Notas iniciais
Boa leitura :)

— Menino Daniel — Rosa me chamou assim que entrei pela porta de casa. — Seu pai pediu para você ir á seu escritório assim que chegasse. Ele parece irritado. — me preveniu, fazendo uma careta.

— Tudo bem Rosa, obrigado — dei um beijo em sua bochecha e caminhei a passos largos até o final do corredor, parando de frente para a porta do escritório. Respirei fundo antes de entrar. Meu pai estava sentado em sua mesa. — Precisa falar comigo?

— Então você terminou com a Jones? — ele perguntou, a voz baixa.

— Pai, eu...

— Você terminou com ela? — gritou ele, me interrompendo.

— Sim — murmurei, olhando para o meu tênis.

— E por que?

— Por que eu não a amo — respondi, dando de ombros.

— E quem aqui falou em amor? — ele explodiu, jogando tudo que estava em cima da mesa do escritório no chão, furioso. — Eu disse que você tinha que se casar com ela.

— Ok, estou cansado dessa merda — explodi de raiva. — Eu não quero ser seu passaporte para a vida pública que você vai se meter. Eu não sou seu peão para você escolher metodicamente qual a próxima jogada! E eu estou apaixonado por outra pessoa.

— Eu não quero saber. Ou você volta com ela, ou sai de casa. Nunca se tratou de amor, você acha mesmo que eu me casei com sua mãe por que a amava? — respondeu, os olhos me queimando até a alma. — Me casei com ela porque ela estava grávida!

— O que?! — murmurei em estado de choque.

— Sua mãe era uma prostituta! — ele riu, olhando pra mim. — Ela descobriu que eu era rico e usou a gravidez para ter a vida que sempre sonhou. De qualquer maneira, eu espero que você esteja fora pela manhã.

— Eu... eu vou embora hoje mesmo. — respondi, deixando o cômodo e indo rapidamente para meu quarto, fechando a porta em seguida. Isso não fora um sonho, fora?! Ele tinha mesmo dito aquilo? Minha mãe era uma prostituta? Virei-me para dar de cara com o espelho. Senti nojo de mim mesmo no instante que vi meus olhos vermelhos de choro, e fechei o punho, socando o espelho com toda minha força, o que foi uma péssima ideia, já que senti a dor dos cacos de vidro rasgando minha pele.

— Merda! — gritei, segurando minha mão machucada. Fui para o banheiro procurar uma caixa de primeiros socorros, mas a única coisa que encontrei foi uma lâmina de barbear, e isso me transportou para uma memória que luto todos os dias para esquecer.

*Flashback*

— Jack, para! — minha mãe gritou do escritório. Mais uma briga, isso já havia se tornado algo diário. Suspirei, pegando meu fone-de-ouvido, quando escutei mais um grito e choros. — Jack, por favor! — O que poderia estar acontecendo? Então eu, um menino magricela de treze anos de idade, levantei da frente de meu computador e corri até o escritório, abrindo a porta para ver meu pai desferindo um golpe de cinto no rosto de minha mãe.

— Mãe! — gritei, correndo até ela.

— Sai daqui, Daniel, por favor — disse ela, virando-se para mim com o rosto inchado.

— Você ouviu sua mãe moleque, saia daqui! — ele gritou, levantando o cinto para mais um golpe.

— Não! — berrei, empurrando minha mãe para trás e ficando entre os dois, mas meu pai não desacelerou, e eu senti o cinto atingir o meu rosto com a maior força. Perdi o ar por um segundo, gemendo, os olhos segurando lágrimas.

~x~

Você não deveria ter feito aquilo — minha mãe sussurrou, terminando o curativo em meu rosto agora inchado.

— Mas ele estava... estava te batendo. — disse, indignado.

— Isto é assunto de adultos. — disse ela. — E eu tenho de aprender a não questioná-lo sobre as finanças.

— Mas mãe...!

— Eu prometo que isso não vai acontecer nunca mais, tudo bem?! Não se preocupe — ela me deu um beijo na testa, me colocando na cama. — Amanhã é outro dia. Boa-noite querido.

— Boa-noite mãe. — sussurrei, e ela fechou a porta, me deixando sozinho.

Esperei alguns minutos até ter certeza de que ela não estava no corredor e me levantei, nas pontas dos pés, até o banheiro, procurando por qualquer coisa afiada, e então encontrei a lâmina. Essa foi a primeira de muitas vezes que me cortei.

* Fim do flashback *

Olhei para a lâmina por alguns segundos, ponderando se deveria fazer aquilo ou não. A verdade é que, por todos esses anos minha vida pareceu tão inútil, insignificante e vazia, assim como eu mesmo, que a única coisa que me confortava era a cor vermelha do sangue em contraste com o branco pálido de minha pele. Isso foi meu escape por tanto, tanto tempo. É como aquela música do Goo goo dolls: "Você sangra só para saber que está vivo.", era dessa maneira que me sentia vivo, e, por estar vivo, sentia que minha existência valia á pena. Respirei fundo, afundando a lâmina contra a pele de meu braço e rasgando-a. Fiz o mesmo processo várias vezes até me sentir completamente satisfeito com os cortes. Então, peguei meu celular no bolso de minha calça jeans e disquei o número do Josh. Ele poderia me emprestar seu sofá por uma noite, certo?!

Notas finais
Entãaaaaaaaaao, cumpri o prometido. Aqui está o capítulo. O que acharam dele? Ficaram surpresos ou já tinham uma ideia do que acontecia com Daniel?! Eu sei que é chato pedir isso, mas também é chato para mim não receber nenhuma "recompensa", vamos dizer assim, pela escrita. Eu amo escrever, mas eu preciso também de um incentivo, sabe?! Senão eu vou achar que estou atualizando a fic para o vazio e aí não vou mais ter vontade de escrever essa história. De qualquer maneira, eu quero que me digam o que acharam desse capítulo. Foi beeeem grande para vocês aproveitarem, beijos ;)