Notas iniciais
Boa leitura!

III

“Conspiração Maromba”

WLAD

O líder de Poseidon caminhava a passos rápidos. A todo instante, ele olhava para trás, se certificando de que não estava sendo seguido. Ele havia marcado uma reunião numa parte mais afastada do Acampamento, para o caso de Milord ou algum outro líder o procurar.

Ele não agüentava mais a falta de notícias dos três amigos que partiram. Já fazia quase dois dias e a única coisa que Milord os havia comunicado era que eles estavam se dirigindo para Ouro Preto. Wlad percebeu que o líder geral estava mais nervoso e preocupado do que o costume e evitando trocar informações com os outros campistas. Ou seja, algo estava muito errado.

Quando chegou no local demarcado para a pequena reunião, o rapaz distinguiu algumas silhuetas. Calmamente, ele se aproximou dos seus amigos e os cumprimentou com o olhar. A lua minguante oferecia uma luz prateada e pálida aos rostos dos outros, que o deixou perceber a apreensão e a dúvida neles.

— Estão todos aqui? – Wlad sussurrou e os outros assentiram.

— Sim, Wlad. – Foca responde por todos. – Lucaum, eu, Brant, Leo, Rômulo e Manu

— Ótimo. – Wlad disse. – Chamei vocês aqui para darmos um jeito de sair do Acampamento e procurarmos o pessoal que está em missão.

— Mas, peraí... – Rômulo interrompe Wlad. – Tirando eu e o Brant, vocês todos são líderes. Como que cinco líderes somem de uma vez?

— Verdade. – Foca concorda. – Vocês já passaram na porta do chalé 5 pra ver? Tá, literalmente, uma zona de guerra depois que a Quezia foi embora.

— Líderes fracos não conseguem controlar seu povo. – Leo diz ironicamente e recebe um cutucão de Wlad.

— Mas se um líder ou conselheiro for, podemos ficar mais tranqüilos. – Lucaum opina.

— Tá. Daqui, vão Brant, Rômulo e mais alguém, né? – Leo diz e olha para Manu discretamente.

— Eu...– Manu capta o olhar de Leo e responde. – Eu posso ir como líder,então.

— O Dan está disposto a ir também. – Brant comenta.

— Mas mandar um novato nessa missão? – Wlad retruca, não querendo deixar um campista seu ir por impulso.

— Eu tomo conta dele, chefinho. – Brant brinca.

Enquanto ainda discutiam a questão de Dan ir ou não com os outros três, Wlad ouve passos na mata. Alguém estava se aproximando deles. Preocupado, ele gesticula desesperadamente pedindo silêncio. Bem a tempo de Frost chegar e pega-los no flagra.

— Que é isso? – O campista de Roma pergunta maliciosamente. – Conspiração Maromba?

— Frost, calma... – Wlad se levanta e encara o amigo.

— Eu estou calmo... – O menino olha um por um dos presentes. – Eu só quero saber porque tem esse tanto de líder aqui eu não fui chamado.

— Frost... – Wlad suspira pesado. – A gente vai te explicar.

—-------------------------------------------------//------------------------------------------------------

GUILHERME

O relógio já marcava cerca de uma hora da manhã quando eles chegaram na cidade histórica de Ouro Preto. Guilherme olhou para o lado e encontrou Quézia babando no banco do carona. O menino riu e olhou o retrovisor. No banco de trás, Will estava absorta num livro. Ele estranhou, mas não falou nada. Sua preocupação agora era encontrar alguma pousada aberta para que eles pudessem descansar.

Ele estaciona o carro em frente a uma pousada afastada da Praça Tiradentes e cutuca Quézia.

— Quez, acorda. Chegamos! – Enquanto a filha de Ares acordava, Guilherme se vira para Will. – Will, vai lá e arruma um quartinho para gente. Eu tenho que dar um sumiço nesse carro.

— Okay. Vão bora, Quézia! – Will desce do carro e arrasta a ruiva sonolenta com ela.

—----------------------------------------------------------//---------------------------------------------

Will

Com muita dificuldade, a filha de Afrodite acordou naquela manhã. Ela sabia que Ouro Preto era uma cidade fria, mas ali já estava passando dos limites. Quanto os termômetros estariam marcando? Ao abrir os olhos, ela deu de cara com uma Quezia adormecida do seu lado e Guilherme no chão. O filho de Dionísio roncava imensamente, até estremecia o quarto.

A menina saiu da cama e foi lavar o rosto. Ela chamou os companheiros antes de se fechar no banheiro. Ela ouve Quézia resmungar do outro lado.

— Puta que pariu! A Will foi pro banheiro primeiro! Vai demorar uma hora lá passando maquiagem!

— Não me confunde com outras filhas de Afrodite não, querida!– Will retruca.

— Tô com fome e essas mina gritando na minha cabeça... – Guilherme comenta e vira pro lado pra tentar dormir de novo. O menino recebe um chute no traseiro de Quézia.

— Anda, primo! Levanta!

Quando finalmente conseguiram sair da pousada, encararam um morro inclinado, onde no alto estava a Igreja Nossa Senhora dos Rosários dos Homens Pretos. Will ignorou os resmungos de Guilherme e Quézia no caminho, admirando a arquitetura barroca e o ar colonial da cidade.

Se eles tinham que começar por algum ponto, tinha que ser essa igreja, onde Nat, Aron e Frost realizaram a missão para Ares e Hefesto. As ruas ladrilhadas se bifurcavam quando eles avistaram as duas torres da construção. Will estranhou o fato de haver poucos turistas por ali. O local estava praticamente deserto.

Ao chegarem na porta, a menina distinguiu as notas agudas e frias de um órgão, sendo seguidas por uma voz encantadora e feminina.

— Esperem. – Trindade barrou os amigos. – Eu conheço essa música.

— Ela é bem sombria. – Guilherme comenta.

— É, mas não é um canto sacro. É O Fortuna. – A menina retruca. Guilherme olha assustado para ela.

— A Natalia veio com a gente? Procurem os quatro cavaleiros do Apocalipse aí, gente!

— Andem, parem de enrolar. – Quezia ralha com os dois e entra na igreja.

Will não soube dizer por que, mas ela não queria entrar ali. Ela tinha um pressentimento ruim que se confirmou quando seus sapatos se chocaram com o chão de madeira. Percorrendo o lugar rapidamente, ela viu algumas estátuas abandonadas ao redor da igreja. Próxima ao altar, estava uma freira tocando a música que ela reconheceu na entrada. A voz da mulher fazendo os pelos de seus braços se arrepiarem.

Eles se separaram, tentando encontrar pistas da última missão. Will escolheu o corredor central, onde a maior parte das estátuas estava apinhada. Ela se perguntou se a igreja estava passando por algum tipo de reforma para ter aquele tanto de objetos e figuras aos arredores.

Tentando ignorar a sensação de medo que ameaçava tomar conta dela, Will encarou uma das estátuas. Seus instintos lhe dizendo que algo estava muito errado ali. As imagens pareciam muito mais figuras góticas do que barrocas. Todas tinham expressões assustadas, como se sua devoção fosse fruto de algum terror e não de admiração.

Ela lançou um olhar para seus amigos, que pareciam concentrados em vasculhar a igreja. Quando Quezia chegou perto da nave, é que a filha de Afrodita se deu conta de que a música tinha parado e a freira não estava mais lá.

— Pessoal. – Ela chamou seus amigos. Sua voz ecoando pelo mármore frio. Os instintos de batalha de um semideus dificilmente estavam errados. – Fiquem juntos.

Seus amigos não precisaram ouvir duas vezes. Eles também pressentiam que havia algo errado. Aos poucos, ela foi flanqueada por Guilherme de um lado e Quézia do outro. Costas contra costas. A filha de Ares sacou duas espadas curtas enquanto Guilherme empunhava uma machadinha viking. Os olhares ferozes dos dois a tranqüilizando.

— Ei, primo. – Quez chama Guilherme que só assente. – Aposto cinco dracmas que é harpia.

— Aposto o dobro que é uma górgona. – O menino responde e Will olha perplexa para eles.

— É sério isso?

Uma risada maléfica se fez ouvir. Parecia vir de todas as direções. Will pegou seu escudo e sua espada, ainda incerta de onde o ataque viria. Ela sabia que tinham caído numa armadilha. A menina sentiu suas costas batendo nas de seus amigos e fechou os dedos envolta de sua espada. Era hora da batalha.

— Bem vindosssss. – O sotaque reptiliano os assustou por um momento.

— Caralho! – Quézia pregueja. – Te devo dez dracmas, Gui. Separem-se!

Notas finais
Beijos!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.