A iniciação
1 prologo
Notas iniciais
Houve três batidas na madeira surrada da porta. Três batidas e ela já sabia que sua vida inteira estaria mudada. Três batidas para que o inferno de sua vida começar. Com um grande suspiro levantou-se sentido as pernas a poucos milímetros da madeira da imensa cama de casal. Ajeitou a saia rodada com uma das mãos, que delicadamente estavam envolvidas em luvas de renda preta. A outra que se encontrava livre apanhou a alça da bolsa de couro marrom estirada a cama. Duas batidas fortes soaram na porta novamente.
—Entre!- disse suavemente, já não esboçava nenhuma reação sabia muito bem o que aconteceria e conhecia muito bem quem entraria por aquela esquadria.
Uma mulher que não aparentava ter mais do que trinta anos, elegantemente envolta de um vestido justo de cor preta entrou. A pele pálida fazia o contraste certo com o cabelo acobreado vivo. Em sua face uma expressão desolada se mantinha, os olhos cansados denunciavam as noites mal dormidas.
—Já esta pronta querida? – perguntou aproximando-se da jovem que a encarava cuidadosamente.
—Não... não se aproxime muito mamãe! Não quero machucá-la!
E a barreira que a jovem construiu durante semanas desmoronaram. Estava cansada de só causar mal a quem se aproximava, resolveu se trancar em seu próprio quarto ate que tudo melhorasse... mas tudo só ia de mal a pior.
—Eliza querida! Você não ira me machucar. – a mais velha confortou-a ainda se aproximando da jovem – Eu sei exatamente como você está se sentido querida. Eu já passei por isso e sei que você ira conseguir superar!
A jovem Eliza deu um sorriso forçado e se jogou aos braços da mãe. Com um pesar tamanho no coração a mais velha acariciava os cabelos cor fogo que a filha herdara de si, ficaram assim até Eliza se acalmar.
—Vamos, já esta na hora!- ambas se separaram e pegaram as malas que estavam perto do criado mudo. A mãe foi a primeira a deixar o quarto. Eliza encarava atentamente cada canto daquele recinto, se aproximou de um quadro cheio de fotos e encarou uma em particular. Apenas duas pessoas estavam nessa foto, e uma era a própria Eliza, sem perceber uma lagrima solitária desceu pela bochecha e a ruiva resolveu pegar a foto. Como ela poderia ir sem se lembrar da pessoa que causou tudo isso?- Eliza minha flor vamos!
—Já estou atrás de você mamãe! – e como um ultimo adeus a ruiva se virou e deixou o recinto.
Já no andar de baixo as despedidas não aconteceram, pois não era um adeus. A família em si nunca foi muito unida, mas todos sabiam dar apoio nas horas difíceis. E por breve minutos todos estavam se encarando e internamente desejando o melhor para todos. Um carro preto chegou, a ruiva balançou a cabeça e fez uma leve reverencia para os parentes se virando e indo em direção ao carro. Ser filha de bruxos lá tinha seus defeitos, e um deles era a iniciação.
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