Assim que amanhece Tremor acorda, de barriga para cima e com a cabeça de Uta em cima de seu peito. Ele olha para Uta e sorri. Então lambe seu olho, querendo acordá-lo. –Ei. Uta. Acode sim? Vamos meu amorzinho!

Uta abre lentamente seus olhos e olha para Tremor. –Bom dia meu querido! –E boceja, em direção de Tremor.

Tremor aproveita a chance e o beija profundamente, deixando sua língua a entrelaçar com a de Uta.

Uta então se recompõe do bocejo e coloca sua pata atrás da cabeça de Tremor e o beija ainda mais profundamente. Então se soltam e levantam. –Belo despertador! –Uta brinca.

–He. Posso fazer melhor. –Tremor anda em direção e esfrega seu corpo no de Uta.

–Sei que pode, afinal, você é o MEU namorado! –Uta beija a lateral do peito de Tremor assim que ele passou.

Nesse momento Cyro bocejou com a cabeça em cima do pescoço de Labareda. Ele abre os olhos e vê os dois. –Bom dia Tremor e Uta!

Os dois param de se esfregar e olham para Cyro. –Bom dia! –Respondem.

–Dormiu bem? –Tremor pergunta, se aproximando de Cyro e se deitando de frente para ele, assim como Uta.

–Melhor impossível! Minha princesa é tão quente que eu não preciso ficar me concentrando em manter meu corpo quente. Eu a adoro mais que tudo. E vocês?

–Melhor impossível. Adoro sentir o corpo da minha montanha em volta de mim. –Uta diz. –Ele não é de fogo mas... é quente! –Uta da um sorriso safado para Tremor.

Tremor sorri para Uta e o lambe no pescoço. –Meu elétrico amor!

Cyro da uma risadinha. –Apelidos?! Sério?! Haha! Que cômico!

–Oque? –Uta olha para Cyro. –Vá me dizer que você e Labareda não se chamam de apelidos também.

Cyro enrubesce. –Na verdade sim. Hehe...

–É natural dois dragões que se gostem arranjarem apelido. –Tremor diz. –Até como amigos ué! O pai de Labareda só chama o meu de pedregulho! Hahaha!

–Nossa! Um pedregulho teve um filho que é uma montanha! –Cyro diz, rindo.

Uta também ri. Com as risadas, Labareda acorda, sonolenta, mas ninguém percebe e continuam conversando, animados. Labareda então percebe a pata de Uta na sua frente e decide brincar com ele. Ela da uma mordida e finge que está dormindo.

Uta dá um salto de mais de meio metro de altura ao sentir sua pata ser pressionada. Tanto Tremor quanto Cyro se assustaram e olharam para Uta com cara de incrédulos. Uta olhou para sua pata e viu as, quase invisíveis marcas de dente. Ele então olhou para Labareda com atenção. Ele não se moveu, ficou fitando-a nos olhos.

Labareda sabia que ele estava olhando para ela, então permaneceu quieta, como se estivesse realmente dormindo.

Uta começou a se aproximar novamente e se sentou ainda desconfiado.

–O que foi que aconteceu aqui? –Cyro pergunta olhando para o rosto de Uta, que ainda olhava para Labareda.

–Eu senti alguma coisa morder minha pata. –Responde Uta.

–E você acha que foi Labareda? –Tremor pergunta.

–Tenho certeza absoluta que foi ela. –Uta se aproxima mais seu rosto de Labareda a ponto dela começar a sentir sua respiração.

Labareda não se conteve e deu um risinho, se denunciando.

–ARRA! Eu não disse! Ah... sua vadiazinha... –Uta fala brincando para Labareda e se arremessa em cima dela, fazendo-a rolar pelo chão.

Cyro pula para o lado bem na hora que Uta pulou, se livrando de um belo tombo. Tremor segura Cyro para que ele não se desiquilibrasse e fica olhando Labareda e Uta se morderem no chão. –Ai ai... Esses dois...

–Né?! O que aconteceu para de repente os dois ficarem tão amigos? –Cyro pergunta.

–Ora, Cyro. Nossa revelação! Você também não percebeu que nós dois ficamos mais próximos?

–Aproposito... Eu vi vocês dois acordarem e saírem pela janela ontem. –Cyro olha para Tremor.

Tremor arregala os olhos e engole em seco. Começa a soar desesperadamente. –V... Você viu?

–Vi sim. Mas não se preocupe não. Eu voltei a dormir assim que Uta pulou pela janela! Não vi nada! Haha.

Tremor olha para Cyro, corado. –Desculpe por isso.

–Pffft. Desculpar por o que seu idiota? Bem... Vamos tomar café? Estou morrendo de fome.

–Café? –Uta pergunta, em cima de Uta, prendendo suas quatro patas com as suas patas. –Pede água?

–Nunca! –Labareda diz.

–Será mesmo? –Uta começa a abrir a boca e a salivar.

–Você não vai... –Labareda olha dentro da boca de Uta. –Tá! Tá! Você venceu! Seu nojento!

–Hahaha! Sempre da certo! Não vale me atacar mais! Você se rendeu! –Uta sai de cima de Labareda e vai para o lado de Tremor.

–Você é um nojento Uta! Seu maldito! Isso não vale! AHHH! Que nojo!

–O que foi? –Cyro pergunta puxando Labareda com a asa.

–Ele ia cuspir em mim! –Labareda responde.

Cyro olha para Uta. –UTA!

–Que é? Na guerra e no amor vale tudo! Hahaha! –Uta olha para frente e sai do quarto.

Todos olham para Uta saindo do quarto triunfante e riem. Então saem do quarto também e vão para a cozinha. Onde Cyro e Tremor fizeram mais lanches. Todos comeram conversando e rindo bastante.

–Ei Cyro. Onde seus pais estão? –Tremor pergunta.

–No templo. Desde que voltamos da primeira missão eles parecem tão ocupados... –Cyro responde meio que olhando para baixo. –Eles não tem mais tempo para mim. Quando... bem... eu não brincava com vocês, meu pai sempre brincava de luta comigo. Mas... de cá para cá mudou tanto...

Tremor coloca uma das asas em cima do ombro de Cyro. –Ei Cyro. Agora você nos tem!

–Mas eles são meus pais! Minha mãe sempre fazia o café... agora eu tenho que fazer meu café também...

–Calma Cyro. Quer que eu fale com eles?

–Não precisa fazer isso não!

–Eu vou, porque gosto muito de você. Amigos são para isso, não? –Tremor sorri para Cyro.

Cyro olha para Tremor e sorri assentindo. –Sim! Com certeza sim! E se precisar de algo, eu farei também!

–Vou ser obrigado a aceitar quando eu tiver com problemas, uh!- Tremor empurra Cyro com seu corpo.

–Peça mesmo! –Cyro diz. Bem... Vou colocar alguns lanches na minha mochila caso sintamos fome e não pudermos caçar durante a missão.

–Onde é que vamos mesmo? –Uta pergunta.

–Para onde meu pai derrotou Malefor. O covil do mestre das trevas. –Cyro responde. –Não sei se é uma boa ideia vocês.

Tremor coloca sua pata na boca de Cyro. –CALADO! Nós vamos ir para lhe ajudar! Daremos a vida, se for preciso.

Cyro olha para Tremor. –Não fale isso. Traz má sorte e acontece! Bem... acho que podemos ir. Será que Nita está...

–Com certeza sim, pois dormiu com Ray. Deve ter acordado com ele. –Uta responde.

–Então vamos! –Cyro e os outros três saem da casa e decolam em direção do templo.

Ao chegarem lá viram que Spyro estava os esperando do lado de fora, com Cynder ao seu lado. Os jovens pousam e correm para a frente de Spyro.

–Vocês chegaram. Espero que dormiram bem. E... bem... tenho uma pequena surpresa para vocês.

–Surpresa? –Cyro pergunta olhando para Spyro.

Spyro, que estava usando algibeiras grandes nas pernas dianteiras, tira cinco armaduras de dentro delas. As armaduras eram completamente douradas, mas cada uma tinha um cristal na testa de cores diferente.

–Armaduras?! Demais! –Cyro se aproxima das armaduras e sente, de repente, uma força se apoderar dentro dele. Ele cambaleia. –Uou! O que é isso? Esse poder... Me sinto maravilhoso! UAU!

–Hahaha! –Spyro ri da reação do filho. –Aqui. Coloque a sua. –Spyro da uma armadura que continha a gema com cada canto de uma cor: vermelho, verde, amarelo e azul.

Cyro pega a armadura e a veste. Ao colocar o capacete ele sente uma tremenda explosão de energia vital bombardear seu cérebro. –O que é isso?! Me sinto tão... FORTE!

–Então significa que funciona! –Spyro diz, sorrindo.

–Como assim? –Cyro pergunta.

–Essas gemas nas testas das armaduras são cristais que descobrimos a pouco tempo. –Cynder responde. -Os chamamos de cristais elementais. Cada cristal aumenta um elemento. Existe a mesma variedade de cristais do que de elementos. Há cristais até mesmo para os elementos mais raros, como o medo, ou o ácido. Como você pode ver, o seu, Cyro, há fragmentos dos quatro principais cristais: Fogo, terra, eletricidade e gelo. Com a sua armadura seu poder aumenta muito. Vamos. Teste com algum ataque elemental!

Cyro pensa e então lança chamas para o alto. Para sua surpresa, o jato de fogo foi bem mais grande do que ele poderia aguentar. Foi gigantesco! Como um vulcão em erupção. –UAAAU! DEMAIS! –Cyro arregala os olhos.

–E tem para todos! Tremor, aqui está a sua. Uta, e Labareda também. Nita já tem a dela lá dentro. Vistam e entrem para poderem pegar alguns recursos antes de partir. –Então Spyro e Cynder entram no templo.

Os jovens ficam fora, colocando as armaduras.

–Essas armaduras são pesadas! –Labareda diz erguendo seu capacete.

–São feitas de bronze e prata dourados. Magníficas! E essas gemas... Eu nunca ouvi falar delas! –Tremor diz. –E eu sei muito sobre minerais e pedras preciosas.

Quando todos acabam de colocar as armaduras e Cyro recoloca sua algibeira com os lanches eles entram.

–Olá! –Nita logo os cumprimenta. –Vocês estão magníficos com essa armadura!

–Você também está, Nita! –Cyro diz. –Então... Como foi a noite?

–Boa. Meu pai me mantem aquecida. É bom. E minha mãe me faz leite quente. Me sinto aconchegada entre os dois.

Conforme Nita falava sobre ela dormir com seus pais Cyro abaixava a cabeça.

Tremor percebeu aquilo e logo foi falar com Spyro e Cynder. –Spyro, Cynder. Eu posso falar com vocês ali na biblioteca antes de qualquer coisa?

–Sendo rápido. –Spyro diz, indo para a biblioteca.

Tremor entra atrás de Cynder e se senta. –Olha, Spyro e Cynder. Hoje Cyro disse que não se sente mais tão... amado por vocês.

–Oque? Mas, por que ele disse isso? –Cynder se inclina um pouco para frente.

–Porque vocês andam muito ocupados. Ele disse que ele sempre brincava com você, lorde Spyro, e também disse que lady Cynder sempre fazia o café da manhã para ele. Ele sente falta disso. Sei que ele tem quinze... dezesseis anos, mas ele amo muito vocês! Agora, quando Nita estava falando que dormia com seus pais ele ficou muito triste.

Spyro e Cynder se entreolham e então olham para Tremor novamente. –Não posso falar que é verdade, mas realmente estamos muito ocupados! As novas coisas que estão acontecendo... –Spyro suspira. –Meu filhinho... Só quero protege-lo.

–Você me permite dar uma dica? –Tremor pergunta.

–Diga. –Cynder diz.

–Se você fosse nesta missão conosco, lorde Spyro ou lady Cynder, ele ficaria muito contente mesmo!

Spyro e Cynder inclinam a cabeça para o lado. –Não é má ideia, sabe. –Cynder diz ao olhar para Spyro.

–Vá você, Cyn. Eu fico aqui cuidando do trabalho todo. –Spyro diz e lambe o pescoço dela.

–Tem certeza que você pode cuidar de tudo sozinho?

–Eu peço ajuda para Brutus ou Chama! –Spyro diz. –Acho que Cyro gostara bastante em ter você em uma missão com ele.

–Também acho! –Tremor diz.

–Tudo bem. Então vamos. –Cynder sai da biblioteca, seguida por Spyro e Tremor.

Cyro e os outros estavam pegando alguns cristais de energia quando Cynder se aproxima deles. –Mãe?

–Oi filho. Tenho uma novidade para você! Eu vou ir junto com vocês. –Cynder se agacha para pegar alguns cristais.

Cyro olhou para ela e então sorriu. –Você vai ir? Que legal! Não acredito! Vou ver minha incrível mãe em ação! Ahaha!

Cynder olhou para Cyro e sorriu. –Devo estar meio enferrujada. Faz anos desde que eu não luto.

–Ah... Isso é igual voar! Quando se aprende nunca esquece!

–Eu sei. Eu sei. Bem... Vamos? –Cynder coloca sua algibeira com os cristais.

–Vamos... Mas e a sua armadura, mãe?

–Ainda não fizeram. Nós demos preferencia para vocês. Vocês são nossos filhos amados e queridos, esqueceu? Daria a minha vida por você.

–Mãe... –Cyro lambe o pescoço de Cynder e começa a ir para a área de decolagem do templo.

Assim que decolaram Cyro ficou admirado em ver sua mãe voando tão... rápido. Passaram-se horas até anoitecer e pousarem. Enquanto todos arrumavam o acampamento, Cynder foi caçar. Minutos depois Cynder volta com vários antílopes nas costas, manchando-a um pouco de sangue. Ela coloca no chão e começa a cozinhar para todos.

Mais de cinco dias muito parecidos com esse se passaram até chegarem ao destino. Assim que o grande vulcão pôde ser avistado no horizonte Cynder suspirou. –Tantas lembranças ruins... Esse lugar é onde o mal reside. É o covil do mal!