A história de nós dois

27 Jornada em grupo


Notas iniciais
Acharam que não ia ter capítulo essa semana né? Hehehe

— A essa altura vocês já entenderam que não estão aqui para passar férias na praia. — Ainda que fosse o esperado, o comentário do professor Hizashi foi como um balde de água fria nas duas turmas ao mesmo tempo. Então ele apontou para uma ilha pequena, mais ou menos próxima, e prosseguiu. — A primeira tarefa de vocês é chegar lá.

— Pff, aquela ilhazinha? — Bakugou interveio, estalando os dedos das mãos. — Vai ser moleza.

— Não aquela ilha. — Present Mic apontou novamente para que todos prestassem atenção. — Aquela outra lá.

Seguindo a direção dada pelo professor, Izuku virou o rosto antes de engolir em seco. A única outra ilha que via estava tão longe que quase se confundia com o azul do céu.

— Mas não tem nenhum barco… — A voz de Kaminari soou desamparada.

— Se tivesse não seria um desafio! — Dessa vez quem respondeu foi Midnight. — vocês vão trabalhar em equipe e decidir o melhor jeito de chegar lá todos juntos e ao mesmo tempo. Enquanto isso, nós vamos ficar esperando. Não aconselho demorarem muito, pois na ilha não tem iluminação e vocês não vão querer se perder a noite no mar cheio de armadilhas que preparamos especialmente para hoje, não é? Não deixem ninguém para trás. Boa sorte.

Com essa despedida, os professores voltaram ao ônibus e simplesmente foram embora na direção do vilarejo. Inquietos, os alunos se entreolharam ao processarem a informação do que tinham acabado de ouvir. Izuku olhou para o céu, incapaz de não sentir a pressão da tarefa pedida. Tinham no máximo mais duas horas de sol.

Se reuniram em uma conversa para discutir o que fazer, que rapidamente se transformou em um falatório confuso.

— E se a Yaomomo fizer uns botes pequenos para umas dez pessoas de vez? — A voz de Kendo soou mais alta, quando as criações de Yaoyorozu eram o foco da discussão, e já havia sido constatado que ela não conseguiria fazer um barco grande para todos, devido à demanda de tempo e energia. — Talvez alguns de nós possam servir de motor. Por exemplo, o Bakugou e o Deku têm individualidades boas para isso.

— Mas o desafio consiste em chegar todos juntos. — Tokage ponderou. — Além do mais, não tenho certeza se é seguro se aventurar em pequenos botes com armadilhas lá fora...

Os alunos pareceram concordar com a última frase e um silêncio incômodo se seguiu.

Izuku olhou para o reflexo do pôr do sol no oceano. Haviam descido para o píer e a ilha já não mais era visível daquela altura. Se estivesse sozinho, chegar àquele lugar poderia ser consideravelmente fácil e isso também valia para alguns outros colegas como Kacchan e até mesmo Shoto. Pôs a mão no queixo ao lembrar de como seu namorado passou por cima de uma piscina com facilidade no primeiro ano, definitivamente ele poderia fazer o mesmo dessa vez, mas carregar 40 pessoas no processo seria praticamente impossível. Imaginou os colegas escorregando de um iceberg desgovernado no meio do oceano. Não era uma boa ideia, afinal. Mas definitivamente seria mais prudente irem por cima. Por cima… Talvez evitando a água completamente...

— Agora não é hora pra ficar falando sozinho, seu merda! — Kacchan, que estava ao seu lado, parecia bastante irritado com a demora, enquanto descontava no colega que já tinha começado a murmurar. Izuku podia perceber o quanto ele estava se esforçando para não largar todo mundo para trás e se explodir até a ilha.

— E se a gente fosse voando? — Izuku aproveitou o momento de atenção que a bronca aleatória o proporcionou. — Nós poderíamos nos amarrar em fila pela cintura com a fita do Sero-kun, depois a Uraraka-san faria todo mundo flutuar. Então alguns de nós como o Yuga-kun e o Kacchan impulsionariam a gente, da forma como a Kendo-san falou. O Tokoyami ajudaria a estabilizar... Se fossemos bem alto, daria para ver a ilha e talvez até evitássemos as armadilhas.

— Na verdade esse plano é bom. — Tokage falou de novo, pensativa. — Nós não temos muito tempo para elaborar algo melhor ou mais complexo, além do mais.

Aos poucos, as expressões incrédulas dos colegas foram se transformando em determinação, quando as palavras da menina os atingiram. Não demorou muito para que Sero os tivesse amarrado pela cinturas com sua fita bastante resistente, deixando apenas alguns centímetros de folga entre um aluno e outro.

Do próprio pier, Uraraka os fez flutuar um por um até que o aglomerado de adolescentes se parecesse mais com balões subindo no ar em sequência. As pessoas cujas individualidades poderiam impulsioná-los eram as primeiras da fila e as que tinham poder de ataque à distância ficaram na outra ponta, deixando no meio quem seria menos útil para o grupo, o que foi o caso de Izuku no fim das contas.

Tirar os pés do chão vinha acompanhado com uma sensação de queda constante. Assim que chegaram a um ponto em que a ilha era visível, Izuku não teve muito tempo para contemplar a vista, já que foi abruptamente puxado pela corda na cintura, quando Kacchan começou a usar a individualidade. Seria mais difícil do que o planejado e a maioria dos alunos começou a se agarrar uns nos outros para não se enroscar com a fita.

Um som agudo precedeu um clarão. No mesmo instante, como reflexo, Izuku chutou o ar, deslocando a trajetória do grupo para baixo e para esquerda. Kacchan, que estava na frente e, portanto, não tinha visto o que aconteceu, se virou para gritar alguma coisa com os colegas, quando foi interrompido por um dos meninos.

— É um laser! Estão atirando na gente!

Forçando a vista, era possível ver pequenos pontos de luz onde o sol amarelado era refletido pelo metal. De cada um, um canhão estava pronto para atirar ao longo do caminho. Não havia muito o que pudessem fazer, pois cada vez que alguém lançava qualquer projétil na direção dos pequenos robôs, as duas turmas eram impulsionadas para um lado diferente, deixando-os na mira de outros. No fim das contas, precisavam chegar à ilha o mais rápido possível, antes que o sol desaparecesse por completo e eles não conseguissem mais ver da onde vinham os lasers.

Izuku e Yuga passaram a ajudar na mobilidade do grupo, tirando-os da reta dos lasers quando necessário. Em um momento em que estavam bem em cima de um canhão, Shoto fez uma bola enorme de gelo e a deixou despencar, destruindo tudo que estava em baixo. Os alunos comemoraram. Naquele ritmo, chegariam ao destino com algum tempo de sobra.

Uma luz branca vinda de cima fez o céu escurecer. Ao perceber que se tratava de uma ameaça, Izuku chutou o ar com um pouco mais de força, fazendo-os despencar em formato de V quase até a linha da água. Três drones sobrevoavam o grupo e os canhões que apontavam para eles eram enormes e fortes a ponto de ferver a água que atingiam.

— Estão querendo mesmo nos matar?! — Tusuburaba gritou enquanto recuperavam altura.

— Nós precisamos de um escudo ou vamos nos ferrar aqui! — Kirishima falou. — Se vocês deixarem eu e o Tetsutetsu para trás…

— Ninguém fica para trás! — Kendo interrompeu. — Nós precisamos mesmo é abater esses drones o mais rápido possível. Ibara!

— Deixa comigo.

A outra respondeu em um tom de voz pacífico enquanto lançava suas vinhas na direção do drone que havia atirado primeiro. Como o canhão era pesado, a garota conseguiu ser mais rápida e enrolar o cabelo em torno da máquina, jogando-a na direção do segundo e causando uma explosão no ar. Enquanto isso, Shoto e Monoma cuidavam dos robôs na água com escudos temporários de gelo. Faltava apenas um drone, que vinha para eles em velocidade mediana.

Kacchan colocou-os de volta a caminho e agora já haviam percorrido mais de dois terços da distância até a ilha. A estratégia dos escudos de Shoto estava funcionando bem, de forma que os pequenos tiros já não eram um problema e eventualmente algo de gelo caia na água, destruindo-os.

De repente, Izuku viu Yuga se soltar da fita, deixando os dois colegas ao seu lado se segurando pelas mãos, e subir nos ombros de Shoji, que o estabilizou com os braços como um casulo. Eles haviam combinado alguma coisa lá na frente, ao que parecia, mas os alunos de trás só podiam se perguntar o que aconteceria. Então, assim que o canhão aéreo se preparou para atirar outra vez, o cinto na barriga do colega se acendeu. Izuku então notou que o rapaz da dianteira os havia posicionado convenientemente entre o drone e a ilha. Seria uma questão de quem atiraria mais rápido e Yuga teve a vantagem. O rebote da individualidade do garoto os impulsionou para frente mais rápido do que antes e, quando Izuku notou, estavam capotando na grama de um pequeno morro, sendo parados apenas quando bateram em algumas pedras.

Izuku se surpreendeu ao constatar que estava inteiro. Principalmente porque quase dez colegas se queixavam de alguma dor. Soltaram-se das amarras e o rapaz ajudou a carregar Asui, que não conseguia andar. A pequena floresta parecia calma, mas mesmo assim o grupo se manteve em alerta, devido à adrenalina anterior. Só pararam para respirar quando avistaram a cabana onde os professores estavam esperando.

— Foi a primeira vez que eu vi um grupo desse tamanho vir voando. — Midnight parecia animada com a chegada dos alunos. — Vocês realmente são algo de especial, não é mesmo?

— Bem vindos à minha ilha. — Uma voz feminina prosseguiu, depois que nenhum aluno teve fôlego ou disposição para responder. Estavam exaustos e machucados. — Meu nome é Ushio e eu vou ser a anfitriã de vocês esse ano. Apressem as crianças machucadas até a enfermaria, no final do segundo corredor à direita e depois terão uma hora para o banho antes do jantar.

Após deixar a colega aos cuidados da Recovery Girl e eventualmente ouvir algumas piadas sobre não ter se machucado dessa vez, Izuku seguiu para o refeitório. O lugar era amplo e não tinha paredes, apenas um telhado com as madeiras escuras aparentes sobre grandes mesas compridas iluminadas por lamparinas. O cheiro já o estava deixando de estômago roncando, mas precisou ajudar a preparar a comida antes de finalmente poder sentar ao lado de Shoto, junto ao seu grupo de amigos, para jantar.

Jogar conversa fora contrastava com o que tinham acabado de fazer durante a tarde, mas a essa altura já estavam acostumados com esse tipo de mudança rápida de ares. Quando todos já tinham acabado de comer, foram convidados ao jardim da frente. Os professores esperavam junto com Ushio próximos a uma árvore. Por todo lugar, velas brancas se espalhavam em cima de postes fincados no chão, deixando uma luz amarelada pelas silhuetas dos colegas.

— Vocês tiveram uma tarefa difícil para chegar aqui. — Vlad King começou. — Mas ainda não podemos deixá-los descansar. — O ambiente ajudava a aumentar a tensão nos rostos dos alunos, devido à ansiedade para saber o que viria a seguir, considerando o quão difícil havia sido chegar ali em primeiro lugar. — A partir de amanhã vamos fazer algo um pouco diferente do comum. Para se divertirem no verão, haverá uma caça ao tesouro!

— Isso mesmo. — Ushio continuou com um sorriso no rosto de quem esperava muito dos alunos que estavam à sua frente. — Talvez não tenham tido tempo de notar, mas esse lugar é na verdade um balneário de oito ilhas, sendo essa a maior e principal. Em cada uma há um desafio diferente. Tenho certeza que vão se sair bem.

— Agora vão dormir. — Aizawa fez um movimento com as mãos, os dispensando. — o resto dos detalhes serão dados amanhã cedo. Estejam aqui ou vamos mandá-los para casa mais cedo.

Izuku ponderou o que tinha acabado de ouvir por um tempo após voltarem para a cabana até que sentiu Shoto tocando em suas costas, em um movimento de chamá-lo para irem dormir. Seguraram as mãos na escuridão por um curto período de tempo até chegarem ao galpão parecido ao do refeitório, onde tendas já estavam armadas, com capacidade para quatro pessoas cada, e se organizaram junto com Iida e Mineta.

Pensando bem, aquela era a primeira vez que de fato dormiria junto com Shoto durante uma noite inteira e, assim que deitou do lado dele, teve vontade de se aninhar ao rapaz. Ao invés disso, porém, encostaram apenas os pés e ficaram se olhando até que pegou no sono

Notas finais
Capítulo passado foi mais iti malia e esse foi mais ação pra equilibrar :D Eu tava sentindo falta já! Espero não ter ficado muito corrido ou confuso. Comentem.