ai ai! -Uta não consegue terminar a frase devido a dor.

Cyro logo vai para ajudá-lo a se levantar. -Me desculpe por isso! Hehe!

Uta odiava sentir dor. Sentia medo de medicina, inclusive. -Droga! Arrg! Que dor!

Cyro olha para onde ele bateu com a cauda, a lateral direita do peito de Uta, e solta uma pequena brisa gelada no local. -Melhor?

Uta olha para as pequenas partículas de gelo que estavam no local do impacto, fazendo os seus músculos relaxarem. Ele sente o alívio chegando. -Ahhh... sim! Muito!

–Bem... Explicando o que aconteceu... Quando você correu para o meu lado pela primeira vez, eu não esperava aquilo, e sabia que se eu atacasse você iria desviar e iria acontecer a mesma coisa comigo que aconteceu com Tremor, então eu me distanciei de você e esperei seu próximo movimento. Quando você está lutando contra um inimigo que é muito rápido, você deve prestar muita atenção em seus músculos da pata, que vão indicar quando eles vão se mover. Foi isso que aconteceu! Quando eu vi seu músculo se movendo eu girei e te bati já na minha frente. Você é realmente muito rápido, Uta! Mas deve pensar mais!

Tremor cai na gargalhada com aquele comentário. As duas meninas também riram, fazendo Uta ficar com um pouco de vergonha.

–Mas certo! Os dois são bons! -Diz Cyro, diplomaticamente.

–Mas e a estratégia? Quando devemos usá-la? -Pergunta Nita.

–Ora! Você não percebeu Nita? Eu sempre a usei! No caso de Tremor eu tive que pensar para qual lado ele iria atacar e saber o que eu iria fazer e quando. E no caso de Uta eu tive que opinar entre atacar ou não atacar quando ele esteve ao meu lado inesperadamente. Depois tive que prestar atenção no músculo dele para saber para onde ele estava se dirigindo e ataquei no local em que eu calculei que ele estaria.

Nita não havia percebido aquilo tudo e estava impressionada com tudo que Cyro estava falando. -Nossa Cyro! Que coisa incrível!

–Realmente é mesmo! A batalha é como uma... pintura! Se você erra apenas um pontilhado pode ser o fim da obra de arte. Ou não. Pois, mesmo com algo errado em uma pintura, você pode dar alguns retoques e arrumar, assim como na batalha. Você pode usar esse seu erro como uma armadilha ou uma distração, caso você esteja com alguém ao seu lado, lhe ajudando. Tudo isso foi meu pai que disse.

–Meu pai disse mesmo que o seu era muito sábio. -Diz Labareda.

–Nossa! Seu pai fala muito sobre o dele! -Retruca Uta.

–É porque eu sou muito amigo dele! -Spyro estava na porta do quarto de Cyro desde que ele e Tremor haviam começado o exemplo. Ele ficou lá, observando-os. -Chama é, com toda a certeza, meu melhor amigo. É como se fosse um irmão para mim! Já passamos por muitas coisas difíceis juntos e ele sempre me ajudava a superar os obstáculos, como Cynder.

Cyro ficou surpreso em ver seu pai lá e sentiu uma pontada de vergonha ao lembrar quando falara "aprendi com o melhor", mas escondeu-a. -Pai? Quando foi que chegou?

–Logo que vocês entraram! Vi tudo que vocês fizeram, e estou orgulhoso de ver que você entendeu perfeitamente o que eu lhe disse. E nunca se esqueça! Foi o próprio cronista Ignitus que me falou essas palavras tão sábias e me ensinou a lutar como eu luto hoje! Junto com os guardiões da era passada! -Spyro olha para baixo, um pouco triste.

Volteer, Terrador e Cyril haviam morrido há alguns meses. Já estava na hora deles partirem, deixarem este mundo. Pelo menos Spyro sabia que eles partiram felizes em saber que o mundo estava em paz novamente.

Cyro suspirou ao lembra de Volteer, seu "tio" predileto. Sempre brincava com ele quando seu pai não podia. Sempre se divertia muito com ele. Chorou muito quando ele morreu. Volteer tinha sido o segundo a morrer. O primeiro tinha sido Terrador, o mais velho. Spyro ficou desolado ao saber que Terrador havia partido. Depois Volteer e, em fim Cyril.

Mas Spyro não ficou tão triste quanto ficaria, pois não estava mais sozinho como antes. Possuía amigos. Possuía Cynder, que ele tanto amava. E também tinha Cyro, seu querido e amado filho.

Cyro balançou sua cabeça, se livrando de todos aqueles pensamentos.

Os outros quatro não haviam se ressentido muito, pois Cyro era dois anos mais velho que eles, e havia conhecido melhor os três antigos guardiões que eles.

Labareda sentia a tristeza no coração de Cyro e o lambeu na bochecha, tentando fazer ele esquecer aquilo. Deu certo, pois ele olhou para ela e sorriu.

–Obrigado! -Agradeceu ele.

Ela sorri ao perceber que ele estava melhor.

De repente algo chama a atenção de Spyro e ele olha para trás de seu corpo. Era Cynder avisando que a comida já estava pronta. Então ele se vira novamente para os cinco jovens. -Estão com fome?

–Com toda a certeza! -Uta não conseguia se esconder quanto a isso. Ele era um comilão.

–UTA! -Repreende Nita, que era sua prima.

Tremor, Labareda e Cyro riem daquilo e saem do quarto indo para a cozinha, onde estava a comida.

Cynder realmente era uma cozinheira de mão cheia. Ela havia aprendido a cozinhar muito bem, completamente sozinha! Usava temperos que fazia com as ervas que cultivava lá mesmo, com alguns sendo achadas na floresta ou no bosque.

Conforme se aproximavam da cozinha o cheiro da carne ficava maior, fazendo os cinco ficarem com água na boca.

Todos comeram conversando bastante. Tremor havia pedido para Spyro e Cynder contarem suas aventuras, principalmente a batalha contra Malefor. Aquelas histórias sempre fizeram parte da vida dele, pois Brutus, seu pai, contava para ele quando filhote, quando ia dormir.

Ao fim, Labareda e Nita ajudaram Cynder a lavar tudo enquanto Spyro terminava de contar a história para Tremor, Cyro e Uta.

Quando acabou de contar, ele se virou para Cyro. -Filho, depois eu quero te ensinar uma coisa nova.

–Que? O que é?

–A convexidade!

Notas finais
Gostaram?