A história de Arthur
6 Expectativas Devassas
Incrível! Tudo parecia nada mais que um sonho. Algo que nunca vi e que nunca veria, apenas em um sonho irrealizável, onde não restaria nada além, simplesmente, da própria ação de sonhar. Mas eu estava ali... Eu estava olhando a minha realidade naquele momento e não um momento de imaginação. Era real. EU ESTAVA ALI.
Não tão alto para ver tudo como um formigueiro, as luzes de Seattle destacavam-se a frente de um horizonte negro. Um brilho individual e coletivo ao mesmo tempo. Cada edifício irradiava sua luz própria, mas que se unia as luzes de outros e assim formavam um aglomerado sem nada em comum a não ser o fato de estarem no mesmo lugar. E o negro... Era o desconhecido que tanto atrai. Apesar de saber o que existe além da cidade, as sombras da noite deixam tudo com um toque de mistério. Como um mar negro delineando a cidade, cercando-a, intimidando a mim mesmo que admirava aquela paisagem quase sombria, deixando a ideia de que só estaria seguro dentro dos muros imaginários da cidade. Algumas horas antes eu me observava no espelho. Há sempre um defeito quando estamos preocupados em impressionar alguém, quando o sucesso da noite depende da nossa aparência, da impressão que queremos causar. Pensava em Philipe. Se ele conseguiu fazer este convite poderia estar decidido sobre sua sexualidade e, agora, talvez só faltasse um puxão para arranca-lo do armário. Sorria com a ideia de ser eu a despertar o seu verdadeiro ser. Algo em mim se regozijava com essa possibilidade. Então precisava mostrar que ele estava fazendo a escolha certa. Saio do quarto e vou a janela da sala ver se seu carro está a minha espera. Marquei com o Sr. Grey em casa e sai mais cedo do trabalho. Não podia deixá-lo me ver de todo jeito. Cheguei, comi algo mesmo sem fome, para não correr o risco de ouvir minha barriga exigindo comida em qualquer momento ao lado dele. Em seguida tomei um banho e verifiquei como estava nas partes onde mais queria ser tocado naquela noite. Tudo bem, não seria necessário me depilar. Escolhi uma da melhores roupas. Aguardava, agora, por ele em pé na frente da janela. Nada na rua que mostrasse ser ele. Meu olhar se perdeu no nada da rua. Fiquei imaginando as expectativas para aquela noite, e em como me arriscava. Não era uma pessoa ingênua, também não possuía o romantismo vendando os meus olhos. Então como poderia me imaginar ajudando uma pessoa inrrustida como Philipe Grey se assumindo? Seria burrice achar que ele poderia se assumir por mim. Mas se não fosse assim? Se ele realmente estivesse decidido a algo e pudesse ajuda-lo? Eu estaria sendo egoísta. É difícil crer que alguém que pode tudo possa se ressentir em escolher seus próprios caminhos. Mas e o medo dele? A incerteza ao me convidar! Sinto a cabeça doer. Vejo os olhos e pendo a cabeça para trás.— Olha ele! — diz Kate saindo do seu quarto me pegando de surpresa. — Onde vais assim, migs? Volto a olhar a janela, vou deixar ela descobrir sozinha. Ainda devo deixá-la na ignorância, não vou dize-la que seu plano deu certo.— Vou sair com uns amigos. — digo apenas.— Com os amiguinhos?!! — Incrédula, brinca. Sorriu, mas não dou muita atenção porque o carro dele aparece no começo da rua e eu esqueço todo o resto, inclusive as dúvidas anteriores. Sinto meu corpo estremecer. Aquele objeto de luxo, vindo me buscar eleva minha autoestima e me faz lembrar o dono dele. Penso que se ele quisesse eu faria sexo com ele ali mesmo, naquele carro. Ele é bonito, rico e inteligente. E... Se está aqui é porque me quer. Ele me quer! Não sou ingênuo para não crer que seu dinheiro me impressiona, mas digo para mim mesmo que não sou ambicioso, e procuro justificar minha satisfação no fato de uma pessoa como ele estar interessada em mim, do que a pessoa quem ele é. Me disperso de Kate com o seu olhar de "depois conversamos". Dou uma risadinha e ela compreende.— Não vais me esconder os teus podres por muito tempo, Ar!! — diz ela sentenciosamente, se encaminhando a janela. Vejo a porta imaginando a sua reação quando ver Philipe Grey me aguardando. Então percebo o óbvio com outra visão: Philipe Grey está me aguardando, ele espera por mim. Paro no meio da escada e me encosto no apoio. Nunca sai com alguém como ele. Talvez seja isso que me impressione tanto, alguém diferente dos quais costumo sair. O desconhecido sempre me interessou, filmes clichês me deixam entediado. Penso que se não fosse o fato dele ser inrrustido já estaríamos bem adiantados nisso tudo. Volto a descer as escadas, abro a porta e o vento frio fere meu rosto. Fecho a porta, caminho na sua direção.— Sr. Grey! — Estendo minha mão para um cumprimento. Ele responde ao meu gesto e aperta forte.— Me chama de Philipe. Eu já pedi! — sorri. Entro no seu jogo, sentido seu aperto de mão. Sorriu também, um sorriso quase biquinho, encarando-o. Não digo nada. Ele abre a porta do carona para que eu possa entrar.— Não precisa ser um cavalheiro, não sou uma dama! — Provoco. Mas ele continua com o mesmo sorriso.— Eu sei. Responde por fim. Deixa a porta aberta e se dirigi para o lado do motorista. Enquanto caminha dou uma olhada no seu bumbum. A calça o apertando bem, dando a impressão de mais volume. Digo para mim que não serei mesmo uma dama. Nos nossos joguinhos, eu também quererei me impor.
Entro no carro e fecho a porta, enquanto espero ele dar a partida, observo o interior daquele veículo. Bem organizado e limpo. Imagino como deverá ser sua casa e me pergunto se um dia chegarei a conhece-lá. O carro segue na direção oposta ao que imaginava. Pensei que iriamos jantar em um dos melhores restaurantes da cidade... Mas ele não dirige neste sentido. Olho para ele sem perguntar nada, esperando que diga algo.— Então Steele, como foi seu dia?— Normal. — Sorriu e volto a olhar para frente. Não era esta pergunta que queria ouvir. — Então Sr. Grey? Para onde está me levando? As palavras saem com um duplo sentido, e ele compreende. Mas antes que posso dizer algo, entra no estacionamento de um empresarial e para o carro. Fico confuso.— Vamos. — Chama-me, saio com certo ressentimento. Várias coisas, não muito boas, já aconteceram em estacionamentos. E ninguém sabe que estou aqui com ele. Começo a desejar, do fundo do meu coração apavorado, que Kate tenha ido a janela e reconhecido ele. — Venha Steele. Algum problema? Ele fala com tal delicadeza e atenção que fico mais calmo e consigo dizer um não, tudo bem. Sigo-o até o elevador, ele sem dizer uma única palavra, se divertindo com a minha posição. Começo a rir, não tão sutil como o Sr. Grey, que olha para mim sem disfarçar que também está achando graça.— Desculpa — digo — Não é que te ache perigoso...— Não se desculpe, Steele. Você está certo em se preocupar com sua segurança.— Obrigado. — Falo sem jeito. O modo como me repreendeu e elogiou ao mesmo tempo fui incrível. Ele me olhava com certa atenção, fiquei feliz. Não sei o porque, mas sua admiração significava algo para mim. No entanto não fico por muito tempo me preocupando com o seu olhar em mim, pois o elevador para e quando a porta se abre verifico que estamos no terraço do edifício, numa espécie de heliporto, e há justamente um helicóptero a nosso espera. Philipe sai do elevador e me chama. Faço que sim com a cabeça enquanto meus olhos percorre aquele gigantesco objeto.— Agente vai de helico...— Sim. — Ele diz satisfeito com a impressão que causo-me. Segui-o meio que involuntariamente, fascinado com tudo aquilo. E então percebo que estamos indo para algum lugar que, ainda, não faço a mínima ideia qual seja.— Por aqui, Steele. Ele me conduz para o lado oposto do piloto, para o banco de traz. O piloto está no seu lugar e responde ao cumprimento de Philipe quando nos aproximamos, desviando rapidamente o olhar dos controles. Philipe fica desconfortado. Imagino que devido ao fato de ter outro alguém conosco neste momento. Tento ignorar a situação. Apoio-me no seu ombro para entrar no helicóptero e ele põe a mão na minha cintura.— Sr. Grey? Para onde estamos indo? Pensei que iriamos jantar.— Sim. E vamos. Mas na minha casa, Steele. — Diz, seus olhos queimando de desejo com as expectativas para aquela noite. Não digo nada. Apenas o olho intensamente, compartilhando os seus pensamentos, suas expectativas. E crio as minhas próprias. Entro e me acomodo enquanto o aguardo, pensando nas expectativas para aquela noite... Nas minhas expectativas devassas.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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