A irmã da minha namorada.
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Notas iniciais
Eu fiquei ali, petrificado na frente do refeitório pelo que me pareceu mais de uma hora. O que vai acontecer agora? Quero dizer, minha vida está acabada. Meu pai vai me expulsar de casa, com toda certeza. Não que eu não queira sair de lá, mas eu não tenho lugar para ir. Quando recuperei completamente minha habilidade para andar, entrei novamente no prédio do colégio e subi para o terraço, acendi mais um cigarro e tentei esquecer tudo que acontecera mais cedo, sem sucesso. Dez minutos depois, a porta se abriu e eu olhei, surpreso, para Samantha.
— O que você está fazendo aqui?! — ela disparou.
— Hum... eu achei esse lugar hoje, para falar a verdade. — respondi, dando mais uma tragada no cigarro.
— Hum... eu... eu vi o discurso da minha irmã hoje mais cedo. — começou ela, hesitante.
— Todo mundo viu — dei de ombros, olhando para um ponto qualquer no horizonte.
— Você não precisa se preocupar com isso, sabe? — soltei uma risada fraca, me virando para encará-la.
— Não preciso me preocupar? — gritei. — Sua irmã não somente me humilhou na frente do colégio inteiro, ela também me deixou sem um teto!
— Como assim?!
— Meu pai! Meu pai vai me expulsar de casa depois desse escândalo. — suspirei, passando a mão em meu cabelo, em sinal de nervosismo.
— Ele não faria isso...
— Você não o conhece. Eu era o passaporte dele para a vida pública. Era por mim que ele chegaria até sua família.
— Foda-se seu pai, foda-se esse colégio! De qualquer maneira, se você for expulso de casa, pode ficar na casa da banda por um tempo. — respondeu ela, dando um meio sorriso.
— Com o seu namoradinho?! — ironizei — Nunca.
— Que namoradinho? — se virou para mim.
— Tom! Eu vi vocês dois juntos hoje. — disse com amargura.
— Ele só veio me deixar aqui — disse, sem dar muita importância.
— Vocês estavam se beijando! — exclamei, irado, jogando o toco do cigarro para longe.
— Eu não tenho que te dar satisfações sobre a minha vida pessoal — gritou ela em resposta. — Por que você se importa, de qualquer maneira?
— Eu não me importo! — gritei, bufando.
— Ótimo! — disse ela, caminhando até a porta e a fechando com um baque, saindo e me deixando sozinho novamente.
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