Notas iniciais
Yeahhhhh, olhem quem chegou! Prontos para mais um capitulo? Cá vai!

Quando acordei estava tudo muito escuro. Isso queria dizer que era noite e eu passara o dia inteiro no hospital. Tentei me sentar mas o meu corpo ainda estava dolorido. Minha perna estava num enorme embrulho branco. Gesso. Pela luz que vinha da iluminação publica, percebi um vulto deitado na poltrona a meu lado. Meu pai, dormitava desconfortavelmente.

– Papai? – chamei baixinho. Eu não o queria realmente acordar mas tampouco queria me sentir sozinha. Sentindo um misto de emoções eu vi meu pai acordar.

– Zoe? Você sente dores? Precisa de alguma coisa? – Perguntou se aproximando mais da minha cama.

– Não, está tudo bem, eu acho. – Eu aponto para o gesso. – Muito grave?

– Zoe, você tem a perna quebrada. O médico não sabe se você poderá voltar à time de torcida. – Ele me afaga a perna boa.

Eu encaro o teto. Ela fez de propósito. Ela e Riley planearam muito bem. Eu apostaria qualquer coisa em que ela sabia que isto poderia vir a acontecer. Agora eu sabia do que ela era capaz.

–Não se preocupe filha, eles vão pagar bem caro pelo que fizeram com você. – Meu pai assegura.

– Não! Por favor não – Suplico.

– Zoe? – Ele me encara surpreso.

– Por favor papai. Se eu acusar ela, será bem pior! Ela vai infernizar minha vida inteira. – Eu estava genuinamente com medo do que ela poderia mais fazer comigo.

– Meu anjo, não podes ficar com medo daqueles dois… — Eu negava com a cabeça, com as lágrimas correndo pelo rosto.

– Você não pode me obrigar a apresentar queixa! – Choraminguei – Nem você, nem mamãe, nem ninguém.

– Depois conversamos sobre isso – Meu pai terminou o assunto ao me ver tão transtornada. – Eu vou falar com o médico de plantão e avisar que você já acordou.

Fiquei sozinha no quarto, algo que eu estava querendo evitar. Eu sabia que não estava lidando com a situação como deveria. Mas o que eu poderia fazer? Eu não queria enfrentar eles novamente, muito menos num tribunal. Eu só queria que tudo isso ficasse quieto e seguisse minha vida. Mas meu pai não deixaria a situação passar em branco. Eu sabia que ele não deixaria o incidente passar em branco e todos os intervenientes forem punidos. Mas e então depois o quê? Eles voltariam a mim por vingança? O que eles fariam dessa vez?

Antes que meus medos se desenrolassem mais ainda, meu pai voltou acompanhado do médico. Mas um terceiro individuo entrou com eles. Jamie. Eu me remexi desconfortável na cama. Ele não se aproximou mas seu olhar reprovador me dizia que meu já havia tido a ele minha vontade. Mas nesse momento não queria saber nada disso. Minha atenção se centrou no médico de cerca de cinquenta anos.

– Quando posso sair daqui? – Perguntei de cara.

O doutor riu da urgência.

– É exatamente isso que eu vinha falar com seu pai. Você está livre para ir, porém seu pai ainda tem que preencher umas papeladas.

Meu entusiasmo foi caindo. Papelada demora e eu ansiava sair dali o mais depressa que podia.

– Ian, eu posso levar ela para casa. Estou com meu carro.

Meu pai ponderou um segundo e assentiu.

– É uma boa ideia. Eu quando puder vou também.

Meu pai me ajudou a ir até ao banheiro. Eu fechei a porta para trocar-me. Ao retirar a vestimenta do hospital, me olhei no pequeno espelho. Desejei não o ter feito. Meu rosto, do lado direito, estava inchado, avermelhado, s região do olho um pouco mais escura. Meu ventre estava também muito maltratado. Algumas nódoas negras eram visíveis, dispersas pelo meu corpo. Desviei o olhar e coloquei o vestido folgado, calcei uns ténis, lavei a cara com cuidado, penteei os cabelos entre os dedos e dei uma batida na porta para avisar meu pai que já podia entrar e me pegar. Mas foi Jamie que entrou. Ele pegou minha bolsa que minha mãe deve ter arrumado. Ela devia estar se sentindo mal por não estar ao meu lado agora mas eu sabia muito bem que não era bom uma grávida ir até um hospital. Grávidas eram mais vulneráveis a vírus e tudo mais e agradeço a meu pai a ter convencido ela a ficar em casa. Sim, porque com certeza ela deve ter insistido para vir também.

O moreno me apoiou em seus ombros e me encaminhou até a cama, onde me fez sentar. Ele pegou as muletas que estavam encostadas na parede, ajeitou melhor a minha bolsa nas costas e me pegou no colo.

– Eu posso caminhar – Discuti.

– Verdade – Confirmou – Mas demoraríamos uma eternidade a chegar ao parque de estacionamento e já não é propriamente cedo.

Só nessa altura me lembrei que nem horas eu sabia.

– Que horas são?

– 2 e meia da manhã. – Respondeu sem floreados.

– E você esteve até agora aqui? – Questionei-o. Me sentia mal por ele.

– Não foi nada de mais – Ele tentou desvalorizar.

– Você precisa dormir – Salientei olhando suas olheiras aparecendo.

– Tal como você.

– Eu dormi o dia inteiro!

– Jade e Mia estão preocupadíssimas com você – Ele desvia o assunto. Resolvo deixá-lo. – Elas ligam de cinco em cinco minutos para saber se você já tinha acordado.

– Sério?

– Humhum. Bem, na verdade, faz meia hora que não ligam. Minha teoria é que elas adormeceram.

Ambos nos rimos, pensando num cenário em que elas estão caídas nas bancadas da cozinha, ou nos sofás da sala com o celular grudado nas suas mãos e canecas de café espalhadas pelo local.

– Elas devem estar um caco – Afirmo.

– E encarando um iminente castigo. – Ele dá um meio sorriso orgulhoso.

– O quê? Como assim? – Exijo.

– Mia e Mack foram atrás da garota que… Que machucou você. A encontraram na classe de Espanhol. Trevor tentou deter elas mas as duas irromperam pela sal dentro, xingando Kimberly e tentado chegar nela. Jade, veio também e gerou-se uma mega confusão lá dentro, mas as meninas não chegaram a pôr as mãos na menina. O pessoal as impediu.

– Felizmente – Suspiro aliviada.

Chegámos ao carro e ele me coloca no banco da frente com cuidado, coloca a bolsa e as muletas na bagajeira e entra no carro. Antes de ligar a ignição, ele me encara.

– Eu ainda estou tentando perceber porque você não quer apresentar queixa contra aqueles canalhas. – Falou serenamente mas eu podia perceber a sua exasperação.

– Eu não quero falar sobre isso, só quero ir para casa. – Eu tento. Ele me segura o queixo me fazendo encarar ele.

– Zoe, olhe como eles deixaram você, minha princesa – Ele acariciou meu rosto machucado. Eu engoli em seco. – Ninguém sairá impune disso, de uma maneira ou de outra. Nem que eu mesmo os faça pagar por isso.

Sua voz falhou e percebi a ínfima distância entre nós. Nossos narizes roçavam levemente. Eu estava num turbilhão. Minha perna boa tremia levemente. Jamie caiu em si e se afastou, ligando o carro. Eu sei que era errado mas naquele momento eu não queria que ele se afastasse. Frustrada, me recostei no banco, comodamente e fechei os olhos. Só os abri novamente quando eu senti o carro parar. Olhei em volta e tinha a certeza que essa não era minha casa. Eu via luzes, muitas luzes, que me provocavam encandeamento.

– Jamie? – Chamei – Onde estamos?

– MacDonalds – Ele lançou uma gargalhada – Vem, vou alimentar você.

Eu saí do carro lentamente. Ele se preparou para me pegar mas eu abanei a cabeça negativamente e me apoiei nele, saltitando pelo parque de estacionamento.

– E meu pai? Ele vai ficar nervoso quando reparar que não chegámos a casa. – Lembro.

– Eu falei com seu pai, relaxa. – Deu mais uma gargalhada gostosa.

Eu assenti e entramos no estabelecimento. Só o cheiro característico das correntes de fast food me envolveu e eu me senti bem. Nos dirigimos à única atendente à vista.

– Boa noite! Já sabem seus pedidos? – Perguntou amavelmente.

Jamie me olhou me encorajando a fazer o pedido.

– Menu Chicago, tamanho grande, Coca cola de tamanho grande também, molho de maionese e ketchup, Chicken nuggets e um muffin de chocolate.

A garota de feições arredondadas olhava entre mim e Jamie e finalmente sorriu para ele.

– Sua namorada tem um apetite voraz – Brincou.

– Ohh nós n…. – Comecei mas Jamie interrompeu.

– Ela é uma menina com um buraco no estômago mesmo. – Ele entrou na brincadeira e eu o fuzilei com olhar.

– Muito bem, e alguma coisa para você? – Ela lhe perguntou.

– Só uma coca-cola. Obrigada. – Ela anotou tudo no computador e começou a dar ordens na cozinha.

– Podem se sentar que eu mesma entrego o pedido – Ela mostrou compaixão ao ver minha perna.

– Muita gentileza sua – Eu disse e Jamie começou me arrastando para a mesa mais perto.

Entediada, comecei a fazer um “castelo” com os guardanapos dispostos na caixinha em cima da mesa. Jamie mexia no celular e de vez em quando abria um sorrisinho.

– Sua nova namorada ainda está acordada a esta hora? – Perguntei com descaso.

– Hum? – Ele levantou a cabeça confuso, provavelmente nem ouviu o que eu perguntei.

– Sua nova namorada. É bonita? – Egoistamente eu desejava que ela fosse feia, em curvas, sem sal…

– Minha namorada? – Questionou ainda confuso.

– Sim! – respondi impacientemente – Tia Sunny nos disse que você saiu com uma menina hoje.

– Ah sim, eu saí com uma menina, mas não deu em nada. Não ia dar certo. – Confessou.

Nesse momento, a garota trouxe os nossos pedidos e eu logo ataquei as batatas, quase esquecendo o assunto. Quase.

– Porque não? – Ele arqueou uma sobrancelha sem entender o que eu estava falando. – Porque não ia dar certo?

– Sinceramente? – Ele se debruçou sobre a mesa e eu fiz o mesmo – Ela não era você.

Eu me afastei bruscamente para trás aturdida.

– Você tem que parar com isso! – Falei irritada.

– Isso o quê?

– Isso! Eu estou com Brody!

– Mas você me ama – O moreno disse casualmente.

– Eu amo Brody!

– Não estou dizendo que você não ama ele. Estou dizendo que você nos ama a ambos e enquanto você me amar também, não irei desistir de você.

– Isso é loucura! – Falei exasperada – Você é meu primo.

– Nós não somos primos, não temos o mesmo sangue.

– Chega! Chega! Eu falei para você! Eu não quero mais isso. Eu era ingénua. Não mais. – Esbracejei dramaticamente. Ele assentiu percebendo a mensagem.

– Uma coisa eu tenho que admitir, o garoto realmente gosta de você, ele não largou você por um segundo até seu pai o obrigar ir para casa descansar.

– Eu sei que ele não me deixaria a não ser que o obrigasse. – Eu afirmei orgulhosa.

– É… Mas se ele fosse tão insistente como eu, não sairia do Hospital.

– Que droga Jamie! – Gritei. Me arrependi ao ver os olhos atentos da atendente e baixei o tom. – Pare de ficar comparando você e ele. Você é Jamie e ele é Brody. Ponto final! Vamos embora que eu perdi a fome.

– Não – Ele segurou minha mão na sua – Me desculpe Zoe, é só que… Eu não aguento ver você com alguém sem ser eu. Me deixa angustiado. Mas eu te prometo. Eu não interferirei na sua relação. Ver você feliz é tudo que mais me importa.

Eu o encarei e ele parecia estar sendo sincero. Eu assenti e sussurrei um “obrigado” enquanto brincava com as batatas à minha frente.

Notas finais
O que acharam? u.u Eu quero saber vossas opiniões! Quem aqui é TEAM BRODY? E TEAM JAMIE? Me digam nos vosso comentários de que time vocês são! SWEET KISS