A isca
10 "Inico da Batalha"
Notas iniciais
Quando acordo, tudo que eu vejo são paredes de pedras, com algumas folhas, e logo ao lado está Mason, sentado em um tronco de madeira, afinando sua faca.
— Até que fim você está de pé — ele disse. — Estou esperando você acordar á mais de duas horas — ele levantou, e colocou a faca no cinto, e logo me levantei. — Vem, vamos logo.
— Pra onde vamos? — perguntei confuso.
— Temos que caçar — ele disse, retirando outra faca de seu bolso e me entregando.
— Que? Ficou louco? Eu não vou matar ninguém! — eu disse espantado.
— Então você vai morrer — ele disse, franzindo a sobrancelha e chegando mais perto.
— Você vai me matar? — eu disse dando um passo á trás.
— Não — ele disse jogando a faca no chão. — Mas eu também não vou arriscar a minha vida por uma pessoa que não está com vontade de viver. — ele virou de costas. — Max, você não entende que agora estamos em um jogo de sobrevivência? É matar ou morrer.
— Vamos ter que achar a Jessica primeiro — eu disse. — Sabe com quem ela está.
— Ela está com o Daniel — ele falou. Mas por que motivo temos que achar a Jessica, Max? — ele virou para mim, com a testa franzida. — O que ela e Daniel vão fazer para nos ajudar?
— Temos que achar alguma forma de sair daqui. Não creio que vamos continuar com nossa sanidade posta, sendo que matamos várias pessoas para podermos sair daqui.
— Você não entende? — ele disse com raiva. — Esse labirinto é gigante! É impossível acharmos Jessica e os outros em menos de uma semana. Antes que essa droga exploda.
— Olha só — eu disse. — Você vai fazer o que bem quiser. Eu vou encontrar Jessica e com ela, vamos procurar um jeito de sair daqui. Sei que Jessica também não mataria ninguém.
— Que seja — ele disse, revirando os olhos, enquanto cruza os braços.
— Creio que deveríamos começar á procurá-la — eu disse, e peguei a faca que Mason jogou no chão.
— E eu creio que deveríamos comer primeiro — Mason disse sentando no chão e abrindo a mochila, e depois continuou revirando os suprimentos.
— O homem corvo deu comida? — perguntei, agachando.
— Não sei — ele disse. — Ele deu uma mochila para cada dupla pelo que eu sei. Cada mochila tem suprimentos.
— Achei — ele disse.
— O que? — perguntei ansioso.
— Uma maleta — ele disse tentando abrir ela.
— Acha que tem comida aí dentro?
— Sim — Mason conseguiu abrir a mochila. — Tem duas barras de chocolate, uma garrafa de água e algumas frutas.
— Acho que devemos guardar isso. Podemos comer apenas algumas frutas que encontrarmos no caminho — eu disse levantando. — Esse labirinto está situado em uma floresta certo? Com certeza terá plantas que contenham alguma comida.
— Tem razão — Mason falou fechando a maleta e colocando de volta na mochila. — Vamos ir procurar sua namoradinha.
— Ela não é minha namoradinha.
— Por enquanto.
— Cale a boca e vamos logo — disse guardando a faca no meu bolso e tirando minha jaqueta. Coloquei ela amarrando as mangas no meu cinto.
Começamos a andar e um silêncio predominava o lugar. Aproveitei para pensar um pouco. Comecei a imaginar quem poderia ser o homem que nos colocou aqui. Eu sentir um ar familiar naquela boca. E o jeito que ele fala a palavra "gafanhotos" não me soa estranho. Parece que eu já convivi com essa pessoa.
Quantos mais eu penso, mais minha cabeça dói e mais tonto eu fico, fazendo com que o meu andar, minha caminhada, fique com cambaleações.
Comecei a olhar para o rosto de Mason, e acabei percebendo que algumas manchas vermelhas estavam se formando. Essas manchas pareciam inchar. Eu fui me afastando de Mason, e toquei em meu rosto, e comecei a sentir tumores iguais os de Mason.
— O que está acontecendo? Por que seu rosto está cheio de tumores?— ele perguntou, tocando o rosto.
— Espera... — comecei a ver um vapor cinza, que parecia fazer bolhas no nosso corpo. — Mason, isso é névoa venenosa! Corre!
E de repente nós dois começamos a correr sem pensar duas vezes. Estávamos como duas pessoas correndo ás cegas. Quando senti meus ossos queimando, percebi que a névoa tinha contato radioativo, então tivemos que correr mais rápido ainda, até que esbarramos com um buraco subterrâneo, com uma tampa mal fechada. E percebemos que essa era nossa única opção de continuar vivos. Pegamos a tampa e logo pulamos imediatamente no buraco e em seguida, fechamos com a tampa.
Meu joelho começou a doer. Minhas pernas suportavam uma dor muito forte, com a queda do meu corpo.
Estávamos ofegando, e cansados, então, sentamos e continuamos com a respiração acelerada.
— Tem algo ali — Mason, disse levantando e olhando para uma parede.
— Não tem nada aí. Estamos em um buraco subterrâneo. A única saída é a que está em cima de nós.
— Não — ele disse, passando a mão na parede. Comecei a olhar melhor para o lugar, e acho que essa parede pelo visto é uma porta de vidro cobrida com terra. Provavelmente, um esconderijo.
Um esconderijo. Tudo liga á duas opções: esse lugar já foi usado como refúgio em uma guerra ou algo do tipo, ou... esse é o lugar de onde o homem corvo nos observa.
— Vamos entrar — eu disse levantando, e ele logo empurrou a porta.
Uma poeira circulou o ar, e isso me deixou um pouco alérgico com a situação. Minha visão embaçou um pouco, e pelo que eu vi, a de Mason também.
Esquecemos o problema e vamos entrando na sala. E pelo visto: ela é gigante.
O chão é todo feito de vidro, vidro branco, com triângulos pretos. As paredes são inteiramente pretas, e tem um enorme espelho no teto. Quer dizer, o espelho cobre o teto inteiro.
— Acha que o homem corvo nos observa daqui? — perguntou Mason.
— Com certeza sim.
Voltamos a observar o lugar, olhando as prateleiras. Encontrei uma caixa com algumas fotos de um bebê. Não tive muito tempo para pensar sobre o que estava acontecendo ou quem era esse bebê.
Minha mancha de inflamação volta a doer. Mas dessa vez, ela parece borbulhar, o que me causa uma grande irritação.
— O que é isso no seu rosto? — Mason se afastou de mim, e logo vi que o rosto dele ficou inteiramente vermelho.
— Olhe para o seu! — eu disse espantado, tocando minhas manchas e ele sentiu sua pele se queimar.
Senti uma tonteira. Comecei a sentir meu rosto se queimar. E eu fui ficando sonolento, até que uma caída no chão me adormeceu.
Despertei e tentava me mexer, mas eu não conseguia. Parecia que meus pés e minhas mãos estavam presos. Algemados. Tentei sentir o lugar pequeno e abafado que eu estava. Minha mão deslizava sobre uma madeira. Parecia que eu estava... em um caixão.
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