A irmã da minha namorada.
30 30.
Notas iniciais
— Por que você não me disse isso antes? — murmurei, passando a mão em meus cabelos, nervoso.
— Não queria que você ficasse preocupado enquanto estivesse no hospital. Você precisava se recuperar — respondeu Sam. — Mas não é nada de importante. Ela só passou lá para saber o que tinha acontecido, e depois disse que precisava falar com você.
— Depois de três meses minha mãe vem querer falar comigo? — neguei com a cabeça. — Aconteceu alguma coisa, eu tenho certeza.
— Se precisa ficar mais calmo, liga pra ela e pede pra ela vir até aqui. — disse-me ela, entregando meu celular. — Vamos estar preparando algumas coisas da banda e vamos ter que sair mesmo. Pelo menos você terá um pouco de privacidade com sua mãe.
— O que tá acontecendo com a banda, afinal? — virei-me para ela, inquisidor. Havia dias que a banda estava inquieta, e eu nem podia mais entrar na garagem para ver o que estava se passando.
— Um passo de cada vez, Danny — disse ela, dando um beijo em meu rosto. — Muitas surpresas para um dia só, não acha?
— Não, não acho — cruzei meus braços em frente ao corpo. — Estou curioso.
—Prometo que te conto tudo amanhã. Mas agora eu preciso ir... vê se não faz nenhuma besteira enquanto eu estou fora de casa, okay? — mostrei a língua pra ela.
— Você é a pior pessoa desse mundo — murmurei, em tom de brincadeira.
— Mas você me ama! — riu-se ela. — Nos vemos mais tarde, Danny.
~x~
Mandei um SMS para minha mãe,e então ela apareceu na porta de casa dez minutos depois.
— Meu querido! — ela correu para me abraçar, mas não consegui retribuir o abraço. Após tantos anos sem uma demonstração de afeto por parte dela, isso era muito estranho.
— Oi mãe... — disse eu, desvencilhando-me de seu abraço e indicando o sofá da sala, e ela rapidamente se sentou.
— O que houve com você, meu querido? — indagou ela. — Por que todos esses arranhões e... — então ela pousou os olhos em meus braços e pernas, os olhos molhados. — Daniel! Quando você voltou a...
— Eu nunca parei — sussurrei em resposta.
— Ah, meu querido... — ela se sentou mais perto de mim, e segurou meu rosto em suas mãos, beijando cada arranhão.
— Mãe... pare... Mãe! — empurrei-a gentilmente, e ela soltou um suspiro.
— Eu senti tanta a sua falta, Daniel...
— O que a senhora veio fazer aqui? — a interrompi.
— Como assim? Vir ver como você estava!
— Não, mãe. A senhora não veio aqui por minha causa. — respondi, resignado. — Se fosse saudades, a senhora teria aparecido por aqui três meses atrás. Eu sai de casa, e a senhora não teve coragem de me mandar uma mensagem sequer, para saber como eu estava.
— Eu me separei de seu pai. — disse ela, abaixando o olhar. Fiquei tão surpreso que nem tive tato, e gritei:
— O QUE?
— É, isso mesmo. — suspirou, olhando para mim. — Se você acha que eu não me separava por causa do dinheiro dele, é mentira. Tudo o que ele disse para você á meu respeito é verdade. Eu sabia que, se eu me separasse dele, ele ficaria com sua guarda... e ele faria coisas horríveis á você.
— Como se ele já não fizesse todos os dias pelos 18 anos que vivi naquela casa — respondi, amargamente.
— Eu sei, meu filho, eu sei. — murmurou ela. — Mas, se eu não estivesse lá, ele poderia ter feito mil vezes pior... você sabe o quanto ele me batia? — ela começou a chorar, e, relutante, segurou minha mão. — Você não presenciava nem metade de nossas brigas, querido. Eu não deixava.
— Eu sei o que a senhora passou ao lado daquele crápula, mas a gente poderia ter conseguido alugar uma casinha, e morado juntos com a dona Rosa... isso não é desculpa, você sabe disso.
— Como, se ele cancelou a minha conta no banco? Eu tinha algumas economias, mas não daria para um mês de aluguel.
— Tá, tudo bem mãe... eu estou feliz que tenha se livrado dele de uma vez por todas. — dei um meio sorriso e a abracei. Então ela começou a chorar no meu ombro.
— Eu só queria te dar adeus...
— Adeus? Como assim? — me afastei, olhando para ela.
— Bem... eu vendi minhas jóias e boa parte deu um bom dinheiro. Eu quero me mudar dessa cidade, não quero mais nem ouvir o nome de seu pai, então achei melhor...
— Tudo bem, mãe, eu te entendo. — sorri, encorajando-a, e ela retribuiu o sorriso, ainda com olhos cheios de lágrimas.
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