A irmã da minha namorada.
29 29.
Notas iniciais
Recobrei minha consciência, ainda sem abrir os olhos, puxando meu braço e sentindo uma dor aguda em minha mão. Agulhas. Eu estava em um hospital? Não tinha morrido? Escutei a voz sussurrada de Rosa e quase abri os olhos, mas estava curioso demais para saber sobre o assunto.
— Você não pode deixá-lo... não agora. Ele precisa de você. — Rosa sussurrou. — Querida, você precisa esquecer esse passado sombrio que carrega em suas costas. Nunca mais vai acontecer de novo.
— Eu não sei, tenho medo... — meu coração deu um pulo no peito ao ouvir a voz de Samantha, e então abri meus olhos devagar e Sam virou-se para mim.
— Daniel! — exclamou ela, os olhos marejados e o nariz vermelho de choro, abraçando-me forte.
— Oi, Sam — murmurei, e direcionei meu olhar na direção de Rosa, que apertava fortemente minha mão. — Oi, Rosa.
— Olá, menino Daniel. Estou muito feliz que tenha acordado, mas vou deixá-los á sos agora — levantou-se de sua cadeira e deu um beijo em minha testa antes de deixar o quarto.
— O que aconteceu? — virei-me para Sam, tentando me sentar na maca, mas minha cabeça começou a girar, e ela me segurou no lugar.
— Você quase morreu — murmurou ela, olhando para mim com os olhos inchados.
— Há quantos dias estou aqui? — perguntei, ao reparar em suas olheiras fundas e roxas.
— Três dias. — respondeu ela.
— Sam, eu te devo desculpas... — ela fez menção de me cortar, mas eu continuei. — Não, Sam, eu fui um idiota. Um babaca. Estava tão acostumado com minha vida quando era o “rei” do colégio, que me esqueci que você não é o tipo de garota com quem me relaciono. Você é uma mulher.
— Tudo bem, Danny, eu só... prometa-me não me forçar a nada. Nunca.
— Eu prometo. — disse eu, e ela me deu um selinho.
— Ótimo. Quer almoçar? Sua enfermeira deve estar vindo...
— Como você sabia que eu estava com problemas? — indaguei, a pergunta em minha mente. — Você tinha saido com o Tom, eu chequei com o Ryan e, dez minutos depois, você estava na casa do Josh me socorrendo...
— Eu tinha saido com o Tom para resolver umas coisas da banda, não é nada do que você está pensando — explicou ela, fungando — Desde que eu saí de casa, estava com uma sensação estranha no peito... então, liguei pra Ryan e ele me disse que você tinha ligado pra ele. Então eu imaginei que você...
— Me perdoe — disse, uma segunda vez no dia, por que pedir desculpas para Sam nunca é o bastante. Ela é uma das pessoas mais generosas e genuinamente bondosas que já conheci.
— Você não tem que me pedir desculpas. Só precisa descansar e nunca, nunca mais arranhar esse rostinho lindo. — deu um meio sorriso, fazendo carinho em minha face com o maior cuidado para não me machucar.
— Eu te amo — soltei, sem pensar. Essa fora a primeira vez que eu falara as três palavras. Eu nunca havia falado para ninguém, nem mesmo para Rosa. E, no entanto, lá estava eu, dizendo á Samantha, uma garota que conhecia a menos de seis meses. Mas era verdade. Eu a amava, sem dúvida. Ela abriu ainda mais o sorriso, e deu um beijo em minha bochecha.
— Falaremos sobre isso quando você tiver alta. — o que ela quis dizer com isso?
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