A história de um dragão chamado Sombra
4 A Beleza Noturna Do Pomar (reformado)
Notas iniciais
Naquela mesma noite, tudo ocorreu bem, Fer tinha descoberto que dragões adoram maçã... Isso foi bem engraçado até, ela ficou com um pouco de medo, quem não teria medo de um ser tão mortal. Ela com certeza teve a sensação de alimentar um crocodilo. Eles discutiram um bom pedaço daquela noite, Sombra tinha muitas perguntas sobre onde ele estava, que lugar é esse e coisas do tipo, já a Fer, passou todo o tempo admirada, não é sempre que se vê um dragão, também, não dava para fazer muitas perguntas a ele, Sombra se sentia ameaçado por qualquer coisa, além que ele não se lembrava de nada... Chega a ser cruel perguntar algo ao dragão, já que ele não lembra de nada anterior a caverna.
A Fer, havia explicado muita coisa ao Sombra, ela o contou que se o pai dela soubesse da existência de um "dragão'' no celeiro da família, eles ficariam loucos e talvez pudessem acabar machucando ele ou sendo machucados, nenhuma dessas opções anteriores são boas. Ela le disse que poderia dormir escondido no celeiro de dia, que ela cuidava dessa parte, ela também disse que levaria ele para conhecer o lugar o máximo possível, mas seria de noite, caso contrário poderia ser descoberto muito facilmente.
Já era manhã do dia seguinte, o tempo passava rápido, Fer tinha saído do celeiro para ir dormir na casa principal, já Sombra, se contentou em dormir em uma cama improvisada, escondida atrás de todo o feno do celeiro. Ele acabou de acordar, ao som do canto de um galo, ele afirmou com si mesmo que odeia galos a partir de agora...
Abriu seus olhos delicadamente enquanto sentia a luz do sol incomodar eles. Sonolento, tudo passou embaçado por sua vista naqueles três primeiros segundos, logo depois se levantou com certa sonolência, caminhou até o canto de uma janela e olhou para o lado de fora. O rancho, fazenda ou como é que se chame no final das contas, é bem bonito, tem uma paisagem bem exótica no horizonte, há uma casa de madeira de dois andares, tem a cor branco ciano como predominante, simples e bonita com algumas janelas bem no centro.
No momento que ele viu uma das janelas serem abertas, ele se encolheu um pouco, se escondendo, apenas com uma pequena parte da cabeça visível através da janela. Naquela janela que abriu, aparece um ser humano, um provável macho, era um pouco bruto e tinha os cabelos castanhos, estava longe de mais para ver bem a cor de seus olhos. Ele olhou um pouco para o horizonte e consequentemente quase olhou diretamente para Sombra, nesse exato momento, Sombra saiu da janela e voltou para sua cama improvisada. Um cobertor azul grande jogado na parte mais limpa possível, escondido logo atrás de uma pilha de feno. Sombra se sentou e começou a fazer a coisa mais lógica que alguém faria para passar o tempo sem nenhum bem material, começou a pensar, imaginar coisas aleatórias, tentou imaginar coisas a qual a jovem garota que o acolheu disse existir nesse novo mundo. Por horas apenas fechou seus olhos e imaginou Caixas que transmitem cores e informação, fogões automáticos, freezers, geladeiras, veículos sem tração animal, telescópios que podem ver estrelas na galáxia vizinha, foguetes espacias, relógios digitais... Ele chegou a diversas imagens aleatórias que descreveriam as coisas que tinha ouvido falar, embora muitas coisas parecessem muito confusas, apenas algumas eram inimagináveis para ele, por exemplo, como é um relógio digital ? Isso ele se perguntou em voz baixa até adormecer novamente, deitado naquele cobertor azul marinho. Um cobertor azul marinho que sua mais nova amiga nesse mundo o deu.
— Acorda dorminhoco, está na hora de sair desse celeiro, conhecer um pouco a sua nova e temporária casa.- Falou de forma doce a jovem fazendeira.
— me da mais alguns minutos por favor ? — Clamou Sombra, melancolicamente.
— você nem tentou levantar, aposto que ta falando dormindo. — retrucou a fazendeira que começou a coçar a cabeça do dragão na esperança de despertar ele.
Sombra abriu seus rubros olhos vermelhos, soltou um bocejo e esticou suas asas mesmo estando deitado, lambeu os próprios lábios com sua linguá bifurcada e fez uma simples pergunta — Qual o sentido de acordar, de se levantar toda manhã e fazer sempre a mesma coisa ? — perguntou com um tom sonolento enquanto encarava Fernanda em seus olhos.
Fer olhou meio tordo deu um lado para o outro, e meio constrangida falou — Pra mim todo dia é um novo dia, independenti de tudo... Mas tipo assim, é a primeira vez que te acordo aqui, por que acha que todos os dias serão iguais ? Tenho tanta coisa pra te mostrar... — falou enquanto fazia uma careta um pouco triste.
Sombra se levantou e se espreguiçou, e novamente soltou um bocejo de novo, passou uma garra na parte de baixo de seu focinho — Eu... Eu não sei... Acho que foi apenas um resquício passado... — falou olhando de lado.
— bem, sejamos diretos — Fernanda falou enquanto se colocava em pé. — Tenho muitas coisas legais pra te mostrar aqui! — ela falou alegremente enquanto puxava seu ombro.
Ela puxou Sombra para fora do celeiro correndo animada, mas, antes de sair pediu pra ele não fazer muito barulho pois seus país e irmãos estavam dormindo, ele concordou e lembrou consigo mesmo que ela era a barulhenta aqui...
A principio Sombra era um tanto quanto desengonçado, mas logo voltou a correr normalmente, era estranho, como se aquilo não fosse tão familiar.
Ela correu segurando ele até chegar no que parecia uma mini floresta com árvores padronizadas, todas muito belas e simples, árvores robustas e bem alinhadas, suas folhas verdes e úmidas brilhavam com a luz da lua cheia, a grama está alta e macia, o canto dos grilos é facilmente apreciado com um simples prestar atenção, algumas árvores tinham morcegos dormindo de ponta cabeça e certos relevos bem leves vistos facilmente no horizonte, ela le falou que isso se chamava '' pomar " e era uma grande área com macieiras, falou que a família dela costumava vender as maçãs sempre que sobravam, que era praticamente sempre. Esse pomar era imenso. O dinheiro que arrecadavam na cidade com suas maçãs frescas e sem " agrotóxicos " era bem alto, e sempre servia para comprar alguma novidade do mercado, ela também falou como ela e os seus irmãos aprenderam a colher as maçãs, foi sem duvidas uma historinha bem bonita. Fernanda era simplesmente muito mais forte do que parecia, como ela descrevia as imensas cestas cheias de maçãs que carregava durante a safra. Sombra se perguntou sobre a capacidade da garota, sobre tudo ali que não daria tempo de perguntar agora, mas logo se calou. O dragão estava fascinado pela beleza noturna do lugar e como as palavras de Fernanda eram explicativas para cada uma de suas perguntas...
A lua estava no topo do céu, as estrelas estavam brilhando forte como sempre no horizonte sem fim do universo, tudo tão lindo e apreciável longe da poluição luminosa das tais cidades que Fernanda fez alguns comentários... Simplesmente lindo... Eles se deitaram na grama.
A jovem humana e o aparentemente jovem dragão, estavam deitados na grama olhando para o céu, minimamente distante do terreno da fazenda, a grama é um pouco mais baixa, o chão um pouco mais ingrime, dando o perfeito conforto natural da natureza e vista para o céu.
Fernanda olhou para seu lado e viu os olhos fascinados do dragão — Se eu soubesse que você é tão fascinado pelas estrelas antes, teria te dado um nome mais brega, do tipo, brilhante ou sol, coisa que não combinaria tanto contigo né ? — soltou uma risadinha logo após falar.
— se eu soubesse que você pode ser tão estraga momento, talvez já tivesse te mordido ou algo do tipo... — disse Sombra, Provocando.
— nossa... Perdão... heheh — Respondeu Fernanda sorrindo e voltando a olhar o céu.
Eles até que soltaram algumas palavras entre si por um tempo, mas Fernanda acabou dormindo com a Briza fresca da madrugada... Acordou tão cedo, Sombra Ficou feliz dela ter ficado até agora conversando com ele.
Entretanto, Sombra parecia sério, mesmo estando em um lugar tão calmo. Ele afocinhou Fernanda tentando a acordar, porém ela continuou dormindo como uma pedra, Sombra sorriu e começou a andar de volta para o celeiro, indo até sua cama, e voltando a se deitar... fechou seus olhos e as coisas começaram a se escurecer bem rápido, ainda estava dolorido de algumas feridas...
Logo após a adormecer, começou a virar o rosto para os lados, um pouco agitado, inquieto.
Bem... acho que um certo alguém está para ter um pesadelo ...
—---- FIM DO QUARTO CAPÍTULO -----
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