A irmã da minha namorada.
18 18.
Notas iniciais
— E ai, como está tudo na casa da banda? — Josh me perguntou.
— Nada fora do normal. — dei de ombros, tentando desviar das pessoas que apontavam e cochichavam sobre mim nos corredores.
— E porque você está com essa cara então?
— Essa é a minha cara! E, você sabe, minha vida está cada dia mais maravilhosa — dei uma risada irônica — Fui expulso de casa, expulso do time de futebol do colégio, me humilharam na frente de todos, e, ah, minha mais nova conquista: chamei Samantha para um encontro e ela recusou.
— Ah, dude, isso é péssimo — murmurou ele, me dando tapinhas solidários nas costas.
— Tudo bem, eu não esperava mesmo que a gente se apaixonasse.
~x~
Aquele terraço havia se tornado meu escape tanto quanto a lâmina em meu bolso. Quando estava cheio das merdas que todos diziam a meu respeito, subia até a cobertura e ficava por lá. Aquilo me trazia uma estranha sensação de paz.
Mas, dessa vez, eu não estava sozinho.
— Ah, desculpe, estou de saída. — disse, ao dar de cara com Samantha.
— Não, não precisa — ela estava sentada no chão com um caderno e caneta no colo. — Pode ficar, eu não quero que as coisas mudem entre nós.
— Tudo bem então... — hesitei, sentando ao seu lado. — O que está fazendo?
— Compondo. Este é o único lugar que me acalma o bastante. — disse ela, virando-se para mim.
— Posso ver? — pedi, estendendo a mão.
— Não. — murmurou ela. — Preciso fazer uns ajustes na música antes.
— Ah, tenho certeza que não está ruim para precisar de ajustes — respondi, pegando o caderno de sua mão e lendo em voz alta: — "Quero que você saiba que quando estamos juntos, nada mais importa. Pegue minha mão e você vai ver que podemos abalar o mundo juntos." — ri do último verso, me levantando e segurando o caderno acima de minha cabeça. — Essa música é sobre quem?
— Sobre ninguém! Já disse que não coloco sentimentos em minhas músicas. — disse, pulando para tentar pegar o caderno, sem sucesso. — Me devolva! — exclamou, a cara emburrada.
— Tudo bem, tudo bem, aqui — devolvi o caderno á Samantha. — A letra da música é muito legal — ela virou o rosto.
— Não quero olhar pra você.
— Ah, qual é, me desculpe — segurei seu rosto entre as mãos para que ela olhasse para mim, mas então ela fechou os olhos, em recusa. Segurei sua mão e, carinhosamente, a levei ao meu coração, que batia forte, como toda vez que estava perto dela. Samantha abriu os olhos, respirando rapidamente.
— Eu... eu preciso ir — murmurou, olhando em meus olhos, incapaz de quebrar o contato por alguns minutos, os quais realmente apreciei. Tive tempo o suficiente para guardar todas as suas feições. Então, quando estava pronto para beijá-la, ela se desvencilhou do meu aperto e saiu correndo porta afora. Me ocorreu que talvez, só talvez, ela gostasse de mim.
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