Notas iniciais
Heeyyy!! Finalmente volto com novo capitulo!!! E eis uma ida ao cinema no minimo desconcertante kkkkkkk Boa leitura! P.S: Preparem se!

– Tem certeza que é esse filme que você quer ver? – Questiono Brody arqueando as sobrancelhas.

– Claro. Comédias românticas são demais – Ele fala com entusiasmo.

Ele odiava comédias românticas. Eu sabia disso, aliás, toda a gente sabia que ele só via terror e ação. Ele só queria agradar-me mesmo. Então ao aproximar-nos da bilheteira ele sugeriu a comédia romântica em exibição. Mas eu não queria que ele se aborrecesse num tipo de filme que ele não gostava.

– Que pena… — Falei com um beicinho – Eu queria tanto ver o… “A casa de horrores de McAfree”

Falo semicerrando um pouco os olhos para ler o título com letras distorcidas de um cartaz horripilante. Percebi que Brody tentou disfarçar um sorriso aliviado e isso me deixou mais descansada. Eu poderia passar por duas horas de terror certo?

– Se é mesmo o que você quer ver, por mim é numa boa – Ele falou me envolvendo a nuca com seu braço e estalar um beijo no meu rosto.

Mesmo eu alegando que não estava com fome, ele comprou um pacote de pipocas extra grande e um refrigerante igualmente do maior tamanho que poderia haver. Nossos bilhetes eram ao fundo da sala, o que me agradou, assim não tem ninguém conversando atrás. Odeio quando isso acontece.

Tenho que admitir que nunca mais daria a sugestão de ver um filme de terror. Eu imaginava que não podia ser tão mau assim. Mas eu estava tão enganada… Ver um filme de terror na TV de casa já não é algo que eu goste na verdade. Agora no cinema, tudo é em uma dimensão maior. Ecrã super gigante, o som que eu tanto amo e me faz gostar ainda mais do cinema, toma uma versão aterrorizante. Gritos horripilantes a arrebentar os teus tímpanos faz você correr dali para fora. Em casa eu posso fechar os olhos e os gritos não afetam nada. Aqui isso é difícil. E mais, quando saíssemos do cinema, seria já de noite. O carro de Brody estava numa esquina um pouco escondida. Nem a pau que eu iria para lá. O Brody que pegasse o carro enquanto eu esperava no aconchegante cinema. Pelo menos ele parecia estar a divertir-se. Não me perguntem como tripas espalhadas e crânios ensanguentados podem divertir alguém, porque para mim isso é um mistério e tanto.

Ainda não tinha chegado o intervalo do filme e eu já estava nesse estado! Pelo meu pequeno historial de filmes de terror, a verdadeira ação terrorífica acontece a partir da segunda parte. Ahh meu pai…

– Zoe, você não está comendo nada. – Meu namorado me olha pelo canto do olho enquanto tenta ao mesmo tempo manter a atenção no filme. Viciado…

– Eu avisei você que estava sem fome – Retruco baixinho para não incomodar ninguém.

Na verdade, mesmo que tivesse fome, eu com certeza já a teria perdido a esta altura.

Ouvi um barulho. Como algo a bater, ou sei lá o que era. Decidi que era do filme, ao qual eu não estava propriamente assistindo. Meus olhos estavam em Brody. Na semi-escuridão ele parecia ainda mais lindo! As sombras do seu maxilar definido faziam-no tão apetitivo que eu queria morder.

Ouvi novamente um barulho. Pessoas a gritar. Mas não vinha das colunas de som. Vinham da sala ao lado.

– Não sabia que havia outro filme de terror em cartaz – Afirmou Brody pensativamente.

– E não há. – Um rapaz que estava à nossa frente com os amigos respondeu. – Eu chequei todos os filmes. Nem dramas estão a dar a essa hora.

– Brody… — Eu chamei alarmada. Já ninguém prestava atenção no filme.

– Eu acho que deveríamos dar o fora daqui. – Brody pegou minha mão e levantamos juntos.

Iamos a subir para a porta de saída quando o garoto que falara connosco segura Brody pelo ombro.

– Eu não sei o que está acontecendo lá fora, mas eu acho melhor sair por ali. – Ele apontou para baixo, para um ponto na parede.

– Eu não estou vendo nenhuma saída – Digo.

– É suposto não ver. – Ele responde enquanto começa a descer as escadas. Resolvemos confiar nele e seguimos atrás, junto com seus amigos. – É uma porta secreta.

– E você sabe dela como? – Brody questiona.

– Porque eu já trabalhei aqui. – Ele tateia a parede e encontra o ponto para puxar. – Pronto. Ela vai dar direta às traseiras do edifício.

Antes de passar a porta vejo algumas pessoas que antes pareciam confusas, aproveitar a deixa e virem atrás de nós. O corredor era escuro e com o nervosismo patente, ninguém ousava fazer ruido. A pouca luz que provinha da sala, desapareceu. O garoto havia fechado a porta, após todo o mundo estar a salvo. Isto é, ainda não sabíamos exatamente se estivéramos em perigo sequer.

O Som do filme que estávamos assistindo foi inesperadamente desligado. A imagem provavelmente também tinha sido. Isso me fez pensar que talvez algo tivesse realmente acontecido. Os sons dos gritos da outra sala tornaram-se mais audíveis e deduzi que estávamos mesmo passando por ela. Eu me encolhi mais para perto de Brody e ele me abraçou.

– Nós estamos bem Zoe. – Ele tranquilizou.

Porém, suas palavras não fizeram efeito em mim. Não após percebermos que a gritaria tomou conta de todo o lugar. O que quer que estava acontecendo alastrou para todas as salas.

– Corram! – O garoto que trabalhava aqui grita e olho para trás.

A porta fora aberta por alguém. Eu paraliso, mesmo que Brody me esteja empurrando para a frente. Aqueles olhos. Aquele brilho. Almas.

Desperto do meu torpor e deixo-me ser levada por Brody. Pessoas me dão empurrões por todos os lados e apenas os braços de Brody me mantêm firme em pé. Eu queria poder correr mais depressa mas minha perna ainda estava magoada. Brody se apercebe do problema e me segura em seus braços.

Alguém acha a saída e o ar fresco penetra no abafado corredor. Estamos quase chegando. Porém, um pensamento arrasador me toma. Se eu vi direito e são realmente almas, eles estarão à nossa espera lá fora. Com pesar, eu percebo que tenho razão quando ouço sinais de luta lá fora. Eu não entendo… As almas nunca foram guerreiras. Brody me coloca no chão antes de alcançarmos a saída e olho para ele confusa. As pessoas continuam empurrando e as algumas almas que vinham atrás de nós foram domadas por alguns dos jovens que vinham atrás.

– Espere aqui um segundo! – Brody pede antes de voltar para trás. Tento gritar para ele não me deixar aqui mas ele não me ouviria.

Com tantos embates, eu me encolho contra a parede com o coração batendo forte. Mais depressa do que eu acharia, Brody volta ofegante, com um hematoma na bochecha e sobrolho aberto. Meus olhos se enchem de lágrimas. Sem ligar para seu próprio estado, Brody me faz segurar algo em minhas mãos. Algo frio. Olho para baixo e vejo uma arma prateada. A solto mas ele é mais rápido e a segura de volta nas minhas mãos.

– O que está fazendo? – Questiono ofegante.

– Nos tirando daqui. – Ele diz, me olhando nos olhos. – Me escute bem Zoe. Essa arma é de um deles. Você se irá passar por um deles. Eles nem irão desconfiar. Você tem que fingir que me capturou Zoe.

– Isso nunca irá resultar – Falo chorosa, me abraçando a ele.

– Vai sim Zoe! Olhe para seus olhos. Eles estão cinzentos e brilhantes como os deles.

– Meus olhos são castanhos – Retruco.

– Eles não estão castanhos neste momento Zoe. Eles estão prata. Confie em mim, por favor. – Ele suplica, segurando meu rosto em suas mãos.

Eu tento implorar para que ele não me obrigue a fazer isso mas os garotos não conseguirão segurar as almas por muito tempo lá atrás. Eu respiro fundo, me controlando e Brody limpa carinhosamente minhas lágrimas. Engolindo o choro, coloco a arma contra a têmpora do meu namorado, o agarrando por um braço e saio para fora. Eu quase vacilo, ao ver as pessoas serem capturadas, a bem ou à força e uso de violência. Como Brody prometeu, ninguém olha uma segunda vez para nós. Começamos a afastar-nos, em direção ao carro. No entanto, uma das almas intercede.

– Onde vai soldado? – Ele pergunta para mim.

Eu tento arranjar uma desculpa plausível, mas nada me vem à cabeça.

– Essa coisa está me obrigando a entregar a localização dos meus amigos – Brody cospe as palavras com um ódio tremendo. Eu sei que esse ódio não é realmente dirigido a mim, ainda assim, me fez estremecer.

– Muito bem soldado. Nos chame se precisar de reforços.

Assinto o mais confiante que consigo e retornamos a andar. Eu não sei se respiro de alivio ou se choro quando dobramos a esquina. Eu basicamente caio de encontro a Brody que me segura. Ele me pega no colo e corre comigo em seus braços até ao carro. Me senta no lado de passageiro e entra no lado do condutor. Ele respira fundo antes de ligar a ignição. Toma caminhos secundários, para não darmos de caras com as almas. Sinto meu celular vibrar na bolsa. Eu o pego e vejo sete chamadas perdidas. Meu celular retoma a vibrar e ao olhar quem me liga, eu atendo.

– Jamie?

– Ah Zoe, graças a Deus. Você está bem? – Sua voz soa apavorada. – Onde está Brody?

– Ele está comigo. Estamos bem, eu acho. Estamos dirigindo para casa.

– Não. Não venham para casa! Eles estão chegando aqui.

– E então o que fazemos? – Pergunto olhando angustiada para Brody.

– Estaremos de volta às cavernas.

Notas finais
Quem estava à espera desta reviravolta? hehehhehehhe Quero vossas opiniões! Beijos fofos!